terça-feira, 31 de outubro de 2017

A CONSOLIDAÇÃO DA DOUTRINA DOS OFÍCIOS (NA HISTÓRIA) - Por André Rodrigues



Aqui, passaremos a desenvolver a ideia desses ofícios na história. Os reformados costumam falar de três ofícios com relação à obra de Cristo. Berkhof (2004, p. 327) diz-nos que “Calvino foi o primeiro a reconhecer a importância de distinguir os três ofícios do Mediador e chamar a atenção para isto num capítulo específico das suas Instituta”. Entretanto, não deixa de fazer menção de que os chamados primeiros Pais da Igreja ressaltavam esses diferentes ofícios na pessoa de Jesus. Temos, por exemplo, o testemunho de Euzébio de Cesaréia, “Pai da História Eclesiástica (263-340) ‘que’ propôs-se a escrever desde os primórdios da Igreja Cristã até os seus dias” (ANDRADE, 2007, p. 382), o qual disserta sobre o conhecimento dos hebreus referente aos ofícios de Cristo desta forma:

Deve-se saber que, entre os hebreus, o nome de Cristo não era ornamento apenas dos que estavam investidos do sumo sacerdócio e eram ungidos simbolicamente com óleo preparado, mas também dos reis, que eram ungidos pelos profetas por inspiração divina e faziam deles imagem de Cristo, pois efetivamente estes reis já levavam em si mesmos a imagem do poder real e soberano do único e verdadeiro Cristo, Verbo divino, que reina sobre todas as coisas. Além disso, a tradição nos faz saber igualmente que também alguns profetas foram convertidos em Cristo, figuradamente, por meio da unção com óleo, de forma que todos estes fazem referência ao verdadeiro Cristo, o Verbo divino e celestial, único sumo Sacerdote do universo, único rei de toda a criação e, entre os profetas, único sumo Profeta do Pai. Prova disto é que nenhum dos que antigamente foram ungidos simbolicamente: nem sacerdotes, nem reis, nem profetas, possuíam tão alto poder de virtude divina como está demonstrado que possuía Jesus, nosso Salvador e Senhor, o único e verdadeiro Cristo. (EUSÉBIO DE CESARÉIA, 2005, p. 23, grifo meu).

Essa pode ser uma das mais importantes declarações históricas a esse respeito. Retornando, porém, ao período da Reforma, diz-se que não era unânime a concepção dos três ofícios na pessoa de Jesus. Berkhof ressalta que nem todos os teólogos Luteranos declaravam a existência dos três ofícios, mas distinguiam somente dois, fazendo uma junção do ofício profético ao sacerdotal. Contudo, a tríplice distinção consolidou-se como aceita no âmbito comum da teologia, mesmo não havendo concretização quanto à importância desses ofícios e quanto à relação mútua entre eles (2004, p. 327). Esse pensamento acerca do reconhecimento de apenas dois dos ofícios perdurou com os Socinianos.

Os Socinianos, na verdade, reconheciam só dois ofícios: Cristo agiu como profeta na terra, e age como rei no céu. Apesar de falarem também de Cristo como sacerdote, incluíam subordinadamente a Sua obra sacerdotal em Sua obra real e, portanto, não reconheciam o Seu saderdócio terreno. (IBIDEM).

Outros argumentos contrários a essa doutrina são largamente expostos quando entra em cena na Igreja Luterana certa contrariedade “à doutrina dos três ofícios de Cristo”. Berkhof (2004, p. 327) diz que certo Ernesti, teólogo luterano, destaca resumida contestação:

Segundo ele, a divisão dos ofícios é puramente artificial; os termos profetas, sacerdote e rei não são empregados na Escritura no sentido presente nesta divisão; é importante discriminar com clareza uma função em relação as outras, na obra realizada por Cristo; e os termos, como utilizados na Escritura, só são aplicados num sentido figurado e, portanto, não devem ter significados precisos a eles afixados, designando parte particulares da obra de Cristo. (IBIDEM).

Contudo, a explicação acima citada é fraca de argumentação, “visto que são utilizados em todo o Antigo Testamento [os termos] como designativos daqueles que, nos ofícios de profeta, sacerdote e rei, tipificam Cristo” (BERKHOF, 2004, p. 327).

Outro debate é acentuado por Ritschl. Este afirma que “o termo “vocação” deveria tomar o lugar da palavra “ofício”, que se presta a mal intendidos”. [...] “ele considerava a função ou atividade real de Cristo como primordial, e as funções profética e sacerdotal como secundárias e subordinadas, esta indicando a relação do homem com o mundo, e aquela, a sua relação com Deus”. Com isso, Ritschl vai ao extremo e, em alusão à vocação, nega os três ofícios (BERKHOF, 2004, p. 327, 328). Entretanto, Berkhof entende que “a distinção dos três ofícios de Cristo é valiosa e deve ser conservada”.

Contrariando todas as objeções acima destacadas, McGrath (2005, p. 472) afirma que “essa visão do ofício triplo de Cristo tornou-se oficial no século XVII e encontrou plena justificação nas obras dos teólogos protestantes do período”. Este teólogo diz ainda que um célebre François Tirretini “expõe sua visão a respeito desta questão de maneira mais detalhada, em um texto originalmente publicado em latim, no ano de 1679”.

Este oficio mediador de Cristo distribuiu-se entre três funções, que se constituem em três ofícios individuais: o ofício profético, o sacerdotal, e o real... A tríplice miséria humana decorrente do pecado (isto é, a ignorância, a culpa, e a opressão do pecado) torna este tríplice ofício necessário. A ignorância é curada por meio do ofício profético; a culpa, por meio do ofício sacerdotal e a opressão por meio do ofício real. A luz profética dissipa as trevas da ignorância; o merecimento do sacerdote remove a culpa e alcança nossa reconciliação com Deus; o poder do rei vence a opressão do pecado e da morte. O profeta nos mostra Deus; o sacerdote nos leva a Deus; e o rei nos une a Deus em comunhão, trazendo sua glória até nós. O profeta ilumina nossa mente por meio do espírito que traz a luz; o sacerdote alivia nosso coração e consciência por meio do espírito de consolação; o rei subjuga nossas inclinações rebeldes por meio do espírito de santificação (McGRATH, 2005, p. 472).

Assim, concluímos que, tanto os testemunhos mais antigos quanto as objeções, são importantes para a valorização da doutrina, a qual passou despercebida por diversos teóricos em seus tratados teológicos. Toda essa problemática, entretanto, pode ter sido o motivo principal para a falta de esmero pelo referido tema. Mesmo assim, é possível encontrarmos sua presença em alguns poucos teólogos hodiernos.


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Artigo extraído de: RODRIGUES, André. O Tríplice Ofício de Cristo: Profeta, Sacerdote e Rei. 2011, Editora Nossa Livraria - PE

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quinta-feira, 7 de setembro de 2017

A CONSOLIDAÇÃO DA DOUTRINA DOS OFÍCIOS - Por André Rodrigues



A Doutrina do Tríplice Ofício de Cristo é peculiar. Ela pode ser encontrada nos diversos estágios teológicos: em toda a Escritura, principalmente nos teóricos da Reforma Protestante, bem como nos dias hodiernos.   

