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André Rodrigues de Almeida (mais conhecido com André Rodrigues), nascido em 12/10/1982, na Cidade de Jaboatão dos Guararapes, no Estado de Pernambuco. É Teólogo formado pela - Escola de Teologia das Assembléias de Deus no Brasil - ESTEADEB. Foi aluno laureado no ano de 2010, e publicou o Trabalho de Conclusão de Curso pela Editora Nossa Livraria (Editora e Comércio de Livros Jurídicos Ltda), no Estado de Pernambuco no início do ano de 2011 com o Tema: O Tríplice Ofício de Cristo: Profeta, Sacerdote e Rei.

É escritor, articulista e criador de conteúdos em (Teologia em Alta, Benfica RelógiosSkinni Jeans e Leitura Saudável), além do grupo de compras e vendas (Rapidão Negociação) no Facebook. Escreve publicações voltadas para a teologia em: Teologia em Alta e no Leitura Saudável, dispõe de assuntos diversos, frases, pensamentos e comenta política cotidiana.


domingo, 24 de maio de 2009

(SÍNTESE) COMO A BÍBLIA CHEGOU ATÉ NÓS?

A imagem pode conter: grama, planta, flor, atividades ao ar livre e natureza

OS ORIGINAIS

Grego, hebraico e aramaico foram os idiomas utilizados para escrever os originais das Escrituras Sagradas. O Antigo Testamento foi escrito em hebraico. Apenas alguns poucos textos foram escritos em aramaico. O Novo Testamento foi escrito originalmente em grego, que era a língua mais utilizada na época. Os originais da Bíblia são a base para a elaboração de uma tradução confiável das Escrituras. Porém, não existe nenhuma versão original de manuscrito da Bíblia, mas sim cópias de cópias de cópias. Todos os autógrafos, isto é, os livros originais, como foram escritos pelos seus autores, se perderam. As edições do Antigo Testamento hebraico e do Novo Testamento grego se baseiam nas melhores e mais antigas cópias que existem e que foram encontradas graças às descobertas arqueológicas. Para a tradução do Antigo Testamento, a Comissão de Tradução da SBB usa a Bíblia Stuttgartensia, publicada pela Sociedade Bíblica Alemã. Já para o Novo Testamento é utilizado The Greek New Testament, editado pelas Sociedades Bíblicas Unidas. Essas são as melhores edições dos textos hebraicos e gregos que existem hoje, disponíveis para tradutores.

O ANTIGO TESTAMENTO EM HEBRAICO

Muitos séculos antes de Cristo, escribas, sacerdotes, profetas, reis e poetas do povo hebreu mantiveram registros de sua história e de seu relacionamento com Deus. Estes registros tinham grande significado e importância em suas vidas e, por isso, foram copiados muitas e muitas vezes e passados de geração em geração. Com o passar do tempo, esses relatos sagrados foram reunidos em coleções conhecidas por A Lei, Os Profetas e As Escrituras. Esses três grandes conjuntos de livros, em especial o terceiro, não foram finalizados antes do Concílio Judaico de Jamnia, que ocorreu por volta de 95 d.C. A Lei continha os primeiros cinco livros da nossa Bíblia. Já os Profetas, incluíam Isaías, Jeremias, Ezequiel, os Doze Profetas Menores, Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel e 1 e 2 Reis. E As Escrituras reuniam o grande livro de poesia, os Salmos, além de Provérbios, Jó, Ester, Cantares de Salomão, Rute, Lamentações, Eclesiastes, Daniel, Esdras, Neemias e 1 e 2 Crônicas. Os livros do Antigo Testamento foram escritos em longos pergaminhos confeccionados em pele de cabra e copiados cuidadosamente pelos escribas. Geralmente, cada um desses livros era escrito em um pergaminho separado, embora a Lei freqüentemente fosse copiada em dois grandes pergaminhos. O texto era escrito em hebraico - da direita para a esquerda - e, apenas alguns capítulos, em dialeto aramaico. Hoje se tem conhecimento de que o pergaminho de Isaías é o mais remoto trecho do Antigo Testamento em hebraico. Estima-se que foi escrito durante o Século II a.C. e se assemelha muito ao pergaminho utilizado por Jesus na Sinagoga, em Nazaré. Foi descoberto em 1947, juntamente com outros documentos em uma caverna próxima ao Mar Morto.

O NOVO TESTAMENTO EM GREGO

Os primeiros manuscritos do Novo Testamento que chegaram até nós são algumas das cartas do Apóstolo Paulo destinadas a pequenos grupos de pessoas de diversos povoados que acreditavam no Evangelho por ele pregado.
A formação desses grupos marca o início da igreja cristã. As cartas de Paulo eram recebidas e preservadas com todo o cuidado. Não tardou para que esses manuscritos fossem solicitados por outras pessoas. Dessa forma, começaram a ser largamente copiados e as cartas de Paulo passaram a ter grande circulação. A necessidade de ensinar novos convertidos e o desejo de relatar o testemunho dos primeiros discípulos em relação à vida e aos ensinamentos de Cristo resultaram na escrita dos Evangelhos que, na medida em que as igrejas cresciam e se espalhavam, passaram a ser muito solicitados. Outras cartas, exortações, sermões e manuscritos cristãos similares também começaram a circular. O mais antigo fragmento do Novo Testamento hoje conhecido é um pequeno pedaço de papiro escrito no início do Século II d.C. Nele estão contidas algumas palavras de João 18.31-33, além de outras referentes aos versículos 37 e 38. Nos últimos cem anos descobriu-se uma quantidade considerável de papiros contendo o Novo Testamento e o texto em grego do Antigo Testamento.

OUTROS MANUSCRITOS

Além dos livros que compõem o nosso atual Novo Testamento, havia outros que circularam nos primeiros séculos da era cristã, como as Cartas de Clemente, o Evangelho de Pedro, o Pastor de Hermas, e o Didache (ou Ensinamento dos Doze Apóstolos). Durante muitos anos, embora os evangelhos e as cartas de Paulo fossem aceitos de forma geral, não foi feita nenhuma tentativa de determinar quais dos muitos manuscritos eram realmente autorizados. Entretanto, gradualmente, o julgamento das igrejas, orientado pelo Espírito de Deus, reuniu a coleção das Escrituras que constituíam um relato mais fiel sobre a vida e ensinamentos de Jesus. No Século IV d.C. foi estabelecido entre os concílios das igrejas um acordo comum e o Novo Testamento foi constituído.
Os dois manuscritos mais antigos da Bíblia em grego podem ter sido escritos naquela ocasião - o grande Codex Sinaiticus e o Codex Vaticanus. Estes dois inestimáveis manuscritos contêm quase a totalidade da Bíblia em grego. Ao todo temos aproximadamente vinte manuscritos do Novo Testamento escritos nos primeiros cinco séculos. Quando Teodósio proclamou e impôs o cristianismo como única religião oficial no Império Romano no final do Século IV, surgiu uma demanda nova e mais ampla por boas cópias de livros do Novo Testamento. É possível que o grande historiador Eusébio de Cesaréia (263 - 340) tenha conseguido demonstrar ao imperador o quanto os livros dos cristãos já estavam danificados e usados, porque o imperador encomendou 50 cópias para as igrejas de Constantinopla. Provavelmente, esta tenha sido a primeira vez que o Antigo e o Novo Testamentos foram apresentados em um único volume, agora denominado Bíblia.

HISTÓRIA DAS TRADUÇÕES

A Bíblia - o livro mais lido, traduzido e distribuído do mundo -, desde as suas origens, foi considerada sagrada e de grande importância. E, como tal, deveria ser conhecida e compreendida por toda a humanidade. A necessidade de difundir seus ensinamentos através dos tempos e entre os mais variados povos, resultou em inúmeras traduções para os mais variados idiomas e dialetos. Hoje é possível encontrar a Bíblia, completa ou em porções, em mais de 2.000 línguas diferentes.

A PRIMEIRA TRADUÇÃO

Estima-se que a primeira tradução foi elaborada entre 200 a 300 anos antes de Cristo. Como os judeus que viviam no Egito não compreendiam a língua hebraica, o Antigo Testamento foi traduzido para o grego. Porém, não eram apenas os judeus que viviam no estrangeiro que tinham dificuldade de ler o original em hebraico: com o cativeiro da Babilônia, os judeus da Palestina também já não falavam mais o hebraico. Denominada Septuaginta (ou Tradução dos Setenta), esta primeira tradução foi realizada por 70 sábios e contém sete livros que não fazem parte da coleção hebraica; pois não estavam incluídos quando o cânon (ou lista oficial) do Antigo Testamento foi estabelecido por exegetas israelitas no final do Século I d.C. A igreja primitiva geralmente incluía tais livros em sua Bíblia. Eles são chamados apócrifos ou deuterocanônicos e encontram-se presentes nas Bíblias de algumas igrejas. Esta tradução do Antigo Testamento foi utilizada em sinagogas de todas as regiões do Mediterrâneo e representou um instrumento fundamental nos esforços empreendidos pelos primeiros discípulos de Jesus na propagação dos ensinamentos de Deus.

OUTRAS TRADUÇÕES

Outras traduções começaram a ser realizadas por cristãos novos nas línguas copta (Egito), etíope (Etiópia), siríaca (norte da Palestina) e em latim - a mais importante de todas as línguas pela sua ampla utilização no Ocidente. Por haver tantas versões parciais e insatisfatórias em latim, no ano 382 d.C, o bispo de Roma nomeou o grande exegeta Jerônimo para fazer uma tradução oficial das Escrituras. Com o objetivo de realizar uma tradução de qualidade e fiel aos originais, Jerônimo foi à Palestina, onde viveu durante 20 anos. Estudou hebraico com rabinos famosos e examinou todos os manuscritos que conseguiu localizar. Sua tradução tornou-se conhecida como "Vulgata", ou seja, escrita na língua de pessoas comuns ("vulgus"). Embora não tenha sido imediatamente aceita, tornou-se o texto oficial do cristianismo ocidental. Neste formato, a Bíblia difundiu-se por todas as regiões do Mediterrâneo, alcançando até o Norte da Europa. Na Europa, os cristãos entraram em conflito com os invasores godos e hunos, que destruíram uma grande parte da civilização romana. Em mosteiros, nos quais alguns homens se refugiaram da turbulência causada por guerras constantes, o texto bíblico foi preservado por muitos séculos, especialmente a Bíblia em latim na versão de Jerônimo. Não se sabe quando e como a Bíblia chegou até as Ilhas Britânicas. Missionários levaram o evangelho para Irlanda, Escócia e Inglaterra, e não há dúvida de que havia cristãos nos exércitos romanos que lá estiveram no segundo e terceiro séculos. Provavelmente a tradução mais antiga na língua do povo desta região é a do Venerável Bede. Relata-se que, no momento de sua morte, em 735, ele estava ditando uma tradução do Evangelho de João; entretanto, nenhuma de suas traduções chegou até nós. Aos poucos as traduções de passagens e de livros inteiros foram surgindo.

AS PRIMEIRAS ESCRITURAS IMPRESSAS

Na Alemanha, em meados do Século 15, um ourives chamado Johannes Gutemberg desenvolveu a arte de fundir tipos metálicos móveis. O primeiro livro de grande porte produzido por sua prensa foi a Bíblia em latim. Cópias impressas decoradas a mão passaram a competir com os mais belos manuscritos. Esta nova arte foi utilizada para imprimir Bíblias em seis línguas antes de 1500 - alemão, italiano, francês, tcheco, holandês e catalão; e em outras seis línguas até meados do século 16 - espanhol, dinamarquês, inglês, sueco, húngaro, islandês, polonês e finlandês.
Finalmente as Escrituras realmente podiam ser lidas na língua destes povos. Mas essas traduções ainda estavam vinculadas ao texto em latim. No início do século 16, manuscritos de textos em grego e hebraico, preservados nas igrejas orientais, começaram a chegar à Europa ocidental. Havia pessoas eruditas que podiam auxiliar os sacerdotes ocidentais a ler e apreciar tais manuscritos. Uma pessoa de grande destaque durante este novo período de estudo e aprendizado foi Erasmo de Roterdã. Ele passou alguns anos atuando como professor na Universidade de Cambridge, Inglaterra. Em 1516, sua edição do Novo Testamento em grego foi publicada com seu próprio paralelo da tradução em latim. Assim, pela primeira vez estudiosos da Europa ocidental puderam ter acesso ao Novo Testamento na língua original, embora, infelizmente, os manuscritos fornecidos a Erasmo fossem de origem relativamente recente e, portanto, não eram completamente confiáveis.

DESCOBERTAS ARQUEOLÓGICAS

Várias foram as descobertas arqueológicas que proporcionaram o melhor entendimento das Escrituras Sagradas. Os manuscritos mais antigos que existem de trechos do Antigo Testamento datam de 850 d.C. Existem, porém, partes menores bem mais antigas como o Papiro Nash do segundo século da era cristã. Mas sem dúvida a maior descoberta ocorreu em 1947, quando um pastor beduíno, que buscava uma cabra perdida de seu rebanho, encontrou por acaso os Manuscritos do Mar Morto, na região de Jericó. Durante nove anos vários documentos foram encontrados nas cavernas de Qumrân, no Mar Morto, constituindo-se nos mais antigos fragmentos da Bíblia hebraica que se têm notícias. Escondidos ali pela tribo judaica dos essênios no Século I, nos 800 pergaminhos, escritos entre 250 a.C. a 100 d.C., aparecem comentários teológicos e descrições da vida religiosa deste povo, revelando aspectos até então considerados exclusivos do cristianismo. Estes documentos tiveram grande impacto na visão da Bíblia, pois fornecem espantosa confirmação da fidelidade dos textos massoréticos aos originais. O estudo da cerâmica dos jarros e a datação por carbono 14 estabelecem que os documentos foram produzidos entre 168 a.C. e 233 d.C. Destaca-se, entre estes documentos, uma cópia quase completa do livro de Isaías, feita cerca de cem anos antes do nascimento de Cristo. Especialistas compararam o texto dessa cópia com o texto-padrão do Antigo Testamento hebraico (o manuscrito chamado Codex Leningradense, de 1008 d.C.) e descobriram que as diferenças entre ambos eram mínimas. Outros manuscritos também foram encontrados neste mesmo local, como o do profeta Isaías, fragmentos de um texto do profeta Samuel, textos de profetas menores, parte do livro de Levítico e um targum (paráfrase) de Jó. As descobertas arqueológicas, como a dos manuscritos do Mar Morto e outras mais recentes, continuam a fornecer novos dados aos tradutores da Bíblia. Elas têm ajudado a resolver várias questões a respeito de palavras e termos hebraicos e gregos, cujo sentido não era absolutamente claro. Antes disso, os tradutores se baseavam em manuscritos mais "novos", ou seja, em cópias produzidas em datas mais distantes da origem dos textos bíblicos.

