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André Rodrigues de Almeida (mais conhecido com André Rodrigues), nascido em 12/10/1982, na Cidade de Jaboatão dos Guararapes, no Estado de Pernambuco. É Teólogo formado pela - Escola de Teologia das Assembléias de Deus no Brasil - ESTEADEB. Foi aluno laureado no ano de 2010, e publicou o Trabalho de Conclusão de Curso pela Editora Nossa Livraria (Editora e Comércio de Livros Jurídicos Ltda), no Estado de Pernambuco no início do ano de 2011 com o Tema: O Tríplice Ofício de Cristo: Profeta, Sacerdote e Rei.

É escritor, articulista e criador de conteúdos em (Teologia em Alta, Benfica RelógiosSkinni Jeans e Leitura Saudável), além do grupo de compras e vendas (Rapidão Negociação) no Facebook. Escreve publicações voltadas para a teologia em: Teologia em Alta e no Leitura Saudável, dispõe de assuntos diversos, frases, pensamentos e comenta política cotidiana.


domingo, 16 de abril de 2017

A IMPORTÂNCIA QUANTO A DOUTRINA DOS OFÍCIOS DE CRISTO - Por André Rodrigues


Diversos teólogos dedicaram suas pesquisas na área da Teologia Sistemática[1]. Nomes como: Charles Hodge, A. A. Hodge, Louis Berkhof, Wayne Gruden, Augustus Hopkins Strong[2], Myer Pearlman, Charles Cadwell Ryrie, Stanley Horton, Charles Finney, Jonh Teodore Mueller, Emery H. Bancroft, Henry Clarence Thiessen, e alguns dos expoentes nacionais tais como Esequias Soares, Severino Pedro da Silva, Zacarias Severa, entre outros, dispõem para nós informações essenciais quanto às doutrinas estabelecidas inerentemente nas Escrituras. Entretanto, muitos dos que se aplicam a esses estudos parecem negligenciar na defesa da Cristologia quando se trata da Doutrina dos Ofícios exercidos pelo Senhor Jesus Cristo, o Munus Triplex[3]. Essa doutrina, parte integrante da Cristologia, traz informações sobre o desenvolvimento do Tríplice Ofício exercido por Ele e reflete todos os aspectos de Sua atuação como Profeta, Sacerdote e Rei, tanto no aspecto exegético-histórico (fundamentado na revelação do Antigo Testamento) quanto no aspecto doutrinário (fundamentado na revelação do Novo Testamento).

Dos vários estudiosos que tratam de sistematizar as doutrinas bíblicas, poucos se preocupam em se esmerar nesse tema como deveriam, tratando a matéria, não raro, com simplicidade e pouca relevância. Muitos outros temas da Cristologia[4] são por demais esclarecidos, como a doutrina do Nascimento Virginal, da Encarnação, das Duas Naturezas, da Sua Impecabilidade etc. Todos esses temas têm sua devida importância. Contudo, o estudo acurado[5] dos Ofícios traz-nos um retrato de um Jesus revestido de uma autoridade sui generis[6]. É triste não poder observar em alguns expoentes do texto bíblico o cuidado em sistematizar pormenorizadamente a relação entre os três principais encargos veterotestamentários e sua aplicação ímpar e superior na vida e pessoa de Jesus.

O “cargo”, “função” e/ou “ocupação”[7] de Jesus declara-nos um serviço[8] dado para os homens como dádiva preciosa, ou seja, a imensurável graça de Deus. Já o sentido próprio “triplo ou tríplice”[9], dá-nos a ideia de revestimento, segurança diferenciada, constituída com mais gênero do que o comum, ou seja, algo estritamente particular[10]. Dessa forma, entendemos que somente em Jesus foi manifesta essa excepcional capacidade. Ele tornou-se O Cristo, O Ungido por excelência, capacitado para Despenseiro Maior das Palavras do Pai, dentre todos os ecônomos (Profeta); consciente de se tornar O Perfeito Sacrifício, Santo e sem máculas, em favor da perdida humanidade (Sacerdote); e, por último, preparado para assumir a completa identidade de Absoluto Rei dos Reis e Senhor dos Senhores (Rei)[11].

Essas foram as distintas qualidades que provavelmente estimularam Sua vinda a este mundo. Não que Ele as necessitasse, mas para tornar possível, através delas, aplicar novamente a ideia original do Pai[12] na coroa da criação, que é o homem.

Assim nos diz as Escrituras:

Então, foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais. E ouviram a voz do SENHOR Deus, que passeava no jardim pela viração do dia; e escondeu-se Adão e sua mulher da presença do SENHOR Deus, entre as árvores do jardim. E chamou o SENHOR Deus a adão e disse-lhe: Onde estás? E ele disse : Ouvi a tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me. [...] E a Adão disse: Porquanto deste ouvidos à de tua mulher e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. Espinhos e cardos[13] também te produzirá; e comerás a erva do campo. No suor do teu rosto, comerás o teu pão, até que te tornes à terra; por que dela foste tomado, porquanto és pó e em pó te tornarás. [...] E fez o SENHOR Deus a Adão e a sua mulher túnicas de peles[14] e os vestiu. [...] O SENHOR Deus, pois, o lançou fora do jardim do Éden, para lavrar a terra, de que fora tomado (Gn 3.7-10; 17-19; 21; 23; ARC).

