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André Rodrigues de Almeida (mais conhecido com André Rodrigues), nascido em 12/10/1982, na Cidade de Jaboatão dos Guararapes, no Estado de Pernambuco. É Teólogo formado pela - Escola de Teologia das Assembléias de Deus no Brasil - ESTEADEB. Foi aluno laureado no ano de 2010, e publicou o Trabalho de Conclusão de Curso pela Editora Nossa Livraria (Editora e Comércio de Livros Jurídicos Ltda), no Estado de Pernambuco no início do ano de 2011 com o Tema: O Tríplice Ofício de Cristo: Profeta, Sacerdote e Rei.

É escritor, articulista e criador de conteúdos em (Teologia em Alta, Benfica RelógiosSkinni Jeans e Leitura Saudável), além do grupo de compras e vendas (Rapidão Negociação) no Facebook. Escreve publicações voltadas para a teologia em: Teologia em Alta e no Leitura Saudável, dispõe de assuntos diversos, frases, pensamentos e comenta política cotidiana.


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

BÊNÇÃOS PROVENIENTES DA OBSERVÂNCIA DA PALAVRA DE DEUS - Por André Rodrigues


É percepção comum entre os que comungam da mesma intenção de fé, que para ter acesso aos inúmeros benefícios descritos nas escrituras é necessário apenas acreditar. Este princípio, propriamente dito, encontra-se em consonância com o que exatamente deve ser feito para o encontro dessas benesses. Crê é o primeiro passo para se começar a desfrutar das bênçãos deixadas pela palavra a nós (cf. Hb. 11.6). Entretanto, declarar que unicamente crê – no sentido restrito de acreditar – credibiliza ao encontro das bondades é pura ilusão ou ignorância. Isto porque o que está por trás da definição de ‘crença’ vai além da expectativa restrita de – simplesmente – acreditar, mas segue uma conotação prioritária e sobretudo, irrevogável de prática. Sem a devida prática não há como ter acesso livre à Deus e bem menos as suas bênçãos. Pode parecer exagero, porém, o que se vê na igreja visível nestes últimos dias são não obedientes integrais e um número cada vez mais alarmante de não observantes escriturístico. Ademais, essa realidade – negligenciada, ao meu ver – insere-se na própria conclusão que caracteriza o tempo do fim predito pela própria escritura, pelo que diz: “O Espírito diz claramente que nos últimos tempos alguns abandonarão a fé e seguirão espíritos enganadores e doutrinas de demônios” (I Tm 4.1- NVI) e noutro lugar se enfatiza: “Nota bem o seguinte: nos últimos dias haverá um período difícil. Os homens se tornarão egoístas, avarentos, fanfarrões, soberbos, rebeldes aos pais, ingratos, malvados, desalmados, desleais, caluniadores, devassos, cruéis, inimigos dos bons, traidores, insolentes, cegos de orgulho, amigos dos prazeres e não de Deus, ostentarão a aparência de piedade, mas desdenharão a realidade. Dessa gente, afasta-te! (II Tm 3.1-5 – Versão Católica). Mesmo assim, diante destas informações vaticinadas e bem presente em nossos dias, aos que se esforçam em permanecer no caminho da observância – ou seja, na prática – encontram o respaldo conveniente para acesso as várias bênçãos descritas.
Etimologicamente a palavra crer está relacionada a acreditar, ter por certo, ter confiança, aceitar como verdadeira as palavras de, e dar crédito – que por sua vez – denota:  dar prestígio; dar importância; e finalmente, praticar. Com esta definição a percepção passa a tomar proporções elevadas e nos remetem não apenas a ouvintes e leitores em categoria secundária, mas a exímios praticantes da fé exaustivamente inserida fazendo com que as bênçãos provenientes da observância seja uma realidade inexorável.
Nestas circunstâncias é indispensável inserir ao debate a figura de conhecido personagem que ao fazer uso do crer como prática, foi largamente abençoado tornando-se exemplo singular a esta questão – Abraão (cf. Gn 15.1-6). Diz-nos as escrituras que através de sua fé – crença, seguida de prática –, primeiro: a justiça foi-lhe atribuída (ver Rm 4.3); em segundo lugar tornou-se pai da fé (cf. Gl 3.7-9); e, por último: pela fé obedeceu à palavra (ver Hb. 11.8). Inegavelmente, a cerca desta questão, Abraão possui relevância sui generi.
Mas, em toda a escritura é possível observar indícios que nos levem à prática para uma total cobertura destas incontáveis bênçãos. Assim como os conselhos são explicitados à comunidade hebreia com a lei de Moisés, extensivamente, de igual modo, servem como ditames inegociáveis para nós. Quando Moisés, no livro de Deuteronômio – repetição das leis – exorta ao povo quanto a obediência para entrar na terra prometida, ilustra perfeitamente nossa peregrinação e de maneira indiscutível permite extrair verdades inquestionáveis pela palavra que diz: “Agora, pois, ó Israel, ouve os estatutos e os juízos que eu vos ensino, para os cumprirdes; para que vivais, e entreis, e possuais a terra que o SENHOR Deus de vossos pais vos dá. Não acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do Senhor vosso Deus, que eu vos mando. Os vossos olhos têm visto o que o Senhor fez por