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André Rodrigues de Almeida (mais conhecido com André Rodrigues), nascido em 12/10/1982, na Cidade de Jaboatão dos Guararapes, no Estado de Pernambuco. É Teólogo formado pela - Escola de Teologia das Assembléias de Deus no Brasil - ESTEADEB. Foi aluno laureado no ano de 2010, e publicou o Trabalho de Conclusão de Curso pela Editora Nossa Livraria (Editora e Comércio de Livros Jurídicos Ltda), no Estado de Pernambuco no início do ano de 2011 com o Tema: O Tríplice Ofício de Cristo: Profeta, Sacerdote e Rei.

É escritor, articulista e criador de conteúdos em (Teologia em Alta, Benfica RelógiosSkinni Jeans e Leitura Saudável), além do grupo de compras e vendas (Rapidão Negociação) no Facebook. Escreve publicações voltadas para a teologia em: Teologia em Alta e no Leitura Saudável, dispõe de assuntos diversos, frases, pensamentos e comenta política cotidiana.


domingo, 19 de dezembro de 2010

PROTESTANTISMO EM CRISE - COMUNHÃO COM O PAGANISMO - Por André Rodrigues



É triste observar que o Protestantismo, quase não mais protesta! Nesta época de final de ano, cristãos protestantes abraçam de maneira comum, o PAGANISMO CATÓLICO ROMANO, com a famigerada expectativa natalina.
Não consigo ver nas Escrituras Sagradas, lugar para a Celebração do Nascimento de Jesus, entretanto, percebo sim, a Ordenança da Comemoração de sua Morte e posterior Ressurreição, que graças à Deus, ainda se evidencia...  Pelo menos até onde tenho conhecimento!
Autoridades históricas demonstram que, durante os primeiros 3 séculos da nossa era, os cristãos não celebraram o Natal. Esta festa só começou a ser introduzida após o início da formação daquele sistema que hoje é conhecido como Igreja Romana (isto é, no século 4o). Somente no século 5o foi oficialmente ordenado que o Natal fosse observado para sempre, como festa cristã, no mesmo dia da secular festividade romana em honra ao nascimento do deus Sol, já que não se conhecia a data exata do nascimento de Cristo.

sábado, 18 de dezembro de 2010

ATOS DOS APÓSTOLOS

 Este livro, logo no começo, declara ser uma continuação do Evangelho de São Lucas, e seu estilo indica que ele foi escrito pela mesma pessoa. A evidência externa é também muito satisfatória, pois além de alusões em autores primitivos, e particularmente em Clemente Romano, Policarpo e Justino Mártir, os Atos dos Apóstolos não são apenas citados por Ireneu, como escritos por Lucas o Evangelista, mas há poucas coisas registradas neste livro que não são mencionadas por esse pai primitivo. Este forte testemunho em favor da genuinidade dos Atos dos Apóstolos é apoiado por Clemente de Alexandria, Tertuliano, Jerônimo, Eusébio, Teodoreto e a maioria dos pais posteriores. Pode ser acrescentado que o nome de São Lucas está prefixado a este livro em muitos manuscritos gregos antigos do Novo Testamento, e também na antiga versão siríaca.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O ESTABELECIMENTO DO SUSTENTO PASTORAL NO ANTIGO E NOVO TESTAMENTOS - Por André Rodrigues

É comum o conhecimento de que toda estrutura carece de líderes. Na nação de Israel não era diferente. Não quero dizer com isso, líder social, político, ou coisa semelhante, mas desejo limitar-me, a líderes espirituais a frente do rebanho de Deus, que são os Seus pastores. Neste contexto, veterotestamentário, a nomenclatura não se define desta maneira, e sim sacerdotes, e ainda numa escala generalizada, poderiam incluir os levitas, que também serviam no Templo.

Entretanto, restringindo-se a figura do sacerdote, como representante do povo diante de Deus e líder espiritual da congregação, Deus faz compreensão aos tais que deveriam manter-se firmes no trabalho espiritual em detrimento ao secular. Considerando que os sacerdotes eram os servos espirituais do povo, não podiam trabalhar para ganhar a vida da mesma maneira que os outros (1) . Por isso, o Senhor, cria um ambiente favorável a que o sacerdote fosse sustentado pela congregação de Israel, a fim de poderem assistir da melhor maneira possível àquele povo.
De acordo com Vine (2) , um sacerdote, “kõhen”, “é ministro autorizado da deidade, que ministra no altar e em outros ritos cultuais”. Além disso: “cumpre deveres sacrificais, ritualistas e mediadores. Ele representa o povo diante de Deus”. Em presença de tais responsabilidades perante Deus e o povo é mister que este representante receba sua uma porção cabível ao seu sustento. Em Números 18, quando o Senhor se dirige a Arão, diz: “[...] E eu, eis que te tenho dado a guarda das minhas ofertas alçadas, com todas as coisas santas dos filhos de Israel; por causa da unção as tenho dado a ti e a teus filhos por estatuto perpétuo” (v. 8).
E, em outro lugar se diz:

Os sacerdotes levitas, toda a tribo de Levi, não terão parte nem herança em Israel; das ofertas queimadas do Senhor e da sua herança comerão. Pelo que não terão herança no meio de seus irmãos; o Senhor é a sua herança, como lhe tem dito. Este, pois, será o direito dos sacerdotes, a receber do povo, dos que sacrificarem sacrifício, seja boi ou gado miúdo: que darão ao sacerdote a espádua, e as queixadas, e o bucho. Dar-lhe-ás as primícias do teu cereal, do teu mosto e do teu azeite e as primícias da tosquia das tuas ovelhas. Porque o Senhor, teu Deus, o escolheu de todas as tuas tribos, para que assista a servir no nome do Senhor, ele e seus filhos, todos os dias. (Dt. 18.1-5, ARC).

sábado, 20 de novembro de 2010

FLÁVIO JOSEFO

Flavius Josephus era um oficial militar e um historiador (37-100 DC). Josefus nasceu em uma família sacerdotal aristocrata de Jerusalém. Ele tinha parentesco, pelo seu lado materno, com os Hasmonean. Na sua juventude , ele chamava atenção por causa de sua memória e facilidade no aprendizado. Quando adolescente, ele se afiliou a um setor ascético (aquele que se nega fisicamente para ficar mais forte espiritualmente). Depois disso ele se tornou um fariseu.

Em 64 DC, Josephus era membro de um partido mandado a Roma para proteção e libertação de alguns sacerdotes. A capital do Império causou uma impressão indelével nele. Após o seu retorno a Jerusalém, estorou a primeira revolta judaica (66 DC) O Sinédrio apontou Josephus como o comandante da Galiléia. Ele organizou bem a província, no entanto contraiu a oposição de John de Gischala, o ex-líder da Galiléia. O conflito entre as tropas desses dois homens continuou até a chegada do                                                                     general romano Vespasian na primavera de 67.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

PHILIPP JAKOB SPENER


(1635–1705)

Líder e Reformador Alemão Luterano Pietista
Spener nasceu na vila alsaciana de Rappoltstein quando a "Guerra dos Trinta Anos" estava em seu auge.
O clima espiritual poderia ser precisamente descrito como seco, formal - uma religião de mente disciplinada. Os ministros eram treinados nas proposições do luteranismo ortodoxo e na arte do debate filosófico, ferramentas necessárias para defender os fiéis de sua teologia mecânica. Os que mais se assemelhavam a eles na Reforma, os calvinistas, e a Igreja Católica Romana ambos eram considerados inimigos da verdadeira fé. Os debates eram numerosos; a igreja cristã foi dividida. O luteranismo nos dias de Spener se degenerou para uma religião intelectual e tinha pouca relevância para o homem comum.

Spener cresceu numa atmosfera altamente protetora e profundamente religiosa. Quando jovem era um leitor ávido e seu livro favorito depois da Bíblia era Cristianismo Verdadeiro, de Johann Arndt. Este livro contribuiu muito para formar o pensamento de Spener, abordando o limitado valor da doutrina ortodoxa e a importância de uma vida piedosa e do amor atuante. Spener começou a estudar teologia em Strassburg, onde foi aluno do rigoroso luterano J.K. Dannhauer (1651-1659). Depois ele passou alguns anos como estudante itinerante (1659-1662), em Basle, Geneva, Stuttgart e Tübingen. Em Geneva entrou em contato com a teologia da Reforma e Jean de Labadie, que pregava as doutrinas do arrependimento e da regeneração. Todas essas experiências contribuíram para a formação da vida e do pensamento de Spener.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

SINAGOGAS (SÍNTESE)


VISÃO GERAL

A sinagoga era a casa de adoração dos judeus. Era um prédio ou um lugar usado pelos judeus para se encontrar, estudar e orar.

AS ORIGENS E A HISTÓRIA PRIMITIVA

Não sabemos exatamente como ou quando a sinagoga começou. O templo onde os judeus adoravam em Jerusalém foi destruído pelos babilônios em 586 A.C. O povo que permaneceu na cidade e em volta dela ainda precisava se encontrar para adorar. Eles queriam continuar ensinando a lei e a mensagem dos profetas. Os judeus de outros lugares tinham necessidades parecidas. As sinagogas devem ter tido a sua origem em tal situação. Em Neemias 8:1-8 a comunidade de exilados se juntou em Jerusalém. Esdras, o escriba, trouxe a lei, a leu de um púlpito de madeira e deu a interpretação para que o povo entendesse a leitura. Quando Esdras abençoou o Senhor, o povo abaixou suas cabeças e adorou. Esses se tornaram os elementos básicos da adoração na sinagoga. A primeira evidência clara de uma sinagoga vem do Egito no século 3 A.C.

AS SINAGOGAS NA ÉPOCA DO NOVO TESTAMENTO

As escrituras dão a impressão de muitas sinagogas existentes na Palestina. Jesus freqüentemente ensinava em sinagogas (veja Mateus 4:23; Mateus 9:35), especialmente durante o seu ministério galileu. Em João 18:20, Jesus falou em seu julgamento diante do sumo sacerdote: "Eu tenho falado abertamente ao mundo; eu sempre ensinei nas sinagogas e no templo, onde todos os judeus se congregam," (RSV).

