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André Rodrigues de Almeida (mais conhecido com André Rodrigues), nascido em 12/10/1982, na Cidade de Jaboatão dos Guararapes, no Estado de Pernambuco. É Teólogo formado pela - Escola de Teologia das Assembléias de Deus no Brasil - ESTEADEB. Foi aluno laureado no ano de 2010, e publicou o Trabalho de Conclusão de Curso pela Editora Nossa Livraria (Editora e Comércio de Livros Jurídicos Ltda), no Estado de Pernambuco no início do ano de 2011 com o Tema: O Tríplice Ofício de Cristo: Profeta, Sacerdote e Rei.

É escritor, articulista e criador de conteúdos em (Teologia em Alta, Benfica RelógiosSkinni Jeans e Leitura Saudável), além do grupo de compras e vendas (Rapidão Negociação) no Facebook. Escreve publicações voltadas para a teologia em: Teologia em Alta e no Leitura Saudável, dispõe de assuntos diversos, frases, pensamentos e comenta política cotidiana.


sábado, 14 de dezembro de 2013

DAVI, O MAIOR REI DA HISTÓRIA DE ISRAEL - Por André Rodrigues



Depois da inevitável queda de Saul, Davi é escolhido por Deus para assumir o reinado na nação judaica. Inicialmente, sua escolha e também sua unção ocorrera de modo oculto[1], para não haver represálias por parte de Saul. “A unção não podia ter sido realizada abertamente, pois nesse caso Saul teria matado Davi” (HALLEY, 2001, p. 181). Logo após Samuel ungir Davi, conforme o mandado do Senhor, as Escrituras retratam que “desde aquele dia em diante, o Espírito do Senhor se apoderou de Davi” (I Sm 16.13). Mulder (2009, vol. 2, p. 208) ressalta que isso foi possível, unicamente, com a finalidade de “dotá-lo com sabedoria e poder”, e para que servisse de “orientação para o cumprimento dos propósitos de Deus para a sua vida”. Num pequeno trecho do livro de Atos, Lucas detalha as palavras de Paulo no discurso aos judeus, na sinagoga de Antioquia da Pisídia[2], dizendo:

O Deus deste povo de Israel escolheu a nossos pais e exaltou o povo, sendo eles estrangeiros na terra do Egito; e com braço poderoso o tirou dela; e suportou os seus costumes no deserto por espaço de quase quarenta anos. E, destruindo a sete nações na terra de Canaã, deu-lhes por sorte a terra deles. E, depois disto, por quase quatrocentos anos, lhes deu juízes, até ao profeta Samuel. E, depois, pediram um rei, e Deus lhes deu, por quarenta anos, a Saul, filho de Quis, varão da tribo de Benjamim. E, quando este foi retirado, lhes levantou como rei a Davi, ao qual também deu testemunho e disse: Achei a Davi, filho de Jessé[3], varão conforme o meu coração, que executará toda a minha vontade (At 13.17-22, ARC, grifo meu).


quarta-feira, 4 de setembro de 2013

COMO PROCEDEU A INSTITUIÇÃO DOS SACERDOTES - Por André Rodrigues




De uma coisa sabemos: “no Antigo Testamento, os sacerdotes eram designados por Deus para oferecer sacrifícios” (GRUDEM, 1995, p. 525). Mas como explicar o estabelecimento exato dessa classe, que representaria perpetuamente o povo diante de Deus? Halley (2001, p. 127) destaca que “o sacerdócio levítico foi ordenado por Deus para servir de mediador entre Deus e a nação hebraica, mediante a oferta de animais sacrificiais”. Os levitas foram separados por Deus para ficarem à frente dos serviços vinculados ao Tabernáculo e, consequentemente, aos serviços no Templo, posteriormente. De maneira detalhada, esse comentarista acentua:
 