Consolidação da doutrina dos ofícios em ambos os Testamentos    


Como foi possível observar, os ofícios estabelecidos por Deus, no pacto passado,
com extensão tipológica para o pacto futuro, foram desenvolvidos para a manutenção da ordem, tanto para a nação de Israel como para a Igreja[1], no plano secundário. Esses ofícios, no Antigo Testamento, eram distintos[2], e apenas em raros casos há ocorrência da “união[3] deles na mesma pessoa sob a teocracia, como é o caso de Moisés, que foi, ao mesmo tempo, sacerdote e profeta, e Davi, que foi profeta e rei”, (HODGE, 2001, p. 825). Quanto a sua consolidação na pessoa de Cristo, o autor ainda declara:

No Velho Testamento, os vários ofícios eram distintos. [...] O Messias, durante a teocracia e no uso de linguagem tal como então se entendia, foi predito como profeta, sacerdote e rei. Moisés falando de Cristo, disse: “O Senhor, teu Deus, te suscitará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, semelhante a mim”. Foi sobejamente ensinado que um verdadeiro libertador iria exercer todos os deveres de um profeta como revelador da vontade de Deus. Iria ser um grande mestre de justiça; luz para alumiar os gentios, bem como glória de seu povo Israel. E não menos clara e amiúde se declarava que ele seria sacerdote. “Tu és sacerdote para sempre segundo a ordem de Melquisedeque”; e deveria ser um sacerdote em seu trono (Sl 110.4; Zc 6.13). Deveria levar os pecados do povo e fazer intercessão pelos transgressores. Seu ofício régio é apresentado de maneira tão proeminente nas profecias messiânicas que os judeus o esperavam só na qualidade de rei. Ele reinaria sobre todas as nações. Seu reino não teria fim. Seria Senhor dos senhores e Rei dos reis (IBIDEM).

É consideravelmente possível afirmarmos uma estreita conexão entre o Messias,
aquele que é o Ungido, e o fato de que todos os profetas (1Rs 19.16, Is 61.11), sacerdotes (Êx 30.30; 40.13) e reis (1Sm 10.1; 15.1; 1Rs 19.15,16) somente iniciavam seu ministério após serem ungidos (RYRIE, 2004, p. 291). Dessa forma, clareia-se a ideia de que, no Antigo Testamento, esses ofícios eram literalmente aplicados e, em escala superior, refletiam, em tipo, o que seria perfeitamente desempenhado por Jesus. 
No Novo Testamento, essa consolidação deu-se, é claro, em Jesus. Ele é o Cristo, o Ungido. É fácil entendermos, pela compreensão do significado das palavras Mesiha (aramaico), Masiah (hebraico), Christós (grego) e Chistus (Latim, derivado do grego)[4] (COENEN; BROWN, 2000, p. 1079), que Ele recebeu uma unção diferente, a qual, por sua vez, agrega Nele o tríplice ofício: como Profeta, revelar-nos Deus e nos transmitir Sua palavra; como Sacerdote, oferecer-se a Deus como sacrifício em nosso favor; e como Rei, governar tanto a Igreja como o próprio universo (GRUDEM, 1999, p. 523, grifo nosso).
Ratificando essa citação, outro autor destaca:
No Novo Testamento, o Redentor, ao assumir o ofício de Messias prometido, apresentou-se ao povo como seu profeta, sacerdote e rei; e os que os receberam, receberam-no em todos esses ofícios. Ele aplicou a si mesmo todas as profecias referentes ao Messias. Referiu-se a Moisés, predizendo o Messias como profeta; a Davi, estabelecendo-o como sacerdote; e às profecias de Daniel, concernentes ao Reino que ele veio estabelecer. Os apóstolos o receberam como o mestre enviado por Deus para revelar o plano de salvação e para desenvolver o destino futuro da Igreja. No primeiro capítulo da Epístola aos Hebreus, lemos: “Havendo Deus outrora falado muitas vezes, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo”. Nessa Epístola, o sacerdócio de Cristo é apresentado de maneira elaborada. [...] De igual modo, o Novo Testamento está cheio de instrução concernente às bases, natureza, extensão, e duração de seu reino. Ele é constantemente designado como senhor, como nosso dono e soberano absoluto. Nada, pois, pode ser mais claro do que o fato de que os profetas do Velho Testamento predisseram que o Messias seria profeta, sacerdote e rei, de sorte que o Novo Testamento descreve o Senhor Jesus mantendo todos esses ofícios (HODGE, 2001, p. 826).
Portanto, é provada a consolidação desses ofícios na pessoa de Jesus. No Antigo Testamento, através dos tipos referentes a Ele; no Novo, através de Seu ministério e da aplicação do adjetivo Cristo a Sua pessoa. Como foi observado em outro lugar, Ele é o Ungido por excelência, nosso Profeta, Sacerdote e Rei. 

Artigo extraído de: RODRIGUES, André. O Tríplice Ofício de Cristo: Profeta, Sacerdote e Rei. 2011, Editora Nossa Livraria - PE

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[1] Neste sentido, a concentração desses ofícios distintos em Jesus.     

[2] Hodge (2001, p. 825) explica: “O profeta, como tal, não era sacerdote; e o rei não era nem sacerdote nem rei”. 

[3] No tocante a união destes ofícios numa só pessoa, Soares (2008, p. 172, 173) afirma que a família dos Macabeus e os papas da Idade Média atreveram-se a acumular os ofícios de rei e sacerdote. Aristóbulo I, filho de Hircano, descendente de Matatias, sacerdote da linhagem de Jeoiaribe (I Cr 24.7), foi o primeiro a usar o título “Rei dos Judeus”, segundo Josefo. Porém, seu reinado não durou muito, pois foi substituído por seu irmão Alexandre Janeu. Depois deles, alguns papas na Idade Média esforçaram-se para ter o domínio do poder espiritual e temporário, entre eles Gregório VII (1073-1085) e Inocêncio III (1198-1216). Todos reivindicaram indevidamente essa posição, que é exclusiva de Jesus (Ap. 19.11-13). 
[4] Todas essas palavras significam, respectivamente, Messias, Cristo e Ungido, e definem alguém como Ungido por Excelência, Jesus. 