O livro de Atos se refere a sinagogas em Jerusalém (Atos 6:9), Damasco (Atos 9:2), Chipre (Atos 13:5), Antioquia (Atos 13:14; 14:1), Macedônia e Grécia (Atos 17:1, 10, 17; 18:4) e Éfeso (Atos 19:8)

sábado, 23 de outubro de 2010

O QUE É UM "TIPO"

Esta palavra não é usada freqüentemente na Escritura; mas o que ela significa admite-se ser muito freqüentemente deduzido. Usualmente consideramos um tipo como um modelo, um padrão, ou uma semelhança geral de uma pessoa, um evento, ou uma coisa que está para surgir: e nisto ela difere de uma representação, um memorial, ou uma comemoração de um evento, etc., que já aconteceu. O Espírito de Deus adotou uma variedade de meios para indicar seu perfeito pré-conhecimento de todos os eventos, e seu poder para controlá-los. Isto é algumas vezes declarado por profecia verbal expressa; algumas por ações específicas desempenhadas por comando divino; e algumas por aqueles eventos peculiares, nas vidas de indivíduos, e a história ou as observâncias religiosas dos israelitas, que foram originadas para possuir uma referência intentada a algumas partes da história do Evangelho. O ponto principal, diz Chevallier, em uma pesquisa nestes tipos históricos, é estabelecer o fato de uma ligação planejada previamente entre as duas séries de eventos. Nenhuma similaridade, em si, é suficiente para provar tal correspondência. Até mesmo aqueles registrados na Escrituras são registrados sob circunstâncias muito diferentes. Se o primeiro evento for declarado ser típico, na hora quando ele ocorre, e o segundo corresponde com a predição dessa forma proferida, não pode haver dúvida de que a correspondência foi intentada. Se, antes da ocorrência do segundo evento, for proferida uma profecia diferente, que irá acontecer, e que corresponderá com algum evento prévio; o cumprimento da profecia fornece uma prova intrínseca, que a pessoa que a deu falou por inspiração divina. Não pode, deste fato, seguir, que os dois eventos foram ligados por um plano formado antes de cada um deles ocorrer; mas certamente segue, que o segundo evento, em alguma medida, tinha referência com o primeiro; e que qualquer grau de ligação, por tal profeta, suposta existir, realmente existiu. Se, novamente, nenhuma declaração específica for feita, com respeito ao caráter típico de qualquer evento ou pessoa, até depois do segundo evento ter ocorrido, que é então declarado ter sido prefigurado; o fato da ligação planejada previamente se apoiará unicamente sob a autoridade da pessoa que sugere a afirmação. Mas, se sabemos, de outras fontes, que suas palavras são palavras de verdade, nossa única pesquisa será, se ele inconfundivelmente afirma, ou claramente infere, a existência de uma correspondência intentada. O fato, então, de uma ligação planejada previamente entre duas séries de eventos, é capaz de ser estabelecida de três maneiras: e os tipos históricos podem ser conseqüentemente ordenados em três divisões principais. Alguns deles fornecem evidência intrínseca, que as Escrituras, que os registra, são dadas por inspiração de Deus; os outros podem ser provados existir somente assumindo esse fato: mas todos, quando uma vez estabelecidos, revelam o poder e a sabedoria extraordinários de Deus; e a importância desse plano de redenção, que foi anunciado ao mundo com tais elaborações magníficas. Contemplando este sistema maravilhoso perecebemos uma grande intenção entrelaçada, não somente nas profecias verbais e nos eventos extraordinários da história dos israelitas, mas nas negociações ordinárias das vidas de indivíduos escolhidos, até mesmo desde a criação do mundo. Adão era “a figura daquele que havia de vir,” Rm 5.14. Melquisedeque foi “feito semelhante ao Filho de Deus,” Hb 7.3. Abraão, no curso de eventos em que ele estava empenhado pelo comando especial do Céu, foi permitido ver o dia de Cristo, Jo 8.56; e Isaque foi recebido dos mortos “em figura,” Hb 11.19. Num período posterior, o cordeiro pascal foi ordenado ser sacrificado, não somente como um memorial da libertação imediata, que foi instituído para realizar e comemorar, mas também como um memorial contínuo daquilo que estava para ser “cumprido no reino de Deus,” Lc 22.16. Moisés foi levantado para libertar o povo de Israel; para ser-lhes um legislador, um profeta, um sacerdote; e possuir a autoridade real, se não o título de rei. Mas, durante o período inicial de sua vida, ele próprio foi ensinado, que um grande profeta devia ser levantado como ele; diante de sua morte ele proferiu a mesma profecia ao povo; e, depois desse acontecimento, os israelitas continuamente esperavam por esse fiel profeta, que devia responder as suas indagações, 1Macabeus 4.46; 14.41. Todos os seus profetas apontavam para algum legislador maior, que devia introduzir uma nova lei em seus corações, e gravá-las em suas mentes, Jr 31.33. Todo o povo de Israel foi também feito, em alguns casos, intencionalmente representante de Cristo: e os eventos, que ocorreram em sua história nacional, distintamente faziam referência a ele. Durante suas viagens no deserto, Deus não se deixou sem testemunho, que devia possuir referência ao grande plano do Evangelho. Eles comeram comida espiritual. Era um símbolo do verdadeiro pão da vida, que desceu do céu, Jo 6.38. “Bebiam da pedra espiritual que os seguia; e a pedra era Cristo,” 1Co 10.4. Eles foram assolados de serpentes; e uma serpente de bronze foi levantada sobre uma vara, para que todo aquele que olhasse pudesse viver. Era uma figura perceptível do Filho do homem, que devia de maneira semelhante ser levantado; “para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna,” Jo 3.15. Além disso, suas ordenanças religiosas eram somente “uma alegoria para o tempo presente,” Hb 9.9. Seu tabernáculo foi feito segundo o modelo das coisas celestiais, Hb 8.5; Êx 25.9, 40; e foi intentado prefigurar o “maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos,” Hb 9.11. O sumo sacerdote era um representante vivo do grande “sumo sacerdote da nossa confissão,” Hb 3.1: e os sacrifícios levíticos claramente faziam referência àquele grande sacrifício pelos pecados. Josué filho de Num tipificou Jesus no nome: e por suas conquistas terrenas em alguma medida prefiguravam os triunfos celestiais de seu Senhor. Num período subseqüente, Davi não foi nenhum tipo indistinto do “Messias, o Príncipe,” Dn 9.25, por um longo período humilhado, e finalmente triunfante sobre seus inimigos. E o governo tranqüilo de Salomão prefigurava o descanso e paz eternos, que resta ao povo de Deus. Em uma época ainda mais avançada, a preservação miraculosa do profeta Jonas exibia um sinal, que foi cumprido na ressurreição de Cristo. E quando o templo foi reconstruído, Josué, filho de Jozadaque, o sumo sacerdote, e seus companheiros, foram anunciados como “homens portentosos,” representantes do Renovo, que devia, na plenitude dos tempos, ser levantado do tronco de Jessé, Zc 3.8; Is 11.1. A ilustração, então, a ser derivada dos tipos históricos do Velho Testamento, é encontrada espalhada por todo o período, que estende desde a criação do mundo, até o tempo quando a visão e a profecia foram encerradas. E toda a luz, que emana de pontos tão diversos, está concentrada na pessoa de Cristo.