causa de Baal-Peor; pois a todo o homem que seguiu a Baal Peor o Senhor teu Deus consumiu do meio de ti. Porém vós, que vos achegastes ao Senhor vosso Deus, hoje todos estais vivos. Vedes aqui vos tenho ensinado estatutos e juízos, como me mandou o Senhor meu Deus; para que assim façais no meio da terra a qual ides a herdar. Guardai-os pois, e cumpri-os, porque isso será a vossa sabedoria e o vosso entendimento perante os olhos dos povos, que ouvirão todos estes estatutos, e dirão: Este grande povo é nação sábia e entendida. Pois, que nação há tão grande, que tenha deuses tão chegados como o Senhor nosso Deus, todas as vezes que o invocamos? E que nação há tão grande, que tenha estatutos e juízos tão justos como toda esta lei que hoje ponho perante vós? Tão-somente guarda-te a ti mesmo, e guarda bem a tua alma, que não te esqueças daquelas coisas que os teus olhos têm visto, e não se apartem do teu coração todos os dias da tua vida; e as farás saber a teus filhos, e aos filhos de teus filhos. O dia em que estiveste perante o Senhor teu Deus em Horebe, quando o Senhor me disse: Ajunta-me este povo, e os farei ouvir as minhas palavras, e aprendê-las-ão, para me temerem todos os dias que na terra viverem, e as ensinarão a seus filhos;” (Dt 4.1-10 – ARCF). A divisão pausada de cada seção desta porção mostrará que aquele que com esforço procura guardar a palavra: torna-se, obediente (vv 1,2); deposita sua confiança em Deus (vv 3); certifica-se do cuidado de Deus para sua vida (vv 4); adquire esperança nas promessas do Senhor (vv 5); obtém sabedoria, entendimento, conquista respeito e dá bom testemunho (vv 6-8); e por fim, desfruta de grandes experiências da parte de Deus (vv 9-10). Esta estrutura de indícios quando observadas criteriosamente, transporta para uma experiência ainda mais satisfatória que são os benefícios – propriamente dito – da obediência. Em continuação no livro que encerra o pentateuco, Moisés, noutra seção endossa ao povo estes benefícios, senão vejamos: “E será que, se diligentemente obedecerdes a meus mandamentos que hoje vos ordeno, de amar ao Senhor vosso Deus, e de o servir de todo o vosso coração e de toda a vossa alma, então darei a chuva da vossa terra a seu tempo, a temporã e a serôdia, para que recolhais o vosso grão, e o vosso mosto e o vosso azeite. E darei erva no teu campo aos teus animais, e comerás, e fartar-te-ás. Guardai-vos, que o vosso coração não se engane, e vos desvieis, e sirvais a outros deuses, e vos inclineis perante eles; E a ira do Senhor se acenda contra vós, e feche ele os céus, e não haja água, e a terra não dê o seu fruto, e cedo pereçais da boa terra que o Senhor vos dá. Ponde, pois, estas minhas palavras no vosso coração e na vossa alma, e atai-as por sinal na vossa mão, para que estejam por frontais entre os vossos olhos. E ensinai-as a vossos filhos, falando delas assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te; (Dt 11.13-19 – ARCF). Aqui, na seção dos benefícios, encontraremos – com acima – verdades a serem extraídas, agora, não no sentido de guardar a palavra, mas – benefícios da obediência – a quem procura com esmero a prática da palavra. Dentro desta linha é clara a percepção que nos permite primeiro: obter bênçãos da parte de Deus (vv 14,15 / ver paralelamente Sl 1.1-3); em segundo lugar: somos instruídos a tornarmos vigilantes (vv 16,17 / cf. Sl 119.103-106); depois, os que procuram agir neste parâmetro, absorve a palavra e adquire concertos com Deus (vv18 / conferir simultaneamente Sl 119.11-16) e finalmente, passa seus conhecimentos a seus filhos (vv 19 / ver também Pv. 22.6).
Certamente, incontáveis são os benefícios da palavra quando aplicada na vivência da prática. Jesus e os apóstolos, na mesma linha de pensamento, deixaram exemplos úteis à nossa realidade espiritual, concernente a estes benefícios. Ensina-nos o Mestre, com primazia, que a palavra de Deus nos dá autoridade contra o inimigo (cf. Mt 4.1-11); além de nos certificar de um futuro próspero (ver Mt 24.35). Jesus, mostra-nos ainda que pela observância da palavra de Deus tornamo-nos bem-aventurados (ver Lc 11.28); e, que a palavra nos discipula (cf. Jo 8.31); que nos limpa de toda impureza (ver Jo 15.3).
Para uma maior satisfação, é-nos dito que a bênção do Espírito Santo cai sobre os que a ouvem (cf. At 10.44). A palavra de Deus aumenta a nossa fé (ver Rm 10.17); certifica-nos de sermos – por ela – novamente gerados (cf. I Pe 1.23); pela observância temos verdadeiramente o amor de Deus aperfeiçoado em nós mesmos (ver I Jo 2.5); vencemos o maligno (cf. I Jo 2.14); e possuímos a certeza de portas abertas (ver Ap 3.8). Conclui-se, portanto, que as bênçãos provenientes da palavra de Deus estão exclusivamente para os creem praticando. Somente assim é possível desfrutar destes excelentes e abundantes benefícios largamente difundidos nas escrituras sagradas. Retenhamos firmes o que nos diz Tiago: "[...] E sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes..." (cf. Tg 1.22a - ARC).   

