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André Rodrigues de Almeida (mais conhecido com André Rodrigues), nascido em 12/10/1982, na Cidade de Jaboatão dos Guararapes, no Estado de Pernambuco. É Teólogo formado pela - Escola de Teologia das Assembléias de Deus no Brasil - ESTEADEB. Foi aluno laureado no ano de 2010, e publicou o Trabalho de Conclusão de Curso pela Editora Nossa Livraria (Editora e Comércio de Livros Jurídicos Ltda), no Estado de Pernambuco no início do ano de 2011 com o Tema: O Tríplice Ofício de Cristo: Profeta, Sacerdote e Rei.

É escritor, articulista e criador de conteúdos em (Teologia em Alta, Benfica RelógiosSkinni Jeans e Leitura Saudável), além do grupo de compras e vendas (Rapidão Negociação) no Facebook. Escreve publicações voltadas para a teologia em: Teologia em Alta e no Leitura Saudável, dispõe de assuntos diversos, frases, pensamentos e comenta política cotidiana.


segunda-feira, 6 de março de 2017

A CONTROVERSA INSTITUIÇÃO DO OFÍCIO RÉGIO EM ISRAEL - Por André Rodrigues



Como registramos acima, todas as antigas civilizações possuíam representantes legais instituídos na sua esfera política. Israel, não! Essa complexa situação pode ser explicada largamente com textos das Escrituras, que afirmam ser Deus o verdadeiro representante régio da nação judaica. No canto de Moisés, por exemplo, após a vitória sobre os egípcios submersos pelo mar[1], diz-se: “O SENHOR reinará eterna e perpetualmente” (Êx 15.18, ARC). Em outro lugar diz-se que se o povo obedecesse a Deus, dando ouvidos a Sua voz e guardando os Seus mandamentos, seriam Seu “reino de sacerdotes e nação santa” (Êx 19.6, ARA, grifo nosso). Para que haja um reino, é necessário haver um Rei. A nação de Israel era regida por Deus, caracterizando, assim, um governo teocrático[2], ou seja, um domínio exercido pelo próprio Deus. “O trecho de Isaías 33.22 afirma enfaticamente o princípio envolvido: “Porque o Senhor é o nosso juiz, o Senhor é o nosso legislador, o Senhor é o nosso rei: Ele nos salvará” (CHAMPLIN, 1995, vol. V, p. 618). Ademais, num sentido organizacional, havia representantes nas primitivas tribos judaicas. Douglas explica que: Na história de Israel, as primitivas tribos nômades eram governadas pelo patriarca do clã. Durante o êxodo do Egito, o governo foi exercido por Moisés, sucedido posteriormente por Josué, naquilo que era praticamente uma teocracia, na qual o líder não-hereditário era eleito pela chamada divina e reconhecido pelo povo, ainda que não sem certo protesto (Êx 4.29s.; Nm 16.1s.). Quando Israel se estabeleceu na Palestina,[3] inicialmente, as tribos eram governadas principalmente pelos anciãos das vilas (Jz 11.5), os quais podiam convocar algum homem de sua escolha para comandar a milícia contra o inimigo (Et All, 2006, p. 1146).

Ratificando a citação acima, Champlin (1995, vol. V, p. 618) expõe que “na antiga nação de Israel, a autoridade era exercida, essencialmente através de chefes de aldeias [...], quando necessário, esses chefes podiam convocar um exército de emergência (Jz 11.9)”.  Essa complexa configuração governamental, regida por chefes de aldeias, não era muito conveniente: “Depois da morte de Josué, a nação hebraica não tinha um governo central forte” (HALLEY, 2001, p. 162). Tal situação conturbada apenas foi reestruturada, mais tarde, com a literal instituição do ofício régio em Israel.

Quanto à falta de estrutura existente nesse sistema de governo, Halley explica:[...] Tratava-se de uma confederação de doze tribos independentes, destituídas de qualquer elemento de unificação, a não ser o próprio Deus. A forma de governo nos dias dos juízes[4] (libertadores) era aquela que se chama “teocracia”, ou seja, considerava-se que o próprio Deus era o governante direto da nação. Entretanto, o povo não levava muito a sério o seu Deus – os israelitas recaíam continuamente na idolatria. Vivendo numa condição de anarquia mais grave ou menos grave, afligidos ocasionalmente por guerras civis entre si mesmos e cercados por inimigos que faziam repetidas tentativas de exterminá-los, os hebreus tiveram um desenvolvimento nacional muito lento. Os israelitas não se tornaram uma grande nação a não ser quando foram organizados em um reino nos dias de Samuel e de Davi (2001, p. 162).  