Artigo extraído do Blog Arminianismo.com (http://www.arminianismo.com

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

A "LEI" EM ROMANOS

O termo "lei" (nomos) ocorre mais de 70 vezes nesta epístola, e nem sempre com o mesmo sentido. Na maioria das vezes, significa a lei de Deus numa forma ou noutra, mas há alguns lugares onde o sentido é diferente. Eis os seus principais significados, em ordem ascendente de freqüência.
1. O Pentateuco. Quando se nos diz que a justiça de Deus mediante a fé é "testemunhada pela lei e pelos profetas" (3:21), "a lei" significa os primeiros cinco livros do Velho Testamento, como "os profetas" é uma designação compreensiva dos livros restantes. Este é um uso comum no Novo Testamento, e reflete a aplicação judaica da palavra hebraica torah, não somente à lei no sentido mais estrito, mas aos cinco livros que contêm proeminentemente a lei. O Velho Testamento em sua totalidade. Em 3:19 Paulo diz: "sabemos que tudo o que a lei diz aos que vivem na lei o diz." "Tudo o que a lei diz" refere-se a uma corrente de citações bíblicas feitas nos ver¬sículos anteriores (10-18); mas dessas citações, cinco são dos Salmos e uma de Isaías. Se é "a lei" que diz essas coisas, "a lei" só pode significar uma coisa: a Bíblia hebraica — o nosso Velho Testamento.
2. Um princípio. Em 3:27, tendo estabelecido que Deus justifica homens e mulheres pela fé, Paulo diz que, sendo este o caso, não há lugar para vangloria. "Por que lei? das obras? Não, pelo contrário, pela lei da fé." Aí a "lei das obras" (não se confunda com "as obras da lei") e a "lei da fé" indicam dois princípios contrastados, pelos quais os homens podem procurar assegurar-se da aceitação de Deus.
Em 7:21 Paulo, considerando o conflito moral que assola os do¬mínios da alma, descobre urna "lei" — isto é, um princípio — de que, "ao querer fazer o bem(...) o mal reside em mim". No mesmo contexto, o conflito moral propriamente dito é visto como conflito entre duas leis ou princípios: primeiro, a lei ou princípio que o mantém atado ao domínio do pecado (7:23, 25); segundo, "a lei da minha mente", que reconhece a bondade da lei de Deus e deseja cumpri-la (7:23). Mas quando ainda outro princípio começa a agir na alma — "a lei do Espírito da vida em Cristo Jesus" — este se mostra mais forte do que a "lei (princípio) do pecado e da morte", e livra a alma da escravidão imposta por esta (8:2).
3. A lei de Deus. Para um homem com a herança e o treinamento de Paulo, era a coisa mais natural igualar a lei de Deus à lei de Moisés — em outras palavras, a lei como Deus a deu a Israel mediante Moisés (para não falar da expansão oral da lei escrita que, segundo a tradição rabínica foi dada a Moisés no Sinai tão verdadeiramente — pelo menos em teoria — como a própria lei escrita). Foi nesta forma que Paulo tinha vindo a conhecer a lei de Deus em sua própria experiência. Se (contrariamente a muitos exegetas de hoje em dia) consideramos 7:7-13 como fragmento de uma autobiografia espiritual, Paulo conta que foi a sua primeira percep¬ção da lei que pela primeira vez o tornou consciente do pecado. E que ele tem em mente a lei mosaica fica evidente pelo fato de que a lei particular que seleciona para ilustrar o ponto de que trata é um dos Dez Manda¬mentos — "Não cobiçarás".
Quando trata da situação dos judeus, que se alegravam por serem o povo da lei (2:17, 23), e se esforçavam para garantir sua aceitação da parte de Deus mediante o cumprimento das exigências da lei (9:31, 10:3), é naturalmente a lei mosaica que está na mente de Paulo. Quando ele fala, em 5:13s., 20, como se a "lei" fosse desconhecida no período decorrido Adão a Moisés — quer dizer, até o dia em que Deus falou no Sinai — podemos traçar a mesma equação da lei de Moisés com a lei de Deus. Na verdade, quando está mostrando como os cristãos devem viver, e está acen¬tuando a supremacia da lei do amor, Paulo formula a lei do amor (como fizera Jesus antes dele) com um mandamento extraído do Pentateuco: "Amarás ao teu próximo como a ti mesmo" (13:9, citando Lc 19:18). E quando ele diz que "o cumprimento da lei é o amor" (13:10), ilustra o que pretende dizer por "lei" citando um certo número de mandamentos do Decálogo.
Mas em tudo isso Paulo está usando a lei de Israel, a notável e — para ele e para muitos dos seus leitores —' a mais bem conhecida ma¬nifestação da lei divina. Quando, em 7:1, ele apela para que os seus leitores, como pessoas "que conhecem a lei", concordem com ele em que "a lei tem domínio sobre o homem toda a sua vida", os exegetas podem discutir se ele se refere à lei judaica ou à lei romana, mas isto não afeta o seu argumento nessa passagem, o qual é igualmente válido, tenha ele em mente a lei judaica, ou a romana, ou simplesmente a lei em geral. Qual¬quer que seja a comunidade em que uma pessoa viva, está sujeita à lei dessa comunidade. E Paulo, que sustentava que "não há autoridade que não proceda de Deus" (13:1),' sustentaria igualmente que não há lei senão a que é dada por Deus.
De novo, quando argumenta que, diante de Deus, os judeus e os gentios estão na mesma situação quanto a seu fracasso em fazer a Sua vontade, ele demonstra que, embora os judeus tenham tido em sua lei uma revelação especial da vontade de Deus, os gentios não foram total¬mente privados do conhecimento da vontade divina. Diz o apóstolo: "Quando, pois, os gentios que não têm lei, procedem por natureza de conformidade com a lei, não tendo lei, servem eles de lei para si mesmos. Estes mostram a norma da lei gravada nos seus corações, testemunhando-lhes também a consciência, e os seus pensamentos mutuamente acusando-se ou defendendo-se" (2:14). Quer dizer, os gentios não tinham recebido a torah completa, e nem mesmo os Dez Mandamentos, mas tinham noção do certo e do errado; tinham como que embutida em si cer¬ta consciência da verdadeira essência da lei de Deus. Assim, quando Paulo diz (3:20) que pela lei2 vem o nosso conhecimento do pecado, diz algo que é verdade tanto a respeito dos judeus como dos gentios. E quan¬do, no mesmo contexto, diz que "ninguém será justificado diante dele (diante de Deus) por obras da lei", isso também é igualmente válido para judeus e gentios. Seja que as "obras da lei" sejam realizadas de acordo com um código promulgado por expressa autoridade divina, seja de acor¬do com os ditames da consciência, da lei moral interior, "a austera filha da voz de Deus", no dizer de Wordsworth, seja ainda de acordo com um padrão aceito de comportamento decente — não importa qual, não são estas as bases sobre as quais os homens são aceitos por Deus. Seja qual for destas formas que a "lei" tome, é certo cumpri-la. É errado, na ver¬dade é desastroso quebrantá-la, ou desafiá-la, ou ignorá-la. Mas é inútil imaginar que, guardando-a, podemos acumular um estoque de méritos na tesouraria celeste. Deus deu lei aos homens para uma variedade de propósitos, è há muitos usos para ela. Mas quando se trata de justificar Deus os homens, Ele procede de modo mais excelente.
Portanto, a lei, qualquer que seja a forma em que apareça, é lei de Deus — "santa, justa e boa" (7:12). Se, como Paulo insiste, ela não foi dada para servir de meio para a justificação dos homens, por que foi dada? A esta interrogação a Epístola aos Romanos oferece diversas res¬postas, que podem ser ordenadas sob quatro títulos principais.
(1) Foi dada para ser uma revelação de Deus e de Sua vontade. A distinção entre o certo e o errado não é simples questão de convenção social. Está arraigada no ser e no caráter de Deus, e gravada na cons¬tituição do ser humano, criado como foi à imagem de Deus. A lei é lei de Deus e, como o próprio Deus, é "verdadeira e totalmente justa" (Sl 19:9; ver 7:12,16, 22).
(2) Foi dada para o bem-estar e a preservação da raça humana. Esta finalidade em particular é principalmente atendida pelo governo civil que (como se vê claramente exposto em 13:1-7) é um ministério ordenado por Deus para amparar e estimular a prática do bem, e reprimir e castigar a prática do mal.3
(3) Foi dada para pôr o pecado às claras, e para levar os homens ao arrependimento e à confiança na graça de Deus. Embora em teoria o homem que guardar a lei viverá por ela (Rm 10:5), na prática ninguém é justificado pelas obras da lei, por causa do fracasso universal em guardá-la perfeitamente (3:20, 23). A tendência inata do homem, de ir contra a vontade de Deus, manifesta-se em atos concretos de desobediência quan¬do a vontade divina é revelada na forma de mandamentos específicos
(5:13), de modo que "pela lei vem o pleno conhecimento do pecado" (3:20; 7:7). Mas o homem que experimentou o poder que a lei tem de trazer o seu pecado à luz, juntamente com a incapacidade da lei de con¬seguir-lhe a condição de justo aos olhos de Deus, é o que está mais dis¬posto a lançar-se com fé à graça de Deus, revelada em Cristo, como o único meio de obter sua justificação. Assim, conforme Paulo o coloca noutra epístola, "a lei foi nosso guardião até quando Cristo veio, para que fôssemos justificados pela fé" (Gl 3:24, RSV). Mas agora que Cristo veio, Ele "é o fim da lei para que todo aquele que tem fé seja justificado"
(10:4, RSV) — quer dizer, Ele não só cumpriu a lei pessoalmente, por Sua perfeita submissão à vontade de Deus mas, visto que o caminho de Deus para a justiça foi aberto em Cristo, Ele assinala a substituição ou o "fim" da lei, mesmo como um meio teórico de justificação. Os que são justificados pela fé nEle, não estão "debaixo da lei, e, sim, da graça" (6:14).
(4) Foi dada para prover orientação para a vida do cristão. Graças à habitação do Espírito no coração daqueles que estão "em Cristo Jesus", as justas exigências da lei se cumprem neles com divina espontaneidade quando vivem "segundo o Espírito" (8:3). Entretanto, mesmo assim Paulo acha necessário, num ponto mais avançado da epístola, registrar princípios bem minuciosos para orientar a vida dos cristãos, para que possam "provar (por experiência) qual é a vontade de Deus, que é boa, aceitável e perfeita" (12:1, RSV). Estes princípios de orientação coin¬cidem com o que em outra parte ele denomina "a lei de Cristo" (Gl 6:2). Conquanto Paulo mesmo não estivesse "debaixo da lei, e, sim, da graça" quanto à sua aceitação da parte de Deus, embora se alegrasse por estar libertado "da lei", de modo que agora servia "não sob o velho código es¬crito mas na nova vida do Espírito" (7:6, RSV), contudo, podia dizer de si como "não estando sem lei para com Deus, mas sob a lei de Cristo" (1 Co 9:21, RSV). Esta lei de Cristo, porém, é a lei do amor, que Ele encarnou e legou como "novo mandamento" aos Seus discípulos. Além disso, a lei do amor sintetiza e leva à perfeição as antigas prescrições do Decálogo. "Quem ama ao próximo, tem cumprido a lei. Pois isto: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não cobiçarás, e se há qualquer outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O amor não pratica o mal contra o próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor" (13:8-10).
Deste modo, o Evangelho de Paulo fica plenamente absolvido da acusação de antinomismo. Quando os homens são justificados pela fé, o certo continua certo, o errado continua errado, e a vontade continua a ter o governo de suas vidas. Mas para eles a vontade de Deus não fica en¬cerrada como relíquia num código externo de regulamentos: é implan¬tada em seus corações como um novo princípio de vida. Como Paulo, eles estão para todo o sempre sujeitos à "lei de Cristo". A minuciosa seme¬lhança existente entre as orientações éticas de 12:l-15t4 e o sermão do monte (Mt 5-7) amplamente autoriza descrever aquelas orientações como "a lei de Cristo". A lei de Cristo não é mais capaz de justificar o pecador do que a lei de Moisés. Quer como está expressa nas orientações éticas de 12:1, quer como está expressa no sermão do monte, a lei de Cristo — a lei do amor — estabelece um padrão muito mais elevado do que os Dez Mandamentos. "O sermão do monte não é, como muita gente de boa fé imagina hoje em dia, o cumprimento ou a essência do Evangelho. É o cumprimento da lei." Apresenta o padrão pelo qual os discípulos — em outras palavras, os que foram justificados pela fé — devem viver. Aqueles em cujos corações o amor de Deus foi "derramado" pelo Espírito Santo, são capacitados pelo mesmo Espírito a cumprir a lei de Cristo por aquele amor a Deus e ao homem que é o reflexo do amor de Deus e a maneira própria pela qual respondem a ele.