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

O QUE É UM HOMEM SEGUNDO O CORAÇÃO DE DEUS? - Por André Rodrigues

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Não raro, mas com frequência as escrituras nos mostra que de maneira comum sempre houve relacionamento entre Deus e o homem. Sobre Abraão, por exemplo é-nos dito que foi chamado amigo de Deus (ver Tg 2.23); na mesma perspectiva observa-se a forma em que Deus se relacionava com Moisés, e era notadamente peculiar pelo que diz a escritura que Deus falava - com ele - face a face (cf. Nm 12.8). Diversos outros exemplos poderiam ser ditos, cada um em sua época, particularidade e, sobretudo situações das mais inusitadas. No entanto, dentre os exemplos existentes, por certo uma manifestação de Deus direcionada à Davi destaca-se por uma importância completamente especial. Antes, vale salientar que é possível notar com clareza a forma como este servo se portava em seu relacionamento com Deus. Davi, destacava-se entre os demais e Deus lhe proporcionou situações nas quais serviram de preparo para o fim desejado. Porém, como todo ser humano, em sua trajetória Davi cometeu inumeráveis erros, mas sempre esteve disposto ao retorno sadio do relacionamento com Deus. Diante desta afirmativa, nos diz as escrituras que depois de concluir uma série de erros, Davi recebe uma visita inesperada do profeta Natã lançando-lhe a repreensão de Deus em face (ver 2Sm 12.1-25). Depois disso, em oração - na forma de cântico - completamente arrependido, 'reconhece' e expõe aquilo que para os que creem deveria ser parâmetro inegociável. Diz o texto resumidamente: "Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe" (cf. Sl 51:5 - grifo nosso). A percepção que Davi possuiu naquele instante - ao menos aparente e exposta - foi o reconhecimento da necessidade de Deus, sob a conjuntura de que somos pecadores desde o nascimento e não há em nós mesmos bondade intrínseca deliberada. Em suma, ele ressalta a herança da natureza pecaminosa no homem.
Este princípio, adquirido conscientemente - como se vê em Davi - foi capaz de extrair de Deus - que conhece perfeitamente cada coração - a célebre afirmação como nos mostra Lucas no segundo tratado a Teófilo, narrando o discurso do apóstolo Paulo numa sinagoga em Antioquia da Pisídia - atual região da Turquia - quando diz: "[...] Achei a Davi, filho de Jessé, varão conforme o meu coração, que executará toda a minha vontade" (cf. At 13.22 - ARC). Uma afirmação como esta remete unicamente a uma percepção de maturidade daquele que a detém com consciência. Quero com isso dizer que o princípio dominante para extração de excepcional declaração divina - neste aspecto - está diretamente associada a visão inicial do indivíduo, quanto ao reconhecimento de quem somos - pecadores -, e de quem Deus é, ou seja, criador e único refúgio possuindo - Ele - todo poder.
Quando se procura extrair - deliberadamente - a visão de que todos nós somos pecadores carentes de Deus - sem exceção - (ver Rm 3.23), passíveis de erros e no mesmo instante, participantes ativos das misericórdias do Senhor (cf. Lm 3.22,23), e obter a percepção incessante da busca pelo perdão, do erro cometido a vivência com Ele se torna mais clara, eficiente e principalmente mais evidente. Isso porque aquele que procura aderir um grau desta magnitude - lutando para o alcance deste fim - trará atitudes que configure autêntico seguidor tanto interna como externamente. Nossa constante luta, porém, deve está na base de que cada vez que tomarmos atitudes - qualquer que seja - nos remetam a homens segundo o coração de Deus.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

O QUE SIGNIFICA A PALAVRA CRISTO? - Por André Rodrigues

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Em língua portuguesa o estudo das palavras define-se como etimologia, que averigua dentre outras coisas a história e as mudanças dos significados de acordo com a época, enfim. Etimologicamente, a palavra Cristo, tem significado particular e isto é possível porque não há constante variação nos idiomas hebraico e grego, de onde esta se deriva. É, basicamente impossível haver discordância entre os expoentes de léxicos. Entretanto, pode haver mudanças nos vocábulos e, mesmo assim, o significado permanece o mesmo, se mantendo unânime no sentido e na aplicação.
Na definição de Champlin, a palavra Cristo é a: 

[...] Transliteração do adjetivo verbal grego, Christós, que significa ungido. Essa palavra hebraica, por sua vez traduz o termo hebraico mashiach, que tem o mesmo sentido. Essa palavra hebraica foi absorvida pelo grego sob a forma modificada de messias, conforme se vê em João 1:41 e 4:25. É daí que vem a palavra portuguesa Messias. [...] O termo Messias através de sua tradição grega, e, daí, para o português, tornou-se parte integrante do nome de Jesus, pois ele é Jesus, o Cristo, ou então, o Senhor Jesus Cristo, ou o Filho, Jesus Cristo, que é nosso Senhor. (1995, p. 977).