Os levitas são todos os pertencentes à tribo de Levi, uma das doze tribos de Israel. [...] Deus nomeou os levitas para tomar o lugar dos primogênitos no serviço a Deus[1]. Uma família ou clã dos levitas, a família de Arão, foi separada para o sacerdócio. O restante dos levitas dariam assistência aos sacerdotes. Entre seus deveres estavam o cuidado do Tabernáculo e posteriormente o cuidado do Templo, bem como as funções de mestres, escribas, músicos, oficiais e juízes. [...] A tribo de Levi foi a única que não obteve terras depois de os israelitas terem conquistado Canaã. Em contrapartida, receberam 48 cidades, espalhadas por todas as partes do país (Nm 35.7; Js 21.19). Como não receberam terras, não conseguiam sustentar a si mesmos – seu sustento provinha dos dízimos do restante de Israel (HALLEY, 2001, p. 125).


Dentro dessa perspectiva, agora numa visão centrada exatamente na constituição da hereditariedade de Arão para o sacerdócio perpétuo, Gilberto ressalta:


No tocante ao sacerdócio araônico, está escrito: “...ninguém toma para si esta honra, senão o que é chamado por Deus, como Arão (Hb 5.4). A escolha dele para exercer o sacerdócio não se deu devido ao seu parentesco com Moisés. Foi um ato soberano de Deus (GILBERTO, Et All, 2009, p. 144).


sexta-feira, 21 de junho de 2013

SACERDOTE NO CONTEXTO VETEROTESTAMENTÁRIO - Por André Rodrigues





Todo estudante das Escrituras percebe que o Antigo Testamento destaca-se, mesmo como uma questão cultural[1], na prática de ofertas e sacrifícios[2], que são uma constante. Nas questões relativas ao pecado era, dentre outras, função do sacerdote[3] interceder a Deus pelo povo e consequentemente também por si mesmo. Vimos que a relação de Deus com o homem era exercida (em maior parte) através dos profetas. Porém, a representação do povo para com Deus era possível apenas mediante a atuação dos sacerdotes e do sumo sacerdote.


Enquanto os profetas são predominantemente os porta-vozes de Deus e aplicam a palavra de Deus na situação dos seus contemporâneos, os sacerdotes são aqueles cujo a função principal é a de interceder por outros seres humanos na presença de Deus. De forma simples, se o profeta é o representante de Deus diante da humanidade, o sacerdote é o representante da humanidade diante de Deus (LETHAM, 2007, p. 103).



Os sacerdotes foram constituídos por Deus. Andrade nos mostra que “no Antigo Testamento, era o ministro divinamente designado, cuja principal função era representar o homem diante de Deus” (2007, p. 324). Em harmonia com esse autor, mas explorando as demais funções exclusivas dos sacerdotes, outro escritor destaca:

terça-feira, 9 de abril de 2013

A MANIFESTAÇÃO DOS OFÍCIOS EM JESUS - Por André Rodrigues



A MANIFESTAÇÃO DOS OFÍCIOS EM JESUS


 Depois de analisar questões voltadas a definições, passaremos a analisar como se procedeu em Jesus Cristo os ofícios de Profeta, Sacerdote e Rei, traçando um paralelo entre seus usos e aplicações no passado com os mesmos papéis desempenhados pelo Senhor em Seu Ministério. Analisaremos cada seção que revele esses ofícios tanto nos evangelhos como nos outros escritos do Novo Testamento.   


1. O que é um profeta  
     

Para darmos início a esta discussão, é necessário definirmos, de modo acentuado, os conceitos de cada expressão no original dada ao termo profeta. Berkhof faz uso desta prerrogativa na seção chamada por ele de “A ideia escriturística de profeta”. Fazendo uso dos termos aplicados na Escritura, diz:   