Antes da queda, Deus cria o homem, coloca-o em um jardim e lhe permite comer de tudo, exceto da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gn 2.16,17). Esse é o primeiro mandamento proibitivo, ou seja, a ministração da Palavra pelo próprio Deus. Depois o homem erra o alvo e cai (Cap. 3), introduzindo, assim, o pecado no mundo. Percebeu que estava nu. Entretanto, Deus provê veste de pele de animal para ele. Aqui temos o registro do primeiro sacrifício. Por último, Deus estabelece preceitos mais contundentes para reger o homem decaído da graça. Em outras palavras, Ele deixa de ser Aquele que o visitava na viração da tarde, para ser estritamente seu Senhor. Foi exatamente isso que fez Jesus com a humanidade perdida: como Profeta, ministrou-lhe a Palavra do Pai; como Sacerdote, morreu por nós, para nos livrar da condenação advinda do pecado; e como Rei, estabeleceu normas e parâmetros para nossa vida, para que não nos tornemos mais uma vez escravos deliberados do pecado, convidando-nos a O seguir até o fim. Se não fosse assim, de nada valeria Seu sacrifício. Dessa forma, Ele buscou resgatar aquele projeto do Plano Original de Deus. 
  
Qual seria, então, a explicação para a falta de atenção dos expoentes teológicos a esse assunto tão valioso? Por que os tratados de Teologia Sistemática preocupam-se somente em definir questões referentes aos temas supracitados em detrimento dessa doutrina? É bem verdade que existem prioridades, contudo a Doutrina do Tríplice Ofício precisa ser explorada, comentada, revista e, principalmente, aplicada, não em sentido literal, é claro, mas a título de conscientização de que essas funções exercidas por Cristo estão intimamente ligadas a nossa condição espiritual atual. Ademais, Cristo faz parte de nossa vida, consequentemente, também esses Ofícios devem fazer. Somos herdeiros das promessas, porque Ele nos relatou tais promessas; somos salvos, porque Ele nos salvou e nos mantém em intercessão junto ao Pai; entendemos Seu Senhorio e Poder, porque O reconhecemos mediante Suas palavras, obras e legado.  

Artigo extraído de: RODRIGUES, André. O Tríplice Ofício de Cristo: Profeta, Sacerdote e Rei. 2011, Editora Nossa Livraria - PE



[1] A Teologia Sistemática consiste em organizar pormenorizadamente as principais doutrinas, alicerçadas nas Escrituras. Andrade (2007, p. 343) diz que se trata da organização lógica e ordenada das verdades alusivas a Deus e ao seu relacionamento com o homem, num sistema doutrinário, cultural e historicamente coeso e harmônico com as escrituras do Antigo e do Novo Testamento. A Teologia Sistemática é conhecida também como dogmática.
[2] Alguns dos principais defensores dos princípios da Teologia Reformada em nossos dias.
[3] Expressão em latim que quer dizer exatamente “Tríplice Ofício”.
[4] [Do gr. christhos, ungido + logia, estudo] Estudo sistemático e ordenado que tem como objeto a vida e a obra de Cristo  [...], levando-se em conta a harmonia e a unidade do Antigo e do Novo Testamento (ANDRADE, 2007, p. 123).
[5] Feito ou tratado com muito cuidado, desvelo ou apuro (AURÉLIO).
[6] [Lat., 'de seu próprio gênero'.] Que não apresenta analogia com nenhuma outra (pessoa ou coisa); peculiar (AURÉLIO).
[7] Do Lat.,  Munus.
[8] Cf.,  Mt 20.28.
[9] Do Lat., Tríplex.
[10] Cf., Mt 1.16; 16.16.
[11] Cf., respectivamente para cada seção apresentada: primeiro Lc 2.25-32, 49; Jo 4.31-34; Hb 1.1; segundo Mt 1.21; IICo 5.21; Gl 1.4; Hb 10.26; IPe 3.18; e por último Mt 2.2; Lc 19.38; 23.3; Jo 1.49; 19.14, 19-22; ITm 1.15-17; Ap 19.16.
[12] O homem viver em perfeita comunhão com Ele. Cf., Gn 1.26-30.
[13] Planta espinhosa da família das compostas (BOYER, 2006, p. 137).
[14] A fim de ocultar sua nudez, o homem preparou inadequadas vestes de folha de figueira, símbolo de boas obras. Em contraste com isso, Deus produziu vestimentas substanciais, feitas de pele de animais. O sacrifício de alguns animais foi necessário para essa provisão. Para os intérpretes cristãos, isso significa a provisão por meio de Cristo, em face de Sua obra expiatória, além da retidão que Ele oferece como resultado de Sua obra (Rom. 3.21-26). As vestimentas recebidas por Adão e Eva foram-lhes supridas divinamente. Agora estavam de novo aptos a estar na presença de Deus (CHAMPLIN, 2001, Vol. 1, p. 38, grifos do autor).


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