Nota-se, que o estudioso acima teve a preocupação de mostrar a raiz desta palavra dando ênfase no texto que cita. Inicialmente, trazendo a informação do grego e posteriormente faz menção ao seu uso. Contudo, a ideia de Cristo, ou seja, a ideia de Messias, é maior contextualizada no aramaico e hebraico, como expõe Coenen e Brown: “Cristo” é derivado através do Lat. Christus, do Gr. Christos, que, na LXX e no NT é o equivalente gr. do Aram. mesiha. Essa palavra, por sua vez, corresponde ao Heb. masiah, e denota uma pessoa que foi cerimonialmente ungida para um cargo [...]. A transliteração gr. de mesiah é Messias, que [...] ocorre apenas duas vezes no NT gr., somente em Jo 1:41,4:25. Em ambas as ocasiões, refere-se a Jesus de Nazaré. A LXX não emprega a palavra estrangeira, mas, assim como no NT (excetuando-se as passagens supra mencionadas), emprega com consistência a palavra gr. correspondente. Não foram, portanto, os cristãos os primeiros a cunharem esta palavra. Ao empregá-la no NT, os autores e suas formas literárias estavam adotando, sem dúvida alguma, uma palavra e um conceito que já estavam disponíveis e em uso corrente no período pré-cristão. Esta situação é evidenciada pelos escritos veterotestamentários apócrifos e pseudepígrafos, entre outros. (2000, p. 1079).

As definições acima deixam evidentes que o emprego desta palavra é particular àquele que é Ungido, termo comumente encontrado nos escritos canônicos veterotestamentários. Desta forma, explica Vine na segunda parte de sua obra que define o significado de algumas palavras gregas: Chistos (“ungido”, traduz, na Septuaginta, a palavra “Messias”, termo aplicado aos sacerdotes que eram ungidos com óleo santo, particularmente o sumo sacerdote (por exemplo, Lv 4.3,5,16). Os profetas são chamados hoi christoi theou, “os ungidos de Deus” (Sl 105.15). Um rei de Israel foi descrito em certa ocasião como christos tou kuriou, “o ungido do Senhor” (1 Sm 2.10,35; 2 Sm1.14; Sl 2.2; 18.50; Hc 3.13); o termo é usado até para se referir a Ciro (Is 45.1). O título ho christos, “o Cristo”, não é usado acerca de Cristo na versão Septuaginta dos livros inspirados do Antigo Testamento [...] (2004, p. 522).

Contudo, na aplicação direcionada para o Novo Testamento, a palavra Cristo refere-se a Jesus. Ele é o Ungido por excelência. Cristo é o “Título oficial de Jesus. Conferido-lhe pelo mesmo Deus (At 1.16). [...] Evoca-lhe ainda o tríplice ofício: profeta, sacerdote e rei”. (ANDRADE, 2007, p. 122). Assim também descreve Boyer, numa breve citação: “Cristo, do gr., Ungido, e do heb., Messias: O Cristo quer dizer o Ungido”. (2006, p. 184). Vine nos informa detalhes do comportamento do termo no contexto neotestamentário e segundo ele a palavra não é usada estritamente como título, porquanto diz:

[...] No Novo Testamento, a palavra é usada muitas vezes com o artigo, referindo-se ao Senhor Jesus, como apelativo em vez de título (Lc 2.11; 23.2; Jo 1.41). Três vezes o título foi expressamente aceito pelo próprio Senhor (Mt 16.17; Mc 14.61,62; Jo 4.26).
É acrescentado como apelativo ao nome próprio “Jesus” (por exemplo, Jo 17.3, a única vez que o Senhor assim se referiu a Si mesmo; At 9.34; 1 Co 3.11; 1 Jo 5.6). É distintamente um nome próprio em muitas passagens, quer com o artigo (por exemplo, Mt 1.17; 11.2; Rm 7.4; 9.5; 15.19; 1 Co 1.6), quer sem o artigo (Mc 9.41; Rm 6.4; 8.9,17; 1 Co 1.12; Gl 2.16). O título Christos é as vezes usado sem o artigo, e significa o Único que pelo Espírito Santo e poder habita nos crentes e molda o caráter deles de conformidade com a Sua semelhança [...] (2004, p. 522, grifo meu).
Desta forma, concluímos que a palavra Cristo, ficou bem delineada. Expressão do aramaico Mesiha, do heb. Masiah, do gr. Christós, do lat. Chistus, e traduzida na nossa língua como Messias. (COENEN; BROWN, 2000, p. 1079).

Bibliografia:

ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. 16º edição, revista e ampliada. 2007. CPAD – RJ.
COENEN, Lothar. BROWN, Colin. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. 2º edição. 2000. Vida Nova – SP.
CHAMPLIN, Russell Norman. BENTES, João Marques. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Vol. 4 M – O. 3º edição. 1995. Editora e Distribuidora Candeia – SP.
edição, 2004. CPAD – RJ. 
VINE, W. E.; UNGER, Merril F.; JR. Willian White. Dicionário Vine. 4