Artigo extraído do Livro ROMANOS INTRODUÇÃO E COMENTÁRIO F. F. Bruce. M.A., D.D.
Catedrático de Crítica Bíblica e de Exegese Bíblica
na Universidade de Manchester (Rylands)Séria Cultura Bíblica.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

ABOMINAÇÃO

Este termo foi usado em relação aos hebreus, que, sendo pastores, dizem terem sido uma abominação aos egípcios, pois eles sacrificavam os animais considerados sagrados por aquele povo, como bois, bodes, ovelhas, etc., o que os egípcios consideravam ilícito. Esta palavra também é empregada nas Escrituras Sagradas com referência à idolatria e aos ídolos, não apenas porque a adoração de ídolos é em si uma coisa abominável, mas igualmente porque as cerimônias dos idólatras eram quase sempre de natureza infame e licenciosa. Por esta razão, Crisóstomo afirma que todo ídolo, e toda imagem de um homem, era chamada abominação entre os judeus. Alguns intérpretes supõem que a “abominação da desolação” predita pelo profeta Daniel 10.27, 11.31, denota a estátua de Júpiter Olímpio, que Antíoco Epifânio mandou construir no templo de Jerusalém. A segunda passagem citada acima pode provavelmente referir-se a esta circunstância, visto que a estátua de Júpiter, de fato, “desolava,” ao banir a verdadeira adoração de Deus, e aqueles que a praticavam, do templo. Mas a primeira passagem, considerada em todo seu contexto, tem relação mais imediata com aquilo que os evangelistas denominaram a “abominação da desolação,” Mt 24.15, 16; Mc 13.14. Isto, sem dúvida, significa as bandeiras dos exércitos romanos sob o comando de Tito, durante o último cerco de Jerusalém. As imagens de seus deuses e imperadores eram esboçadas nestas bandeiras, e as próprias bandeiras, especialmente as insígnias, que eram carregadas à frente dos regimentos, eram objetos de adoração, e, de acordo com o uso comum da Escritura, elas eram portanto uma abominação. Essas bandeiras foram colocadas sob as ruínas do templo depois que ele foi tomado e demolido, e, como Josefo nos informa, os romanos sacrificaram a elas lá. O horror com que os judeus as consideravam, suficientemente aparece do relato que Josefo dá de Pilatos introduzindo-as na cidade, quando ele enviou seu exército de Cesaréia às bases de inverno em Jerusalém, e de Vitélio propondo marchar pela Judéia, depois de ter recebido ordens de Tibério para atacar Aretas, rei de Petra. O povo suplicava, protestava e induzia tanto Pilatos a retirar o exército quanto Vitélio a pôr em marcha suas tropas para outro caminho. Os judeus aplicaram a passagem de Daniel acima aos romanos, como nos informa Jerônimo. O erudito Sr. Mede é da mesma opinião. Sir Isaac Newton, Obs. on Daniel xi, xii, observa que no décimo sexto ano do imperador Adriano, 132 a.C., os romanos cumpriram a predição de Daniel ao construir um templo a Júpiter Capitolino onde o templo de Deus em Jerusalém estava localizado. Nesta ocasião, os judeus, sob a direção de Barcochab, pegaram em armas contra os romanos, e na guerra tiveram cinquenta cidades demolidas, novecentas e oitenta e cinco de suas melhores vilas destruídas, e quinhentos e oitenta mil homens mortos à espada, e no final da guerra, 136 a.C., eles foram banidos da Judéia sob pena de morte, e desde então a terra permaneceu desolada de seus antigos habitantes. Outros ainda têm aplicado a predição de Daniel à invasão e desolação do Cristianismo pelos muçulmanos, e à sua conversão das igrejas em mesquitas. Desta interpretação eles inferem que a religião de Maomé prevalecerá no oriente mil e duzentos e sessenta anos, e será seguida pela restauração dos judeus, a destruição do Anticristo, a completa conversão dos gentios à igreja de Cristo, e o início do milênio.

Em geral, o que quer que seja moral ou cerimonialmente impuro, ou leva ao pecado, é denominado uma abominação a Deus. Assim, lábios mentirosos dizem ser uma abominação ao Senhor. Tudo em doutrina ou prática que tendia a corromper a simplicidade do Evangelho é também na Escritura chamado abominável; por essa razão Babilônia é representada, Ap 17.4, como segurando em sua mão um cálice “cheio das abominações.” Nesta opinião, “causar abominação,” é introduzir idolatria, ou qualquer outra grande corrupção, na igreja e na adoração de Deus, 1Re 11.7.

Artigo extraído do Blog Arminianismo.com

Disponível no link: http://www.arminianismo.com/index.php?option=com_content&view=article&id=479:abominacao&catid=74&Itemid=100029
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quarta-feira, 22 de setembro de 2010

OS LIVROS DA SABEDORIA DO VELHO TESTAMENTO

Os livros canônicos da Sabedoria do Velho Testamento abrangem os livros de Jó, Provérbios, Eclesiastes e bem assim alguns Salmos, como: #Sl 1; #Sl 10; #Sl 14; #Sl 19; #Sl 37; #Sl 49; #Sl 73; #Sl 90; #Sl 112. Nos apócrifos a Sabedoria é representada, sobretudo, pelo livro do Eclesiástico (a Sabedoria de Jesus, filho de Siraque, obra escrita em hebraico cerca de 200 A. C., e traduzida em grego pelo neto do autor em 132 A. C.), e ainda o livro da Sabedoria (escrito provavelmente no primeiro século da era cristã por um judeu alexandrino). O livro de Baruque e os quatro livros dos Macabeus contribuíram também para a literatura apócrifa.

A sabedoria prática dos antigos resumia-se, em princípio, a máximas de caráter popular (Heb. mashal, no plural meshalim) a exprimirem em termos expressivos certos fenômenos observados ("Um céu vermelho à noite faz as delícias do pastor". "Não há ninguém tão surdo como aquele que não quer ouvir" -e outros mais). Uma forma mais desenvolvida é a das parábolas, e até dos enigmas. Neste caso podemos citar o enigma de Sansão (#Jz 14.12 e segs.), as parábolas de Jotão (#Jz 9.7 e segs.) e de Jeoás (#2Rs 14.9), e, sobretudo, as parábolas dos Evangelhos, que atingem a sua perfeição.

Deu-se, porém, o caso que a pouco e pouco se foi refletindo sobre os fenômenos da natureza e da vida, chegando-se à conclusão de que as generalizações populares não abrangem todos os fatos observados. O sofrimento dos justos, por exemplo, e o significado da vida preocupavam os espíritos, como os autores dos livros de Jó, do Eclesiastes e de alguns Salmos.
A verdadeira sabedoria (heb. hokhmah) para os pensadores hebreus, não era unicamente um raciocínio intelectual, mas acima de tudo prático, e em sentido moral e religioso. Sendo o "temor do Senhor o princípio da sabedoria", o verdadeiro sábio (heb. hakham) era aquele que encarava a vida num espírito de reverência a Deus. Pelo contrário, o insensato (heb. nabal) era insensível em matéria religiosa, ao afirmar solenemente no seu íntimo: "Não há Deus", ou pelo menos ao comportar-se como se Deus não existisse.

Artigo extraído do livro O Novo Comentário da Bíblia
Editado pelo Prof. F. Davidson, MA, DD
Colaboradores Rev. A. M. Stibbs, MA, DD Rev. E. F. Kevan, MTh
Editado em português pelo Rev. Dr. Russell P. Shedd, MA, BD, PhD
©1953, 1954 de Inter-Varsity Press (Londres, Inglaterra) Título do original: The New Bible Commentary

sábado, 11 de setembro de 2010

CONCEITO BÍBLICO SOBRE OS NOMES DE DEUS

Quem é, e que é Deus? A melhor definição é a que se encontra no Catecismo de Westminster: "Deus é Espírito, infinito, eterno e imutável em seu ser, sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade e verdade." A definição bíblica pode formular-se pelo estudo dos nomes de Deus. O "nome" de Deus, nas Escrituras, significa mais do que uma combinação de sons; representa seu caráter revelado. Deus revela-se a si mesmo fazendo-se conhecer ou proclamando o seu nome. (Êxo. 6:3; 33:19; 34:5, 6.) Adorar a Deus é invocar seu nome (Gên. 12:8); temê-lo (Deut. 28:58); louvá-lo (2 Sam. 22:50); glorificá-lo (Sal. 86:9); é sacrilégio tomar seu nome em vão. (Êxo. 20:7), ou profaná-lo ou blasfemá-lo (Lev. 18:21; 24:16). Reverenciar a Deus é santificar ou bendizer seu nome (Mat. 6:9). O nome do Senhor defende o seu povo (Sal. 20:1), e por amor do seu nome não os abandonará (1 Sam. 12:22).
Os seguintes nomes de Deus são os mais comuns que encontramos nas Escrituras:

(a) Elohim (traduzido "Deus".) Esta palavra emprega-se sempre que sejam descritos ou implícitos o poder criativo e a onipotência de Deus. Elohim é o Deus-Criador. A forma plural significa a plenitude de poder e representa a trindade.

(b)Jeová (traduzido "Senhor" na versão de Almeida.) Elohim, o Deus-Criador, não permanece alheio às suas criaturas. Observando Deus a necessidade entre os homens, desceu para ajudá-los e salvá-los; ao assumir esta relação, ele revela-se a si mesmo como Jeová , o Deus da Aliança. O nome JEOVÁ tem sua origem no verbo SER e inclui os três tempos desse verbo — passado, presente e futuro. O nome, portanto significa: Ele que era, que é e que há de ser; em outras palavras, o Eterno. Visto que Jeová é o Deus que se revela a si mesmo ao homem, o nome significa: Eu me manifestei, me manifesto, e ainda me manifestarei.
O que Deus opera a favor de seu povo acha expressão nos seus nomes, e ao experimentar o povo a sua graça, desse povo então pode dizer-se: "conhecem o seu nome." A relação entre Jeová e Israel resume-se no uso dos nomes encontrados nos concertos entre Jeová e seu povo. Aos que jazem em leitos de doença manifesta-se-lhes como JEOVÁ-RAFA, "o Senhor que cura" (Êxo. 15:26). Os oprimidos pelo inimigo invocam a JEOVÁ-NISSI, "o Senhor nossa bandeira" Êxo. 17:8-15). Os carregados de cuidados aprendem que ele é JEOVÁ-SHALOM, "o Senhor nossa paz" (Jui. 6:24). Os peregrinos na terra sentem a necessidade de JEOVÁ-RA'AH, "o Senhor meu pastor" (Sal. 23:1). Aqueles que se sentem sob condenação e necessitados da justificação, esperançosamente invocam a JEOVÁ-TSIDKENU, "o Senhor nossa justiça" (Jer. 23:6). Aqueles que se sentem desamparados aprendem que ele é JEOVÁ-JIREH, "o Senhor que provê" (Gên. 22:14). E quando o reino de Deus se houver concretizado na terra, será ele conhecido como JEOVÁ-SHAMMAH, "o Senhor está ali" (Ezeq. 48:35).

(c) El (Deus) é usado em certas combinações: EL-ELYON (Gên. 14:18-20), o "Deus altíssimo", o Deus que é exaltado sobre tudo o que se chama deus ou deuses. EL-SHADDAI, "o Deus que é suficiente para as necessidades do seu povo" (Êxo. 6:3). EL-OLAM, "o eterno Deus" (Gên. 21:33). (*)

(d)Adonai significa literalmente "Senhor" ou "Mestre" e dá a idéia de governo e domínio. (Êxo. 23:17; Isa. 10:16, 33.) Por causa do que Deus é e do que tem feito, ele exige o serviço e a lealdade do seu povo.Este nome no Novo Testamento aplica-se ao Cristo glorificado.