 “Após o desaparecimento dos fortes líderes, como Moisés e Josué, os chefes de aldeias nunca foram suficientemente importantes para impedir o caos” (CHAMPLIN, 1995, vol. V, p. 619). Nesse contexto, ocorre exatamente a triste expressão máxima: “Naqueles dias, não havia rei em Israel, porém cada um fazia o que parecia reto aos seus olhos” (Jz 21.25, ARC, grifo nosso). Entretanto, um pouco mais à frente, embora nesse mesmo contexto, encontramos dois personagens que conseguiram desenvolver uma liderança diferenciada, mesmo com todos os problemas decorrentes daqueles dias: Eli e Samuel. Acerca deles, Champlin nos informa: Esses dois homens proveram uma forte liderança. Eli era o sacerdote principal[5] em Siló (I Sam. 1:3; 4:13). Samuel tinha uma liderança não-hereditária. Ele governava de diversos lugares em Israel, em seus circuitos pela nação (I Sam. 7:15ss) (1995, vol. V, p. 619). 

Contudo, depois de certa calmaria na nação liderada interinamente por Samuel, surge, entre os judeus, um saliente pedido: a instituição de um rei, como havia em todas as outras nações. Sem dúvida, isso arruinou o coração de Samuel, que entendeu a premente petição como a rejeição da teocracia até então fixada. O texto sagrado nos informa: E sucedeu que, tendo Samuel envelhecido, constituiu a seus filhos por juízes sobre Israel. E era o nome do seu filho primogênito Joel, e o nome do seu segundo, Abias; e foram juízes em Berseba. Porém seus filhos não andaram pelos caminhos dele; antes, se inclinavam à avareza, e tomaram presentes e perverteram o juízo. Então, os anciãos de Israel se congregaram, e vieram a Samuel, a Ramá, e disseram-lhe: Eis que já estás velho, e teus filhos não andam pelos teus caminhos; constitui-nos pois, agora, um rei sobre nós, para que ele nos julgue, como o têm todas as nações (I Sm 8.1-5, ARC). 

Essas palavras soaram mal aos ouvidos de Samuel, que tinha zelo excessivo pela nação e, consequentemente, zelo para com o Deus da nação. No entanto, “o pedido provavelmente foi feito em vista da contínua ameaça dos filisteus, que tornava necessária a existência de um exército permanente”[6](DOUGLAS, Et All, 2006, p. 1146). Acerca da receptividade dessa petição por parte dos anciãos representantes do povo, o autor comenta: O descontentamento de Samuel não ocorreu porque o povo julgou que ele estava velho e que os seus filhos não eram dignos de sucedê-lo, mas porque pediram um rei – fato no qual ele via claramente implicações profundas com envolvimentos morais e espirituais. Os seus receios se confirmaram quando o Senhor lhe disse: o povo não te tem rejeitado a ti; antes, a mim me tem rejeitado, para eu não reinar sobre ele. A nação já tinha uma triste história de rebelião e idolatria, e estava, agora, apenas fazendo a Samuel o que já havia feito ao Senhor. Esperava-se que o profeta concordasse com o pedido, mas ele protestou e claramente informou os líderes do resultado de sua escolha (MULDER, Et All, vol. 2, p. 193, grifo do autor). 

Foi nessas circunstâncias que se estabeleceu o ofício real em Israel, tendo Saul como seu primeiro rei. Ele “pertencia à tribo de Benjamim [...] alto, de boa aparência e humilde, [...] começou seu reinado com uma vitória brilhante sobre os amonitas[7]. Desapareceram, então, quaisquer dúvidas a respeito da nova monarquia” (HALLEY, 2006, p. 181). Mesmo com a instituição de um rei em Israel, “durante o seu reinado, [...] Samuel, enquanto viveu, preservou a liderança religiosa” (DOUGLAS, Et All, 2006, p. 1146). E Saul se consolidou como o representante da nação. O rei Saul obteve poderes consideráveis, em pouco tempo. Ele tinha a última palavra na administração da justiça e da política interna (II Sam. 15:2; I Rs 3:16). Exercia o poder de vida e morte sobre os cidadãos (II Sam.14). Chegou a imiscuir-se em assuntos religiosos (I Rs 8 e II Rs 12.14; 18:4; 23.1). Era o comandante-em-chefe do exército. E essa era a principal razão pela qual os israelitas queriam ter um rei; porque temiam os muitos inimigos que viviam ameaçando Israel por todos os lados (I Sam 8.20) (CHAMPLIN, 1995, vol. V, p. 619). 