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

JESUS, O PERFEITO SUMO SACERDOTE - Por André Rodrigues

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O exercício sacerdotal de Jesus é superior a qualquer outro conhecido. Na ordem sacerdotal proveniente de Arão, a atuação dos sacerdotes[1] e sumo sacerdotes resumia-se ao Tabernáculo e, posteriormente, ao Templo, cada um com sua função específica estabelecida pela Lei. Jesus é mostrado na epístola aos Hebreus como o maior de todos os Sumos Sacerdotes. Esse ofício, largamente descrito no Antigo Testamento, tinha uma importância singular no que diz respeito às relações do povo para com Deus. Letham nos mostra quatro principais razões para entendermos essa tão preciosa relevância: Primeiro ele era o representante de Israel na presença de Deus. O peitoral inconfundível que ele vestia continha doze pedras preciosas, com os nomes das doze tribos de Israel gravados nelas (Êx 28.17-21). Cada vez que ele entrava na presença de Yahweh[2], ele levava essas pedras preciosas com ele (Êx 28.29), indicando que ele estava lá no lugar do povo com o qual Yahweh havia entrado em um pacto. Em segundo lugar, ele tinha funções proféticas. O urim e o tumim[3] também deviam se encontrar no peitoral (Êx 28.30). Com a ajuda deles, o sacerdote poderia declarar a vontade do Senhor em determinado assunto. Uma vez que os profetas surgiram esses objetos caíram em desuso. [...] Em terceiro lugar, o sumo sacerdote compartilhava com todos os sacerdotes o pronunciamento da bênção sobre Israel, declarando a bênção pactual de Yahweh (Nm 6.22-27). Em quarto lugar, enquanto o sacerdócio em geral presidia sobre a oferta dos sacrifícios diários, apenas o sumo sacerdote estaria envolvido no ritual do Dia da Expiação (Lv 16)[4]. Em essência, a sua função era expiatória[5] e propiciatória[6] (2007, p. 104, 105). O sumo sacerdote era o oficial representante do povo perante Deus. Jesus se fez carne, e, dentre os seus muitos desígnios, também estava o de ser eterno representante daqueles que o seguissem. Nesse ofício, Cristo segue o padrão do sacerdócio araônico. Entretanto, a alusão a Melquisedeque como um tipo seu ilustra bem sua autoridade real, sua eternidade, como também a natureza perpétua de sua obra (GILBERTO, Et All, 2009, p. 145). Grudem (1999, p. 525) afirma que “Jesus preencheu todas as expectativas que prefigurou, não apenas nos sacrifícios do Antigo Testamento, mas também na vida e ação dos sacerdotes que os ofereciam: ele era tanto o sacrifício quanto o sacerdote que oferecia o sacrifício”. Disse isto, o autor, ao tratar da morte de Jesus[7] na cruz do Calvário, que se tornou um sacrifício perfeito. Corroborando esse pensamento, outro escritor argumenta: No Antigo Testamento, os sacerdotes ofereciam cordeiros e bodes pelos pecados do povo. (Hb 10.4) Cristo, porém, o grande Sumo Sacerdote (Hb 7.26, 27) sacrificou-se a si mesmo, sendo sacerdote e sacrifício numa só pessoa (Hb 9.12-14; Ef 5.4). [...] Cristo cumpriu seu ofício sacerdotal, prestando perfeita obediência a seu Pai, o qual, unicamente levado por amor, entregou seu filho unigênito para redenção do mundo (Jo 3.16; 1.29). A Escritura descreve convenientemente a obra redentora de Cristo como obediência a Deus. [...] A obediência vicária de Cristo compreende em si: a) obediência ativa, pela qual nosso divino substituto se sujeitou à obrigação da Lei de Deus, cumprindo-a por nós mediante a sua vida perfeita e santa (Gl 4.4,5; Rm 5.19; Mt 3.15) b) sua obediência passiva, pela qual se submeteu à maldição da Lei[8], padeceu e morreu pelos pecados do mundo (Hb 9.12; Ef 5.2; Is 53. 4-6). Dessa maneira, por sua vida santa e morte inocente, Cristo nos adquiriu aquele mérito divino que é a nossa justiça perante Deus para a salvação (Rm 3.22-25; 2Co 5.19-21) (MUELLER, 2004, p. 299, grifo meu). Portanto, depois de sua morte sacrificial, Jesus torna-se o nosso Sumo Sacerdote, ou seja, aquele a quem podemos recorrer, porque Ele próprio conhece todas as dificuldades humanas. Disse o anônimo escritor da carta aos Hebreus: “Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado” (Hb 4.15 ARC). As qualidades de Cristo como sumo sacerdote são expostas, de forma enfática, na epístola aos Hebreus (LETHAM, 2007, p. 109). O autor também ressalta: Ele mesmo é plenamente humano, tendo participado da nossa carne e sangue. Ele sofreu, suportou tentações e experimentou a morte (2.11-18). Logo, ele permanece em solidariedade com aqueles que apresenta. Em 5.1-10, isso é colocado de forma mais ampla. Ele foi um conosco na fraqueza humana. Suas orações foram oferecidas a Deus com forte clamor e lágrimas. Ele aprendeu a obediência por meio do sofrimento (5.7-8). Portanto, ele é capaz de simpatizar conosco em nossas dificuldades (4.14, 15). Ele está equipado para nos representar diante de Deus, pois ele conhece os problemas que enfrentamos (5.1, 2). Além do mais, assim como Arão, ele foi comissionado por Deus. Ele não buscou o sumo sacerdócio perfeitamente, pois ele enfrentou a tentação com sucesso, e saiu imaculado da provação (4.14-16; 7.26, 27; 10.5-10). Seu aprendizado da obediência por meio do sofrimento (5.8) não foi um progresso de desobediência à obediência, mas, antes, foi todo um desenvolvimento ao longo de toda a sua vida de um a outro estágio de obediência. Como Lucas acentua, sua obediência a seus pais e seu crescimento em graça diante das pessoas e Deus (Lc 2.39-52), em Hebreus a implicação é desse crescimento genuíno como um ser humano, enfrentando cada desafio em obediência ao Pai de forma