O Antigo Testamento emprega três palavras para designar um profeta, a saber, nabhi, ro’eh e chozeh. O sentido radical da palavra nabhi é incerto, mas, por passagens como Êx 7.1 e Dt 18.18, fica evidente que a palavra designa alguém que vem com mensagem da parte de Deus para o povo. As palavras ro’eh e chozeh acentuam o fato de que o profeta é alguém que recebe revelações da parte de Deus, particularmente na forma de visões. Outros designativos são “homens de Deus”, “mensageiro do Senhor” e “vigia”. Estes apelativos indicam que os profetas estão prestando serviços ao Senhor e velam pelos interesses espirituais do povo. No Novo Testamento usa-se a palavra prophetes, composta de pro e phemi. [...] a palavra prophemi não significa “falar de antemão”, mas “proferir”. O profeta é alguém que fala da parte de Deus. Desses nomes, tomados em conjunto, podemos deduzir que o profeta é alguém que vê coisas, isto é, que recebe revelações, que está a serviço de Deus, particularmente como mensageiro, e que fala em seu nome (2004, p. 328).




Soares corrobora a mesma definição de Berkhof e acrescenta ainda a quantidade de vezes em que cada palavra é apresentada nas Escrituras.  Nabi significa “porta-voz, orador, profeta”. De acordo com sua exposição, esta é a mais comum das definições e aparece 309 vezes (HARRIS; ARCHER, JR.; WALTER, 1998, p. 904, apud, 2008, p. 98). A palavra hozeh “vidente”, ocorre por 18 vezes (HARRIS; ARCHER, JR.; WALTER, 1998, p. 446, apud, IBDEM), e ro’eh, que também significa “vidente, como sinônimo de nabi ‘profeta’”, aparece 12 vezes (HARRIS; ARCHER, JR.; WALTER, 1998, p. 1384, apud, IBDEM). Ainda em sua explicação, “a Septuaginta usa o termo (prophetes), do grego pro, “antes” e phemi “falar”, e a Vulgata Latina, propheta, para traduzir estes termos hebraicos” (2008, p. 98).
Andrade é simples em seu argumento, porém deixa importante detalhe para a compreensão da palavra:



[Do hb. Nabi; do gr. prophetes] No Antigo Testamento, era a pessoa devidamente vocacionada e autorizada por Deus para falar por Deus e em lugar de Deus (Ez 2.1-10). O profeta era um mestre incontestável quando sob a inspiração do Espírito Santo (2007, p. 305, grifo meu).




Dentro dessa perspectiva, outro autor comenta que “profeta é um porta-voz de Deus cujo teor da mensagem é de admoestação ou predição. Em certo sentido, os patriarcas mencionados nas Escrituras foram os primeiros profetas, desde Adão até Moisés” (BOYER, 2006, p. 537). Ele explica, com detalhes, como se dá o início propriamente dito desta função de modo específico. Por isso, acentua:


No sentido estrito, é a partir de Samuel[1] que começa o ministério profético. Entre esses profetas, encontram-se Elias, Elizeu e Davi. A partir dessa época, começa outra ordem de profetas, divididos em duas classes: 1) Os Profetas Maiores[2]: Isaías, Jeremias, Ezequiel, Daniel. 2) Os Profetas Menores, isto é, que deixaram escritos menos extensos que os livros dos Profetas Maiores, são em número de 12: Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias (IBIDEM, grifos do autor).




“Os profetas são, portanto, a consciência espiritual da nação. São nomeados para fazer os reis, os sacerdotes e o povo lembrarem-se de suas obrigações diante de Deus e do próximo” (HALLEY, 2001, p. 295).



1.2. Outras configurações de profetas


De acordo com a exposição do termo, há ainda outras configurações de profetas inseridos no contexto escriturístico tanto vetero como neotestamentário. Duas classes distintas de profetas aparecem neste ambiente: os falsos profetas e as profetisas. “Está dito que os falsos profetas, embora não capacitados pelo Espírito divino, também profetizavam: “Não lhes falei a eles; todavia, eles profetizaram[1]” Jr 23.21. (VINE, 2004, p. 248). No Novo Testamento, a palavra em destaque para falso profeta é pseudoprophetes (VINE, 2004, p. 904). A palavra original para profetiza é (nebiah), e ocorre seis vezes no AT. (VINE, 2004, p. 249); enquanto no NT usa-se prophetis, o feminino de prophetes (ou seja, profeta) (VINE, 2004, p. 904). Boyer nos fornece explicações acerca destas configurações, seguindo a respectiva ordem:



Profetas falsos: Profetas impostores que se fazem passar por homens de Deus, mas não possuem autoridade divina, Dt 18.20; Is 9.15; Jr 14.13; Ez 13.3; Mt 7.15; 2Pe 2.1; 1Jo 4.1; Zedequias, 1Rs 22.11; Jr 29.21; Barjesus, At 13.6. Profetisa: O feminino de profeta; mulher que tinha revelações proféticas e as declarava. Exemplos: Miriã, Êx 15.20; Débora, Jz 4.4; Hulda, 2Rs 22.14; Ana, Lc 2.36; as quatro filhas de Filipe, At 21.9; v. Is 8.3; At 2.18; 1Co 11.5 (2006, p. 537, grifos do autor).



Do mesmo modo, com um detalhe mais intenso, somente acerca de profetisa “(heb., nevi’ah; gr. Prophetis)”, (DOUGLAS, Et All, 2006, p. 1102), outro autor acentua que, nos dois concertos, mulheres atuaram de modo relevante e particular em alguns casos:



Algumas profetisas do Antigo e do Novo Testamentos foram esposas de profetas, ou, pelo menos, atuaram em íntima associação com líderes masculinos do judaísmo ou do cristianismo. Contudo houve algumas exceções. As mulheres chamadas profetisas no Antigo Testamento são: Miriã, irmã de Moisés (Êx 15.20); Débora, Juíza de Israel (Jz 4.4); Hulda (IIRs 2.14); Noadia (Ne 6.14), profetisa falsa que se opôs a Neemias. A esposa de Isaías também é chamada “profetisa”, em Is 8.3; o que dá a entender que ela era mais do que simplesmente a esposa de um profeta. No Novo Testamento: Ana (Lc 2.36 ss); muitas profetisas estiveram ativas durante os tempos apostólicos (At 2.17; Ico 12.10, 28ss; 13.1ss; 14.1-33). O evangelista Filipe tinha quatro filhas que profetizavam (At 21.9). Jezabel foi uma notória profetisa falsa, que exercia considerável poder sobre as igrejas da Ásia Menor (Ap 2.20) (CHAMPLIN, 1995, vol. V, p. 439).



Dessa forma, concluímos que essas duas classes sempre estiveram presentes entre os profetas verdadeiramente constituídos. Uns para auxílio, como no caso de algumas profetisas; outros para fins de confusão, como se percebe nos falsos profetas, que “eram indivíduos não reconhecidos pelo Senhor, a quem professavam servir” (CHAMPLIN, 1995, vol. V, p. 438).


2.1. Contexto bíblico do profeta constituído


 Neste momento, surge a necessidade de analisarmos como era a forma de comportamento de um verdadeiro profeta constituído por Deus. É notório que a atuação de um profeta se estabelecia a partir do pressuposto de que se transmitia através dele uma mensagem de outrem. Em contexto geral, Hodge ressalta:



Segundo o uso bíblico, um profeta é alguém que fala em nome de outro. Em Êxodo 7.1, lemos: “Vê que te constituí como Deus sobre Faraó; e Arão, teu irmão, será teu profeta”. Moisés seria a fonte autoritativa da comunicação, e Arão, o órgão dessa fonte. Esta é a relação do profeta com Deus. Deus comunica, e o profeta anuncia a mensagem que ele recebeu. Em Êxodo 4.16, lemos de Arão em relação a Moisés: “Ele fará por ti ao povo; ele te será por boca, e tu lhe serás por Deus”. E em Jeremias 15.19, lemos sobre o profeta: “Serás a minha boca”. Na instituição de um profeta, ou na constituição de um homem como porta-voz de Deus, lemos: “Sucitar-lhes-ei um profeta do meio de seus irmãos, semelhante a ti, em cuja boca porei as minhas palavras, e ele lhes falará tudo o que eu lhe ordenar. De todo aquele que não ouvir minhas palavras, que ele falar em meu nome, disso lhe pedirei contas”. (Dt 18.18,19). Um profeta, pois, é alguém que fala em nome de Deus. Deve contudo, ser o órgão imediato de Deus (HODGE, 2001, p. 828).