domingo, 20 de agosto de 2017

A MANIFESTAÇÃO DOS OFÍCIOS EM JESUS - (REI) - Por André Rodrigues

A monarquia no Antigo Testamento

Sabe-se que todas as antigas nações registradas nas Escrituras possuíam um representante legal instituído[1], ou seja, um homem escolhido para arcar com a função de estar à frente de seu povo. Tal indivíduo, por sua vez, é conhecido comumente pelo substantivo rei. Esse substantivo, derivado do heb. melek, aparece, segundo Vine, 2.513 vezes no Antigo Testamento (2004, p. 258). Champlin (1995, vol. V, p. 617) ressalta que essas ocorrências vão desde Gn 14.1 até Dn 7.24. Já a expressão no grego é basiléus[2], “termo que aparece por cento e onze vezes. Se considerarmos seus cognatos, como “rainha”, “reinar”, e “reino”, então esse número aumentará para mais de trezentas vezes”. O rei era o representante maior da nação nas questões relacionadas ao social e não incomum às questões espirituais. Essas referências podem ser observadas principalmente nas nações pagãs[3], nas quais a relação entre governantes e a divindade era íntima. “No Egito, a tendência era que o faraó ou rei recebesse a posição equivalente a de um deus; na Assíria, o rei era antes o representante do deus” (DOUGLAS, 2006, p. 1146), desta forma, exercia a função de profeta, que, como observamos noutro lugar, era o legal representante da Divindade na Terra.
[...] a linhagem real dominante em países de mais elevada civilização, com freqüência era identificada com alguma divindade, ou mesmo com vários deuses. Esse era um corolário natural do conceito de que os deuses eram os protetores destes ou daquele povo. O rei, por ser a principal autoridade de uma nação, torna-se a encarnação da proteção daquela divindade. [...] os anais dos povos gentílicos nos fornecem uma visão imanente do poder divino, onde homens e deuses misturam-se livremente. O rei, pois, era aquele que desfrutava de contacto mais íntimo e constante com os deuses. [...] Através dos longos séculos da história egípcia, e também com freqüência na da Mesopotâmia, os deuses eram considerados uma espécie de alta realeza que governava os homens, e os reis e os sacerdotes, eram tidos como seus representantes especiais. Também devemos pensar nos homens que, de algum modo, eram considerados descendentes dos deuses, de onde, supostamente, derivava-se o seu poder. [...] Faraó, do Egito, era tido como uma espécie de encarnação do deus Horus; pelo que todos os Faraós, em seus títulos, tinham alguma referência a essa divindade. Além disso, vários epítetos de divindades mesopotâmicas são os mesmos adotados pelos reis humanos (CHAMPLIN, 1995, vol. V, p. 618).

Esses diversos reis nem sempre eram responsáveis por grandes áreas. Champlin diz que, às vezes, os governantes locais eram chamados de “rei”[4] (1995, vol. 5, p. 617). A Escritura faz menção a um homem por nome de Ninrode, que aparece como sendo o primeiro homem da história a ser chamados rei (Gn 10.8-12) e detentor de um reino[5] com diversas cidades[6] erguidas por ele próprio. No versículo nove, do referido livro do Gênesis, Ninrode é apresentado como “poderoso caçador[7] diante da face do Senhor” (ARC). Mais adiante, quando a expressão hebraica melek, ou seja, rei, aparece literalmente (Gn 14.1), faz-se menção à história de uma guerra de quatro reis contra cinco, no Vale de Sidim, região sul do Mar Morto. Harmonizando-se com a citação de Champlin quanto às pequenas áreas governadas por esses reis, Halley explica:
Os exércitos da época eram pequenos, e os “reis” eram, na realidade, príncipes tribais. [...] Os reis mencionados em Gênesis 14 aparecem somente no texto bíblico. (A conjecturada identificação entre o Anrafel da Bíblia e o rei Hamurábi da Babilônia não é muito plausível). Sabe-se, segundo os documentos da escrita cuneiforme descobertos em Mari e em outros lugares, que no período patriarcal os reis muitas vezes faziam alianças para guerrear contra outros reis – situação que se vê refletida em Gênesis 14 (2001, p. 92).  
Além dos reis acima citados, outros são mencionados nas Escrituras neste contexto: os pagãos do Egito (Intitulados Faraós), os da Pérsia, os de Edom, os de Canaã, etc. (CHAMPLIN, 1995, vol. V, p. 617). Isso ilustra muito bem o argumento de que todas as nações da antiguidade possuíam seus reis, regentes de cada povo respectivamente. Mais tarde, numa situação um tanto conturbada, surge, em Israel, o estabelecimento do ofício real, tendo Saul como o primeiro rei institucional da nação. 
A controversa instituição do ofício real na nação judaica, renegando-se ao governo teocrático, será nosso próximo assunto.

A controversa instituição do ofício régio em Israel

Como registramos acima, todas as antigas civilizações possuíam representantes legais instituídos na sua esfera política. Israel, não! Essa complexa situação pode ser explicada largamente com textos das Escrituras, que afirmam ser Deus o verdadeiro representante régio da nação judaica. No canto de Moisés, por exemplo, após a vitória sobre os egípcios submersos pelo mar[8], diz-se: “O SENHOR reinará eterna e perpetuamente” (Êx 15.18, ARC). Em outro lugar diz-se que se o povo obedecesse a Deus, dando ouvidos a Sua voz e guardando os Seus mandamentos, seriam Seu “reino de sacerdotes e nação santa” (Êx 19.6, ARA, grifo nosso). Para que haja um reino, é necessário haver um Rei. A nação de Israel era regida por Deus, caracterizando, assim, um governo teocrático[9][10], ou seja, um domínio exercido pelo próprio Deus. “O trecho de Isaías 33.22 afirma enfaticamente o princípio envolvido: “Porque o Senhor é o nosso juiz, o Senhor é o nosso legislador, o Senhor é o nosso rei: Ele nos salvará” (CHAMPLIN, 1995, vol. V, p. 618). Ademais, num sentido organizacional, havia representantes nas primitivas tribos judaicas. Douglas explica que:

Na história de Israel, as primitivas tribos nômades eram governadas pelo patriarca do clã. Durante o êxodo do Egito, o governo foi exercido por Moisés, sucedido posteriormente por Josué, naquilo que era praticamente uma teocracia, na qual o líder não-hereditário era eleito pela chamada divina e reconhecido pelo povo, ainda que não sem certo protesto (Êx 4.29s.; Nm 16.1s.). Quando Israel se estabeleceu na Palestina,[11] inicialmente, as tribos eram governadas principalmente pelos anciãos das vilas (Jz 11.5), os quais podiam convocar algum homem de sua escolha para comandar a milícia contra o inimigo (Et All, 2006, p. 1146).
Ratificando a citação acima, Champlin (1995, vol. V, p. 618) expõe que “na antiga nação de Israel, a autoridade era exercida, essencialmente através de chefes de aldeias [...], quando necessário, esses chefes podiam convocar um exército de emergência (Jz 11.9)”.  Essa complexa configuração governamental, regida por chefes de aldeias, não era muito conveniente: “Depois da morte de Josué, a nação hebraica não tinha um governo central forte” (HALLEY, 2001, p. 162). Tal situação conturbada apenas foi reestruturada, mais tarde, com a literal instituição do ofício régio em Israel.
Quanto à falta de estrutura existente nesse sistema de governo, Halley explica:
[...] Tratava-se de uma confederação de doze tribos independentes, destituídas de qualquer elemento de unificação, a não ser o próprio Deus. A forma de governo nos dias dos juízes[12] (libertadores) era aquela que se chama “teocracia”, ou seja, considerava-se que o próprio Deus era o governante direto da nação. Entretanto, o povo não levava muito a sério o seu Deus – os israelitas recaíam continuamente na idolatria. Vivendo numa condição de anarquia mais grave ou menos grave, afligidos ocasionalmente por guerras civis entre si mesmos e cercados por inimigos que faziam repetidas tentativas de exterminá-los, os hebreus tiveram um desenvolvimento nacional muito lento. Os israelitas não se tornaram uma grande nação a não ser quando foram organizados em um reino nos dias de Samuel e de Davi (2001, p. 162).   
“Após o desaparecimento dos fortes líderes, como Moisés e Josué, os chefes de aldeias nunca foram suficientemente importantes para impedir o caos” (CHAMPLIN, 1995, vol. V, p. 619). Nesse contexto, ocorre exatamente a triste expressão máxima: “Naqueles dias, não havia rei em Israel, porém cada um fazia o que parecia reto aos seus olhos” (Jz 21.25, ARC, grifo nosso). Entretanto, um pouco mais à frente, embora nesse mesmo contexto, encontramos dois personagens que conseguiram desenvolver uma liderança diferenciada, mesmo com todos os problemas decorrentes daqueles dias: Eli e Samuel. Acerca deles, Champlin nos informa:
Esses dois homens proveram uma forte liderança. Eli era o sacerdote principal[13] em Siló (I Sam. 1:3; 4:13). Samuel tinha uma liderança não hereditária. Ele governava de diversos lugares em Israel, em seus circuitos pela nação (I Sam. 7:15ss) (1995, vol. V, p. 619).     
Contudo, depois de certa calmaria na nação liderada interinamente por Samuel, surge, entre os judeus, um saliente pedido: a instituição de um rei, como havia em todas as outras nações. Sem dúvida, isso arruinou o coração de Samuel, que entendeu a premente petição como a rejeição da teocracia até então fixada. O texto sagrado nos informa:

E sucedeu que, tendo Samuel envelhecido, constituiu a seus filhos por juízes sobre Israel. E era o nome do seu filho primogênito Joel, e o nome do seu segundo, Abias; e foram juízes em Berseba. Porém seus filhos não andaram pelos caminhos dele; antes, se inclinavam à avareza, e tomaram presentes e perverteram o juízo. Então, os anciãos de Israel se congregaram, e vieram a Samuel, a Ramá, e disseram-lhe: Eis que já estás velho, e teus filhos não andam pelos teus caminhos; constitui-nos pois, agora, um rei sobre nós, para que ele nos julgue, como o têm todas as nações (I Sm 8.1-5, ARC).
Essas palavras soaram mal aos ouvidos de Samuel, que tinha zelo excessivo pela nação e, consequentemente, zelo para com o Deus da nação. No entanto, “o pedido provavelmente foi feito em vista da contínua ameaça dos filisteus, que tornava necessária a existência de um exército permanente”[14](DOUGLAS, Et All, 2006, p. 1146). Acerca da receptividade dessa petição por parte dos anciãos representantes do povo, o autor comenta:

O descontentamento de Samuel não ocorreu porque o povo julgou que ele estava velho e que os seus filhos não eram dignos de sucedê-lo, mas porque pediram um rei – fato no qual ele via claramente implicações profundas com envolvimentos morais e espirituais. Os seus receios se confirmaram quando o Senhor lhe disse: o povo não te tem rejeitado a ti; antes, a mim me tem rejeitado, para eu não reinar sobre ele. A nação já tinha uma triste história de rebelião e idolatria, e estava, agora, apenas fazendo a Samuel o que já havia feito ao Senhor. Esperava-se que o profeta concordasse com o pedido, mas ele protestou e claramente informou os líderes do resultado de sua escolha (MULDER, Et All, vol. 2, p. 193, grifo do autor).
Foi nessas circunstâncias que se estabeleceu o ofício real em Israel, tendo Saul como seu primeiro rei. Ele “pertencia à tribo de Benjamim [...] alto, de boa aparência e humilde, [...] começou seu reinado com uma vitória brilhante sobre os amonitas[15]. Desapareceram, então, quaisquer dúvidas a respeito da nova monarquia” (HALLEY, 2006, p. 181). Mesmo com a instituição de um rei em Israel, “durante o seu reinado, [...] Samuel, enquanto viveu, preservou a liderança religiosa” (DOUGLAS, Et All, 2006, p. 1146). E Saul se consolidou como o representante da nação.

O rei Saul obteve poderes consideráveis, em pouco tempo. Ele tinha a última palavra na administração da justiça e da política interna (II Sam. 15:2; I Rs 3:16). Exercia o poder de vida e morte sobre os cidadãos (II Sam.14). Chegou a imiscuir-se em assuntos religiosos (I Rs 8 e II Rs 12.14; 18:4; 23.1). Era o comandante-em-chefe do exército. E essa era a principal razão pela qual os israelitas queriam ter um rei; porque temiam os muitos inimigos que viviam ameaçando Israel por todos os lados (I Sam 8.20) (CHAMPLIN, 1995, vol. V, p. 619).
Porém, a história registra que esse aspecto vitorioso do rei Saul não perdurou por muito tempo. Ele se envaideceu e pôs abaixo seu reinado, dando lugar a outro[16] que conseguiria estabelecer uma dinastia preeminente e um relevante respeito em todos os tempos, e, sem exagero, tornar seu reino eterno, figura tipológica do Reino do Messias. Halley expõe, de modo condensado, pelo menos três principais erros cometidos pelo primeiro rei de Israel:

O primeiro erro de Saul (cap. 13). Seus sucessos deixaram-no envaidecido em pouco tempo. A humildade foi substituída pela soberba. Ele ofereceu sacrifícios, que era função exclusiva dos sacerdotes. [...] O segundo erro de Saul (cap. 14). A ordem impensada que impôs ao exército para que se abstivesse de alimentos e a sentença de morte, igualmente impensada, que decretou contra Jônatas mostravam ao povo que grande tolo os israelitas tinham como rei. O terceiro erro de Saul (cap. 15). Dessa vez, Saul desobedeceu deliberadamente a Deus. Por causa disso, teve de ouvir a sentença ameaçadora de Samuel: “Assim como você rejeitou a palavra do Senhor, ele o rejeitou como rei” (2001, p. 181, grifos do autor).
Imaturamente, Saul deixa escapar a oportunidade concedida por Deus de ser um rei que tornasse diferente a história da nação de Israel. Foi tirado do trono, e Davi reinou em seu lugar. Este é considerado o maior rei da história israelita, lembrado até os dias de hoje. É sobre Davi que trataremos no seguinte tópico.    