ORIGEM DO DIA DA BíBLIA

O Dia da Bíblia surgiu em 1549, na Grã-Bretanha, quando o Bispo Cranmer, incluiu no livro de orações do Rei Eduardo VI um dia especial para que a população intercedesse em favor da leitura do Livro Sagrado. A data escolhida foi o segundo domingo do Advento - celebrado nos quatro domingos que antecedem o Natal. Foi assim que o segundo domingo de dezembro tornou-se o Dia da Bíblia. No Brasil, o Dia da Bíblia passou a ser celebrado em 1850, com a chegada, da Europa e dos Estados Unidos, dos primeiros missionários evangélicos que aqui vieram semear a Palavra de Deus. Durante o período do Império, a liberdade religiosa aos cultos protestantes era muito restrita, o que impedia que se manifestassem publicamente. Por volta de 1880, esta situação foi se modificando e o movimento evangélico, juntamente com o Dia da Bíblia, se popularizando. Pouco a pouco, as diversas denominações evangélicas institucionalizaram a tradição do Dia da Bíblia, que ganhou ainda mais força com a fundação da Sociedade Bíblica do Brasil, em junho de 1948. Em dezembro deste mesmo ano, houve uma das primeiras manifestações públicas do Dia da Bíblia, em São Paulo, no Monumento do Ipiranga. Hoje, o dia dedicado às Escrituras Sagradas é comemorado em cerca de 60 países, sendo que em alguns, a data é celebrada no segundo Domingo de setembro, numa referência ao trabalho do tradutor Jerônimo, na Vulgata, conhecida tradução da Bíblia para o latim. As comemorações do segundo domingo de dezembro mobilizam, todos os anos, milhões de cristãos em todo o País.

ARTIGO EXTRAÍDO DA ILÚMINA

quinta-feira, 21 de maio de 2009

A IDOLATRIA E SEUS MALES

1Sm 12.20,21 “Não temais; vós tendes cometido todo este mal; porém não vos
desvieis de seguir ao SENHOR, mas servi ao SENHOR com todo o vosso coração. E
não vos desvieis; pois seguiríeis as vaidades, que nada aproveitam e tampouco vos
livrarão, porque vaidades são.”

A idolatria é um pecado que o povo de Deus, através da sua história no AT, cometia repetidamente. O primeiro caso registrado
ocorreu na família de Jacó (Israel). Pouco antes de chegar a Betel, Jacó ordenou a remoção de imagens de deuses estranhos (Gn
35.1-4). O primeiro caso registrado na Bíblia em que Israel, de modo global, envolveu-se com idolatria foi na adoração do
bezerro de ouro, enquanto Moisés estava no monte Sinai (Êx 32.1-6). Durante o período dos juízes, o povo de Deus
freqüentemente se voltava para os ídolos. Embora não haja evidência de idolatria nos tempos de Saul ou de Davi, o final do
reinado de Salomão foi marcado por freqüente idolatria em Israel (1Rs 11.1-10). Na história do reino dividido, todos os reis do
Reino do Norte (Israel) foram idólatras, bem como muitos dos reis do Reino do Sul (Judá). Somente depois do exílio, é que
cessou o culto idólatra entre os judeus.

O FASCÍNIO DA IDOLATRIA.

Por que a idolatria era tão fascinante aos israelitas? Há vários fatores implícitos.
(1) As nações pagãs que circundavam Israel criam que a adoração a vários deuses era superior à adoração a um único Deus.
Noutras palavras: quanto mais deuses, melhor. O povo de Deus sofria influência dessas nações e constantemente as imitava, ao
invés de obedecer ao mandamento de Deus, no sentido de se manter santo e separado delas.
(2) Os deuses pagãos das nações vizinhas de Israel não requeriam o tipo de obediência que o Deus de Israel requeria. Por
exemplo, muitas das religiões pagãs incluíam imoralidade sexual religiosa no seu culto, tendo para isso prostitutas cultuais. Essa
prática, sem dúvida, atraía muitos em Israel. Deus, por sua vez, requeria que o seu povo obedecesse aos altos padrões morais da
sua lei, sem o que, não haveria comunhão com Ele.
(3) Por causa do elemento demoníaco da idolatria (ver a próxima seção), ela, às vezes, oferecia, em bases limitadas, benefícios
materiais e físicos temporários. Os deuses da fertilidade prometiam o nascimento de filhos; os deuses do tempo (sol, lua, chuva
etc.) prometiam as condições apropriadas para colheitas abundantes e os deuses da guerra prometiam proteção dos inimigos e
vitória nas batalhas. A promessa de tais benefícios fascinava os israelitas; daí, muitos se dispunham a servir aos ídolos.

A NATUREZA REAL DA IDOLATRIA.

Não se pode compreender a atração que exercia a idolatria sobre o povo, a menos
que compreendamos sua verdadeira natureza.
(1) A Bíblia deixa claro que o ídolo em si, nada é (Jr 2.11; 16.20). O ídolo é meramente um pedaço de madeira ou de pedra,
esculpido por mãos humanas, que nenhum poder tem em si mesmo. Samuel chama os ídolos de “vaidades” (12.21), e Paulo
declara expressamente: “sabemos que o ídolo nada é no mundo” (1Co 8.4; cf. 10.19,20). Por essa razão, os salmistas (e.g., Sl
115.4-8; 135.15-18) e os profetas (e.g. 1Rs 18.27; Is 44.9-20; 46.1-7; Jr 10.3-5) freqüentemente zombavam dos ídolos.
(2) Por trás de toda idolatria, há demônios, que são seres sobrenaturais controlados pelo diabo. Tanto Moisés (ver Dt 32.17
nota) quanto o salmista (Sl 106.36,37) associam os falsos deuses com demônios. Note, também, o que Paulo diz na sua primeira
carta aos coríntios a respeito de comer carne sacrificada aos ídolos: “as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos
demônios e não a Deus” (1Co 10.20). Noutras palavras, o poder que age por detrás da idolatria é o dos demônios, os quais têm
muito poder sobre o mundo e os que são deles. O cristão sabe com certeza que o poder de Jesus Cristo é maior do que o dos
demônios (ver o estudo PODER SOBRE SATANÁS E OS DEMÔNIOS.). Satanás, como “o deus deste século” (2Co 4.4),
exerce vasto poder nesta presente era iníqua (ver 1Jo 5.19 nota; cf. Lc 13.16; Gl 1.4; Ef 6.12; Hb 2.14). Ele tem poder para
produzir falsos milagres, sinais e maravilhas de mentira (2Ts 2.9; Ap 13.2-8,13; 16.13-14; 19.20) e de proporcionar às pessoas
benefícios físicos e materiais. Sem dúvida, esse poder contribui, às vezes, para a prosperidade dos ímpios (cf. Sl 10.2-6; 37.16,
35; 49.6; 73.3-12).
(3) A correlação entre a idolatria e os demônios vê-se mais claramente quando percebemos a estreita vinculação entre as práticas
religiosas pagãs e o espiritismo, a magia negra, a leitura da sorte, a feitiçaria, a bruxaria, a necromancia e coisas semelhantes (cf.
2Rs 21.3-6; Is 8.19; ver Dt 18.9-11 notas; Ap 9.21 nota). Segundo as Escrituras, todas essas práticas ocultistas envolvem
submissão e culto aos demônios. Quando, por exemplo, Saul pediu à feiticeira de Endor que fizesse subir Samuel dentre os
mortos, o que ela viu ali foi um espírito subindo da terra, representando Samuel (28.8-14), i.e., ela viu um demônio subindo do
inferno.
(4) O NT declara que a cobiça é uma forma de idolatria (Cl 3.5). A conexão é óbvia: pois os demônios são capazes de
proporcionar benefícios materiais. Uma pessoa insatisfeita com aquilo que tem e que sempre cobiça mais, não hesitará em
obedecer aos princípios e vontade desses seres sobrenaturais que conseguem para tais pessoas aquilo que desejam. Embora tais
pessoas talvez não adorem ídolos de madeira e de pedra, entretanto adoram os demônios que estão por trás da cobiça e dos
desejos maus; logo, tais pessoas são idólatras. Dessa maneira, a declaração de Jesus: “Não podeis servir a Deus e a Mamom [as
riquezas]” (Mt 6.24), é basicamente a mesma que a admoestação de Paulo: “Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos
demônios” (1Co 10.21).

DEUS NÃO TOLERARÁ NENHUMA FORMA DE IDOLATRIA.


(1) Ele advertia freqüentemente contra ela no AT. (a) Nos dez mandamentos, os dois primeiros mandamentos são contrários
diretamente à adoração a qualquer deus que não seja o Senhor Deus de Israel (ver Êx 20.3,4 notas). (b) Esta ordem foi repetida
por Deus noutras ocasiões (e.g., Êx 23.13, 24; 34.14-17; Dt 4.23,24; 6.14; Js 23.7; Jz 6.10; 2Rs 17.35,37,38). (c) Vinculada à
proibição de servir outros deuses, havia a ordem de destruir todos os ídolos e quebrar as imagens de nações pagãs na terra de
Canaã (Êx 23.24; 34.13; Dt 7.4,5; 12.2,3).
(2) A história dos israelitas foi, em grande parte, a história da idolatria. Deus muito se irou com o seu povo por não destruir todos
os ídolos na Terra Prometida. Ao contrário, passou a adorar os falsos deuses. Daí, Deus castigar os israelitas, permitindo que
seus inimigos tivessem domínio sobre eles. (a) O livro de Juízes apresenta um ciclo constantemente repetido, em que os israelitas
começavam a adorar deuses-ídolos das nações que eles deixaram de conquistar. Deus permitia que os inimigos os dominassem; o
povo clamava ao Senhor; o Senhor atendia o povo e enviava um juiz para libertá-lo. (b) A idolatria no Reino do Norte continuou
sem dificuldade por quase dois séculos. Finalmente, a paciência de Deus esgotou-se e Ele permitiu que os assírios destruíssem a
capital de Israel e removeu dali as dez tribos
(2Rs 17.6-18). (c) O Reino do Sul (Judá) teve vários reis que foram tementes a Deus, como Ezequias e Josias, mas por causa
dos reis ímpios como Manassés, a idolatria se arraigou na nação de Judá (2Rs 21.1-11). Como resultado, Deus disse, através
dos profetas, que Ele deixaria Jerusalém ser destruída (2Rs 21.10-16). A despeito dessas advertências, a idolatria continuou
(e.g., Is 48.4,5; Jr 2.4-30; 16.18-21; Ez 8), e, finalmente, Deus cumpriu a sua palavra profética por meio do rei Nabucodonosor
de Babilônia, que capturou Jerusalém, incendiou o templo e saqueou a cidade (2Rs 25).
(3) O NT também adverte todos os crentes contra a idolatria. (a) A idolatria manifesta-se de várias formas hoje em dia. Aparece
abertamente nas falsas religiões mundiais, bem como na feitiçaria, no satanismo e noutras formas de ocultismo. A idolatria está
presente sempre que as pessoas dão lugar à cobiça e ao materialismo, ao invés de confiarem em Deus somente. Finalmente, ela
ocorre dentro da igreja, quando seus membros acreditam que, a um só tempo, poderão servir a Deus, desfrutar da experiência da
salvação e as bênçãos divinas, e também participar das práticas imorais e ímpias do mundo. (b) Daí, o NT nos admoestar a não
sermos cobiçosos, avarentos, nem imorais (Cl 3.5; cf. Mt 6.19-24; Rm 7.7; Hb 13.5,6; ver o estudo RIQUEZA E POBREZA)
e, sim, a fugirmos de todas as formas de idolatria (1Co 10.14; 1Jo 5.21). Deus reforça suas advertências com a declaração de
que aqueles que praticam qualquer forma de idolatria não herdarão o seu reino (1Co 6.9,10; Gl 5.20,21; Ap 22.15).

BIBLIOGRAFIA: BEP (BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL, EDIÇÃO VIRTUAL, CPAD-RJ)

BÍBLIA, A PALAVRA QUE PRODUZ VIDA.


Bíblia é uma palavra de origem grega que significa "livros". Daí que se deu o título Bíblia à coleção dos livros que, sendo de diversas origens, extensão e conteúdo, estão essencialmente unidos pelo significado religioso que têm para o povo de Israel e para todo o mundo cristão: unidade e diversidade que não se opõem entre si, mas que se complementam para dar à Bíblia o seu especialíssimo caráter.

Diversidade de designações

Desde tempos remotos, este livro sem igual tem sido conhecido com diferentes designações. Assim, os judeus, para os quais a Bíblia somente consta da parte que os cristãos conhecem como o Antigo Testamento, referem-se a ela como Lei, Profetas e Escritos (cf. Lc 24.44), termos representativos de cada um dos blocos em que, para o Judaísmo, se divide o texto bíblico transmitido na língua hebraica:

(a) Lei (hebr. torah), que compreende os cinco primeiros livros da Bíblia: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio

(b) Profetas (hebr. nebiim), agrupados em:

Profetas anteriores: Josué, Juízes, 1 e 2Samuel, 1 e 2Reis;

Profetas posteriores: Isaías, Jeremias, Ezequiel, Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias

(c) Escritos (hebr. ketubim): Jó, Salmos, Provérbios, Rute, Cântico dos Cânticos, Eclesiastes, Lamentações, Ester, Daniel, Esdras, Neemias, 1 e 2Crônicas

O título referido, Lei, Profetas e Escritos, aparece reduzido em ocasiões como a Lei e os Profetas (cf. Mt 5.17) ou, de modo mais singelo, a Lei (cf. Jo 10.34).

No Cristianismo, com a incorporação dos livros do Novo Testamento e justamente a partir da maneira que ali são citadas passagens do Antigo, é comum referir-se à Bíblia como as Sagradas Escrituras ou, de forma alternativa, como a Sagrada Escritura, as Escrituras ou a Escritura (cf. Mt 21.42; Jo 5.39; Rm 1.2). Freqüentemente, com essa última designação mais breve, faz-se referência a alguma passagem bíblica concreta (cf. Mc 12.10; Jo 19.24).

As locuções Antigo Testamento e Novo Testamento, respectivamente, no seu sentido de títulos respectivos da primeira e da segunda parte da Bíblia, começaram a ser utilizadas entre os cristãos no final do séc. II d.C. com base em textos como 2Co 3.14. A palavra "testamento" representa aqui a aliança ou pacto que Deus estabelece com o seu povo: em primeiro lugar, a aliança com Israel (cf. Êx 24.8; Sl 106.45); depois, a nova aliança anunciada pelos profetas e selada com o sangue de Jesus Cristo (cf. Jr 31.31-34; Mt 26.28; Hb 10.29).

Classificação dos livros da Bíblia

Os livros da Bíblia nem sempre são classificados na mesma ordem. Ainda hoje aparecem dispostos de maneiras distintas, seguindo para isso os critérios sustentados a esse respeito por diferentes tradições.