O que foi exposto por Hodge é de outra maneira, entretanto, com a mesma essência, definido por Berkhof como sendo a reunião do que ele chama de “dois elementos” numa ação comum: 



As passagens clássicas de Êx 7.1 e Dt 18.18, indicam a presença de dois elementos na função profética, um passivo e outro ativo, um receptivo e outro produtivo. O profeta recebe revelações divinas em sonho, visões ou comunicações verbais; e as transmite ao povo, quer oralmente, quer visivelmente, nas ações proféticas, Nm 12.6-8; Is 6; Jr 1.4-10; Ez 3.1-4,17. Destes dois elementos, o passivo é o mais importante, porquanto ele governa o elemento ativo. Sem receber, o profeta não pode dar, e ele não pode dar mais do que recebe. Mas o elemento ativo também é parte integrante (2004, p. 328, 329).




Nessa ótica, percebemos perfeitamente que o profeta é alguém que possui intimidade com Deus e está sob as ordens de Deus, prestes a falar tudo aquilo que recebeu da parte Dele. Essas qualidades, sem dúvida, estiveram presentes na vida dos antigos profetas, os quais foram usados de maneira particular para mostrarem ao povo as verdades absolutas e atraírem as outras nações ao Deus de Israel[2]


2.2. A atuação de Jesus como Profeta


Na seção anterior, ainda que de forma singular, mostramos, em um contexto geral, como os profetas se completavam e se relacionavam com Deus, agindo em conexão e estreita comunhão. Com Jesus não foi diferente. Ele possuía uma intimidade pessoal com o Pai e recebeu Dele a Unção do Profeta. Daquele que havia sido vaticinado por Moisés no livro de Deuteronômio[3]. Ele era o cumprimento daquela profecia e tinha por finalidade atrair todo o homem de volta a Deus, como se dava no princípio do Seu plano original para o homem. Cullmann descreve:        

                                                                

O antigo profetismo havia se extinguido progressivamente; e praticamente não existia mais senão sob a forma escrita de livros proféticos. Isto por si bastaria para mostrar que, ao chamar a Jesus “profeta”, não se classificava-o simplesmente em uma categoria profissional determinada. Porém, o argumento decisivo é que na maior parte das passagens onde este título é dado, Jesus não aparece somente como um profeta, mas como o profeta – a saber: o último profeta, aquele que deveria “cumprir” toda profecia, no final dos tempos (2008, p. 31).




Em concordância com Cullmann, outro expositor destaca que “a vinda de Cristo, juntamente com suas obras, estava prevista na Lei de Moisés e nos profetas, desde o seu nascimento até a sua ascensão ao céu”. E conclui:



Deus prometeu levantar em Israel um Grande Profeta igual a Moisés [...] (Dt 18.15, 18). O apóstolo Pedro, mais de uma vez, no dia de Pentecostes e no discurso após a cura do coxo, na porta chamada Formosa, em Jerusalém, apresentou o perfil de Cristo no Antigo Testamento, provando assim que os últimos acontecimentos eram cumprimento das Escrituras. Ele afirma que essa profecia se cumpriu em Jesus (At 13.22, 23) (SOARES, 2008, p. 101).


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O CRISTO NA PLENITUDE DOS TEMPOS - Por André Rodrigues

Nenhum texto alternativo automático disponível.