Davi, o maior rei da história de Israel

Depois da inevitável queda de Saul, Davi é escolhido por Deus para assumir o reinado na nação judaica. Inicialmente, sua escolha e também sua unção ocorrera de modo oculto[17], para não haver represálias por parte de Saul. “A unção não podia ter sido realizada abertamente, pois nesse caso Saul teria matado Davi” (HALLEY, 2001, p. 181). Logo após Samuel ungir Davi, conforme o mandado do Senhor, as Escrituras retratam que “desde aquele dia em diante, o Espírito do Senhor se apoderou de Davi” (I Sm 16.13). Mulder (2009, vol. 2, p. 208) ressalta que isso foi possível, unicamente, com a finalidade de “dotá-lo com sabedoria e poder”, e para que servisse de “orientação para o cumprimento dos propósitos de Deus para a sua vida”. Num pequeno trecho do livro de Atos, Lucas detalha as palavras de Paulo no discurso aos judeus, na sinagoga de Antioquia da Pisídia[18], dizendo:
O Deus deste povo de Israel escolheu a nossos pais e exaltou o povo, sendo eles estrangeiros na terra do Egito; e com braço poderoso o tirou dela; e suportou os seus costumes no deserto por espaço de quase quarenta anos. E, destruindo a sete nações na terra de Canaã, deu-lhes por sorte a terra deles. E, depois disto, por quase quatrocentos anos, lhes deu juízes, até ao profeta Samuel. E, depois, pediram um rei, e Deus lhes deu, por quarenta anos, a Saul, filho de Quis, varão da tribo de Benjamim. E, quando este foi retirado, lhes levantou como rei a Davi, ao qual também deu testemunho e disse: Achei a Davi, filho de Jessé[19], varão conforme o meu coração, que executará toda a minha vontade (At 13.17-22, ARC, grifo meu).   
Dessa forma, ficamos sabendo que Davi era varão segundo o coração de Deus. Soares declara que “isso significa ser ele um homem que se conduzia de acordo com a vontade de Deus, seus desejos e propósitos eram afinados com os de Deus”. O autor diz ainda que “a história de Davi ocupa mais espaço do que qualquer outro personagem do Antigo Testamento”. Sem exagero, a figura grandiosa do rei Davi é particular em Israel. O referido autor conclui: “ele reinou sete anos em Judá e 33 anos em todo o Israel, num total de quarenta anos[20]. Começou a reinar aos 30 anos de idade (2Sm 54.5). Fundou uma dinastia que durou 425 anos. Poucas famílias na história conseguiram tal proeza” (2008, p. 122). 
Segundo Champlin:
Davi era espiritualmente superior a Saul (I Sam. 13:14; I Reis 11:4; 14:8). O governo[21] de Davi foi muito bem-sucedido, dos ângulos, pessoal, militar e religioso, de tal modo que Davi chegou a ser considerado o monarca ideal[22] (1995, vol. V, p. 619). 
Esse diferencial que havia em Davi fez com que Deus estabelecesse com ele um eterno pacto, do qual descenderia Jesus, o Messias. “A graciosa aliança de Deus com Davi prometia que o direito de governar permaneceria para sempre[23] com a dinastia de Davi” (RYRIE, 2004, p. 296).
A primeira promessa feita a Davi é uma fundação de uma dinastia davídica: “O SENHOR te fará saber que o SENHOR te fará casa” (v 11), depois de sua morte ela continuaria[24]: “estabelecerei o seu reino” (v. 12). A palavra profética revela a relação pai-filho e a continuidade da casa davídica, que não será quebrada como foi a casa de Saul, ainda que esse filho venha pecar, será castigado, mas “benignidade não se apartará dele” (v.v 14.15[25])  (SOARES, 2008, p. 124).
Dentro dessa linha, outro autor fortalece a argumentação:
O pacto davídico (Sl 132:11ss)[26], sem dúvida, foi um fator essencial na importância dele, visto que tornava-se clara a existência de um propósito divino, operante através da linhagem de Davi. Esse propósito era surgimento do Messias, Jesus Cristo. Davi tornou-se uma espécie de rei-sacerdote[27], tendo restaurado, até certo ponto, o ideal mosaico (II Sam. 6:13 ss) (CHAMPLIN, 1995, Vol.V, p. 619).
Portanto, percebe-se quão importante foi Davi na história. Respeitado como o maior de todos os reis[28] de Israel. Um dos principais tipos de Jesus e detentor de uma soberania familiar proposta por Deus para a elevação do Messias, que seria considerado, por sua vez, o Eterno descendente de Davi. 


Jesus, O Eterno Descendente de Davi    


Depois de tecermos comentários sobre os ofícios de Jesus como Profeta e Perfeito Sumo Sacerdote, falaremos, agora, sobre Seu ofício de Rei, o terceiro do tríplice ofício. Partiremos do pressuposto de sua atuação como Rei nos Evangelhos sinópticos, na implantação deste reino no início do Seu ministério, como também dos aspectos característicos dessa atuação durante Seu estado de humilhação, após a ascensão e, por último, no futuro reinado do Milênio[29]

Como foi possível observar, havia diversas promessas[30] que diziam respeito a um Rei, descendente da casa de Davi, que reinaria eternamente. Severa (1999, p. 241) cita que “os profetas do Antigo Testamento falaram de um rei que viria da casa de Davi, para governar Israel e as nações, com justiça, paz e prosperidade (Is 11.1-9)”. Este Rei é Jesus[31]. Uma dessas muitas promessas é relatada pelo profeta Isaías:

Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz; para que aumente o seu governo, e venha paz sem fim, sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer e o firmar mediante o juízo e a justiça, desde agora e para sempre. O zelo do SENHOR dos Exércitos fará isto[32] (9.6,7, ARA, grifos meu).

Havia, no Novo Testamento, uma expectativa do advento desse Reino. Os judeus conheciam bem as profecias e esperavam ansiosos por um reino terreno político, com a esperança de poderem viver em constante gozo num perfeito reino prometido por Deus, em contraste com a forma que viviam naqueles dias,  subjugados pelos romanos e desgastados por reinos imperiais de outrora. Geisler corrobora, dizendo:

O Novo Testamento contém esta mesma expectativa messiânica do Antigo Testamento de um reino terreno político literal que cumpra todas as profecias a seu respeito. Por exemplo, José de Arimatéia estava esperando o auge deste reino (Mc 15.43; Lc 23.51), e Jesus disse que João Batista morreu antes de se tornar parte dele (7.28; cf. 16.16[33]) (2010, vol. 4, p. 880). Mesmo com a expectativa da chegada do referido Reino, os judeus, em sua maioria, nos dias de Jesus, não deram crédito as Suas palavras. Ainda hoje esperam o advento do Messias. Não conseguiram perceber que Seu Rei estava diante deles. É-nos dito, entretanto, que logo no início de seu ministério, após a prisão de seu precursor, João Batista, “Jesus seguiu para a região da Galiléia e ali anunciava a boa notícia que vem de Deus. Ele dizia: - Chegou a hora, e o Reino de Deus[34] está perto[35]” (Mc 1.14,15, NTLH). Assim, de acordo com Letham (2007, p. 56), Marcos assinala, na verdade, “a primeira proclamação de seu ministério”. Dessa forma, esse registro retrata a inauguração desse Reino.

[...] o reino de Deus era um tema muito importante para Jesus. Esse foi o coração da instrução pós-ressurreição que ele deu aos seus discípulos (At 1.3). Não que isso fosse algo extraordinariamente novo. Além do mais, quando Jesus começou seu ministério, ele o fez com a simples declaração da proximidade do reino de Deus. Tal mensagem pressupôs um entendimento do reino de Deus e de sua natureza. A coisa mais surpreendente sobre isso foi que o reino estava próximo e isso exigia arrependimento imediato de Israel. Esse tema estava presente, em certo sentido, no entendimento de Israel à época de Jesus. O contexto desse entendimento, muito provavelmente encontrava-se no próprio Antigo Testamento. Lembremo-nos da visão de Daniel sobre a sucessiva derrota de reinos[36] humanos causado por uma pedra cortada sem o auxílio de mãos e que por sua vez tornou-se um reino que permanece para sempre (Dn 2. 31-45). Outra visão de Daniel é sobre o domínio eterno dado ao Filho do Homem (Dn 7.9-14). Ambas as visões referiam-se a circunstâncias futuras em relação aos dias de Daniel. Novamente uma expectativa vibrante desenvolveu-se no Antigo Testamento de que o próprio Yahweh viria para libertar o seu povo. Jesus estava, de fato, dizendo a Israel que esse tempo havia chegado (LETHAM, 2007, p. 56).