A versão de João Ferreira de Almeida, em todas as suas edições, tem-se sujeitado à norma de ordenar os livros de acordo com o seu caráter e conteúdo, na seguinte forma:

Antigo Testamento

(a) Literatura histórico-narrativa: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes, Rute, 1 e 2Samuel, 1 e 2Reis, 1 e 2Crônicas, Esdras, Neemias, Ester
(b) Literatura poética e sapiencial (ou de sabedoria): Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos

(c) Literatura profética:

Profetas maiores: Isaías, Jeremias, Lamentações, Ezequiel, Daniel

Profetas menores: Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias

NOVO TESTAMENTO

(a) Literatura histórico-narrativa:

Evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas, João

Atos dos Apóstolos

(b) Literatura epistolar:

Epístolas paulinas: Romanos, 1 e 2Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2Tessalonicenses, 1 e 2Timóteo, Tito, Filemom

Epístola aos Hebreus

Epístolas universais: Tiago, 1 e 2Pedro, 1, 2 e 3João, Judas

(c) Literatura apocalíptica: Apocalipse (ou Revelação) de João

A formação da Bíblia

Para compreender os distintos aspectos do processo de formação deste conjunto de livros que chamamos de Bíblia, é necessário atentar para o fato básico da sua divisão em duas grandes partes indissoluvelmente vinculadas entre si por razões culturais e espirituais: o Antigo Testamento e o Novo Testamento.

O Antigo Testamento recolhe e transmite a experiência religiosa do povo israelita desde as suas origens até a vinda de Jesus Cristo. Os livros que o compõem são o testemunho permanente da fé Israelita no único e verdadeiro Deus, Criador do universo. É o Deus que quis revelar-se de maneira especial na história do seu povo, guiando-o com a sua Lei, beneficiando-o com a aliança da sua graça e fazendo-o objeto das suas promessas. Passo a passo, Deus converteu o seu povo numa nação unida pela fé, sustentou-a e, em todo tempo, mostrou o caminho da justiça e santidade que devia seguir para que não perdesse a sua identidade como povo escolhido. Assim, o Antigo Testamento documenta a história de Israel desde a perspectiva do sentimento religioso, mantém viva a expressão de adoração da sua fé através do culto e recolhe as instruções dos seus profetas e as inspiradas reflexões dos seus sábios e poetas.

O Novo Testamento é a referência definitiva da fé cristã. Nele, se encontram consignados os acontecimentos que deram origem à Igreja de Jesus Cristo, o Filho eterno de Deus. Os Evangelhos narram o nascimento de Jesus no tempo do rei Herodes, os seus atos e ensinamentos, a sua morte numa cruz por ordem de Pôncio Pilatos, governador da Judéia, e a sua ressurreição, depois da qual manifestou-se vivo àqueles que havia antes escolhido para que anunciassem a mensagem universal da salvação.
Está também no Novo Testamento o relato dos primeiros movimentos de expansão da fé cristã, como viveram e atuaram os primeiros discípulos e apóstolos, como nasceram e se desenvolveram as primeiras comunidades e como o Espírito Santo impulsionou os cristãos de então a darem testemunho da sua esperança em Jesus Cristo para todas as raças, nações e culturas.

O processo de redigir, selecionar e compilar os textos da Bíblia prolongou-se pelo espaço de muitos séculos. Com o decorrer dos anos, foram desaparecendo os dados relativos à origem de grande parte dos livros, isto é, o momento em que os relatos e ensinamentos foram fixados por escrito, os quais até então e talvez durante muitas gerações tinham sido transmitidos oralmente.

Por outro lado, nesse longo e complexo processo de formação, é muito difícil e até mesmo impossível fixar os autores. Isso ocorre especialmente nos casos em que foram vários redatores que escreveram textos, os quais, posteriormente, foram compilados num único livro ou quando também, na composição da literatura bíblica, são utilizados ou incluídos documentos da época (p. ex., Nm 21.14; Js 10.13; Jd 14-15).

Valor religioso da Bíblia

A Bíblia é, sem dúvida, um dos mais apreciados legados literários da humanidade. Contudo, o seu verdadeiro valor não se firma de maneira substancial no fato literário. A riqueza da Bíblia consiste no caráter essencialmente religioso da sua mensagem, que a transforma no livro sagrado por excelência, tanto para o povo de Israel quanto para a Igreja cristã.

Nessa coleção de livros, a Lei se apresenta como uma ordenação divina (Êx 20; Sl 119), os Profetas têm a consciência de serem portadores de mensagens da parte de Deus (Is 6; Jr 1.2; Ez 2-3) e os Escritos ensinam que a verdadeira sabedoria encontra em Deus a sua origem (Pv 8.22-31).

Esses valores religiosos aparecem não só no título de Sagradas Escrituras, mas também na forma que Jesus e, em geral, os autores do Novo Testamento se referem ao Antigo, isto é, aos textos bíblicos escritos em épocas precedentes. Isso ocorre, p. ex., quando lemos que Deus fala por meio dos profetas ou por meio de algum dos outros livros (cf. Mt 1.22; 2.15; Rm 1.2; 1Co 9.9) ou quando os profetas aparecem como aquelas pessoas mediante as quais "se diz" algo ou "se anuncia" algum acontecimento, forma hebraica de expressar que é o próprio Deus quem diz ou anuncia (cf. Mt 2.17; 3.3; 4.14); também quando se afirma a permanente autoridade das Escrituras (Mt 5.17-18; Jo 10.35; At 23.5), ou quando as relaciona especialmente com a ação do Espírito Santo (cf. At 1.16; 28.25). Formas magistrais de expressar a convicção comum a todos os cristãos em relação ao valor das Escrituras são encontradas em passagens como 2Tm 3.15-17 e 2Pe 1.19-21.

A Igreja cristã, desde as suas origens, tem descoberto na mensagem do evangelho o mesmo valor da palavra de Deus e a mesma autoridade do Antigo Testamento (Mc 16.15-16, Lc 1.1-4, Jo 20.31, 1Ts 2.13). Por isso, em 2Pe 3.16, se equiparam as epístolas de "nosso amado irmão Paulo" (v. 15) às "demais Escrituras". Gradativamente, a partir do séc. II d.C., foi sendo reconhecida aos 27 livros que formam o Novo Testamento a sua categoria de livros sagrados e, em conseqüência, a plenitude da sua autoridade definitiva e o seu valor religioso.

Tal reconhecimento, que implica o próprio tempo da presença, direção e inspiração do Espírito Santo na formação das Escrituras, não descarta, em absoluto, a atividade física e criativa das pessoas que redigiram os textos. Elas mesmas se referem a essa atividade em diversas ocasiões (Ec 1.13, Lc 1.1-4, 1Co 15.1-3,11, Gl 6.11). A presença de numerosos autores materiais é, precisamente, a causa da extraordinária riqueza de línguas, estilos, gêneros literários, conceitos culturais e reflexões teológicas que caracterizam a Bíblia.

Divisão da Bíblia

ANTIGO TESTAMENTO


O Antigo Testamento conta a história do povo de Israel. Essa história retrata a fé do povo no Deus de Israel e descreve a vida religiosa dos israelitas como povo de Deus. Os autores destes livros escreveram o que Deus fez por eles como povo e como eles deveriam adorá-lo e obedecer-lhe em resposta a seu amor. O quadro seguinte ensina graficamente como estão agrupados os livros que formam o Antigo Testamento.

A Lei
Gênesis
Êxodo
Levítico
Números
Deuteronômio
Históricos
Josué
Juízes
Rute
1Samuel
2Samuel
1Reis
2Reis
1Crônicas
2Crônicas
Esdras
Neemias
Ester

Poéticos E De Sabedoria

Salmos
Provérbios
Eclesiastes
Cantares

Profetas Maiores
Isaías
Jeremias
Lamentações de Jeremias
Ezequiel
Daniel

Profetas Menores
Oséias
Joel
Amós
Obadias
Jonas
Miquéias
Naum
Habacuque
Sofonias
Ageu
Zacarias
Malaquias

NOVO TESTAMENTO


Os livros do Novo Testamento foram escritos pelos discípulos de Jesus Cristo. Eles queriam que outros ouvissem a respeito da nova vida que é possível através da morte e ressurreição de Jesus. O quadro que segue mostra os diferentes grupos de livros que compõem o Novo Testamento. Embora os eruditos divirjam em suas opiniões, tradicionalmente se diz que o apóstolo Paulo escreveu as cartas a ele atribuídas.

Evangelhos
Mateus
Marcos
Lucas
João

Cartas Paulinas
Romanos
1Coríntios
2Coríntios
Gálatas
Efésios
Filipenses
Colossenses
1Tessalonicenses
2Tessalonicenses
1Timóteo
2Timóteo
Tito
Filemom

Cartas Gerais
Hebreus
Tiago
1Pedro
2Pedro
1João
2João
3João
Judas

Histórico
Atos dos Apóstolos

Profético
Apocalipse

Conteúdo da Bíblia

Nesta seção você vai encontrar resumos de cada livro da Bíblia. É evidente que, por sua brevidade, não são descrições completas. No entanto, podem ser úteis como uma referência adequada ao conteúdo da Bíblia.

ANTIGO TESTAMENTO

GÊNESIS: Este livro, que mostra como era "no princípio", faz uma narrativa da criação, da relação de Deus com o homem e da promessa de Deus a Abraão e seus descendentes.

ÊXODO: O nome Êxodo significa "saída". Este livro conta como Deus livrou os israelitas de uma vida de penúrias e escravidão no Egito. Deus fez um pacto com eles e lhes deu leis para ordenar e governar sua vida.

LEVíTICO: O nome do livro se deriva do nome de uma das doze tribos de Israel. O livro registra todas as leis e regulamentos a respeito de rituais e cerimônias.

NÚMEROS: Os israelitas vagaram pelo deserto durante quarenta anos, antes de entrar em Canaã, "a terra prometida". O nome do livro se deriva dos censos promovidos durante esse tempo no deserto.

DEUTERONÔMIO: Moisés pronunciou três discursos de despedida pouco antes de morrer. Neles recapitulou, com o povo, todas as leis de Deus para os israelitas. O nome do livro expressa essa "recapitulação" ou "segunda lei".
JOSUÉ: Josué foi o líder dos exércitos israelitas em suas vitórias sobre seus inimigos, os cananeus. O livro termina descrevendo a divisão da terra entre as doze tribos de Israel.

JUíZES: Os israelitas constantemente desobedeciam a Deus e caíam nas mãos de países opressores. Deus constituiu juízes para livrá-los da opressão.

RUTE: O amor e a dedicação de Rute à sua sogra, Noemi, são o tema deste livro.

1SAMUEL: Samuel foi o líder de Israel no período compreendido entre os Juízes e Saul, o primeiro rei. Quando a liderança de Saul falhou, Samuel ungiu a Davi como rei.

2SAMUEL: Sob o reinado de Davi, a nação se unificou e se fortaleceu. No entanto, depois dos pecados de Davi, adultério e assassinato, tanto a nação como a família do rei sofreram muito.

1REIS: Este livro inicia com o reinado de Salomão em Israel. Depois de sua morte, o reino se dividiu em conseqüência da guerra civil entre o Norte e o Sul, resultando no surgimento de duas nações: Israel no Norte e Judá no Sul.

2REIS: Israel foi conquistada pela Assíria em 721 a.C. Judá, pela Babilônia, em 586 a.C. Estes acontecimentos foram considerados como um castigo ao povo pela desobediência às leis de Deus.

1CRÔNICAS: Este livro inicia com as genealogias de Adão até Davi e, em seguida, conta os acontecimentos do reinado de Davi.

2CRÔNICAS: Este livro abrange o mesmo período que 2Reis, mas com ênfase em Judá, o reino do Sul, e seus governantes.

ESDRAS: Depois de estar cativo na Babilônia por algumas décadas, o povo de Deus retornou a Jerusalém. Um de seus líderes era Esdras. Este livro contém a admoestação que Esdras fez ao povo para que este seguisse e honrasse a lei de Deus.

NEEMIAS: Depois do templo, também foi reconstruída a muralha de Jerusalém. Neemias foi quem dirigiu esse empreendimento. Ele também colaborou com Esdras para restaurar o fervor religioso do povo.

ESTER: Este livro relata a história de uma rainha judia da Pérsia, que denunciou um complô que visava destruir seus compatriotas. Com isso ela evitou que todos fossem aniquilados.

JÓ: A pergunta "Por que sofrem os inocentes?" é tratada nesta história bíblica.

SALMOS: Estas 150 orações foram usadas pelos hebreus para expressar sua relação com Deus. Abrangem todo o campo das emoções humanas, desde a alegria até o ódio, da esperança ao desespero.

PROVÉRBIOS: Este é um livro de máximas de sabedoria, de ensinamentos éticos e de senso comum acerca de como viver uma vida reta.

ECLESIASTES: Na sua busca por felicidade e pelo sentido da vida, este escritor, conhecido como "filósofo" ou "pregador", faz perguntas que conti- nuam presentes na sociedade contemporânea.

CANTARES DE SALOMÃO: Este poema descreve o gozo e o êxtase do amor. Simbolicamente tem sido aplicado ao amor de Deus por Israel e ao amor de Cristo pela Igreja.

ISAíAS: O profeta Isaías trouxe a mensagem do juízo de Deus às nações, anunciou um rei futuro, à semelhança de Davi, e prometeu uma era de paz e tranqüilidade.

JEREMIAS: Muito antes da destruição de Judá pela Babilônia, Jeremias predisse o justo juízo de Deus. Embora sua mensagem seja majoritariamente de destruição, Jeremias também falou do novo pacto com Deus.

LAMENTAÇÕES DE JEREMIAS: Tal qual Jeremias havia predito, Jerusalém caiu cativa da Babilônia. Este livro registra cinco "lamentos" pela cidade caída.

EZEQUIEL: A mensagem de Ezequiel foi dada aos judeus cativos na Babilônia. Ezequiel usou histórias e parábolas para falar do juízo, da esperança e da restauração de Israel.

DANIEL: Daniel se manteve fiel a Deus, mesmo enfrentando muitas pressões quando cativo na Babilônia. Este livro inclui as visões proféticas de Daniel.

OSÉIAIS: Oséias se vale de sua experiência conjugal, em que ele era dedicado à sua esposa, mesmo sabendo que ela lhe era infiel, para ilustrar o adultério que Israel tinha cometido contra Deus e para mostrar como o fiel amor de Deus pelo seu povo nunca muda.

JOEL: Depois de uma praga de gafanhotos, Joel admoesta o povo para que se arrependa.

AMÓS: Durante um tempo de prosperidade, este profeta de Judá pregou aos ricos líderes de Israel sobre o juízo de Deus; insistia em que pensassem nos pobres e oprimidos, antes de pensarem em sua própria satisfação.

OBADIAS: Obadias profetizou o juízo sobre Edom, um país vizinho de Israel.

JONAS: Jonas não queria pregar para a gente de Nínive, que era inimiga de seu próprio país. Quando, finalmente, levou a mensagem enviada por Deus, seus habitantes se arrependeram.