Ao longo desta pesquisa, é possível observar que Jesus foi o Messias esperado. Ele é O Ungido de Deus. Contudo, é necessário ressaltarmos que essa revelação não se dá de modo irresponsável ou relapso. Vimos que, desde a queda do homem, Deus estabelecera uma saída, um escape, uma solução! Isso foi sendo desenvolvido no desenrolar da história do povo de Israel através dos tipos, das profecias, das manifestações teofânicas etc. O que se pode destacar neste contexto é a singularidade dessas revelações cuidadosas de Deus para o povo. Principalmente nos ofícios que foram estabelecidos para a o seu bem-estar espiritual (profetas e sacerdotes) e social (reis), dos quais trataremos mais especificamente no segundo capítulo desta pesquisa.
Quanto à expectativa divina no tocante ao momento peculiar do envio de Seu Filho a este mundo, Cairnes entende que, não somente os judeus, mas também os gregos e os romanos, “contribuíram para a preparação religiosa para a aparição de Cristo” (1995, p. 29). Ainda que o autor considere essas duas últimas influências como negativas, não há como ignorá-las. Ele ressalta literalmente que: A contribuição grega e romana foi, na realidade, negativa, mas em muito contribuiu para levar o desenvolvimento histórico até o ponto em que Cristo pudesse exercer o impacto máximo sobre a história de uma forma até então impossível (IBIDEM). Essas contribuições reúnem diferentes identidades: a romana está relacionada à política; enquanto a grega contribui no aspecto intelectual. Porém, aquela de maior efeito está associada à contribuição religiosa dos judeus: As contribuições religiosas para a “plenitude do tempo”[1] incluem tanto a dos gregos e romanos como a dos judeus. Todavia, por mais importantes que as contribuições de Atenas e Roma, como pano-de-fundo histórico, tenha sido para o cristianismo, as contribuições dos judeus formaram a Herança do Cristianismo. O cristianismo pode ter se desenvolvido no sistema político de Roma e pode ter encontrado o ambiente intelectual criado pela mente grega, mas seu relacionamento com o judaísmo foi muito mais íntimo. O judaísmo pode ser considerado como o botão do qual a rosa do cristianismo abriu-se em flor (CAIRNES, 1995, p. 34).
O judaísmo, explica o autor, trouxe pelo menos seis elementos para o desenrolar desse acontecimento: o monoteísmo, a esperança messiânica, o sistema ético, o Antigo Testamento, a Filosofia da História e a sinagoga. E conclui: Negativamente, através da contribuição do mundo grego e romano, e positivamente através do judaísmo, o mundo foi preparado para a “plenitude dos tempos” quando Deus enviou seu Filho para levar a redenção a uma humanidade partida pelas guerras e fatigada pelo pecado. É significativo que, de todas as religiões praticadas no Império Romano ao tempo do nascimento de Cristo, apenas o judaísmo e o cristianismo tenha conseguido sobreviver ao curso dinâmico da história humana (CAIRNES, 1995, p. 34-36).
Diante dessas informações, cabe-nos, a partir de agora, a apresentação bíblica de como se deu a vinda de Jesus a este mundo para cumprir todas as profecias referentes a Ele no Pacto Passado. A Escritura relata: “Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: estando Maria, sua mãe, desposada com José, sem que tivessem antes coabitado, achou-se grávida pelo Espírito Santo” (Mt 1.18 ARA). Em outro lugar está escrito: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho” (Mt 1.23a ARC), fazendo menção à profecia de Isaías 7.14. Dessa forma, obtemos um relance inicial de conhecimento sobre o nascimento de Jesus.
Escrevendo aos Gálatas, o apóstolo Paulo deixa relevante detalhe para explicar o exato momento do envio do Filho de Deus a este mundo. Ele diz: “[...] vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei” (Gl 4.4 ARA, grifo nosso). A expressão em destaque dá a entender que foi necessário um momento certo para a manifestação desta graça[2]. Um conceituado escritor afirma que plerõma, termo grego traduzido por ‘plenitude’, “[...] é reputado, por alguns comentadores, como vocábulo que se aplica tanto à Igreja[3] como a Cristo; [...] com o pensamento que o plano pré-ordenado por Deus está atualmente prestes a ser consumado” (DOUGLAS, Et All, 2006, p. 1294, 1295). Outro escritor destaca da seguinte forma: As palavras “a plenitude do tempo”, não indicam o período de cumprimento de todas as demais eras, conforme se vê em Efé. 1:10, como se uma era tivesse de completar uma série de eras. Mas antes está aqui em pauta o momento azado em que todo o período pré-messiânico se completou, como que trazendo à luz a manifestação primeira do Messias. A era messiânica, pois, foi o “pleno complemento” da era precedente, bem como aquela que “completou” a expansão de tempo que Deus havia determinado que transpirasse, antes da era da graça vir tomar o seu lugar. O sentido dessas palavras, por conseguinte, é “o momento exato”. Quando chegou o “momento exato” para ser inaugurada a grande dispensação[4] e a revelação da graça, Deus enviou seu filho. Foi o tempo determinado pelo Pai (CHAMPLIN, vol. 4, p. 482).
Tanto Douglas quanto Champlin entendem que Deus manifesta a sua vontade para dar início à dispensação da graça. O primeiro retrata como sendo um “plano pré-ordenado prestes a ser consumado”, o outro, chama de “momento exato”. A explicação é que havia chegado o período certo para tamanha revelação outrora vaticinada. No cumprimento dessa promessa referente ao envio, vem à terra aquele que mudaria o curso deste mundo e se revelaria como o Caminho, e a Verdade, e a Vida - Jesus! (Jo 14.6).
Portanto, conclui-se que essa manifestação trouxe para a realidade dos seres humanos o Messias, Salvador da humanidade, o qual agrega em si os ofícios de Profeta, Sacerdote e Rei a partir do início de Seu Ministério, como veremos no próximo capítulo.