apropriada à idade que ele havia atingido (2009, p. 109, 110). Essas qualidades e principalmente as que se relacionam com a intercessão de Jesus por nós são criticadas por alguns estudiosos. Esses são os que afirmam serem estes ofícios profético, sacerdotal e régio, no sentido que é aplicado a Cristo, “apenas descrições figuradas dos diferentes aspectos da obra realizada por Cristo” (BERKHOF, 2001, p. 335), negando seu verdadeiro significado prático. Como nesta discussão está em pauta o ofício sacerdotal, dizem que Cristo, como sacerdote eterno, ou seja, aquele que intercede constantemente pelos seus, é apenas simbólico, não havendo uma concretização de sua intercessão literal local, mas essa intercessão dá-se somente com sua presença diante do Pai. Alguns têm argumentado que essa obra de intercessão como sumo sacerdote é apenas a permanência na presença do Pai como lembrete contínuo de que ele mesmo pagou a pena por todos os nossos pecados. De acordo com esse ponto de vista, Jesus não faz de fato orações específicas a Deus Pai por causa das necessidades individuais que enfrentamos na vida, mas “intercede” apenas no sentido de permanecer na presença de Deus como nosso sumo sacerdote que nos representa (GRUDEM, 1999, p. 526). Berkhof, entretanto, afirma que “é um triste engano supor que Ele só é sacerdote num sentido figurado” (2001, p. 335). “Apesar de Cristo haver oferecido um sacrifício perfeito ‘de uma vez por todas’, sua obra sacerdotal ainda continua. Ele vive para aplicar os méritos e o poder de sua obra expiatória perante Deus, a favor dos pecadores”. Esse mesmo autor conclui: O mesmo que morreu pelos homens agora vive para eles, para salvá-los e para interceder por eles. E, quando oramos “em nome de Jesus”, estamos pleiteando a obra expiatória de Cristo como a base da nossa aceitação, porque somente por ela temos a certeza de ser aceitos “gratuitamente no amado” (PEARLMAN, 2006, p. 171). Dessa forma, Jesus é o Sumo Sacerdote Perfeito, que intercede pelos seus a todo instante. O apóstolo Paulo enfatiza: “Pois é Cristo que morreu ou, antes, quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós” (Rm 8.34, ARC). Somando-se a essa citação, o escritor aos Hebreus afirma que Jesus vive sempre intercedendo por nós: “Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hb 7.25, ARA, grifo nosso). O ministério sacerdotal de Jesus é, por conseguinte, iniciado antes de sua morte, entretanto, de maneira indistinta. “O trabalho de intercessão ele realizou, de alguma forma, quando ele esteve na terra (Jo 17)[9]” (SEVERA, 1999, p. 241). Porém, depois da oferta do seu sacrifício vicário propriamente dito, é que Cristo passou a exercer, “especificamente, esse ministério de intercessão (Hb 7.25; 9.24). A base da Sua intercessão é o Seu sacrifício (1Jo 2.1, 2)”[10]. Segue-se daqui que é ele o eterno intercessor, pelo auxílio de quem conseguimos favor. De onde, por outro lado, nasce não somente confiança em orar, mas também tranqüilidade às consciências piedosas, enquanto, em segurança, se reclinam na paterna indulgência[11] de Deus e estão, com toda certeza, persuadidas de que lhe agrada tudo quanto é consagrado através do mediador. Embora, na verdade, sob a Lei haja Deus ordenado se lhe oferecessem sacrifícios de animais, diversas e nova foi a disposição em Cristo, assim que o mesmo que era o sacerdote fosse também a vítima, porquanto nem se podia achar outra satisfação idônea pelos pecados, nem alguém digno de tão elevada honra que pudesse oferecer o Unigênito à Deus (CALVINO, 1985, vol. 2, p. 267, 268). Dentro dessa linha exposta por Calvino, conclui-se que Cristo é o eterno intercessor. Intercedeu, desde a fundação do mundo[12], na disposição para sua vinda a esta terra, exposta pelo Pai na promessa de redenção; intercedeu quando do Seu ministério terreno, o qual foi consumado com Sua morte na cruz; e vive intercedendo por nossas transgressões junto ao Pai. Mediante esta última consideração, percebe-se que este é o importante papel de Jesus como o Perfeito Sumo Sacerdote. Disse o anônimo escritor aos Hebreus: Quando, porém, veio Cristo como sumo sacerdote dos bens já realizados, mediante o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, quer dizer, não desta criação, não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção. Portanto, se o sangue de bodes e de touros e a cinza de uma novilha, aspergidos sobre os contaminados, os santificam, quanto a purificação da carne, muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para servimos ao Deus vivo! Porque Cristo não entrou em santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém, no mesmo céu, para comparecer, agora, por nós, diante de Deus; nem ainda para se oferecer a si mesmo muitas vezes, como o sumo sacerdote cada ano entra no Santo dos Santos com sangue alheio. Ora, neste caso, seria necessário que ele tivesse sofrido muitas vezes desde a fundação do mundo; agora, porém, ao se cumprirem os tempos, se manifestou uma vez por todas, para aniquilar, pelo sacrifício de si mesmo, o pecado. E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo, assim também Cristo, tendo se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que aguardam para a salvação (Hb 9. 11-14, 24-28, ARA). Na exposição dos ofícios desempenhados por Cristo, resta-nos apenas mostrar o de Rei. Para isso, é necessário, primeiro, acentuar o exercício desse ofício nas nações da  antiguidade; depois observar seu estabelecimento na nação judaica; e finalmente desenvolver sua atuação em Jesus. É o que faremos nos próximos tópicos.