MIQUÉIAS: A mensagem de Miquéias para Judá era de juízo, em vez de perdão, esperança e restauração. Especialmente notável é um versículo em que resume o que Deus requer de nós (6.8).

NAUM: Naum anunciou que Deus destruiria o povo de Nínive por sua crueldade na guerra.

HABACUQUE: Este livro apresenta um diálogo entre Deus e Habacuque sobre a justiça e o sofrimento.

SOFONIAS: Este profeta anunciou o Dia do Senhor, que traria juízo a Judá e às nações vizinhas. Esse dia, que haveria de vir, seria de destruição para muitos, mas um pequeno remanescente, sempre fiel a Deus, sobreviveria para abençoar o mundo inteiro.

AGEU: Depois que o povo voltou do exílio, Ageu o admoestou para que dessem prioridade a Deus e reconstruíssem em primeiro lugar o templo, mesmo antes de reconstruírem suas casas.

ZACARIAS: Como Ageu, Zacarias instou o povo a reconstruir o templo, assegurando-lhes a ajuda e bênçãos de Deus. Suas visões apontavam para um futuro brilhante.

MALAQUIAS: Após o retorno do exílio, o povo voltou a descuidar de sua vida religiosa. Malaquias passou a inspirá-los novamente, falando-lhes do "Dia do Senhor".

NOVO TESTAMENTO

MATEUS: Este Evangelho cita muitos textos do Velho Testamento. Ele se destinava primordialmente ao público judeu, para o qual apresentava Jesus como o Messias prometido nas Escrituras do Velho Testamento. Mateus narra a história de Jesus desde seu nascimento até sua ressurreição e põe ênfase especial nos ensinamentos do Mestre.

MARCOS: Marcos escreveu um Evangelho curto, conciso e cheio de ação. Seu objetivo era aprofundar a fé e a dedicação da comunidade para a qual ele escrevia.

LUCAS: Neste Evangelho é enfatizado como a salvação em Jesus está ao alcance de todos. O evangelista mostra como Jesus estava em contato com as pessoas pobres, com os necessitados e com os que são desprezados pela sociedade.

JOÃO: O Evangelho de João, pela sua forma, se coloca à parte dos outros três. João organiza sua mensagem enfocando sete sinais que apontam para Jesus como Filho de Deus. Seu estilo literário é reflexivo e cheio de imagens e figuras.

ATOS DOS APÓSTOLOS: Quando Jesus deixou os seus discípulos, o Espírito Santo veio habitar com eles. Este livro foi escrito por Lucas para ser um complemento ao seu Evangelho. Ele relata eventos da história e da ação da igreja cristã primitiva, mostrando como a fé se propagou no mundo mediterrâneo de então.

ROMANOS: Nesta importante carta, Paulo escreve aos romanos sobre a vida no Espírito, que é dada pela fé aos que crêem em Cristo. O apóstolo reafirma a grande bondade de Deus e declara que, através de Jesus Cristo, Deus nos aceita e nos liberta de nossos pecados.

1CORíNTIOS: Esta carta trata especificamente dos problemas que a igreja de Corinto estava enfrentando: dissensão, imoralidade, problemas quanto à forma da adoração pública e confusão sobre os dons do Espírito.

2CORíNTIOS: Nesta carta o apóstolo Paulo escreve sobre seu relacionamento com a igreja de Corinto e as dificuldades que alguns falsos profetas haviam trazido ao seu ministério.

GÁLATAS: Esta carta expõe a liberdade da pessoa que crê em Cristo com respeito à lei. Paulo declara que é somente pela fé que as pessoas são reconciliadas com Deus.
EFÉSIOS: O tema central desta carta é o propósito eterno de Deus: Jesus Cristo é a cabeça da Igreja, que é formada a partir de muitas nações e raças.

FILIPENSES: A ênfase desta carta está no gozo que o crente em Cristo encontra em todas as circunstâncias da vida. O apóstolo Paulo a escreveu quando estava encarcerado.

COLOSSENSES: Nesta carta o apóstolo Paulo diz aos cristãos de Colossos que abandonem suas superstições e que Cristo seja o centro de sua vida.

1TESSALONICENSES: O apóstolo Paulo dá orientações aos cristãos de Tessalônica a respeito da volta de Jesus ao mundo.

2TESSALONICENSES: Como em sua primeira carta, o apóstolo Paulo fala do retorno de Jesus ao mundo. Também trata de preparar os cristãos para a vinda do Senhor.

1TIMÓTEO: Esta carta serve de orientação a Timóteo, um jovem líder da igreja primitiva. O apóstolo Paulo lhe dá conselhos sobre a adoração, o ministério e os relacionamentos dentro da igreja.

2TIMÓTEO: Esta é a última carta escrita pelo apóstolo Paulo. Nela lança um último desafio a seus companheiros de trabalho.

TITO: Tito era ministro em Creta. Nesta carta o apóstolo Paulo o orienta sobre como ajudar os novos cristãos.

FILEMOM: Filemom é instado a perdoar seu escravo, Onésimo, que havia fugido. Filemom deveria aceitá-lo de volta como a um amigo em Cristo.

HEBREUS: Esta carta exorta os novos cristãos a não observarem mais rituais e cerimônias tradicionais, pois, em Cristo, eles já foram cumpridos.

TIAGO: Tiago aconselha os cristãos a viverem na prática sua fé e, além disso, oferece idéias sobre como isso pode ser feito.

1PEDRO: Esta carta foi escrita para confortar os cristãos da igreja primitiva que estavam sendo perseguidos por causa de sua fé.

2PEDRO: Nesta carta o apóstolo Pedro adverte os cristãos sobre os falsos mestres e os estimula a continuarem leais a Deus.

1JOÃO: Esta carta explica verdades básicas sobre a vida cristã com ênfase no mandamento de amarem uns aos outros.

2JOÃO: Esta carta, dirigida à "senhora eleita e aos seus filhos", adverte os cristãos quanto aos falsos profetas.

3JOÃO: Em contraste com sua Segunda Carta, esta fala da necessidade de receber os que pregam a Cristo.

JUDAS: Judas adverte seus leitores sobre a má influência de pessoas alheias à irmandade dos cristãos.

APOCALIPSE: Este livro foi escrito para encorajar os cristãos que estavam sendo perseguidos e para firmá-los na confiança de que Deus cuidará deles. Usando símbolos e visões, o escritor ilustra o triunfo do bem sobre o mal e a criação de uma nova terra e um novo céu.


ARTIGO EXTRAÍDO DA ILÚMINA

segunda-feira, 18 de maio de 2009

PAULO, O APÓSTOLO DOS GENTIOS

ANFITEATRO NA CIDADE DE CORINTO
Depois de Jesus, Paulo deve ser a pessoa mais influente na história da fé cristã. A conversão de um inimigo zeloso dos cristãos para um advogado incansável do evangelho, se classifica entre uma das histórias mais dramáticas das escrituras. Seus anos de ministério o levaram a inúmeras cidades na Ásia Menor e na Europa. Ele também escreveu treze cartas que estão incluídas no Novo Testamento.

EDUCAÇÃO

Apesar de ter nascido em Tarso, Paulo testifica que cresceu em Jerusalém e que estudou sob a tutela de Gamaliel (Atos 22:3). Não é muito claro quando que Paulo chegou a Jerusalém, mas é provável que ele tenha começado os seus estudos rabínicos entre seus 13 e 20 anos.

SAUL O PERSEGUIDOR

Pouco tempo depois dos eventos que mudaram o mundo, a ressurreição de Jesus e o pentecostes, os membros de certas sinagogas em Jerusalém, inclusive uma sinagoga da Cilícia (Atos 6:9), da terra nativa de Paulo, resolveram anular a nova igreja. Eles lutaram contra a sabedoria e o espírito (6:10) de Estevão (6:5,8). Eles o acusaram de blasfêmia diante do sinédrio (6:11-15) e, depois de sua defesa eloqüente (7:1-53), arrastaram-no para fora da cidade, aonde ele foi apedrejado até a morte. Ele se tornou o primeiro mártir cristão. O registro não revela inteiramente qual era o papel de Paulo nesses procedimentos, mas sabemos que ele era um participante ativo. As testemunhas contra Estevão, que eram encarregados de jogar as pedras na execução, "puseram as suas vestes aos pés de um jovem chamado Saulo" (Atos 7:58, NIV). A morte de Estevão iniciou os eventos que resultariam na conversão e na empreitada de Paulo como o apóstolo dos gentios. Mas, naquele tempo, Paulo era um líder dos opressores da igreja. Ele respirava ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor (Atos 9:1); ele perseguiu a igreja de Deus e tentou destruí-la (Gálatas 1:13) prendendo mulheres e homens cristãos (Atos 22:4) em muitas cidades.

A CONVERSÃO E O CHAMADO

Paulo recebeu cartas do sumo sacerdote em Jerusalém, endereçadas às sinagogas em Damasco, autorizando-o a prender os crentes de lá e trazê-los a Jerusalém para julgamento (Atos 9:1-2). Quando ele estava perto de Damasco, uma luz vinda do céu "a qual excedia o esplendor do sol" apareceu em volta de Paulo e os que estavam viajando com ele, e eles caíram no chão (26:13-14). Somente Paulo, no entanto, podia ouvir a voz de Jesus, que lhe dizia que ele seria o instrumento escolhido por Cristo para trazer as boas novas aos gentios (26:14-18). Paulo foi guiado até Damasco, temporariamente cego (9:8). Lá, o discípulo Ananias e a comunidade cristã o ajudaram através do evento inquietador de sua conversão (9:10-22). Depois de um curto período com a igreja de lá, Paulo começou a proclamar a Cristo ressurreto publicamente, e os judeus ameaçaram Paulo de morte (9:20-22). Ele foi protegido pelos que criam e escapou de seus perseguidores (9:23-25). A conversão de Paulo foi de uma importância tão revolucionária e duradoura que há três relatos detalhados desse evento no livro de Atos (Atos 9:1-19; 22:1-21; 26:1-23). Paulo se refere a ela muitas vezes nas suas próprias cartas (1 Coríntios 9:1; 15:8; Gálatas 1:15-16; Efésios 3:3; Filipenses 3:12). A transformação deste perseguidor zeloso de Jesus Cristo em o defensor chefe do evangelho (1 Coríntios 3:10; 1 Timóteo 1:13) mudaria profundamente o curso da história mundial.

OS ANOS FINAIS E O MARTíRIO

Se assumirmos que Paulo é o autor das cartas pastorais (1 Timóteo, 2 Timóteo e Tito), podemos traçar o provável curso dos eventos dos últimos anos de Paulo. Romanos 15:28 mostra que a intenção de Paulo era entregar as arrecadações e ir em direção a Roma e depois para a Espanha. O fato de ele ter sido preso em Jerusalém não só atrapalhou seus planos mas também o fez perder tempo que ele queria gastar em outro lugar. Nós sabemos que algum tempo depois de 61 D.C., Paulo deixou Tito em Creta (Tito 1:5) e viajou através de Mileto, sul de Éfeso. Viajando em direção a Macedônia, Paulo visitou Timóteo em Éfeso (1 Timóteo 1:3). No caminho, Paulo deixou seu manto e seus livros com Carpo em Trôade (2 Timóteo 1:3). Isso indica que a intenção dele era voltar ali para pegar as suas coisas. De Macedônia, Paulo escreveu sua carta afetuosa porém apreensiva a Timóteo (62-64 D.C). Ele havia decidido passar o inverno em Nicópolis (Tito 3:12), noroeste de Corinto, mas ainda se encontrava na Macedônia quando escreveu esta carta a Tito. Essa carta é parecida com 1 Timóteo, mas com um tom mais rigoroso. Nela há uma última referência ao eloqüente e zeloso Apolo (Tito 3:13), que ainda trabalhava para o evangelho por mais de dez anos depois de ter conhecido Paulo em Éfeso (Atos 18:24). Neste ponto da história o caminho de Paulo é desconhecido. Ele pode ter passado o inverno em Nicópolis, mas ele não retornou a Trôade como ele havia planejado (2 Timóteo 4:13). Em algum ponto os romanos provavelmente o prenderam novamente, pois ele passou um inverno em Roma na Mamertime Prison, passando frio na cela gelada de pedra enquanto escrevia a sua segunda carta a Timóteo (66-67 D.C). Ele podia estar antecipando isso quando pediu para Timóteo lhe trazer o seu manto (2 Timóteo 4:13,21). Nós só podemos especular quais eram as acusações contra Paulo; alguns sugerem que Paulo e os outros cristãos podiam ter sido acusados (falsamente) de terem incendiado Roma. Era, no entanto, contra a lei pregar a fé cristã. A proteção que havia sido dada aos judeus tinha sido retirada dessa nova religião estranha. Paulo sentiu o peso dessa perseguição. Muitos o abandonaram (2 Timóteo 4:16), inclusive todos os seus colegas na Ásia (1:15) e Demas que amava ao mundo (4:10). Apenas Lucas, o médico e autor do livro de Lucas e Atos, estava com ele quando ele escreveu a sua segunda carta a Timóteo (4:11). Crentes fiéis que estavam escondidos em Roma também manteram contato (1:16; 4:19, 21). Ele pediu a Timóteo que viesse ao seu encontro em Roma (4:11), e aparentemente Timóteo foi. O pedido de Paulo que Timóteo o trouxesse seus livros e o seu pergaminho indica que ele estava estudando a palavra até o fim. O apóstolo Paulo teve duas audiências diante dos romanos. Na sua primeira defesa só o Senhor ficou do seu lado (2 Timóteo 4:16). Lá não só ele se defendeu como também defendeu o evangelho, ainda na esperança que os gentios escutassem sua mensagem. Aparentemente não houve um veredicto, e Paulo foi "livre da boca do leão" (4:17). Apesar de Paulo saber que morreria em breve, ele não temeu. Ele foi assegurado que o Senhor o daria a coroa da justiça no último dia (4:8). Finalmente, o apóstolo em si escreveu encorajar todos os que criam "O Senhor seja com o teu espírito. A graça seja com vosco" (2 Timóteo 4:22, RSV). Depois disso, a escritura não menciona mais Paulo. Nada sabemos sobre a segunda audiência de Paulo, mas provavelmente resultou em sentença de morte. Não temos nenhum relato escrito do fim de Paulo, mas foi provavelmente executado antes da morte de Nero no verão de 68 D.C.. Como um cidadão romano, ele deve ter sido poupado das torturas que os seus companheiros de mártir haviam sofrido recentemente. A tradição diz que ele foi decapitado fora de Roma e enterrado perto dali. A sua morte libertou Paulo "partir e estar com Cristo, o que é muito melhor" (Filipenses 1:23, RSV).