Após o estabelecimento inicial de seu ministério, Jesus faz a convocação de doze homens, os quais iriam compor o colégio apostólico[37], cobre-lhes de instruções diversas, mostrando a natureza desse Reino[38], atrai para Si inúmeros outros discípulos, prega, cura, realiza milagres, alimenta multidões, quebra grilhões de endemoniados etc. Esses exemplos são encontrados em escala abundante nos quatro Evangelhos. Contudo, seu ministério não é duradouro[39]. Chega o tempo de Sua partida, afinal foi para isto que veio: morrer pela humanidade! Dessa forma:

[...] Na presença de Pilatos[40], testificou que nasceu para ser rei[41]; explicou que seu reino não era deste mundo, isto é, não seria um reino fundado por força humana, nem seria governado de acordo com os ideais humanos (Jo 18.36). Jesus, antes de sua morte, predisse sua vinda com poder e majestade para julgar as nações (Mt 25.31) (PEARLMAN, 2006, p. 172, 173).

De maneira teológica e sistemática, Mueller destaca características do ofício régio de Jesus nas proximidades de sua morte vicária, corroborando a última citação de Pearlman:
Também em seu estado de humilhação, Cristo foi verdadeiro rei, que possuía e exercia o poder divino, não apenas segundo a sua natureza divina (de modo essencial), mas também segundo a sua natureza humana (por comunicação), [...] a Escritura atribui governo a Cristo encarnado (Is 9.6); realeza (Jo 18.37); poder divino (Mt 28.18), etc. [...] Todavia, nosso Salvador não exerceu o emprego perfeito e constante do domínio divino comunicado à natureza humana até a sua exaltação à direita de Deus. (Ef 1.20-23; 4.10; Fp 2.9-11[42]) (2004, p. 306, grifo nosso).

Com efeito, depois de Sua morte e ressurreição, recebeu do Pai a soberana exaltação e coroação de honra e glória, a restauração daquela glorificação que tinha antes da existência do mundo (Jo 17.5); foi feito Senhor e Cristo (At 2.36), Príncipe e Salvador (At 5.31), Juíz dos vivos e dos mortos (At 10.42); assentou-se à direita de Deus nos céus (Ef 1.10), tudo lhe foi entregue em suas mãos (Jo 3.35) e, por último, tornou-se o detentor de todo o poder no céu e na terra (Mt 28.18), (BERGSTÉN, 1999, p. 63). Segundo Hodge (2001, p. 931), “Cristo possui o que os teólogos costumam chamar de seu reino de poder[43]. Como Teantropo[44] e Mediador, foi entregue em sua mão todo o poder [...]”.

Outro ponto a considerar é acentuado por Berkhof (2004, p. 375) quando diz que, “na qualidade de Segunda Pessoa da Trindade[45] Santa, o Filho eterno, Cristo naturalmente compartilha o domínio de Deus sobre todas as Suas criaturas [...] (Sl 103.19)”. Assim, Cristo, cheio de poder e considerado como o “REI DOS REIS e SENHOR DOS SENHORES” (Ap 19.16), está preparado para implantar, literalmente, o Seu Reino. “Porém, a plenitude desse ministério Jesus mostrará quando voltar ao mundo como Rei, para restaurar tudo que os profetas têm predito (cf. At 3.21)”. De acordo com Grudem (1999, p. 527), será de fato percebida essa autoridade sobre a Igreja e também sobre todo o universo “quando Jesus voltar à terra com poder e grande glória para reinar (Mt 26.64; 2Ts 1.7-10; Ap 19.11-16)”. Na oportunidade, “todo joelho se dobrará diante dele (Fp 2.10)[46]”. Posteriormente, virá a implantação do perfeito[47] reino Milenial: “Quando Cristo retornar, ele punirá o diabo e seus emissários e aprisionará Satanás (Ap 19.17-21; 20.1-6), e então reinará no Monte Sião (Jerusalém)”, (GEISLER, 2010, vol. 4, p. 949, grifo nosso). Andrade reúne informações de como será o Milênio e o perfeito reinado de Cristo:

O Milênio terá início após a Grande Tribulação[48], entende-se claramente que será na terra, de acordo com as profecias, Jerusalém será a capital do Reino (Is 2.2,3; 60.1-3; 66.20; Mq 4.8-13). Cristo reinará, na Jerusalém terrena, haverá dois tipos distintos de residentes: os salvos, ou seja, a Igreja glorificada e os povos naturais. Os salvos transformados não estarão restritos unicamente a Jerusalém terrestre, uma vez que, o seu estado é de corpo glorificado. Os judeus salvos, os gentios absorvidos no julgamento das Nações, todos os sobreviventes da Grande Tribulação, além do povo nascido durante os mil anos, também estarão no milênio. Nestes, mil anos, o mundo realmente saberá o que significa a expressão “Paraíso na Terra”. Será mantido o livre-arbítrio, ou seja, as nações que participarem do milênio terão o direito de escolher se querem adorar ao Senhor ou não, com isso, haverá rebeldes[49], e assim significa dizer que o pecado não será totalmente aniquilado neste período. Com este direito de escolha, conclui-se que haverá naqueles dias, salvação em massa (Is 33.6; 62.1; Zc 8.13) (2009, pp. 539-543).

Concluímos, portanto, que Cristo, no Milênio, implantará definitivamente Seu Reino, agora só percebido parcialmente. Naqueles dias, será possível serem observados critérios de governo e liderança diferentes dos atuais, porque Cristo, sendo perfeito, reinará perfeitamente. Então se cumprirá, de uma vez por todas, essa gloriosa atuação do Eterno Descendente de Davi.



Artigo extraído de: RODRIGUES, André. O Tríplice Ofício de Cristo: Profeta, Sacerdote e Rei. 2011, Editora Nossa Livraria - PE

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[1] De acordo com Douglas este ofício era comum no Oriente Médio (2006, p. 1146).

[2] O termo basiléus ocorre de Mateus 1.6 até Apocalipse 21.24 (CHAMPLIN, 1995, vol. V, p. 617).

[3] Relativo a “paganismo”. Andrade define como sendo um sistema religioso que não reconhece a supremacia de Deus, aceitando como real a existência e a interferência de outros deuses nas relações humanas (2007, p. 290). 

[4] Isso é provado pelo fato de que Bem-Hadade tinha autoridade sobre trinta e dois reis (I Reis 20:1, 16). Em Caná, Adoni-Bezeque derrotou setenta reis, tendo-os obrigado a comer pão debaixo de sua mesa (Juí. 1:7) (CHAMPLIN, 1995, vol. V, p. 617).

[5] Mamlãkãh, “reino”, “soberania”, “domínio”, “reinado”. A primeira ocorrência deste termo é exatamente em  Gn 10.10, ao citar o reino de Ninrode (VINE, 2004, p. 256).