Porém, a história registra que esse aspecto vitorioso do rei Saul não perdurou por muito tempo. Ele se envaideceu e pôs abaixo seu reinado, dando lugar a outro[8] que conseguiria estabelecer uma dinastia preeminente e um relevante respeito em todos os tempos, e, sem exagero, tornar seu reino eterno, figura tipológica do Reino do Messias. Halley expõe, de modo condensado, pelo menos três principais erros cometidos pelo primeiro rei de Israel: O primeiro erro de Saul (cap. 13). Seus sucessos deixaram-no envaidecido em pouco tempo. A humildade foi substituída pela soberba. Ele ofereceu sacrifícios, que era função exclusiva dos sacerdotes. [...] O segundo erro de Saul (cap. 14). A ordem impensada que impôs ao exército para que se abstivesse de alimentos e a sentença de morte, igualmente impensada, que decretou contra Jônatas mostravam ao povo que grande tolo os israelitas tinham como rei. O terceiro erro de Saul (cap. 15). Dessa vez, Saul desobedeceu deliberadamente a Deus. Por causa disso, teve de ouvir a sentença ameaçadora de Samuel: “Assim como você rejeitou a palavra do Senhor, ele o rejeitou como rei” (2001, p. 181, grifos do autor). 

Imaturamente, Saul deixa escapar a oportunidade concedida por Deus de ser um rei que tornasse diferente a história da nação de Israel. Foi tirado do trono, e Davi reinou em seu lugar. Este é considerado o maior rei da história israelita, lembrado até os dias de hoje. É sobre Davi que trataremos no seguinte tópico.   




[1] Cf. Êx 14.27-31.

[2] Teocracia – Esse vocábulo, que não ocorre na Bíblia, originou-se, ao que parece, com o historiador Josefo, quando escreveu: “O nosso Legislador deu-nos um governo que podemos denominar de teocracia, atribuindo o poder e a autoridade a Deus”. Essa relação de Deus com seu povo se vê em Êx 25.22; Jz 8.23; 1Sm 12.12; 2Cr 13.8; 2Sm 7.1-17; Sl 89.27; Dt 17.14-20 (BOYER, 2006, p. 637). Outro ponto a considerar, citado por Geisler (2010, vol. 4, p. 870) é que quando Deus ratificou o concerto mosaico com seu povo, Ele disse: “ Vós me sereis reino sacerdotal e povo santo”. Isso registra o estabelecimento de uma teocracia; Israel aceitou o papel de ser governada diretamente por Deus. Eles eram o reino de Deus na terra, e Ele era o seu Rei. Em termos técnicos, explica Andrade, a definição deste termo no gr. Theos, Deus + kratia, é: governo. Explica ainda que este governo era centrado nas leis de Deus e exercido por sacerdotes. No Antigo Testamento, esta configuração governamental teve um apogeu na judicatura de Samuel, que tinha atuação de profeta, sacerdote e também chefe de Estado (2007, p. 339).

[3] Boyer (2006, p. 489) diz que a palavra Palestina quer dizer: A terra dos Filisteus. Chamava-se, também, A terra de CanaãA terra de IsraelA terra prometidaA terra santa. Em todo o mundo, a Palestina é considerada a pátria dos israelitas e dos judeus.

[4] Os juízes foram 13 homens que o Senhor suscitou para libertar o povo durante a decadência e desunião que se seguiram à morte de Josué. A ira de Deus se ascendia contra Israel por causa da apostasia e imoralidade (BOYER, 2006, p. 383). É incerta a duração do período dos juízes. Ao somarmos todos os anos de opressão e dos juízes individuais, bem como os dos períodos de descanso, chegaríamos ao total de 410 anos (HALLEY, 2006, p. 162).

[5] Eli (uma contração de “Deus é grande”) era um sumo sacerdote. Entre os outros sacerdotes estavam os seus dois filhos, Hofni e Finéias, notáveis por sua corrupção e incredulidade (2.12-17, 23.25; 3.13). Como era hereditário, o sacerdócio passava do pai para os filhos sem consideração pelo caráter ou falta do mesmo (MULDER, Et All, vol. 2, p. 180, grifos do autor).
[6] Cf. I Sm 8.20.

[7] Cf. I Sm 11.

[8] Davi, do heb., Amado. O segundo e o mais ilustre dos reis de Israel, conhecido como “o homem segundo o coração de Deus” (BOYER, 2006, p. 192). Davi era de baixa estatura, de tez clara, de belo aspecto, de grande força física e de muitos atrativos pessoais, homem de guerra, prudente no falar, muito corajoso, bom músico e bastante religioso (HALLEY, 2001, p. 181).

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