ARTIGO EXTRAÍDO DA ILÚMINA

AGOSTINHO DE HIPPO, UM DOS MAIS IMPORTANTES TEÓLOGOS DE TODOS OS TEMPOS (354-430)

Um dos mais importante dos pais da Igreja

Com uma mente brilhante e coração incansável, Agostinho dedicou-se à filosofia e ao prazer, até que as orações de sua mãe, um conselho de bispos e uma voz infantil o atraíram à fé cristã. Então, ele se tornou um poderoso líder religioso num tempo crucial, moldando a igreja pelos séculos que se seguiram.

Agostinho foi bispo de Hippo Regius, uma cidade na costa norte da África, na província romana de Numídia. Seu impacto ainda é sentido tanto nas igrejas como na cultura ocidental.

EDUCAÇÃO
Conhece-se mais de Agostinho do que de qualquer outra figura da igreja primitiva por causa de suas Confissões (397-401) e Retratações (426-427). Nasceu numa pequena cidade da Numídia, filho de pai pagão, Patrício, e mãe cristã, Mônica. Com grande sacrifício pessoal, os pais procuraram para o filho bem-dotado a melhor educação romana como forma de projetá-lo daquela pequena cidade africana. Agostinho estudou primeiro em Madaura e depois recebeu treinamento de retórica em Cartago (375) o que o preparou para "escrever com estilo". Em Cartago, abandonou a fé de sua mãe e seguiu as práticas imorais de seus colegas estudantes. Em 372, juntou-se a uma amante com quem viveu por 13 anos e com quem teve um filho, Adeodato (que morreu por volta de 390).

VIDA E OBRAS
Com o abandono da fé cristã, Agostinho dedicou-se a um questionamento religioso da sabedoria através da filosofia. Esse questionamento o levou ao encontro de vários filósofos, em Roma e outras cidades, foco dos luminares da época, de quem ouvia e aprendia e com quem debatia sobre o Bem e o Mal, o Pecado, virtudes purificadoras, auto-purificação, nenhum deles , no entanto, lhe apresentava a verdade de Cristo. Em meio a uma grande crise moral e emocional, Agostinho foi tocado pela leitura de Romanos 13:14 que lhe mostrou claramente Cristo como a autoridade moral capaz de lhe dar uma "nova vontade". Numa repentina conversão moral, abandonou sua posição de professor e desistiu do desejo de se casar com uma mulher rica (havia se separado da amante). Retirou-se com alguns amigos íntimos, parentes e sua mãe para a casa de campo de um amigo para dedicar-se à verdade.
Confidenciando que uma alma purificada poderia chegar à verdade clara, Agostinho comprometeu o grupo com o diálogo socrático, um método no qual o professor dirige perguntas a pessoas num grupo e as lidera na discussão, ainda que não se chegue a conclusões. Os diálogos, anotados por um escriba e posteriormente suplementados por Agostinho, foram a base de três de suas obras.

SUMÁRIO
Durante os últimos meses da vida de Agostinho, os vândalos sitiaram a protegida cidade de Hippo por terra e mar. Eles haviam destruído a parte romana do norte da África e a evidência externa da Cristandade latina. Hippo estava cheia de refugiados, incluindo bispos e padres. Agostinho pregou para uma congregação cheia de refugiados e teve os vasos de ouro da igreja fundidos para dar ajuda ao muitos que vieram.Suas cartas informam que a África estava madura para o julgamento de Deus nas mãos dos bárbaros. Naquela crise final, Agostinho contraiu uma doença fatal. Com os salmos de penitência pendurados nas paredes de seu quarto, aquele bispo de 75 anos, que tinha cultivado tantas amizades, pediu que o deixassem sozinho para se preparar para morrer.

A medida da importância de Agostinho vai além do raro título, "Doutor da Igreja", que lhe foi dado na Idade Média. Foi o primeiro a fazer um auto-exame diante de Deus na forma de suas Confissões e assim dar à igreja entendimento bíblico sobre a vida de um homem sob a graça de Deus. Foi o primeiro a dar uma visão bíblica da história, do tempo e do estado no seu livro Cidade de Deus. Estabeleceu a doutrina da igreja nos seus escritos anti-Donatistas, uma visão que prevaleceu na igreja durante séculos. Deu à igreja ocidental uma confirmação clara sobre a pessoa de Cristo, que mais tarde foi estabelecida como doutrina por Leo. Instituiu como tema da teologia no Ocidente a graça de Deus no evangelho.

ARTIGO EXTRAÍDO DA ILÚMINA

sexta-feira, 15 de maio de 2009

JERUSALÉM: CAPITAL ETERNA DO POVO DE DEUS (POR TEV DJMAL)

"Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém, que perca a minha destra a sua destreza! Que se cole a minha língua ao palato, se não me lembrar sempre de ti e não mantiver a tua lembrança acima de minha maior alegria!" (Salmo 137)