[6] As respectivas cidades são: Babel; Ereque; Acade; Calné; Nínive; Reobote-Ir; Calá e Resém.

[7] O caçador está em contraste com a palavra semítica comum “pastor”, que designa um regente que tem no coração o bem-estar das pessoas. O reino de Ninrode se estendeu até ao rio Tigre, onde foi construído o último centro do poder assírio, formado por Nínive, Reibote-Ir e Resém. É interessante que o nome atual das ruínas de Calá seja Ninrode (LIVINGSTON, Et All, 2009, vol. 1, p. 54, grifos do autor).

[8] Cf. Êx 14.27-31.

[9] Teocracia – Esse vocábulo, que não ocorre na Bíblia, originou-se, ao que parece, com o historiador Josefo, quando escreveu: “O nosso Legislador deu-nos um governo que podemos denominar de teocracia, atribuindo o poder e a autoridade a Deus”. Essa relação de Deus com seu povo se vê em Êx 25.22; Jz 8.23; 1Sm 12.12; 2Cr.8; 2Sm 7.1-17; Sl 89.27; Dt 17.14-20 (BOYER, 2006, p. 637). 

[10] Outro ponto a considerar, citado por Geisler (2010, vol. 4, p. 870) é que quando Deus ratificou o concerto mosaico com seu povo, Ele disse: “ Vós me sereis reino sacerdotal e povo santo”. Isso registra o estabelecimento de uma teocracia; Israel aceitou o papel de ser governada diretamente por Deus. Eles eram o reino de Deus na terra, e Ele era o seu Rei. Em termos técnicos, explica Andrade, a definição deste termo no gr. Theos, Deus + kratia, é: governo. Explica ainda que este governo era centrado nas leis de Deus e exercido por sacerdotes. No Antigo Testamento, esta configuração governamental teve um apogeu na judicatura de Samuel, que tinha atuação de profeta, sacerdote e também chefe de Estado (2007, p. 339). 

[11] Boyer (2006, p. 489) diz que a palavra Palestina quer dizer: A terra dos Filisteus. Chamava-se, também, A terra de Canaã, A terra de Israel, A terra prometida, A terra santa. Em todo o mundo, a Palestina é considerada a pátria dos israelitas e dos judeus. 

[12] Os juízes foram 13 homens que o Senhor suscitou para libertar o povo durante a decadência e desunião que se seguiram à morte de Josué. A ira de Deus se ascendia contra Israel por causa da apostasia e imoralidade (BOYER, 2006, p. 383). É incerta a duração do período dos juízes. Ao somarmos todos os anos de opressão e dos juízes individuais, bem como os dos períodos de descanso, chegaríamos ao total de 410 anos (HALLEY, 2006, p. 162).

[13] Eli (uma contração de “Deus é grande”) era um sumo sacerdote. Entre os outros sacerdotes estavam os seus dois filhos, Hofni e Finéias, notáveis por sua corrupção e incredulidade (2.12-17, 23.25; 3.13). Como era hereditário, o sacerdócio passava do pai para os filhos sem consideração pelo caráter ou falta do mesmo (MULDER, Et All, vol. 2, p. 180, grifos do autor). 

[14] Cf. I Sm 8.20.

[15] Cf. I Sm 11.

[16] Davi, do heb., Amado. O segundo e o mais ilustre dos reis de Israel, conhecido como “o homem segundo o coração de Deus” (BOYER, 2006, p. 192). Davi era de baixa estatura, de tez clara, de belo aspecto, de grande força física e de muitos atrativos pessoais, homem de guerra, prudente no falar, muito corajoso, bom músico e bastante religioso (HALLEY, 2001, p. 181).

[17] Cf. ISm 16.1-13. 

[18] Uma das 16 cidades fundadas por Seleuco Nicanor e denominada de Antioquia (pertencente a Antíoco) em honra a seu pai. Situava-se na Frígia, quase nos limites da Pisídia. Havia uma colônia de judeus nesta cidade (At 13.14), (BOYER, 2006, p. 67).

[19] Um homem Efrateu, de Belém de Judá (Cf. I Sm 17.12). Quanto a sua mãe, Soares diz que parece que se chamava Naás, mãe de Zeruia e Abigail, irmãs de Davi (2 Sm 17.25) (2008, p. 122). 

[20] Depois de toda esta façanha, morreu aos setenta anos de idade (HALLEY, 2001, p. 186).

[21] Halley explica que pouco depois te tornar-se rei sobre todo o Israel, Davi fez de Jerusalém a sua capital. Situada numa posição inexpugnável, com vales em três lados, e tendo a tradição de Melquisedeque, o sacerdote do Deus Altíssimo [...], Davi resolveu fazer dela a capital de sua nação. Capturou a cidade, introduziu nela a arca e planejou o Templo [...], que seria construído por Salomão, seu filho (2001, p. 186).  

[22] Mesmo considerado como o monarca ideal, Davi cometeu alguns erros. O maior de todos parece ter sido o envolvimento adúltero com Bate-Seba e a morte provocada do marido dela, Urias (CHAMPLIN, 1995, VOL. V,
p. 619). Essa foi a mancha mais hedionda na vida de Davi: adultério mais a instigação ao assassinato com o propósito de encobrir o adultério. [...] Davi colheu exatamente o que semeara, e ainda com sobras – uma colheita prolongada, dura e amarga. Tamar, filha de Davi, foi violentada pelo irmão dela, Amnom, que por sua vez, foi assassinado por Absalão, irmão dos dois. Absalão desencadeou uma rebelião contra seu pai Davi e foi morto na luta. As mulheres de Davi foram violadas em público, assim como ele mesmo, às ocultas, violara a esposa de Urias (HALLEY, 2001, p. 187).

[23] Davi havia estabelecido uma dinastia que durou 400 anos, até a perda da liberdade nacional em 587 a. C. (DOUGLAS, Et All, 2006, p. 1146). Ryrie, corroborando Douglas, afirma que isso não incluía uma promessa de governo ininterrupto, pois, na realidade, o cativeiro babilônico acabou por interrompê-lo.

[24] Keil & Delitzch dizem: “A promessa conseqüentemente se refere à posteridade de Davi, começando com Salomão e terminando com Cristo”. E concluem: “O próprio Espírito Santo, ao longo da história do Antigo Testamento, encarregou-se de revelar o caráter messiânico dessa promessa, pois diz respeito ao Messias, de modo que o hebreu daquela época esperava o Messias descendente de Davi” (apud, SOARES, 2008, p. 124).

[25] Os versículos desta citação estão inseridos no cap. 7 de 2 Sanuel.

[26] A promessa a Davi de posteridade sobre o seu trono, junto com a referência ao ungido (meshiach, Messias, ou em gr., Christos), é citada por Pedro no sermão no dia de Pentecostes (At 2.30). As promessas da perpetuidade do trono de Davi, encontradas no AT, são cumpridas em Cristo. Essas promessas estão condicionadas à obediência – a obediência pelos descendentes literais de Davi em primeira instância e pela Igreja em segundo plano (CHAPMAN, Et All, vol. 3, p.312, grifos do autor). 