(e) Pai, emprega-se tanto no Antigo como no Novo Testamento. Em significado mais amplo o nome descreve a Deus como sendo a Fonte de todas as coisas e Criador do homem; de maneira que, no sentido criativo, todos podem considerar-se geração de Deus. (Atos 17:28.) Todavia, esta relação não garante a salvação. Somente aqueles que foram vivificados e receberam nova vida pelo seu Espírito são seus filhos no sentido intimo da salvação. (João 1:12, 13.)

Artigo extraído do livro Conhecendo as Doutrinas da Bíblia - Myer Pearlman
Editora Vida, 2006 ISBN 8573671440 Título original: Knowing the Doctrines of the Bible Tradução: Lawrence Olson.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

ALGUNS FATOS E PARTICULARIDADES DA BÍBLIA

Antes, a Bíblia não era dividida em capítulos e versículos. A divisão em capítulos foi feita no ano de 1250, pelo cardeal Hugo de Saint Cher, abade dominicano e estudioso das Escrituras. A divisão em versículos foi feita de duas vezes. O AT em 1445, pelo Rabi Nathan; o NT em 1551, por Robert Stevens, um impressor de Paris. Stevens publicou a primeira Bíblia (Vulgata Latina) dividida em capítulos e versículos em 1555. O AT tem 929 capítulos e 23.214 versículos. O NT tem 260 capítulos e 7.959 versículos. A Bíblia toda tem 1.189 capítulos e 31.173 versículos. O número de palavras e letras depende do idioma e da versão. O maior capítulo é o Salmo 119, e o menor o Salmo 117. O maior versículo está em Ester 8.9; o menor, em Êxodo 20.30. (Isso, nas versões portuguesas e com exceção da chamada "Tradução Brasileira", onde o menor é Lucas 20.30). Em certas línguas, o menor é João 11.35. Os livros de Ester e Cantares não contêm a palavra Deus, porém a presença de Deus é evidente nos fatos neles desenrolados, mormente em Ester. Há na Bíblia 8.000 menções de Deus sob vários nomes divinos, e 177 menções do Diabo, sob seus vários nomes.
A vinda do Senhor é referida direta e indiretamente 1.845 vezes, sendo 1.527 no AT e 318 no NT. - Não é esse um assunto para séria meditação? O Salmo 119 tem em hebraico 22 seções de 8 versículos cada uma. O número 22 corresponde ao número de letras do alfabeto hebraico. Cada uma das 22 seções inicia com uma letra desse alfabeto, e, dentro, de cada seção, todos os versículos começam com a letra da respectiva seção. Caso semelhante há no livro de Lamentações de Jeremias. Ali, em hebraico, os capítulos 1,2,4, têm 22 versículos cada um, compreendendo as 22 letras do alfabeto, de álefe a tau. Porém o capítulo 3 tem 66 versículos, levando cada três deles, a mesma letra do alfabeto.
Há outros casos assim na estrutura da Bíblia. Isso jamais poderia ser obra do acaso. A frase "não temas" ocorre 365 vezes em toda a Bíblia, o que dá uma para cada dia do ano! O capítulo 19 de 2 Reis é idêntico ao 37 de Isaías. O AT encerra citando a palavra "maldição"; o NT encerra citando a expressão: "a graça do Nosso Senhor Jesus Cristo." A Bíblia foi o primeiro livro impresso no mundo após a invenção do prelo; isso deu-se em 1452, em Mogúncia, Alemanha. Os números 3 e 7 predominam admiravelmente em toda a Bíblia. O nome de Jesus consta do primeiro e do último versículos do NT. As traduções da Bíblia (toda ou em parte) até 1984, atingiram a 1796 línguas e dialetos. 24
Restam ainda cerca de 1.000 línguas em que ela precisa ser traduzida.
- Que está o irmão fazendo para difundir a Bíblia - o livro que o salvou?


Silva, Antônio Gilberto da, 1929 - A Bíblia através dos séculos : uma introdução / Antônio Gilberto da Silva. - Rio de Janeiro : Casa Publi-cadora das Assembléias de Deus, 1986.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

A NATUREZA HUMANA

A tri-unidade humana
Segundo Gên. 2:7, o homem se compõe de duas substâncias — a substância material, chamada corpo, e a substância imaterial, chamada alma. A alma é a vida do corpo e quando a alma se retira o corpo morre. Mas, segundo 1 Tess. 5:23 e Heb. 4:12, o homem se compõe de três substâncias — espírito, alma e corpo; alguns estudantes da bíblia defendem essa opinião de três partes da constituição humana versus doutrina de duas partes apenas, adotada por outros. Ambas as opiniões são corretas quando bem compreendidas. O espírito e a alma representam os dois lados da substância não-física do homem; ou, em outras palavras, o espírito e a alma representam os dois lados da natureza espiritual. Embora distintos, o espírito e a alma são inseparáveis, são entrosados um no outro. Por estarem tão interligados, as palavras "espírito" e "alma" muitas vezes se confundem (Ecl. 12:7; Apoc. 6:9); de maneira que em um trecho a substância espiritual do homem se descreve como a alma (Mat. 10:28), e em outra passagem como espírito (Tia. 2:26). Embora muitas vezes os termos sejam usados alternativamente, têm significados distintos. Por exemplo: "A alma" é o homem como o vemos em relação a esta vida atual. As pessoas falecidas descrevem-se como "almas" quando o escritor se refere à sua vida anterior. (Apoc. 6:9, 10; 20:4.) "O espírito" é a descrição comum daqueles que passaram para a outra vida. (Atos 23:9; 7:59; Heb. 12:23; Luc. 23:46; 1 Ped. 3:19.) Quando alguém for "arrebatado" temporariamente fora do corpo (2 Cor. 12:2) se descreve como "estando no espírito".(Apoc. 4:2; 17:3.) Sendo o homem "espírito", é capaz de ter conhecimento de Deus e comunhão com ele; sendo "alma", ele tem conhecimento de si próprio; sendo "corpo", tem, através dos sentidos, conhecimento do mundo. — Scofield.

Artigo extraído do livro Conhecendo as Doutrinas da Bíblia - Myer Pearlman
Editora Vida, 2006 ISBN 8573671440 Título original: Knowing the Doctrines of the Bible Tradução: Lawrence Olson

terça-feira, 10 de agosto de 2010

GRUPOS RELIGIOSOS DO NOVO TESTAMENTO

O Novo Testamento observa a presença de partidos religiosos que eram desconhecidos no Velho Testamento. A fonte principal de informação é encontrada nas obras de Flávio Josefo. Em dois de seus livros, As Guerras dos Judeus (II, viii, 1-4) e As Antigüidades dos Judeus (XIII, v. 9), ele escreve acerca de quatro desses partidos: fariseus, saduceus, zelotes e essênios. Para nossos propósitos, os herodianos e os zadoqueus devem ser acrescentados.


1. Fariseus — O grupo maior e mais importante é o chamado os fariseus. A palavra em si significa "separatistas", tendo sido, provavelmente, aplicada como expressão de escárnio aos oponentes. Eles fizeram seu primeiro aparecimento definido como um grupo com este nome durante a época de João Hircano I. Alguns estudiosos dizem que o termo foi pela primeira vez usado quando alguns judeus piedosos "se separaram" de Judas Macabeu, depois de 165 a.C. É mais provável que eles foram os sucessores dos "hasidins", que se haviam empenhado em "separar-se" do pecado, e na "separação" (interpretação) das Escrituras, durante as reformas de Esdras e Neemias.

Seja qual for sua origem, os fariseus foram o resultado final do movimento que teve seus primórdios com Esdras, intensificado pelos hasidins, sob os sírios e romanos. Eles representam aquela tendência, no judaísmo, que sempre reagiu contra dominadores estrangeiros, mantendo o exclusivismo judaico e a lealdade à tradição dos pais. Pouco se interessavam no poder político, mas se tornaram os mentores políticos de Israel. Eles tinham maior controle sobre o povo do que os saduceus, que eram mais abastados e politicamente poderosos. Controlavam a sinagoga, e só eles sobreviveram à Guerra Judaico-Romana de 66-70.

Devido à sua profunda reverência para com os ideais nacionais e religiosos judaicos, e devoção aos mesmos, os fariseus se opuseram à introdução das idéias gregas, e não deixou de ser natural que se tornassem o partido reacionário. Para eles, as coisas velhas eram as únicas coisas boas. Num desejo sincero de tornar a lei praticável dentro do mundo greco-romano em mudança, os fariseus aderiram ao sistema da tradição dos pais. Começando com as Escrituras, eram feitas interpretações para se ajustar uma situação existente ou combater um erro em teologia. Nas tentativas de responder a problemas levantados por religiões intrusas, muitas idéias dormentes no Velho Testamento foram desenvolvidas e aumentadas. Entre essas doutrinas desenvolvidas durante esses 400 anos estão a ressurreição dos mortos, os demônios, os anjos e a esperança messiânica.

Para o fariseu, a tradição oral suplantou a lei. Este era o principal ponto em que divergiam dos saduceus, que não viam nenhuma necessidade de alterar-se a lei. Os fariseus diziam que as finas distinções das tradições orais eram para facilitar o cumprimento da lei sob novas condições e tornar virtualmente impossível pecar-se. Eles também colocavam uma forte ênfase sobre a providência divina nos assuntos do homem.


2. Saduceus — Embora a origem da seita esteja perdida na obscuridade, o nome pode ter-se derivado de um certo Zadoque, que sucedeu Abiatar como sumo sacerdote durante os dias de Salomão. Pode ter vindo da palavra hebraica "zoddikim", que significa "os justos". Os saduceus gabavam-se de sua fidelidade à letra da lei mosaica, em contradistinção à tradição oral. Este era o partido da aristocracia e dos sacerdotes abastados. Eles controlavam o sinédrio e qualquer resquício de poder político que restava. Eram os colaboracionistas, a tendência que favorecia o poder estrangeiro e que se alinhava com ele pelo poder. Também controlavam o templo. O sumo sacerdote era sempre o líder deste grupo. Era um grupo fechado e não procurava prosélitos, como o faziam os fariseus.

Teologicamente conservadores (diziam),limitavam o cânon à Torah ou Pentateuco. Rejeitavam as doutrinas da ressurreição, demônios, anjos, espíritos, e advogavam a vontade livre, em lugar da providência divina. Este grupo não sobreviveu à Guerra Judaico-Romana de 66-70.