Uma pequena história:
Um membro do Knesset, o Parlamento de Israel, em visita à África, pediu à telefonista do hotel instruções de como fazer uma chamada a Jerusalém. Após um momento de silêncio, a telefonista respondeu que era impossível fazer tal ligação, pois Jerusalém não era um lugar físico - mas um local espiritual, nos Céus.
Começamos este artigo com esta história, aparentemente frívola, pelo fato de indicar a percepção que as pessoas, de modo geral, têm de Jerusalém. No entender de muitos, um local tão sagrado somente poderia ser um mito - um tipo de Eldorado espiritual, a lendária Cidade de Ouro, em vão procurada, jamais encontrada. E apesar de sabermos que Jerusalém é uma localidade física sobre a Terra - pois que é a Capital Eterna do povo judeu - a diligente telefonista africana da história, bem como todos aqueles que como ela pensam, não deixam de ter certa razão, uma vez que Jerusalém também constitui um lugar espiritual, nos Céus. O Talmud nos conta de uma Jerusalém celestial que paira sobre a Jerusalém terrena. E como tudo o que é espiritual no mundo, a etérea Jerusalém afeta e é afetada por sua contraparte física. Assim falou o Eterno, Abençoado Seja: "Na Jerusalém Celestial não hei de habitar enquanto não habitar na Jerusalém terrena" (Tratado Taanit, 5a). Seguindo o mesmo raciocínio, o misticismo judaico nos ensina que quando os judeus foram expulsos de sua Terra - quando Roma antiga irrompeu com selvageria em Jerusalém, arrasando o Templo Sagrado - D'us acompanhou Seu povo ao Exílio.
Pode-se pensar que a queda de Jerusalém e a subseqüente Diáspora judaica apenas dizem respeito aos judeus - afinal, foram destruídos a sua capital e o seu Templo. Mas, na realidade, o exílio da Shechiná, a Presença Divina, impactou toda a humanidade e continua a fazê-lo. Tudo o que a nós parece errado, neste mundo, é conseqüência do exílio do Todo-Poderoso - de Sua ocultação, de nossa incapacidade de ver a bondade de Sua Providência em tudo o que nos cerca. Com o advento da Era Messiânica, quando todos os judeus retornarem à Jerusalém terrena, o mundo finalmente encontrará a sua ordem. O resultado será a utopia com a qual sempre sonhou e pela qual tanto anseia a humanidade. Há milhares de anos Jerusalém vem deslumbrando homens e mulheres; e a razão para tal, quer o saibam ou não, é o fato de ser a capital espiritual do mundo. Mesmo não tendo o poder político nem a importância financeira de outras grandes metrópoles, Jerusalém mobiliza e toca a alma do homem como lugar algum na face da Terra. Se Israel está no centro do mundo - e qualquer pessoa que acompanhe o noticiário diário certamente assim julga - seria correto afirmar que Jerusalém é o ponto central desse centro. Um antigo ditado talmúdico o confirma ao explicar que "o mundo é como um olho: o branco do olho é o oceano que o circunda; o pigmento é o próprio mundo, a pupila é Jerusalém e a face nela refletida é o Templo Sagrado" (Derech Eretz Zuta).
A Cidade Santa tem importância tão vital que se tornou um conceito e um símbolo que em muito transcendem seus próprios limites geográficos. Jerusalém significa Israel como um todo: contém dentro de si a essência da Terra Santa. Durante os vários séculos em que praticamente todo o nosso povo viveu na Diáspora, um judeu que viesse de qualquer parte da Terra de Israel era chamado de Yerushalmi. De modo semelhante, o Talmud compilado ao longo de anos em várias partes da Terra de Israel e ordenado em Tiberíades e Cesaréia foi intitulado Talmud Yerushalmi, o Talmud de Jerusalém.
Israel sem Jerusalém pode ser comparado a um corpo destituído de alma; é Jerusalém que dá vida e significado à Terra Santa. Os nomes "Jerusalém" e "Israel" são, por assim dizer, intercambiáveis: notadamente, em ocasiões específicas e especialmente no final do Seder de Pessach - a refeição festiva que celebra a libertação dos judeus - proclamamos, com fervor, "No próximo ano, em Jerusalém!", ao invés de "No próximo ano, em Israel". Durante muitas gerações, certas comunidades judaicas incluíam em todos os contratos matrimoniais a frase: "O casamento ocorrerá em Jerusalém. Se, por uma razão qualquer, a Redenção ainda não tiver chegado, as bodas serão celebradas na cidade de...". Tal costume expressava não apenas a esperança de que estivesse iminente o fim do exílio, mas evidenciava claramente que o único lugar adequado para se iniciar uma família judia e criar uma nova geração de judeus era Jerusalém. Qualquer judeu tem - ainda que disto não tenha consciência - um profundo vínculo espiritual com Jerusalém. E isto se tornou mais evidente do que de costume quando Israel se defrontou com guerras - pois, nessas situações, inúmeros judeus que nem sequer se consideravam religiosos atiraram-se, sem hesitar, à morte-certa, e entregaram suas vidas "em uma bandeja de prata", como disse o poeta, para que a Cidade Santa voltasse às mãos de nosso povo. O tema do Hino Nacional de Israel, que, infelizmente foi tão mal interpretado por muitos, decanta o anseio de um povo por poder viver como nação soberana - não mais por temer a perseguição ou o extermínio -, mas para viver soberanamente no Lar Nacional que nos pertence, a Terra de Jerusalém e de Tsión.
E o que é Tsión? Apenas um outro nome atribuído à Cidade Sagrada. O sionismo - deixando, por um momento, de lado a política - significa, literalmente, o retorno do povo judeu à Jerusalém. Afirmar que um sionista aceitaria um Estado Judeu em qualquer outro lugar que não fosse Eretz Tsión, a Terra de Jerusalém, constitui, no mínimo, um grave erro semântico.
Nosso povo sobreviveu a quase dois milênios de exílio graças à Torá e ao fato de levar Jerusalém em seu coração, onde quer que estivesse. Os judeus suportaram a opressão, as piores atrocidades, até o genocídio, pelo fato de nunca terem perdido a fé em que, um dia, eles - ou seus filhos, ao menos - haviam de retornar à nossa Capital Eterna. Nos campos de morte nazistas, mantinha-os vivos o sonho eterno de chegar a Jerusalém; levitavam em torno àquele devaneio que lhes dava a força de suportar os sofrimentos a que eram submetidos. Elie Wiesel, Prêmio Nobel da Paz, escriba e narrador vivo do Holocausto, declarou que sua geração foi a de Jó e Jerusalém. E se entendermos Jó - o personagem bíblico símbolo do sofrimento injustificado - como o representante do Holocausto e de todos os seus horrores, podemos facilmente abarcar a imensidão do simbolismo de Jerusalém. A Cidade Santa representa o oposto do Holocausto; simboliza toda a bondade e o que de Divino há sobre a Terra. E para nós, judeus, representa muito mais do que uma capital política ou mesmo espiritual. Trata-se da Cidade de D'us, que reflete, como um todo, a essência de nosso povo.
E apesar de ser fato comprovado que os judeus sobreviveram, contribuíram e até floresceram em inúmeros outros países, o mundo sempre os fez lembrar, repetidamente, que só tinham um único Lar nacional e religioso. O judaísmo fundamenta-se na Torá, que é infinita e destinada a permear o mundo todo, elevando-o espiritualmente. No entanto, muitas de suas Leis não podem ser cumpridas enquanto a grande maioria dos judeus não tenha retornado a Jerusalém e o Terceiro Templo não tenha sido erguido. Historicamente, enquanto as circunstâncias não permitiam ao povo judeu exercer sua soberania sobre Eretz Israel, a instituição do Código de Leis Judaicas, a Halachá, não podia ser completamente implementada. Quando um judeu reza, não importa o lugar, deve orar voltado em direção à Jerusalém. Seguindo a mesma idéia, a Arca Sagrada que guarda os rolos da Torá, em todas as sinagogas, é colocada na direção da Cidade Sagrada. Segundo a Cabalá, a razão para tal é que nossas preces viajam a Jerusalém, especificamente ao local onde se erguia o Templo, e de lá ascendem aos Céus. No misticismo judaico, Jerusalém simboliza a própria Presença Divina; é o ponto onde Infinito e finito se tocam; onde o "filamento de prata" da influência Divina toca toda a obra da Criação.
Para o povo judeu, outrora e hoje, Jerusalém constitui uma história de amor. O grande poeta espanhol, Yehuda HaLevy, a intitulava "a plenitude da beleza", afirmando que todas as perfeições concebíveis nela se comungavam. A prece do Rabi Shlomo Alkavetz, Lechá Dodi ("Vem, amada minha"), ponto central na liturgia de Erev Shabat, expressa nosso anelo nostálgico por Jerusalém. Essa canção de amor compara a Cidade Santa a uma noiva, ornada com finos adornos, à espera do regresso de seu amado - que não é outro, senão o Povo Judeu. Quando um de nós chega a Jerusalém, deve sentir-se chegando em casa, a seu legítimo lar, à Pátria que há muito nos aguarda. Uma alma sensível não tem como não se sentir arrebatada pela força espiritual da Cidade Santa. Muitos foram os que desmaiaram ao pisar o solo onde outrora se erguia, triunfal, o Templo Sagrado. E, ainda que seja verdade que D'us está em todas as partes, pois é Onipresente e também Onisciente, Sua Presença nos envolve quando estamos em Jerusalém como Alguém que não sai de nosso lado. Aquele que, estando nessa cidade, comete uma contravenção, não é apenas um criminoso, mas um pecador. Devemos ser especialmente cuidadosos ao estar na Cidade Santa por ser esta a Morada Divina. Devemos, portanto, tratá-la com o amor e o respeito que sua santidade acarreta. Nascer na cidade, lá viver ou simplesmente visitá-la constitui verdadeira bênção; muitos de nossos Mestres e Sábios, entre os quais Moshé Rabeinu e o Baal Shem Tov, não mereceram tamanha graça e privilégio. Daí a afirmação talmúdica: "Aqueles que nascem em Jerusalém terão uma recompensa especial, mas aqueles que a amam serão igualmente recompensados".
Destruição e renascimento
Quanto mais apreciamos o valor e o significado de Jerusalém, maior é nosso lamento em Tishá Be'Av, o dia mais triste do calendário judaico. Nessa data - o 9º dia do mês hebraico de Menachem Av - foram destruídos o primeiro e o segundo Templos Sagrados. Tishá Be'Av marca e simboliza a queda de Jerusalém e o exílio do povo judeu. Excetuando-se Yom Kipur, é o único dia no ano judaico em que a lei manda jejuar durante mais de 24 horas. Aplicam-se nesse dia as demais proibições do Dia do Perdão: ademais de jejuar, não se usam sapatos de couro, é proibido banhar-se ou untar-se com óleos e cremes, bem como está vedado o contato sexual. O nono dia de Av tem tamanha importância que o Talmud afirma que não jejuar em Tishá Be'Av é quase tão grave quanto não jejuar em Yom Kipur.
Tishá Be'Av e as três semanas que antecedem a data constituem uma época de luto para todo o povo judeu. A queda de Jerusalém foi um duro golpe para a existência de cada um de nós e toda a humanidade deveria sentir a nossa dor, pois não reinará harmonia no mundo enquanto a Cidade Santa não retornar à sua perfeição original. O dano causado a Jerusalém traz malefícios ao mundo inteiro, pois o Templo servia também para expiar os pecados de toda a humanidade - e não apenas de nosso povo. Um dos maiores sábios talmúdicos, o Rabi Yehoshua Ben Levi, afirmava que se os antigos romanos tivessem entendido a abrangência dos benefícios que auferiam do Templo, teriam-no protegido com grande zelo, ao invés de o arrasar. Em outra parte do Talmud, os Sábios declaram: "Desde o dia em que foi destruído o Templo, não houve um dia sequer sem que uma maldição caísse sobre o mundo; e a cada dia, pior é a maldição" (Tratado Sotá, 49a). Até mesmo o Todo-Poderoso, Bendito Seja, se ressente da perda de Jerusalém. O Talmud a isso se refere com linguagem metafórica: "A partir do dia em que se destruiu o Templo, cessou o riso perante D'us" (Avodá Zará, 3b).
No entanto, não é apenas durante as "três semanas de luto" que culminam em Tishá Be'Av que o povo judeu pranteia a perda de Jerusalém. A dor pela destruição de nossa Cidade e nosso Templo Sagrado marca praticamente todas as ocasiões da vida judaica, até mesmo as de maior júbilo. Segundo a Lei Judaica, toda casa recém-construída deve permanecer inacabada, ainda que seja um cantinho à toa sem tinta, pois judeu algum pode viver em um lar perfeito enquanto a Morada Divina permanece em ruínas. Nos casamentos judaicos, a cerimônia religiosa termina quando o noivo quebra, com o pé, um copo de vidro. O gesto serve para fazer lembrar aos presentes que não há felicidade completa enquanto Jerusalém não vir restaurado o seu antigo esplendor.
Desde a fundação da cidade, pelo Rei David, como capital de seu reino, Jerusalém foi o lugar mais próximo do coração de qualquer judeu. Desde que estes foram expulsos de Israel, a Terra Santa foi conquistada inúmeras vezes, sem nunca, entretanto, ter sido um país independente - e nação alguma, a não ser a Nação Judaica, fez dela a sua Capital. A Cidade Sagrada testemunhou a ascensão e queda dos impérios que a dominaram, um após o outro, enquanto pacientemente aguardava o retorno de seus filhos, seus únicos e legítimos titulares. Já o Templo Sagrado, este foi destruído em duas ocasiões: primeiro, no ano de 586 a.E.C. e, posteriormente, no ano de 70 desta era; mas seu Muro Ocidental, o Kotel sagrado, sempre permaneceu de pé, como que pressagiando o dia em que há de se tornar parte do Terceiro Templo. O Zohar, obra básica da Cabalá, ensina que a Presença Divina nunca abandonou o Muro do Templo; e foi esta a razão pela qual os romanos não conseguiram destruí-lo.
Até o dia de hoje, judeus e não judeus acorrem ao Muro, em bando, por terem fé em que, na Morada Divina - ou em qualquer parte da mesma - uma prece dificilmente ficará sem ser atendida.
Desde que foram forçados ao exílio, os judeus nunca deixaram de ansiar por Jerusalém. Dizem os Salmos que quando nós, judeus, retornarmos a Tsión, "seremos como sonhadores". Nossos sábios descreveram o fim do exílio como "o despertar de um pesadelo". E, de fato, foi apenas após o Holocausto - que foi muito mais terrível do que qualquer pesadelo jamais poderia teria sido - que milhões de judeus começaram seu retorno ao Lar. Como se sabe, um grande milagre Divino, perpetrado pelas mãos de todos os heróis judeus que deram a vida pelo nosso povo, ocorreu no ano de 1948; alguns anos mais tarde, em 1967, ocorreria outro milagre, talvez ainda mais significativo. Elie Wiesel, testemunha ocular do mesmo, descreve-o da seguinte forma:
"O combate ainda perdurava em várias frentes... mas isso não impediu que as pessoas, num êxtase místico, acorressem em direção à Cidade Velha, que estivera inacessível a todos os judeus durante o domínio jordaniano... sobreviventes de todo tipo de inferno, rostos de todo tipo de destino - vi-os correndo, ofegantes, voando quase... correndo para tocar o Muro. E lá chegando, incrédulos e estupefatos, como crianças que temem o despertar por não querer o fim do sonho, detêm-se, de súbito. Eis que se ouve um choro convulsivo, preces sendo entoadas, enquanto outros dançam, dando vazão à emoção. O país inteiro dançou. A história judaica dançou. Explodindo de júbilo e gratidão pelo privilégio de testemunhar aquele momento, pensei: "É isto, Jerusalém, o lugar que atrai e irmana todos os judeus, a verdadeira cidade da saudade e promessa eternas".
Jerusalém, tantas vezes conquistada; dividida em 1948; finalmente reunificada em 1967. E unificada permanecerá para sempre, pois se há algo que congregue todos os judeus, este algo é o seu amor por Jerusalém. Nos debates sobre a Cidade Santa, não se faz necessário citar nossos líderes religiosos, nem tampouco os partidos israelenses de centro ou de direita. Basta ouvir as vozes dos mais pacifistas, em suas opiniões políticas, e liberais, em sua observância da religião, pois as mesmas revelam o consenso de que Israel não pode existir sem a Cidade Santa. O ex-Primeiro Ministro Shimon Peres declarou, certa vez, que "não há lugar nem lógica em capitais divididas. Tal divisão seria um convite ao terrível fantasma do conflito renovado. E Jerusalém foi destruída mais vezes do que reconstruída. E agora, por fim, foi reunificada e reconstruída". Eric Yoffie, rabino e presidente do movimento reformista judaico norte-americano, disse, em um artigo, que "os laços que vinculam o povo judeu a Jerusalém constituem a pedra de toque da civilização judaica. Na ausência de Jerusalém, desaparecem a fé judaica e o futuro do judaísmo".
E não são apenas os judeus os que entendem o milagre - e as implicações espirituais - do retorno do povo judeu à Terra de Israel. Em todo o mundo, milhões de cristãos apóiam ardentemente Israel, por entenderem que esse país é a chave para a redenção da humanidade toda. O Arcebispo de Viena, Cardeal Christoph Schönborn, declarou recentemente: "Uma única vez na história humana D'us escolheu um país como legado e o ofertou a Seu povo escolhido". O Cardeal declarou, também, que no que dizia respeito ao recém-falecido João Paulo II e ao Vaticano, a obrigação que recaía sobre os judeus de viverem na Terra de Israel continuava válida até os dias de hoje. Um tal apoio ao direito do povo judeu sobre a Terra Santa e sobre a Cidade Santa é expresso de maneira ainda mais contundente pelos evangélicos - especialmente no Brasil e nos Estados Unidos. O fundador da Coalizão Cristã, Dr. Pat Robertson, um dos líderes religiosos mais influentes dos Estados Unidos, assim se manifestou: "Foi apenas após 1967 e a Guerra dos Seis Dias que o Estado de Israel voltou a se apossar de Jerusalém Oriental. Para os evangélicos, tal momento teve grande significado. E, em nossa opinião, abrir mão dessa parte da cidade de Jerusalém seria uma profanação inimaginável - em outras palavras, seria a ruptura de uma profecia solene que sói ocorrer em nossos dias".
É verdade que a Cidade Santa ainda não viu restaurada a sua antiga glória. O renascimento de Jerusalém e o retorno do povo judeu não podem e não estarão completos enquanto não forem acompanhados por uma mudança no mundo todo. Apenas uma redenção que leve o mundo a um nível existencial mais elevado e mais santificado poderá ser considerada reparação plena pela Destruição e pelo sofrimento de dois mil anos de exílio. Com o advento da Era Messiânica, ensinam nossos sábios, Jerusalém expandir-se-á e cobrirá toda a Terra; em outras palavras, sua santidade se espalhará pelo mundo inteiro.
O nome Jerusalém tem inúmeros significados, entre os quais "Cidade da Paz". A paz, no entanto, ainda não reina em Jerusalém. Continuamos a guardar o dia de Tisha Be'Av, apesar do milagre de 1967, porque esperamos que se cumpram as muitas Promessas Divinas: que o Templo Sagrado seja restaurado, que todos os judeus sejam levados para seu verdadeiro Lar e que advenham a paz, a prosperidade e o fim de todo o sofrimento - não apenas na Cidade da Paz, mas no mundo todo.
Ao comentar sobre um versículo da Torá que descreve os exílios de Jerusalém - "Às margens dos rios da Babilônia, nos sentávamos e chorávamos, lembrando de Tsión" (Salmo 137:1) - o profeta Jeremias teria retrucado: 'Se vocês tivessem chorado de arrependimento, em Jerusalém, apenas durante uma hora, não estaríamos, hoje, pranteando a sua destruição". Não foi durante uma hora, mas durante dois mil anos que os judeus choraram por Jerusalém. No entanto, até mesmo em nossos momentos mais difíceis, lembramo-nos da promessa de nossos Sábios e Profetas, de que todo aquele que pranteia por Jerusalém irá, um dia, rejubilar-se com sua glória. Segundo uma tradição, a redenção Messiânica ocorrerá exatamente em Tisha Be'Av, transformando o dia mais nefasto na história do judaísmo no dia mais festivo de nosso calendário. O Talmud, quando descreve os eventos do dia terrível em que o Segundo Templo foi destruído, narra a seguinte história mística. Quando os exércitos romanos, liderados pelo malévolo general Tito, preparavam-se para arrasar o Templo, quatro anjos desceram dos Céus e o incendiaram, como que a demonstrar que o inimigo não tinha poderes para destruir a Morada Divina. Alguns jovens Cohanim, sacerdotes, escaparam do santuário em chamas e, subindo aos telhados, dirigiram-se ao Mestre do Universo. "Não fomos capazes de salvaguardar a Sua Morada", disseram, "assim sendo, às Suas mãos devolvemos as chaves do Templo". Lançaram as chaves em direção ao Firmamento, quando surge uma mão em fogo que as resgata e guarda para Si.
Se a Redenção Messiânica não ocorrer até o próximo Tisha Be'Av, neste dia de luto, como em anos anteriores, sentaremos no chão, em jejum absoluto, e recitaremos as Lamentações de Jeremias. E rezaremos pela chegada do dia - e que este dia chegue muito em breve - no qual D'us fará voltarem as chaves do Templo Sagrado - de Sua Morada - às nossas mãos.


Traduzido por Lilia Wachsmann
Bibliografia:
Steinsaltz, Rabbi Adin (Even Israel),The Strife of the Spirit , ed. Jason Aronson Peres, Shimon, City Without Walls ,artigo publicado na revista Olam Magazine - www.olam.org
Steinsaltz, Rabbi Adin, G-d's Return , artigo publicado na revista Olam Magazine - www.olam.org
Wiesel, Elie, Keys of Heaven, artigo publicado na revista Olam Magazine - www.olam.org
Robertson, Pat, A Prayer for Jerusalem, artigo publicado na revista Olam Magazine - www.olam.org
Yoffie, Eric, Tale of two cities , artigo publicado na revista Olam Magazine - www.olam.org

terça-feira, 12 de maio de 2009

OS SETE CONCÍLIOS ECUMÊNICOS DA IGREJA - Por André Rodrigues

Concílio [Do lat. conciliu.] Sm.
Reunião de toda uma Igreja cristã, pela convocação de uma representação determinada, para definir e deliberar sobre pontos atinentes à missão que lhe é própria. (Dicionário Aurélio/Eletrônico)

Ecumênico [Do gr. oikoumenikós, pelo lat. oecumenicu.] Adj.

1.Relativo a toda a Terra habitada; universal.
2.Relativo ao ecumenismo.
3.Rel. Diz-se do crente que manifesta disposição à convivência e diálogo com outras confissões religiosas.

Os Concílios Ecumênicos ou “Assembléias Universais”, eram convocados por ingerência do Estado, visando a unidade da Igreja. Com o fortalecimento da Sé Romana, porém, tais reuniões passaram a ser convocadas única e exclusivamente pelo papa. Estes Concílios são em número de sete: O de Nicéia em 325, Constantinopla em 381, Éfeso em 431, Calcedônia em 451, Constantinopla II em 553, Constantinopla III que teve duração de quase um ano, 680 a 681 e Nicéia II em 787. Diversas foram as resoluções nestes Concílios e passaremos a apresentar em resumo algumas das principais em cada um deles, bem como a síntese de suas histórias.