Artigo extraído de: RODRIGUES, André. O Tríplice Ofício de Cristo: Profeta, Sacerdote e Rei. 2011, Editora Nossa Livraria - PE



[1] Existem duas expressões bastante parecidas que são: “Plenitude do Tempo” e “Plenitude dos Tempos”.  A primeira na colocação de Andrade diz respeito ao “Período de domínio gentílico sobre Israel e, mais particularmente, sobre Jerusalém. Foi exatamente no auge desta era que Jesus Cristo nasceu, desenvolveu o seu ministério, foi crucificado e ressurgiu dentre os mortos (Gl 4. 1-5). Este período começou em 586 a.C., quando os babilônios destruíram Jerusalém, e há de ser encerrado com a implantação do Milênio por Cristo Jesus. Segundo profetizou Nosso Senhor, a cidade de Jerusalém há de ser pisada até que se completem o tempo dos gentios (Lc 21.24)” (2007, p. 299). Já a segunda expressão, no plural, destacada em (Ef. 1.10), “o apóstolo faz alusão à implantação do Reino de Deus, quando todas as coisas hão de ser congregadas em Cristo. Paulo alude tanto ao Milênio quanto ao Estado Eterno. No primeiro caso, Paulo usa o vocábulo crono: o tempo na dimensão humana; no segundo, kairos: o tempo na dimensão divina. O primeiro está ligado à história; o segundo, à eternidade” (ANDRADE, 2007, p. 299, 300).

[2] [Do hb. Hessed; do gr. charis; do lat. gratia] Favor imerecido concedido por Deus à raça humana (ANDRADE, 2007, p. 203).

[3] O contexto de ligação de plerõma, ou seja, ‘plenitude’, inserido na citação, referindo-se à Igreja, encontra-se em Mt 5:17; Mc 1:15, de acordo com o autor da mesma citação.

[4] Concessão; o encargo de uma administração – É o período de tempo durante o qual os homens são provados a respeito da obediência a certa revelação da vontade de Deus (BOYER, 2006, p. 215).



  
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