3. Zelotes — Os zelotes representavam o desenvolvimento na extrema esquerda entre os fariseus. Estavam interessados na independência da nação e sua autonomia, ao ponto de negligenciarem toda outra preocupação. Segundo Josefo, o fundador foi Judas de Gamala, que iniciou a revolta sobre o censo da taxação, em 6 d.C. Seu alvo era sacudir o jugo romano e anunciar o reino messiânico. Eles precipitaram a revolta em 66 d.C, que levou à destruição de Jerusalém em 70. Simão, o zelote, foi um dos apóstolos.


4. Essênios — Estes representavam o desenvolvimento na extrema direita entre os fariseus. Eram uma ordem distinta, na sociedade judaica, mais que uma seita dentro dela. Sendo o elemento mais conservador dos fariseus, eles enfatizavam a observação minuciosa da lei. Formavam uma comunidade ascética ao redor do Mar Morto, e viviam uma vida rigidamente devota. Eram a sobrevivência dos hasidins mais estritos, influenciados pela filosofia grega. A partir dos documentos de Qumram, parece que eles aguardavam um messias que iria combinar as linhagens real e sacerdotal, numa estrutura escatológica. Este grupo não é mencionado em o Novo Testamento.


5. Herodianos — Os saduceus da extrema esquerda eram conhecidos como os herodianos. Tirando o nome da família de Herodes, eles baseavam suas esperanças nacionais nessa família e olhavam para ela com respeito ao cumprimento das profecias acerca do Messias. Eles surgiram em 6 d.C, quando Arquelau, filho de Herodes, o Grande, foi deposto, e Augusto César enviou um procurador, Copônico. Os judeus que favoreciam a dinastia herodiana eram chamados "herodianos". Este grupo é mencionado em Mateus 22:16 e Marcos 3:6; 12:13.


6. Zadoqueus — Na extrema direita dos saduceus estava o grupo conhecido como os zadoqueus. Embora não mencionados em o Novo Testamento, este grupo é importante, porque mostra outra tendência entre os saduceus, talvez dando uma chave quanto à sua origem. Em 1896, um fragmento de um documento foi encontrado numa sinagoga no Cairo. Publicado em 1910, com o título Fragmentos de uma Obra Zadoquita, este termo entrou em todas as discussões acerca do judaísmo sectário. A descoberta de outros documentos na comunidade de Qumram, do Mar Morto, sugere alguma relação entre os zadoqueus, os essênios e a comunidade de Qumram. Um movimento de reforma foi iniciado entre os sacerdotes (filhos de Zadoque), entre os saduceus, durante o início do segundo século a.C. Quando a reforma fracassou, eles foram para Damasco e estabeleceram uma comunidade sob um novo conjunto de regulamentos, denominado "o novo concerto". Alguns posteriormente voltaram como missionários para sua terra natal e depararam com amarga oposição por parte dos fariseus e saduceus. Alguns, então, encontraram seu caminho em direção às comunidades ao redor do Mar Morto. Eram missionários fervorosos, em busca de um mestre de justiça que chamasse Israel de volta ao arrependimento e apareceria no advento do Messias. Eles aceitavam toda palavra escrita, mas rejeitavam a tradição oral. Eram muito abnegados na vida pessoal e leais aos regulamentos da pureza levítica. Deram grande ênfase à necessidade de arrependimento.

EXTRAÍDO DE: Hale, Broadus David Introdução ao estudo do Novo Testamento.
Tradução de Cláudio Vital de Souza. Rio de Janeiro, Junta de Educação Religiosa e Publicações, 1983.

domingo, 1 de agosto de 2010

CARBONO 14, O QUE É?

O carbono 14 é um elemento radiativo de meia vida de, em torno de, 5730 anos. O 14C, como é denominado abreviadamente, se forma à partir do Nitrogênio, nas altas camadas da atmosfera. Raios cósmicos bombardeiam constantemente a nossa atmosfera produzindo nêutrons livres.Estes bombardeiam o Nitrogênio produzindo um isótopo do Carbono, o Carbono 14. Este é radiativo.
De uma dada quantidade de átomos de 14C a metade decai, aleatoriamente, para 12C em 5730 anos, ou seja, após 5730 só resta ainda a metade de 14C do original. O 14C está uniformemente distribuido na atmosfera. Todos os seres vivos metabolizam o 14C contido nos seus alimentos, na concentração proporcional aproximada de 10-12 % do 12C no ar, porque ambos tem a mesma reatividade e afinidade química. Quando um ser vivo morre deixa de metabolizar 14C e este começa a reduzir a sua concentração, por força do decaimento radiativo, nos tecidos mortos. Medindo-se a proporção entre o 14C e o 12C de restos mortais e comparando-os com as proporções contidas nos seres vivos pode-se calcular a sua idade. Devido às concentrações extremamente pequenas de 14C na atmosfera, cerca de 1 14C para cada trilhão de átomos de 12C, é impossível medir datas além de 20 ou 30 mil anos. Os criacionistas que mantém que a Terra é muito jovem, no entanto, não aceitam nem datas desta grandeza, mas porque?
A taxa de formação de 14C é muito pequena e necessitaria de milhares de anos para que se equilibre com a taxa de decaimento. Se estas taxas não estiveram em equilíbrio por ocasião da época de vida do ser vivo a ser datado se parte de uma concentração inicial de 14C menor e a idade apurada é maior do que a real. Ninguém consegue determinar que a taxa atual de formação é igual a taxa atual de decaimento, ou seja, ninguém consegue determinar se estas duas grandezas estão em equilíbrio.
Para medições até 3000 AC existe um desvio não muito significativo, comparado com fosséis de data arqueológica conhecida, mas antes desta data ninguém sabe. O campo magnético da Terra mantém o cinturão Van Allen. Este cinturão é um escudo contra radiação cósmica. Quanto mais forte o campo eletromagnético da Terra mais forte o escudo Van Allen. Quanto mais forte o escudo menor a radiação cósmica e quanto menor a radiação cósmica menor a taxa de formação de 14C.
Acontece que o capo eletromagnético da Terra está em franco decaimento. Há apenas dois mil anos atrás, por exemplo, ele tinha três vezes a sua intensidade de hoje.
Se, por exemplo, devido ao acima exposto, a concentração de 14C na atmosfera, há 5000 anos atrás, tivesse um quarto da concentração atual, um fóssil morrido naquela data forneceria uma idade atual de 5730 x 2 + 5000 = 16460 anos.
Por estes e mais motivos fala-se, cientificamente, em anos ou idade radiocarbono, que obrigatoriamente não quer dizer necessariamente a mesma coisa que anos solares. A mídia, muitos cientistas e leigos interessados além de muitos livros escolares não sabem distinguir entre os dois.

EXTRAÍDO DA APOSTILA DO SEMINÁRIO TEOLÓGICO DO BETEL-BRASILEIRO E AÇÃO EVANGÉLICA (GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA)

domingo, 18 de julho de 2010

A RELEVÊNCIA DOS DÍZIMOS E DAS OFERTAS A LUZ DA TEOLOGIA DO N.T. - Por André Rodrigues

Dízimos e ofertas é um assunto de importância sui generi. Diversas são as especulações quando o que está em pauta é a doação de algo. No Pacto passado era prática comum a de ofertas e dízimos. Setecentos anos antes da instituição da lei mosaica propriamente dita, Abrão depois da batalha com os reis, deu dízimo dos despojos ao sacerdote-rei de Salém, Melquisedeque, que por sua vez, era reconhecido como “Sacerdote do Deus-Altíssimo”.

As ofertas alçadas, ou seja, voluntárias, eram depositadas tanto quanto os dízimos, para fins específicos. Halley acentua que havia naquela dispensação pelo menos três tipos característicos de dízimo: “o dízimo levítico, o dízimo para as festas e, de três em três anos os dízimos para os pobres” (2001, p. 132). “A décima parte dos produtos da terra e do aumento dos rebanhos e das manadas devia ser dada a Deus; é isto que é chamado de dízimo (Gn 14.20; 28.22; Lv 27. 30-32; Nm 18.21-28 etc.)” (HALLEY, 2001, p. 131).

Na dispensação neotestamentária a situação não é mais derivada de leis cerimoniais, a contribuição dos dízimos e das ofertas, agora, parte do pressuposto da fé, ou seja, existe uma conscientização na igreja local, no tocante, ao ato de dizimar e ofertar, com o intuito de cooperar com reino de Deus, de modo financeiro, quer dizer, cuidar das necessidades básicas comuns de nossa realidade hodierna. É importante salientar que ainda hoje em determinados lugares, as ofertas e os dízimos refletem uma realidade passada, como no caso de algumas das igrejas da África, por exemplo, que trazem a décima parte de vossa colheita.

Estas contribuições voluntárias dos dízimos e das ofertas na visão do Novo Testamento são respaldadas à luz da Bíblia. Diversos exemplos de comportamento, no tocante, a contribuição nas igrejas, são largamente observados principalmente nas cartas do apóstolo Paulo. Certo teólogo disse que quase todas as epístolas escritas por Paulo, nasceram da “necessidade de”, enquanto ao escrever aos Filipenses, o apóstolo muda o cenário e emprega o “agradecimento a”. Reporto-me ao exemplo destes últimos crentes, por haver naquela epístola agradecimento do apóstolo quanto à contribuição voluntária, tanto para a igreja de Jerusalém, que havia ficado em situação difícil depois de venderem suas propriedades à espera da iminente volta de Jesus, como também, para o sustento do próprio apóstolo, como gratidão a todos os benefícios que este os haviam feito. Disse o apóstolo: “Todavia fizeste bem em tomar parte na minha aflição. E bem sabeis também vós, ó filipenses, que, no princípio do evangelho, quando partir da Macedônia, nenhuma igreja comunicou comigo com respeito a dar e a receber, senão vós somente. Porque também, uma e outra vez, me mandaste o necessário a Tessalônica. Não que procure dádivas, mas procuro o fruto que aumente a vossa conta. Mas bastante tenho recebido e tenho abundância; cheio estou, depois que recebi de Epafrodito o que da vossa parte me foi enviado, como cheiro de suavidade e sacrifício agradável e aprazível a Deus”. (Fl 4.14-18 ARC, grifo meu). A frase destacada sem dúvidas tem a sua relevância na teologia do Novo Testamento, quanto às contribuições, que refletem não somente em dar de modo regulamentar de maneira mecânica, mas para os que fazem, entendendo a importância real da mordomia cristã, sabe que se torna em sacrifício que Deus se agrada.