Nicéia – (De 20/05 a 25/07 de 325) Em outubro de 312, um general do exército romano, chamado Constantino, atacou Roma para depor Maxêncio, o homem que alegava ser o imperador, e tomar o trono do império. Constantino foi o general-comandante nas legiões romanas na Bretanha e na Europa ao norte dos Alpes durante vários anos e acreditava ter mais direito de ser imperador do que qualquer de seus rivais. Provavelmente, tinha bons conhecimentos do cristianismo, mas não existem provas de sua conversão a fé, nem mesmo de uma forte simpatia por ela antes de sitiar Roma em 312. Segundo seu biógrafo, o bispo cristão Euzébio, Constantino fez um apelo a qualquer deus que pudesse ajudá-lo a derrotar seu rival e teve a visão de um símbolo cristão com as palavras “Sob este símbolo vencerás”. Segundo se declara entrou na batalha no dia seguinte com o símbolo de Cristo exibido em suas bandeiras e escudos de guerra e seu inimigo Maxêncio foi jogado na Ponte Mívia na periferia de Roma, no rio Pó onde se afogou. Euzébio, que considerava Constantino um grande herói, comparou Maxêncio com faraó e Constantino com Moisés e declarou que a vitória foi uma intervenção divina.
Depois de se tornar imperador, Constantino promulgou o “Edito de Milão”, que declarou oficialmente a tolerância imperial do cristianismo (313). A partir de então, promulgou uma série de editos que restauravam aos cristãos os seus bens, e paulatinamente, começou a favorecer os cristãos e o cristianismo mais do que as demais religiões. Constantino nunca chegou a fazer a religião oficial do império e permaneceu o pontifex maximus, ou sumo sacerdote, da religião pagã oficial do império, até ser batizado pouco antes de sua morte em 337.
Durante todo o seu reinado, o relacionamento entre Constantino e os líderes cristãos foi tempestuoso. Chegou a se considerar o “bispo de todos os bispos” e o “ décimo terceiro apóstolo” embora fosse pagão e recusasse o batismo até chegar praticamente no leito de morte. Aparentemente, a unificação da igreja foi uma de suas obsessões e o domínio da liderança eclesiástica, o meio de atingir o seu objetivo. As igrejas cristãs do império estavam seriamente divididas na ocasião de sua ascensão e Constantino queria usar o cristianismo como uma “cola” para reunificar o império. Para tanto precisava extirpar os cismas, as heresias e as dissensões onde quer que estivessem. Na ocasião de sua morte, Constantino não havia resolvido totalmente esse assunto e muitos historiadores eclesiásticos argumentam que na realidade, ele apoiava tanto as heresias como a ortodoxia.
No reinado de Constantino aconteceram vários eventos importantes para o cristianismo e para a teologia . Em primeiro lugar, conforme já foi observado, a perseguição oficial dissipou-se e ser cristão, pelo menos de nome, passou a ser popular e prudente. Hordas de pagãos não convertidos entraram como uma inundação para as igrejas cristãs simplesmente para ganhar posição aos olhos da corte imperial e da burocracia dirigida por Constantino.
Em segundo lugar, saiu de Roma e edificou uma “Nova Roma” no Oriente como a nova capital imperial. Escolheu a cidade de Bizâncio (atual Istambul, na Turquia) e deu-lhe um novo nome em homenagem a si mesmo: Constantinopla.
Em terceiro lugar, o cisma mais divisor que a igreja já havia experimentado ocorreu no reinado de Constantino. Começou em Alexandria e se propagou por todo o império, causando maior impacto na metade que falava grego. Ficou conhecido por controvérsia ariana (Arianismo- Heresia fermentada por um Presbítero do 4° século chamado Ário. Negando a divindade de Cristo, ensinava ele ser Jesus o mais elevado dos seres criados. Todavia, não era Deus. Por este motivo seria impropriedade referir-se a Cristo como se fora um ente divino. Para fundamentar seus devaneios doutrinários, buscava desvalorizar o evangelho de João por ser o propósito desta Escritura, justamente, mostrar que Jesus Cristo era, de fato, o filho de Deus.) e passou por várias etapas durante quase todo o século.
Em quarto lugar, a igreja celebrou seu primeiro concílio ecumênico (universal) afim de dirimir conflitos doutrinários e eclesiásticos: O Concílio de Nicéia em 325. Foi Constantino quem o convocou e o presidiu. A doutrina formal e oficial ortodoxa da Trindade foi elaborada, em meio as fortes críticas, e expressa no credo normalmente conhecido Credo de Nicéia, mas oficialmente chamado Credo niceno-constantinopolitano (por ser sua versão definitiva concluída no Concílio de Constantinopla em 381). Acabou se tornando a declaração universal de fé da cristandade e assim permanece para a maior parte dos ramos do cristianismo.
Para entendermos a relevância do Concílio de Nicéia, é preciso fazer uma pausa e relembrar a situação em que a igreja se encontrava pouco antes de 325. Bispos e outros cristãos líderes foram perseguidos com ferocidade, e por vezes, executados pelas autoridades romanas. Os templos das igrejas foram confiscados e transformados em templos de deuses e deusas ou locais de adoração ao imperador. A igreja cristã era em geral, considerada uma seita religiosa estranha e uma ameaça em potencial ao império por está cheia de subversivos que se recusavam a honrar o imperador venerando seu “gênio”. De repente, tudo mudou. O mundo parece simplesmente virar de cabeça para baixo. Agora, um imperador romano, um dos mais fortes que já havia aparecido depois de muitos anos, ordenava que todos os bispos cristãos comparecessem para deliberar em uma reunião que ele presidiria.
Alguns cristãos perceberam a ameaça inerente da prepotência imperial no lugar da perseguição imperial. A maioria, não. O imperador convocou os bispos, e prometeu que pagaria as despesas e forneceria proteção. A maioria dos bispos do Oriente compareceu. As condições impróprias para a viagem e as dificuldades com o idioma impediram o comparecimento de muitos bispos do Ocidente. Mesmo assim, os ramos Oriental e Ocidental do cristianismo – Ortodoxo e Católico – vieram a reconhecer esta reunião em Nicéia em 325 como o primeiro concílio ecumênico da igreja. Outros se seguiriam, mas nenhum seria tão importante.
Trezentos e dezoito bispos estavam presentes nas cerimônias de abertura. Infelizmente , não sobreviveram registros contemporâneos das sessões do concílio em si. O concílio durou dois meses e tratou de muitas questões que confrontavam a igreja. Aproximadamente vinte “cânones” ou decretos distintos foram promulgados pelo imperador e pelos bispos a respeito de assuntos que variam desde a deposição de bispos relapso até a ordenação de eunucos. O concílio ofereceu oportunidade de muitas dúvidas que atormentavam as igrejas, inclusive a maneira exata de fixar a data da páscoa e a situação de bispos que se mudavam de uma sé para outra. Todos estes assuntos, no entanto, eram de importância secundária à razão principal do concílio. O imperador conclamara o concílio para dirimir a controvérsia ariana e era a respeito dela que os bispos queriam falar.
Dos 318 bispos que estavam presente na abertura do concílio, somente 28 eram declaradamente arianos desde o início. O próprio Ário não teve permissão para participar do concílio por não ser bispo. Foi representado por Euzébio de Nicomédia e Teogno de Nicéia.

Principais Decisões:
A confissão de fé contra Ário: Igualdade de natureza do Filho com o Pai. Jesus é “Deus de Deus, Luz da Luz, deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai”.
Fixação da data da Páscoa a ser celebrada no primeiro domingo após a primeira lua cheia da primavera (Hemisfério Norte)
Estabelecimento da ordem de dignidade dos Patriarcados: Roma, Alexandria, Antioquia e Jerusalém.
Inicialização do Credo.
Constantinopla – (Maio a Junho de 381) Quando Alexandre, bispo de Alexandria,. Foi ao Concílio de Nicéia para defender a causa trinitária contra Ário e os seus seguidores, levou consigo um jovem assistente chamado Atanásio, que tinha apenas vinte e poucos anos, mas prometia muito como teólogo. É improvável que Atanásio tenha desempenhado qualquer papel relevante no concílio, mas posteriormente foi preparado por Alexandre para ser seu herdeiro na liderança da sé de Alexandria. Quando Alexandre morreu em 328, Atanásio, com trinta anos, sucedeu-lhe neste estratégico cargo eclesiástico.
Atanásio atuou como arcebispo e patriarca de Alexandria durante 45 anos, até sua morte em 373. Passou um terço deste período em exílio forçado, por causa da defesa resoluta da terminologia essencial do Credo de Nicéia diante da oposição imperial. Gonzales expressa o consenso da maioria dos teólogos cristãos ao dizer: “Atanásio foi, sem dúvida alguma, o bispo mais notável que chegou a ocupar a antiga sé de Alexandria e (...) foi também o maior teólogo de seu tempo”. No seu século e durante toda a sua vida, Atanásio foi extremamente controverso.
Muitos bispos e imperadores consideravam-no um controversista inflexível que se recusava a ceder teologicamente em prol da unidade eclesiástica. Entre os anos de 325 e 332, exatamente quando Atanásio estava assumindo seus deveres como bispo de Alexandria, o imperador Constantino começou a mudar de partido no assunto (Arianismo), sob pressão de bispos e conselheiros que secretamente simpatizavam com Ário e dos bispos que o apoiaram e foram depostos e exilados. Estes simpatizantes do arianismo conseguiram conquistar a confiança do imperador e este começou paulatinamente a pensar em mudar o credo e até mesmo a restaurar Ário e os bispos de Nicomédia e Nicéia.
Em 332, Constantino declarou Ário restaurado como presbítero em Alexandria e ordenou que o novo bispo o aceitasse de voltas a comunhão da igreja naquele local. Atanásio recusou-se a não ser que Ário afirmasse homoousios ([Do gr. homo, mesmo + ousia, substância] Termo que começou a ganhar importância a partir do Concílio de Nicéia em 325. Em meio aos debates cristológicos, serviu para mostrar que o Filho tem a mesma substância do Pai, o mesmo acontece com o Espírito Santo em relação as duas primeiras pessoas da Santíssima Trindade.), como descrição do relacionamento entre o Pai e o Filho. Ário não quis. Atanásio rejeitou-o e desconsiderou as exortações e ameaças do imperador. Como resultado, Constantino exilou Atanásio para o posto avançado mais afastado do Império Romano no Ocidente: a cidade alemã de Tréveris. Seu exílio começou em novembro de 335 e durou até a morte de Constantino em 337. Durante este período de ausência de sua sé, no entanto, Atanásio permaneceu como o único bispo reconhecido de Alexandria. Os bispos do Egito, os presbíteros e o povo de Alexandria recusaram-se a substituí-lo e Atanásio continuou sendo o bispo amado deles, mesmo no exílio.
Logo após a morte de Constantino, seu filho Constâncio, sucessor no império, permitiu que Atanásio retornasse a sua sé em Alexandria. Porém, sua restauração não seria permanente.
O imperador queria paz e a uniformidade era o caminho para ela. Chegou a achar que o termo homoousios, ironicamente, sugerido e imposto por seu pai, Constantino, deveria ser substituído no Credo de Nicéia pó homoioussios, que significa “de substância semelhante” e era aceitável para os semi-arianos (buscando uma posição intermediária, os semi-arianistas diziam que Cristo é na verdade semelhante ao Pai, mas não compartilha a substância do Pai) e até mesmo para muitos trinitários. A nova terminologia teria tornado ortodoxa, se aceita, a crença de que o Pai e o Filho compartilham de “substância semelhante” ou de “existência semelhante” em vez de se crer que são da mesma substância ou existência.
Atanásio resistiu com teimosia à mudança e até mesmo a condenou como heresia e equiparou com o anticristo os que a apoiavam. Por causa de sua recusa em ceder, acusações falsas a seu respeito foram feitas no tribunal de Alexandria e ele teve de fugir para Roma em 339. Ao todo Atanásio enfrentou cinco exílios: “Dezessete dos seus quarenta e seis anos de seu bispado, Atanásio passou no exílio. A política e a teologia de Atanásio sempre se misturaram. Assim viveu Atanásio, defendendo seu modo de entender a fé católica como declarou em Nicéia”.
No meio de tudo isso Atanásio conseguiu convocar um concílio (sínodo) em Alexandria. Nem todos os bispos compareceram, naturalmente, portanto, não é considerado um concílio ecumênico. Não teve o apoio, nem do imperador, nem dos muitos bispos de destaques na igreja. Mesmo assim preparou caminho para o segundo concílio ecumênico, o Concílio de Constantinopla, que seria realizado, depois da morte de Atanásio e, em grande medida, como, resultado da obra deste. Seu sínodo em Alexandria reuniu-se em 362. Os bispos ali reunidos reafirmaram homoousios contra a única descrição apropriada do relacionamento entre o Filho e o Pai rejeitaram explicitamente como heresias tanto o homoiousios semi=-ariano como o sabelianismo (Heresia pregada por Sabélio, no século III, cuja a principal tônica era a negação da Santíssima Trindade).
O sínodo deu passo novo que seria crucial para o sucesso da doutrina nicena da Trindade no Concílio de Constantinopla em 381. Com a ajuda dos seus amigos os pais capadócios (Basílio e os dois Gregórios). Atanásio propôs, e o sínodo aceitou uma declaração explicativa no sentido de o Pai, o Filho e o Espírito Santo serem hypostases ([Do gr. hypo, sob, debaixo + stasis, o que está, o suporte] Natureza ou substância. Palavra utilizada para contrastar a natureza essencial da divindade em relação a seus atributos Com freqüência é aplicada para mostrar a distinção entre as naturezas humanas e divinas de Jesus.), distintos, mas não separados, do único Deus.
O Concílio de Constantinopla em 381, foi marcado por ter dado os retoques finais no Credo de Nicéia, ter condenado e excluído várias heresias e ter estabelecido a doutrina formal da Trindade elaborada por Atanásio e seus amigos, os pais capadócios. Assim sendo as principais resoluções deste foram:

A confissão da divindade do Espírito Santo;
Condenação de todos os defensores do arianismo, sob quaisquer de suas modalidades;
A sede de Constantinopla, recebeu uma preeminência sobre as sedes de Jerusalém, Alexandria e Antioquia;
Éfeso – (22/06 a 17/07 de 431) Cirilo e seus leais bispos foram os primeiros a chegar e tiveram de esperar alguns dias. Quando ninguém mais apareceu, Cirilo, o único patriarca presente, abriu a seção e deu início aos trabalhos na ausência de Nestório ou de qualquer outro bispo leal de Antioquia. Primeiramente, os bispos reunidos leram em voz alta o Credo Niceno de Constantinopla I e o reafirmaram, declarando que eram suficiente como credo e que tinha a verdade essencial da cristologia ortodoxa. Em seguida, foi lida a segunda carta de Cirilo a Nestório. Continha suas declarações a respeito do Filho de Deus como o sujeito da vida humana de Jesus Cristo e criticava severamente o dualismo cristológico de Nestório. (Nestorianismo - [Do lat. Nestorianismus] Heresia pregada por Nestório, patriarca de Constantinopla. O cerne desta doutrina era a não admissão da união hipostática das duas naturezas em Jesus Cristo: a divina e a humana.)
Os bispos voltaram em favor dela como a interpretação verdadeira e autorizada do Credo Niceno no que dizia respeito à pessoa de Jesus Cristo. Finalmente o concílio condenou Nestório e sua cristologia como heresia.
O Concílio de Éfeso, em geral considerado o terceiro concílio ecumênico da Cristandade, não promulgou qualquer credo novo, mas endossou uma crença e a declarou obrigatória para todos os cristãos. É uma fórmula dogmática tirada quase que palavra por palavra das cartas de Cirilo a Nestório: “O eterno Filho do Pai é um e exatamente a mesma pessoa que o Filho da Virgem Maria, nascido no tempo e na sua carne; por isso, ela pode ser corretamente chamada Mãe de Deus”.
Além da condenação de Nestório, houve também a de Pelágio com sua doutrina palegiana (Pelagianismo – [Do lat. Pelagianismus] Doutrina formentada por Pelágio, clérigo britânico do séc. IV. Entre outras coisas, ele minimizava a eficácia da graça divina, e afirmava que a realidade humana nada sofreu em conseqüência do pecado de Adão. Ou seja: negava o pecado original e a corrupção do gênero humano.)