[1] No tocante a atuação dos sacerdotes, confira a seção 2.4.
[2] Transliterando: Javé, Jeová.
[3] Expressão hebraica que significa, provavelmente, luzes e verdades. Embora não seja possível precisar em que consistia este objeto usado pelo sumo sacerdote hebreu, supõe-se ter sido algo através do qual podia ele, desde que em plena comunhão com Deus, buscar a vontade divina acerca de determinados fatos (Êx 28.30; Lv 8.8; Dt 33.8) (ANDRADE, 2007, p. 354). Representavam juízo concernente à vontade de Deus. O sumo sacerdote era o juiz do povo e fazia suas resoluções servindo-se destas pedras. Simbolizavam poder e sabedoria na tomada de decisões (LIVINGSTON, Et All, vol. 1, 2009, p. 215, grifo do autor).
[4] O dia anual da expiação (ainda hoje celebrado no judaísmo com modificações e conhecido por seu nome hebraico: yôm kippûr) era celebrado no décimo dia do sétimo mês (tisri [...]). Era o dia mais solene do ano. Em cada uma dessas ocasiões, a eliminação do pecado era válida para um só ano (Hb 10.3), mas prenunciava o futuro cancelamento eterno dos pecados (Zc 3.4, 8, 9; 13.1; Hb 10.14). Depois de oferecido o bode sacrificial, o sumo sacerdote impunha as mãos sobre a cabeça do bode emissário e confessava sobre ele os pecados do povo. Em seguida, esse bode era enviado ao deserto levando consigo os pecados do povo. Essa cerimônia foi uma das prefigurações históricas, oferecidas por Deus, da futura expiação do pecado humano por meio da morte de Cristo (HALLEY, 2001, p. 128). 
[5] A palavra “expiação” vem do termo hebraico cofer. Trata-se de um substantivo do verbo caufar, cobrir. O cofer ou a cobertura era o nome da tampa ou cobertura da arca da aliança e constituía o que era chamado propiciatório. A palavra grega traduzida por expiação é katallage. Isso significa reconciliação com o favor ou, mais estritamente, os meios ou condições para que haja reconciliação com o favor; de katallasso, “mudar ou trocar”. O significado estrito do termo é substituição [...] a expiação é a substituição governamental da punição dos pecadores pelos sofrimentos de Cristo. São os sofrimentos de Cristo cobrindo os pecados dos homens (FINNEY, 2009, p. 280, 281).
[6] Propiciação [Do lat. Propitiatio, tornar favorável] Doutrina segundo a qual o sacrifício de Cristo, no Calvário, tornou Deus favorável à humanidade caída e enferma pelo pecado (I Jo 2.2). Esta doutrina está ligada, essencialmente, ao ministério sacerdotal de Cristo (I Jo 4.10) (ANDRADE, 2007, p. 306).
[7] Algumas teorias são apresentadas pela maioria dos teólogos, com a finalidade de explicar a obra da expiação executada por Cristo. Horton apresenta cinco teorias: A da Influência Moral; do Resgate; da Satisfação; Teoria Governamental; e a Teoria da Substituição Penal (Et All, 2010, p. 346-350). Strong diferencia com três e concorda apenas com uma, quando, conseqüentemente, aplica quatro em sua obra: Moral; Comercial; Legal e Sacrificial (2003, p. 380-383). Bancroft faz alusão para alguns pontos de vista que considera como errôneos, acerca da natureza da morte de Cristo, e apresenta negativamente cinco teorias: A teoria de acidente; A de morte de mártir; A teoria da influência moral; A governamental e A teoria do amor de Deus. Como positivas destaca que a morte de Cristo foi: Pré-determinada; voluntária; vicária; sacrificial; expiatória; propiciatória; redentora e substitutiva (2006, p. 145-152). Outros ainda defendem de modo semelhante. 
[8] A pena de morte seria agravada pela exposição dos corpos. Pendurar não era meio de execução, mas sim de desgraça, uma declaração pública de que o criminoso quebrara a lei do concerto e, portanto, era maldito de Deus (cf. Nm 25.4; 2Sm 4.12) (LIVINGSTON Et All, vol. 1, 2009, p. 460, grifos do autor).
[9] O capítulo 17 do Evangelho segundo João é comumente conhecido como o capítulo da “Oração sacerdotal de Jesus”.
[10] Ibidem.
[11] De acordo com Andrade, deriva do latim indulgentia, e significa: “clemência, misericórdia, perdão” (2007, p. 228).
[12] A expiação teve sua origem na eternidade. Sua fonte foi Deus. A expiação era um fato implícito no coração de Deus antes de tornar-se um fato explícito na história do homem  –  um fato da eternidade antes de tornar-se um fato do tempo (BANCROFT, 2006, p. 149). 
Artigo extraído de: RODRIGUES, André. O Tríplice Ofício de Cristo: Profeta, Sacerdote e Rei. 2011, Editora Nossa Livraria - PE