[27] Cf. II Sm 6.17,18.

[28] Depois da morte de Davi, Salomão seu filho reinou em seu lugar. A história do reinado de Salomão é registrada em I Reis nos cap. 3 – 11.  A partir de I Reis 12 até II Reis 25, é contada a história dos Reis de Israel e Judá (ALEXANDER, 2008, p. 276).

[29] [Do lat. millenium, mil anos] Reino com duração de mil anos a ser instaurado na terra pelo Senhor Jesus logo após o arrebatamento da Igreja e do término da Grande Tribulação (Ap. 20. 4-6). Trata-se de um reino literal, cujo principal objetivo é a exaltação de Jesus como o Messias de Israel e o soberano de todas as nações (ANDRADE, 2007, p. 265).

[30] Cf. Sl 2; 110; 132; Is 11:1-4; Jr 23.15; Mt 2.6 (citando Mq 5:2). As genealogias do Novo Testamento apresentam Jesus como pertencente à linhagem de Davi (Mt 1:6; Lc 3.31,32) (CHAMPLIN, 1995, vol. V, p. 619).

[31] No tocante à Igreja, Geisler (2010, vol. 4, p. 869) diz que embora Cristo jamais seja chamado de Rei da Igreja, com estas palavras, apesar disso, Ele reina sobre ela como o Cabeça de todas as coisas (Ef 1.22).

[32] Aqui temos a caracterização de Isaías de um menino de nascimento miraculoso, um filho como um presente maravilhoso, porque sobre seus ombros Ele veste o símbolo da verdadeira autoridade. [...] Um governo divino como esse experimentará um governo cada vez mais amplo com uma paz inestimável. Sob o seu governo haverá uma justiça estável e ordenada. O zelo do Senhor dos Exércitos fará isto. Com juízo e em justiça – i.e. “com justiça e retidão” (NVI) (PRICE, Et All, 2009, vol. 4, p. 51, grifos do autor).

[33] Estes versículos estão inseridos no Evangelho segundo Lucas.

[34] O reino dos céus ou reino de Deus é o tema central da pregação de Jesus, segundo os evangelhos sinópticos. Enquanto Mateus, que se dirige aos judeus, na maioria das vezes fala em “reino dos céus”, Marcos e Lucas falam sobre o “reino de Deus”, expressão essa que tem o mesmo sentido daquela, ainda que mais inteligível para os que não eram judeus. O emprego de “reino dos céus”, em Mateus, certamente é devido à tendência, no judaísmo, de evitar o uso direto do nome de Deus. Seja como for, nenhuma distinção quanto ao sentido deve ser suposta entre essas duas expressões (Cf., p. ex., Mt 5.3 com Lc 6.20) (DOUGLAS, Et All, 2006, p. 1148).

[35] No mesmo sentido de “próximo”, inseridos nas versões ARC (Almeida Revista e Corrigida) e na ARA (Almeida Revista e Atualizada).

[36] Segundo Price (Et All, 2009, vol. 4, p. 51), a tradição e a interpretação evangélica tem concordado quase que unanimemente que o primeiro reino seria o do Império Babilônico; o segundo é geralmente reconhecido como o Império Medo-Persa. O terceiro e o quarto têm recebido interpretações divergentes, principalmente entre aqueles que entendem que o quarto reino representa o governo grego ou o governo que sucedeu Alexandre. Isso concentraria as últimas passagens do livro de Daniel no reino de Antíoco Epifânio. Mas, para a maioria, desde os dias de Jerônimo, o terceiro reino tem sido identificado como o reino da Grécia, fundado por Alexandre e o quarto com o reino de Roma.

[37] Cf. Mc 3.13-19.        

[38] Reino – Não no sentido absoluto da palavra (Cf. os capítulos 5 a 7  e o capítulo 13 de Mateus). Jesus explicou a situação aos seus discípulos: “A vós é dado conhecer os mistérios do Reino dos Céus, mas a eles [os de fora] não lhes é dado” (Mt 13.11). Aqui, Jesus citou Isaías 6.9,10, um texto usado cinco vezes no Novo Testamento, sempre em conexão com a rejeição de Israel ao seu Rei (GEISLER, 2010, vol. 4, p. 885, grifos nosso).

[39] Cerca de 8 meses no “Ministério inicial na Judéia”; 2 anos no “Ministério da Galiléia”; 1 mês no “Ministério posterior na Judéia” e 4 meses no “Ministério na Peréia”. Assim, 3 anos e 1 mês, de acordo com Halley (2001, p. 428, gráfico).

[40] Pôncio Pilatos foi governador romano na Judéia de 26 a 37 d.C. Assumiu o cargo aproximadamente na época em que Jesus começou seu ministério público. Sua residência oficial ficava em Cesaréia. [...] Era impiedoso e cruel, bem conhecido por sua brutalidade (HALLEY, 2001, p. 486).

[41] Foi desta forma reconhecido pelos seus discípulos, que clamavam em alta voz durante sua entrada triunfal em Jerusalém: “Bendito é o Rei que vem em nome do Senhor!” (Lc 19.38; cf. VV. 39-40; também Mt 21.5; Jo 1.49; At 17.7) (GRUDEM, 1999, p. 527).

[42] Esta última parte da citação, como também os versículos que acompanham, ilustra o Reino de Jesus após sua ascensão.

[43] Ryrie (2004, p. 297) ressalta que, embora Cristo realmente seja Rei, hoje em dia, não governa como rei. Isso ocorrerá apenas na Segunda Vinda. Somente então o reino davídico se tornará uma realidade (Mt 25:31; Ap 19:15; 20).

[44] [Do gr. théantropos.] Cristo, considerado como Deus e como homem (AURÉLIO).

[45] [Do gr. Trias, três; do lat. trinitatem, grupo de três pessoas] Doutrina bíblica segundo a qual a divindade, embora uma em sua essência, subsiste nas Pessoas do Pai, do Filho e do Espírito Santo. As Três Pessoas são iguais na substância e nos atributos absolutos metafísicos e morais (ANDRADE, 2007, p. 349).

[46] Ibidem. Esta realidade bíblica terá seu cumprimento por ocasião da Vinda de Jesus em Glória na segunda fase da Segunda Vinda, denominado o “Dia do Senhor” (BERGSTÉN, 1999, p. 350).

[47] Geisler (2010, vol. 4, p. 951) explica que o Reino Milenar não será apenas divino, mas também uma monarquia religiosa. O Rei será o Sacerdote (Sl 110), o único objeto de adoração de todas as nações. (Is 66.23).

[48] Período de aflição e angústia incomuns que terá início após o arrebatamento da Igreja (ANDRADE, 2007, p. 204).

[49] Entre aqueles que nascerão durante o Milênio, alguns irão aceitar Cristo como seu Salvador, e outros não. Entre aqueles que negarão Cristo, alguns irão continuar publicamente com o Seu reino, enquanto outros irão se rebelar abertamente contra Ele. Estes últimos serão julgados e morrerão prematuramente (Is 65.20) sob a vara de ferro (Ap 12.5), com a qual Cristo irá esmagar toda a oposição (GEISLER, 2010, vol. 4, p. 950).
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