Decisões principais:

Cristo é uma só Pessoa e duas natureza;
Definição do dogma da maternidade divina de Maria, contra Nestório, que foi deposto;
Maria é Mãe de Deus – THEOTOKOS; "Mãe de Deus não porque o Verbo de Deus tirou dela a sua natureza divina, mas porque é dela que Ele tem o corpo sagrado dotado de uma alma racional, unido ao qual, na sua pessoa, se diz que o Verbo nasceu segundo a carne". (DS 251)
Condenou o pelagianismo, de Pelágio, que negava os efeitos do pecado original;
Condenou o messalianismo, que apregoava uma total apatia ou uma Moral indiferentista;
Calcedônia – (08/10 a 01/11 de 451) Calcedônia é considerada o quarto concílio ecumênico da Cristandade e produziu uma definição doutrinária – as vezes considerada como um credo – que declarou o dogma oficial da pessoa de Jesus Cristo. Esse dogma é chamado “união hipostática”. Este
Capítulo é a história de como a igreja chegou a lavrar e a declarar esse dogma e como a Definição de Calcedônia o declarou obrigatório para todos os cristãos. No fim desta seção, veremos que, embora a Grande Igreja considerasse a questão encerrada em calcedônia em 451, vários grupos de cristãos se recusaram a aceitar essa solução e continuaram a protestar e argumentar contra ela. A resposta da igreja católica e ortodoxa para esse protesto arrastou-a para as especulações teológicas a respeito da pessoa de Cristo, e embora muitos protestantes possam seguir, e realmente sigam, o pensamento da igreja até Calcedônia e sua doutrina da união hipostática, ali eles se detêm e não consideram obrigatórios os pronunciamentos feitos depois dela. Isto é, quando até mesmo os protestantes conservadores relembram os processos que definiram a verdadeira doutrina nos primeiros séculos do cristianismo, a maioria não se espanta com o que foi chamado de ortodoxo depois de Calcedônia.
O grande Concílio Ecumênico de Calcedônia foi aberto um pouco pomposo cerimonial em 08 de outubro de 451, com a presença de quinhentos bispos, dezoito oficiais de estado do alto escalão, inclusive o casal imperial.
Embora o Concílio de Calcedônia encerrasse a grande controvérsia entre Antioquia e Alexandria a respeito da pessoa de Jesus Cristo, não encerrou definitivamente todos os debates e as controvérsias sobre a doutrina, o concílio e sua fórmula da crença ortodoxa em Cristo causou um longo e paulatino efeito de debates sobre significado exato. Mais uma vez, assim como antes, os imperadores se envolveram e novos concílios foram convocados para definir, de uma vez por todas, uma crença uniforme a respeito da encarnação de Deus em Cristo. A maior parte da controvérsia pós-Calcedônia acontecia no Oriente e a igreja ocidental não tomava conhecimento a não ser quando forçada a tanto pó algum imperador, como acontecia de tempos em tempos. Certo historiador eclesiástico escreveu que “em vez de solução, Calcedônia provou ser mais a definição clássica do problema que exige mais explicações”. Embora tenha proposto uma doutrina teologicamente correta a respeito de Jesus Cristo, e sua fórmula sobrevivido ao tempo. “do ponto de vista político, o Concílio de Calcedônia foi um fracasso” porque “tão logo os bispos partiram de Calcedônia, os dissidentes começaram a expressar sua indignação”. Alguns alexandrinos (até mesmo fora do Egito) se separaram, negando-se a fingir que apoiavam a Definição de Calcedônia, sendo chamados “monofisistas radicais” (Monofisismo - [Do gr. monos, um + physis, natureza],Doutrina segundo a qual o Senhor Jesus tinha apenas uma natureza: a divina. Sua humanidade seria apenas aparente. A Bíblia, porém, afirma que Jesus é Verdadeiro Homem e Verdadeiro Deus.), por que recusavam qualquer tipo de acordo com uma igreja que não declararia que Cristo tem “uma só natureza depois da união”. Eles rejeitaram Eutiques e seu erro de negar que a humanidade de Cristo era consubstancial com a nossa, mas não queriam nenhuma aliança com quem alegasse que Cristo tinha duas naturezas. Certos antioquinos radicais – realmente nestorianos – também se separaram da Grande Igreja porque a Definição de Calcedônia anatematizava qualquer divisão das duas naturezas e soava como o eutiquismo (Ensino elaborado por Êutico (375-454), chefe de convento da Igreja Oriental. Segundo esta doutrina , a natureza de Cristo foi absorvida quando da encarnação do Verbo de Deus. Indiretamente,era a negação tanto da natureza divina, quanto da humana de Jesus. O eutiquismo foi declarado herético pelo Concílio de Calcedônia em 451.) e o monofisismo ao enfatizar a única pessoa de Cristo.

Decisões principais:

Afirmação das duas naturezas na única Pessoa de Cristo, contra o monofisismo de Êutiques de Constantinopla; ‘ Na linha dos santos, ensinamos unanimemente a confessar um só e mesmo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, o mesmo perfeito em divindade e perfeito em humanidade, o mesmo Verdadeiramente Deus e verdadeiramente Homem, composto de uma alma racional e de um corpo, consubstancial ao Pai segundo a divindade, consubstancial as nós segundo a humanidade, “semelhante a nós em tudo com exceção do pecado” (Hb. 4.15); Gerado do Pai antes de todos os séculos, nascido da Virgem Maria, Mãe de Deus, segundo a humanidade. Um só e mesmo Cristo, Senhor, Filho único que devemos reconhecer em duas naturezas, sem confusão, sem mudança, sem divisão, sem separação. A diferença das duas naturezas não é de modo algum suprimida pela sua união, mas antes as propriedades de cada uma são salvaguardadas e reunidas em uma só pessoa e uma só hipóstase”. (DS 301-302)
Condenação da simonia, dos casamentos mistos e das ordenações absolutas (realizada sem que o novo clérigo tivesse determinada função pastoral);
Constantinopla II – (05/05 a 02/07 de 553) Alguns cismas houveram neste concílio. Entretanto, a condenação dos nestorianos (Nestorianismo - [Do lat. Nestorianismus] Heresia pregada por Nestório, patriarca de Constantinopla. O cerne desta doutrina era a não admissão da união hipostática das duas naturezas em Jesus Cristo: a divina e a humana.), Teodoro de Mopsuéstia, Teodoro de Cirilo e Ibas de Edessa (Três Capítulos), foi talvez o principal assunto. “Não há senão uma única hipóstase [ou pessoa], que é nosso Senhor Jesus Cristo, um na Trindade...Aquele que foi crucificado na carne, nosso Senhor Jesus Cristo, é Verdadeiro Deus, Senhor da Glória e Um na Trindade”. (DS 424).
“Toda a economia divina é obra comum das três pessoas divinas. Pois da mesma forma que a Trindade não tem senão uma única e mesma natureza, assim também, não tem senão uma única e mesma operação”. (DS 421).
“Um Deus e Pai do qual são todas as coisas, um Senhor Jesus Cristo para quem são todas as coisas, um Espírito Santo em quem são todas as coisas”. (DS 421).
O Concílio de Constantinopla II em 553, reuniu forças para a explicação da encarnação de Cristo.
Seguremos a tradição de considerar Leôncio de Bizâncio a pessoa que conduziu a Grande Igreja em direção à solução no Segundo Concílio de Constantinopla em 553. Os neocalcedônios queriam encontrar o acordo para os antioquenos moderados (diofisistas) e os alexandrinos moderados (monofisistas) e, ao mesmo tempo, rejeitar as alas radicais dos dois partidos. O caminho para a linguagem de Calcedônia como se fosse “talhada em pedra” e, ao mesmo tempo, interpretá-la de tal maneira que a natureza humana de Cristo fosse encarada como real e genuína sem lhe atribuir qualquer existência independente do Logos. Em outras palavras, todas as categorias conhecidas da existência (physis,ousia) e personalidade (prosopon, hypostasis) precisavam transcender em um salto conceitual para uma nova categoria.
A solução proposta por Leôncio não era uma contribuição para a fé nicena conforme interpretada em Calcedônia. Tudo que envolve enipostasia (Enipôstase – Termo grego usado para explicar a encarnação da divindade num ser humano. Segundo esta doutrina, a encarnação de Cristo foi completa, incluindo todos os atributos comunicáveis e incomunicáveis da Segunda Pessoa da Trindade), é uma interpretação da cristologia calcedônia que ajuda vencer as fortes objeções levantadas pelos alexandrinos e pelos antioquenos, embora os defensores mais obstinados dos dois partidos tenham se recusado a ceder e a aceitá-la. O mais importante é que nem Leôncio, nem Justiniano, nem o Segundo Concílio de Constantinopla em 553 considerou que essa solução iria além de Calcedônia, em qualquer detalhe.

Constantinopla III – (07/11 de 680 a 16/09 de 681) Os monofisistas (monofisismo - [Do gr. monos, um + physis, natureza],Doutrina segundo a qual o Senhor Jesus tinha apenas uma natureza: a divina. Sua humanidade seria apenas aparente. A Bíblia, porém, afirma que Jesus é Verdadeiro Homem e Verdadeiro Deus.), eram cristãos que, sob a influência de Alexandria, acreditavam que a Definição de Calcedônia realmente violava o espírito da doutrina da união hipostática, defendida por Cirilo de Alexandria. Entendiam que ela favorecia a idéia antioquina de duas naturezas e duas pessoas em Cristo. Em outras palavras, acreditavam que não era suficiente para excluir o nestorianismo. Vários imperadores em Constantinopla procuraram aplacar os monofisistas – mas sem muito sucesso. Os monofisistas continuaram sendo uma força poderosa a ser levada em conta no Império Bizantino. Durante os séculos V e VI, muitos imperadores e os principais bispos do Oriente esforçaram-se em prol da união entre os cristãos ortodoxos e os monofisistas. Uma proposta aparentemente atraente para acabar com esse hiato foi o monotelismo, a idéia de que, embora Jesus Cristo fosse uma só pessoa integral com duas naturezas completas, porém inseparáveis, tinha uma única vontade: a divina. Os monotelistas e seus simpatizantes esperavam que esse acordo fosse reunificar a igreja, afinal, as partes não estavam cedendo tanto assim.
Máximo, assim como João Crisóstomo antes dele, nasceu em uma família de boa reputação. Não se sabe o ano exato do seu nascimento em Constantinopla, mas provavelmente foi por volta de 580. Na vida adulta, tornou-se um servidor público bem-sucedido e foi convidado pelo imperador Heráclio para ser seu secretário de Estado pessoal. Depois de um breve período no cargo, no entanto, Máximo deixou o serviço imperial para tornar-se monge e, depois de habitar em vários mosteiros, chegou a Cartago em 632. Foi ali que ouviu falar, pela primeira vez, do monotelismo e começou sua luta contra ele, que durou até o fim de sua vida, executado por esse motivo.
A visão cristã da realidade, a ontologia, de Máximo começa com a idéia de que tudo na criação é, em algum sentido, uma revelação de Deus porque “o mundo inteiro é a indumentária do Logos”. Por causa da criação pelo Logos e especialmente por causa da encarnação do Logos na raça humana, “a essência de tudo neste mundo é espiritual”. Podemos reconhecer a urdidura do Logos em todos os lugares”. O mundo foi criado por Deus como expressão de si mesmo e veículo de sua presença e se uniria a ele através do Logos – a segunda pessoa da Trindade. Essa união aconteceria numa progressão natural e chegaria ao auge na encarnação, se os primeiros seres humanos não tivessem pecado. Nas palavras do próprio máximo:
“Aquele que fundou a existência – origem, “gênese” – de toda a criação, visível e invisível, por um único ato de sua vontade tomou de forma inefável, antes de todas as eras, e antes de qualquer começo do mundo criado, a bom conselho a decisão de que ele mesmo se uniria de modo inalterável à natureza humana pela verdadeira unidade de hipóstases. E uniu-se inalteravelmente à natureza humana, para que se tornasse ele próprio um homem, conforme ele próprio sabe, e para que tornasse o homem um deus pela união consigo”.
Muito depois do martírio de Máximo, sua cristologia foi vindicada pelo sexto concílio ecumênico, convocado pelo imperador Constantino IV. Conhecido como o Terceiro Concílio de Constantinopla ou Constantinopla III, ficou reunido de 680 a 681 e condenou o monotelismo e afirmou duas vontades naturais em Cristo. A partir de então, a reputação de Máximo de grande herói da Ortodoxia foi firmemente sustentada. Sua visão da redenção cósmica é, em geral, aceita como válida pelos cristãos ortodoxos orientais.

Decisões Principais:

Condenação do monotelitismo, heresia defendida pelo patriarca de Constantinopla que ensinava haver só a vontade divina em Cristo;
Este Concílio ensinou que Cristo possui duas vontades e duas operações naturais, divinas e humanas, não opostas, mas cooperantes, de sorte que o Verbo feito carne quis humanamente na obediência a seu Pai tudo o que decidiu divinamente com o Pai e o Espírito Santo para anossa salvação (DS 556-559). A vontade humana de Cristo “segue a vontade divina, sem estar em resistência nem, oposição em relação a ela, mas antes sendo subordinada a esta vontade toda-poderosa”. (DS 556/CIC 475)

Nicéia II – (24/09 a 23/10 de 787) a história da teologia oriental bizantina chegou ao auge de tensão, conflito e resolução com a grande controvérsia inconoclasta do século VIII. O herói ortodoxo desse episódio histórico é João Damasceno. A resolução acha-se num concílio final, que completou o processo da tradição autoritária da ortodoxia oriental em 787, com a declaração de que imagens santas - ícones - não devem ser rejeitadas mas, de fato, usadas no culto cristão. João passou a justificar o uso de ícones na adoração ao fazer a distinção sutil, porém, importante, entre a adoração propriamente dita de uma pessoa ou objeto e a mera veneração – um certo respeito por alguma ciosa, por ser dedicada a Deus e permeada por sua energia espiritual. A adoração absoluta, que João designou pela palavra grega latria, só pode ser prestada a Deus, ao passo que a proskynesis, ou reverência, pode ser prestada às santas imagens por que são canais sacramentais da energia divina. A maneira de João enxergar os ícones afetou profundamente o segundo Concílio de Nicéia em 787, que foi o sétimo concílio ecumênico, segundo a ortodoxia oriental. Os bispos ali reunidos decidiram pela condenação dos inconoclastas ([Do gr. eikonoklástes.]Diz-se de que destrói imagens ou ídolos; pessoa que não respeita as tradições, a quem nada parece digno de culto ou reverência.) “Anátema aos que não saúdam [veneram] as imagens santas e veneráveis. Anátema aos que chamam de ídolos as imagens sagradas”.

Principal Decisão:

Contra os inconoclastas: Há sentido e liceidade na veneração de imagens;

Por André Rodrigues

BIBLIOGRAFIA: História da Teologia Cristã Roger Olson Ed. Vida
Dicionário Teológico Claudionor Corrêia de Andrade CPAD
Dicionário de Aurélio B. H. F. (edição virtual)
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"Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chega a Deus". (Hb 7.24a).

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