domingo, 5 de fevereiro de 2017

A QUE CONCLUSÕES REMETEM AS PRIMEIRAS PALAVRAS DE JESUS? - Por André Rodrigues






Surpreende a forma como são descritas as primeiras palavras de Jesus ao dar início em seu ministério. Isso ocorre após o batismo - em águas - no rio Jordão por João (cf. Mc 1.9-13); e por conseguinte, após a tentação no deserto descrita com uma narrativa descomunal nos documentos escritos por dois dos evangelistas (cf. Mt 4.1-11 / Lc 4.1-13). Por certo pequena, no entanto, riquíssima mensagem com um conteúdo incalculável de peso, dada a circunstâncias de abrangência peculiar em escala desconhecida. Talvez, no primeiro momento não houvesse sequer ter tido como digna de aceitação - uma vez que haveremos de observar que até os últimos momentos, nem seus discípulos criam nele de maneira totalitária - no entanto, não estava vindo de alguém pela qual não repousasse autonomia e autoridade, mas sim do filho de Deus, como ressaltam os evangelistas (cf. Mt 3.13-17 / Mc 1.9-13 / Lc 3.21,22 / Jo 1.32-34). Parece que entre os escritores do evangelho, sobretudo o não relacionado no rol dos chamados sinópticos é consenso sobre a autenticidade histórica desta miraculosa ação. Voltando ao foco e sem mais delongas, diz a narrativa a respeito das primeiras palavras de Jesus assim: "Ora, depois que João foi entregue, veio Jesus para a Galiléia pregando o evangelho de Deus e dizendo: O tempo está cumprido, e é chegado o reino de Deus. Arrependei-vos, e crede no evangelho" (Mc 1.14,15 - ARC). Aqui, na inauguração do ministério, Jesus resume o modelo para - a partir daquele instante, com melhor aproveitamento, no sentido de revelação ativa, quero com isso dizer, que estas palavras tinham valia em pleno discurso e da mesma forma as tem nos dias atuais - obtermos a oportunidade de desfrutar de uma vida espiritual altamente sadia; entender sem demagogia, com toda humildade e intelecto a sua obra salvífica na escala espiritual concernente ao futuro eterno da humanidade; e principalmente, seguir piamente o que nos ensina através da palavra, para que pela observância e concomitante prática das boas condutas largamente ensinadas não caminhemos em direção oposta ao proposto. Antes, percebe-se a integridade da veracidade das seguintes informações na narrativa: "[...] veio Jesus para a Galiléia pregando o evangelho de Deus". A mensagem não era exclusivamente sua e sim do contexto na contribuição para o único propósito que é o crescimento do reino e consequente salvação e restituição de almas (cf. Jo 12.47-50). Cada seção desta porção revela verdades distintas e com grande relevância para os que assim creem. Em primeiro lugar: "[...] O tempo está cumprido, e é chegado o reino de Deus" - É notório encontrar respaldo para a defesa desta verdade na escritura. No tocante a revelação, Jesus fala exatamente do cumprimento do tempo na figura dele mesmo (cf. Gl 4.4). Mas, eles - os ouvintes originais, testemunhas oculares - que obrigatoriamente deveriam ter uma melhor percepção e maior sensibilidade pelas profecias, ainda não entendiam que aquele carpinteiro, filho de José, filho de Maria, de fato era o Cristo enviado. Jesus, contudo, ultrapassa a perspectiva da conversa sendo mais enfático expressando que havia chegado o reino de Deus - sendo ele mesmo o acesso a este novo recomeço; a este novo método de ligação para com Deus, ainda que, por hora desconhecido. Em segundo lugar, suas palavra nos mostram duas ações correlatas indispensáveis a quem se propõe desfrutar das benesses do altíssimo dentro do viés apresentado no texto que são: arrependimento pessoal e fé inabalável nos ensinamentos. Arrepender-se por sua vez consiste na compreensão diária de que somos exímios pecadores e sempre passíveis das intermináveis misericórdias do Senhor, até que alcancemos pela fé a incorruptibilidade (ver ICo 15.54); entender que devemos render-lhe graças, por sermos feituras sua (Rm 11.33-36); ter consciência, com todas forças que a permanência na conduta pecaminosa deliberada distancia o homem de Deus (cf. Tg 4,4 / IJo 2.15-17); tentar agir em constante ato de arrependimento - não para com os homens, mas no relacionamento íntimo e pessoal com ele (cf. Mt 6.5,6). Já o uso da fé, neste e em todos os textos que seguem a mesma estrutura doutrinária, que é o verbo (crer) como se sabe, sempre estará intimamente ligado a obediência. Ter por certo; ter por verdadeiro; aceitar como verdadeira as palavras de; e acreditar são alguns dos significados desta palavra, assim sendo, acreditar nesta conjuntura, sujeita-se a pratica. E, é aqui que reside toda a problemática. A resolução de conduta correta da fé dentro da ótica de Jesus, encontra-se mais associada a prática do que unicamente a crença. Nestas circunstâncias, uma completa a outra, sendo a prática, mesmo intrínseca, opção superior. Ninguém é obrigado a obedecer aquilo em que não acredita, mas se há a crença, sem dúvida, deve haver decisivamente, obediência e consequente prática. Acerca destas coisas escreve João: "Aquele que diz que está nele deve andar como ele andou" (IJo 2.6 - ARC). Em resumo, tenhamos em mente o cerne da questão: o evangelho trazido por Jesus, foi apresentado pelo escritor como sendo "de Deus", isso tipifica seriedade e completude dentro daquilo para que fora feito - digno de toda aceitação -. Além disso, nos remete a consciência de que o reino está posto; esclarecem a importância sobre o constante arrependimento que devemos ter e nos intriga a uma diária, constante e incessante vivência como se fosse o próprio Jesus em ação, estando nós na condição de seus representantes. Hoje, mais do que no início, tenhamos a real noção de que o tempo do fim está próximo. Observemos criteriosamente a importância destas palavras como requisitos indispensáveis a salvação: "[...] arrependei-vos e crede no evangelho".
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"Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chega a Deus". (Hb 7.24a).

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