sábado, 10 de julho de 2010

OS LIVROS APÓCRIFOS NO CRISTIANISMO

Ao ler o Novo Testamento, torna-se bem óbvio que seus escritores e leitores dos primeiros dias estavam familiarizados com, pelo menos, alguns dos livros apócrifos, não apenas aqueles que eles herdaram dos judeus na Septua-ginta, mas também com uma coleção mais ampla de escritos. A referência mais clara pode ser encontrada em Judas, versículos 14-16, onde o autor faz uma citação, sem dúvida de memória, de Enoque 1.9, lembrando a profecia de "Enoque, a sétima geração depois de Adão". A exceção dessa citação mais ou menos direta, muitas alusões à literatura apócrifa. As palavras, "Mulheres receberam, pela ressurreição, os seus mortos. Alguns foram torturados, não aceitando seu resgate", registradas em Hebreus 11.35, nos faz lembrar o martírio de Eleazar e dos Sete Irmãos em II Macabeus 6 e 7, e "foram... serrados pelo meio" de Hebreus 11.37 é, sem dúvida, uma alusão ao Martírio de Isaías, enquanto as frases "o resplendor da glória" e "a expres¬são exata de seu Ser" em Hebreus 1.3 nos lembra forçosamente o Livro de Sabedoria 7.26. Ecos do Livro de Sabedoria provavel¬mente podem ser ouvidos também nas palavras dos principais sacerdotes em relação a Jesus, em sua agonia, em Mateus 27.43: "Pois venha livrá-lo agora, se de fato lhe quer bem; porque disse: Sou Filho de Deus" (cf. Sabedoria 2.18); assim também nas cartas de Paulo, tais como Romanos 1.20-32 (Sabedoria 14.22-31), Romanos 9.21 (Sabedoria 15.7), II Coríntios 5.4 (Sabedoria 9.15) e Efésios 6.13-17 (Sabedoria 5.18-20). Além disso, certos sentimentos e frases familiares ao leitor cristão nos Evangelhos têm seu paralelo direto no Testamentos dos Doze Patriarcas, expressões como perdoar o próximo (Mateus 18.21, cf. Testamento de Gade 6.3,7), amar de todo o coração (Mateus 22.37-39, cf. Testamento de Dã 5.3), e retribuir o mal com o bem (Lucas 6.27s, cf. Testamento de José 8.2). Isso demonstra como o conteúdo dos ensinamentos morais de Jesus estava próximo do ideal moral do judaísmo.
A disputa entre Miguel e o diabo, pelo corpo de Moisés em Judas 9, deriva de A Assunção de Moisés, e a doutrina dos espíritos aprisionados em I Pedro 3.19 é baseada em Enoque 14-15. A Epístola de Tiago tem muito em comum com os livros apócrifos; o escritor certamente estava familiarizado com Ben Sira, de cujo pensamento e experiência ele compartilhava (cf. por exemplo, Tiago 1.19 e Ben Sira 5.11). O Novo Testa¬mento faz referências a escritos desconhecidos (cf. I Coríntios 2.9; Efésios 5.14; I Timóteo 3.16) e faz citações de fontes desconhecidas (Mateus 23.34,35; cf. Lucas 11.49-51), enquanto em uma passagem (II Timóteo 3.8) faz alusão a Janes e Jambres, cujos nomes foram usados para o título de um livro apócrifo, do que temos conhecimento a partir de escritos que surgiram posteriormente.
Sem dúvida, os cristãos primitivos consideravam esses livros religiosamente edificantes, não apenas em suas devoções pessoais, mas também no ensino dos catecúmenos. A questão da canonicidade não era sequer cogitada a essa altura. Esse problema ainda seria suscitado e resolvido pela Igreja em expansão.


 EXTRAÍDO DO LIVRO: Entre o Antigo e o Novo Testamentos / O Período Interbíblico
 D.S.Russell 2" Edição no Brasil
 Maio de 2007 - Editora e Divulgadora Cultural Ltda.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

O QUE SIGNIFICA A PALAVRA CRISTO - Por André Rodrigues

Em língua portuguesa o estudo das palavras define-se como etimologia, que averigua dentre outras coisas a história e as mudanças dos significados de acordo com a época, enfim. Etimologicamente, a palavra Cristo, tem significado particular e isto é possível porque não há constante variação nos idiomas hebraico e grego, de onde esta se deriva. É, basicamente impossível haver discordância entre os expoentes de léxicos. Entretanto, pode haver mudanças nos vocábulos e, mesmo assim, o significado permanece o mesmo, se mantendo unânime no sentido e na aplicação.

Na definição de Champlin, a palavra Cristo é a:

[...] Transliteração do adjetivo verbal grego, Christós, que significa ungido. Essa palavra hebraica, por sua vez traduz o termo hebraico mashiach, que tem o mesmo sentido. Essa palavra hebraica foi absorvida pelo grego sob a forma modificada de messias, conforme se vê em João 14:1 e 4:25. É daí que vem a palavra portuguesa Messias. [...] O termo Messias através de sua tradição grega, e, daí, para o português, tornou-se parte integrante do nome de Jesus, pois ele é Jesus, o Cristo, ou então, o Senhor Jesus Cristo, ou o Filho, Jesus Cristo, que é nosso Senhor. (1995, p. 977).

Nota-se, que o estudioso acima teve a preocupação de mostrar a raiz desta palavra dando ênfase no texto que cita. Inicialmente, trazendo a informação do grego e posteriormente faz menção ao seu uso. Contudo, a idéia de Cristo, ou seja, a idéia de Messias, é maior contextualizada no aramaico e hebraico, como expõe Coenen e Brown:

“Cristo” é derivado através do Lat. Christus, do Gr. Christos, que, na LXX e no NT é o equivalente gr. do Aram. mesiha. Essa palavra, por sua vez, corresponde ao Heb. masiah, e denota uma pessoa que foi cerimonialmente ungida para um cargo [...]. A transliteração gr. de mesiah é Messias, que [...] ocorre apenas duas vezes no NT gr., somente em Jo 1:41,4:25. Em ambas as ocasiões, refere-se a Jesus de Nazaré. A LXX não emprega a palavra estrangeira mas, assim como no NT (excetuando-se as passagens supra mencionadas), emprega com consistência a palavra gr. correspondente. Não foram, portanto, os cristãos os primeiros a cunharem esta palavra. Ao empregá-la no NT, os autores e suas formas literárias estavam adotando, sem dúvida alguma, uma palavra e um conceito que já estavam disponíveis e em uso corrente no período pré-cristão. Esta situação é evidenciada pelos escritos veterotestamentários apócrifos e pseudepígrafos , entre outros. (2000, p. 1079).

As definições acima deixam evidentes que o emprego desta palavra é particular àquele que é Ungido, termo comumente encontrado nos escritos canônicos veterotestamentários. Desta forma, explica Vine na segunda parte de sua obra que define o significado de algumas palavras gregas:
Chistos (“ungido”, traduz, na Septuaginta, a palavra “Messias”, termo aplicado aos sacerdotes que eram ungidos com óleo santo, particularmente o sumo sacerdote (por exemplo, Lv 4.3,5,16). Os profetas são chamados hoi christoi theou, “os ungidos de Deus” (Sl 105.15). Um rei de Israel foi descrito em certa ocasião como christos tou kuriou, “o ungido do Senhor” (1 Sm 2.10,35; 2 Sm1.14; Sl 2.2; 18.50; Hc 3.13); o termo é usado até para se referir a Ciro (Is 45.1).
O título ho christos, “o Cristo”, não é usado acerca de Cristo na versão Septuaginta dos livros inspirados do Antigo Testamento [...] (2004, p. 522).

Contudo, na aplicação direcionada para o Novo Testamento, a palavra Cristo refere-se a Jesus. Ele é o Ungido por excelência. Cristo é o “Título oficial de Jesus. Conferido-lhe pelo mesmo Deus (At 1.16). [...] Evoca-lhe ainda o tríplice ofício: profeta, sacerdote e rei”. (ANDRADE, 2007, p. 122). Assim também descreve Boyer, numa breve citação: “Cristo, do gr., Ungido, e do heb., Messias: O Cristo quer dizer o Ungido”. (2006, p. 184).
Vine nos informa detalhes do comportamento do termo no contexto neotestamentário e segundo ele a palavra não é usada estritamente como título, porquanto diz:

[...] No Novo Testamento, a palavra é usada muitas vezes com o artigo, referindo-se ao Senhor Jesus, como apelativo em vez de título (Lc 2.11; 23.2; Jo 1.41). Três vezes o título foi expressamente aceito pelo próprio Senhor (Mt 16.17; Mc 14.61,62; Jo 4.26).
É acrescentado como apelativo ao nome próprio “Jesus” (por exemplo, Jo 17.3, a única vez que o Senhor assim se referiu a Si mesmo; At 9.34; 1 Co 3.11; 1 Jo 5.6). É distintamente um nome próprio em muitas passagens, quer com o artigo (por exemplo, Mt 1.17; 11.2; Rm 7.4; 9.5; 15.19; 1 Co 1.6), quer sem o artigo (Mc 9.41; Rm 6.4; 8.9,17; 1 Co 1.12; Gl 2.16). O título Christos é as vezes usado sem o artigo, e significa o Único que pelo Espírito Santo e poder habita nos crentes e molda o caráter deles de conformidade com a Sua semelhança [...] (2004, p. 522, grifo meu).

Desta forma, concluímos que a palavra Cristo, ficou bem delineada. Expressão do aramaico Mesiha, do heb. Masiah, do gr. Christós, do lat. Chistus, e traduzida na nossa língua como Messias. (COENEN; BROWN, 2000, p. 1079).

ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. 16º edição, revista e ampliada. 2007. CPAD – RJ.
COENEN, Lothar. BROWN, Colin. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. 2º edição. 2000. Vida Nova – SP.
CHAMPLIN, Russell Norman. BENTES, João Marques. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Vol. 4 M – O. 3º edição. 1995. Editora e Distribuidora Candeia – SP.
edição, 2004. CPAD – RJ.
VINE, W. E.; UNGER, Merril F.; JR. Willian White. Dicionário Vine. 4º

domingo, 20 de junho de 2010

A MESOPOTÂMIA


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Entre a Ásia, a África e Europa, uma região fertilizada pelas inundações periódicas de dois grandes rios atraiu muitos povos e os obrigou a desenvolver obras de engenharia. Para coordenar sua realização surgiu o Estado. Essa região foi chamada Mesopotâmia e dominada, sucessivamente pelos sumérios, acádios, amoritas, assírios e caldeus.
A economia da Mesopotâmia baseava-se principalmente da agricultura, mas os povos da região desenvolveram também a criação de gado, o artesanato, a mineração e um ativo comércio à base de trocas que se estendia à Ásia menor, ao Egito e à Índia.
Sua organização social formava uma pirâmide que tinha no topo os membros da família real, nobres, sacerdotes e militares. A base era composta por artesões, camponeses e escravos.
Famosos desde os tempos antigos pela crueldade e pelo talento guerreiro, os assírios também se destacaram pela habilidade na construção de grandes cidades e edifícios monumentais, como atestam as ruínas encontradas em Nínive, Assur e Nimrud. Estabelecido no norte da Mesopotâmia, o império assírio foi uma das civilizações mais importantes do Oriente Médio. Os primeiros povoadores conhecidos da região eram nômades semitas que começaram a levar vida sedentária ao longo do IV milênio a.C. Alguns dados atestam a formação, a partir do século XIX a.C., de um pequeno estado assírio, que mantinha relações comerciais com o império Hitita. No século XV a.C., depois de longo período de submissão ao império da Suméria, o estado assírio, com capital em Assur, começou a tornar-se independente e a se estender. Graças ao apogeu comercial, os assírios puderam lançar-se, sob o reinado de Shamshi-Adad I (1813-1781 a.C.), às conquistas que tanta glória lhes trouxeram. O soberano concentrou esforços na construção de um estado centralizado, segundo o modelo da poderosa Babilônia. Suas conquistas se estenderam aos vales médios do Tigre e do Eufrates e ao norte da Mesopotâmia, mas foram barradas em Alepo, na Síria. O rei Assur-Ubalit I (1365-1330) foi considerado pelos sucessores o fundador do império assírio, também conhecido como império médio. Para consolidar seu poder, estabeleceu relações com o Egito e interveio nos assuntos internos da Babilônia, casando sua filha com o rei desse estado. Depois de seu reinado, a Assíria atravessou uma fase de conflitos bélicos com hititas e babilônios, que se prolongou até o fim do século XIII a.C. Quem afinal conseguiu impor-se foi Salmanasar I (1274-1245), que devolveu ao estado assírio o poder perdido. Esse monarca estendeu sua influência até Urartu (Armênia), apoiado num exército eficaz que conseguiu arrebatar da Babilônia suas rotas e pontos comerciais. Sob o reinado de Tukulti-Ninurta I (1245-1208), o império médio alcançou seu máximo poderio. A mais importante façanha do período foi a incorporação da Babilônia, que ficou sob a administração de governadores dependentes do rei assírio. Com as conquistas, o império se estendeu da Síria ao golfo Pérsico. Depois da morte desse rei, o poder assírio decaiu em benefício da Babilônia. Assur-Nasirpal II (883-859), o mais desumano dos reis assírios, que pretendeu reconstruir o império de Tiglate-Pileser I e impôs sua autoridade com inusitada violência. Foi o primeiro rei assírio a utilizar carros de guerra e unidades de cavalaria combinadas com a infantaria. O último grande império assírio iniciou-se com Tiglate-Pileser III (746-727), que dominou definitivamente a Mesopotâmia. Sua ambição sem limites o levou a estender o império até o reino da Judéia, a Síria e o Urartu. Salmanasar IV e Salmanasar V mantiveram o poderio da Assíria, que anexou a região da Palestina durante o reinado de Sargão II (721-705). O filho deste, Senaqueribe (704-681), teve que enfrentar revoltas internas, principalmente na Babilônia, centro religioso do império que foi arrasado por suas tropas. Asaradão (680-669) reconstruiu a Babilônia e atacou o Egito, afinal conquistado por seu filho Assurbanipal (668-627). No ano 656, porém, o faraó Psamético I expulsou os assírios do Egito e Assurbanipal não quis reconquistar o país. Com esse soberano, a Assíria tornou-se o centro militar e cultural do mundo. Depois de sua morte, o império decaiu e nunca mais recuperou o esplendor. Fruto das múltiplas relações com outros povos, a civilização assíria alcançou elevado grau de desenvolvimento. Entre as preocupações científicas dos assírios destacou-se a astronomia: estabeleceram a posição dos planetas e das estrelas e estudaram a Lua e seus movimentos. Na matemática alcançaram alto nível de conhecimentos, comparável ao que posteriormente se verificaria na Grécia clássica. A religião assíria manteve as ancestrais tradições mesopotâmicas, embora tenha sofrido a introdução de novos deuses e mitos. A eterna rivalidade entre assírios e babilônios chegou à religião com a disputa pela preponderância de seus grandes deuses, o assírio Assur e o babilônio Marduk. O império assírio sucumbiu ao ataque combinado de medas e babilônios. Sob as ruínas de uma esplêndida civilização, ficou a trágica lembrança de suas impiedosas conquistas e da ilimitada ambição de seus reis.

Artigo extraído do:
SETEBRAE - SEMINÁRIO TEOLÓGICO DO BETEL-BRASILEIRO E AÇÃO EVANGÉLICA
GEOGRAFIA E ARQUEOLOGIA BÍBLICA - Prof. José Sanches Vallejo Neto

segunda-feira, 14 de junho de 2010

O PENTATEUCO

Nome e divisões do Pentateuco

Pentateuco é o nome pelo qual, tradicionalmente, se conhece o grupo dos cinco primeiros livros do Antigo Testamento. Trata-se de uma palavra de origem grega que pode ser traduzida por “cinco estojos”, fazendo referência aos estojos (caixas ou vasilhas) onde, na Antigüidade, se guardavam e protegiam da deterioração os rolos de papiro ou de pergaminho utilizados como material de escrita. Os judeus designam, por sua vez, esses livros com o título genérico de torah, termo hebraico que, apesar de ter sido traduzido de forma habitual por “lei”, na realidade, tem um significado mais amplo. Torah, de fato, inclui o conceito de “lei” e, até com maior propriedade, os de “guiar”, “dirigir”, “instruir” ou “ensinar” (cf. Dt 31.9).
O Pentateuco, ainda que se apresente dividido nos referidos cinco primeiros livros da Bíblia, constitui, na realidade, uma unidade essencial. A divisão corresponde a uma época já remota: encontra-se na tradução grega do Antigo Testamento, a chamada Septuaginta ou Versão dos Setenta, que data do séc. III a.C. (Ver a Introdução ao Antigo Testamento). A causa da separação dos livros foi a dificuldade de dispor o texto completo de todos eles em um único rolo, o que seria impraticável por causa do volume excessivo.
Os nomes de origem grega adotados pela Igreja cristã greco-latina como títulos desses cinco livros são os mesmos com que foram designados na Septuaginta. Correspondem respectivamente ao conteúdo de cada um dos textos e consideram cada caso ao destacar um determinado fato ou assunto; assim, Gênesis significa “origem”; Êxodo, “saída”; Levítico, “relativo aos levitas”; Números, “conta” ou “censo”; Deuteronômio, “segunda Lei”. Quanto à tradição hebraica, limita-se, em geral, à norma de intitular os livros com alguma das suas palavras iniciais: ao primeiro chama de Bereshit (no princípio); ao segundo, Shemoth (nomes); ao terceiro, Wayiqrá (e ele chamou); ao quarto, Bemidbar (no deserto) e, ao quinto, Debarim (palavras).

O Pentateuco e a história

Característica essencial do Pentateuco (ou Torah) é a alternância de seções narrativas com outras dedicadas a instruir o povo de Israel e a regulamentar a sua conduta, tanto na ordem ética pessoal e social como, muito especialmente, na religiosa.
Em uma primeira parte, que abarca todo o Gênesis e até o cap. 19 de Êxodo, predomina o gênero narrativo. Nessa seção, os relatos se enlaçam uns aos outros, somente interrompidos aqui e ali por algumas passagens de caráter normativo (p. ex., Gn 9.6; 17.9-14; Êx 12.1-20). De Êx 20 em diante prevalecem os textos destinados a estabelecer as normas e disposições nas quais Deus revela o que quer e espera do seu povo. Dessa maneira, desde o impressionante pano de fundo de uma epopéia que vai da criação do mundo à morte de Moisés (Dt 34.12), o Pentateuco mostra-se como o depósito da vontade de Deus manifestada na forma de ensinamentos, mandamentos e leis, cujo objetivo primordial é configurar um povo santo, que seja portador fiel perante o resto da humanidade da oferta divina de salvação universal.

Formação do Pentateuco

Uma obra complexa, extensa e de grande valor religioso e cultural como o Pentateuco manifesta uma série de particularidades estilísticas, literárias e temáticas que se deve levar em consideração ao se estudar o processo da sua formação.
Em primeiro lugar, há certos textos bíblicos que revelam a existência de fontes anteriores ao próprio Pentateuco, como, p. ex., o chamado Livro das Guerras do SENHOR, expressamente citado em Nm 21.14.
Em segundo lugar, achamo-nos diante de uma obra literária rica em conteúdo e complexa em composição, que freqüentemente deixa perceber o eco de diversas etapas e distintos narradores. Assim ocorre com as variantes registradas nos dois textos do Decálogo (Êx 20.1-17; Dt 5.1-21); ou com as quatro apresentações do catálogo de grandes festas religiosas israelitas (Êx 23; 34; Lv 23; Dt 16); ou com certas histórias, como a da despedida de Agar e Ismael (Gn 16; 21.8-21) ou com o ocultamento da condição de esposa nos casos de Sara e Rebeca (Gn 12.10-20; 20.1-18; 26.6-14). Cada uma dessas narrações oferece detalhes próprios, que a singularizam e a fazem aparecer como relato original e não como mera repetição de um texto paralelo.
Também com respeito ao vocabulário e estilo observam-se, no Pentateuco, numerosos matizes diferentes. Assim, p. ex., em Gênesis, que começa com uma dupla apresentação do relato da criação (1.1—3.24): enquanto que na primeira o Criador é chamado de Elohim (forma hebraica usual para designar Deus), na segunda é chamado de YHWH Elohim, expressão traduzida por “SENHOR Deus” na versão de João Ferreira de Almeida. A partir desses relatos e até o momento em que Deus se revela a Moisés no monte Horebe (Êx 3.1-15), a alternância dos nomes divinos mantém-se com relativa uniformidade.
Algumas passagens do Pentateuco caracterizam-se pelo seu frescor e espontaneidade (p. ex., Gn 18.1-15); outras, como acontece em Levítico, recorrem a uma linguagem jurídica de grande precisão, para tratar de temas legais ou relativos à pratica do culto de Israel; e ainda há outras (como Deuteronômio) que introduzem cálidos acentos, mesmo ao proclamar a Lei e ao exortar o povo a obedecer-lhe em devida resposta ao amor de Deus.
A análise dos indícios mencionados revela que o Pentateuco é o resultado de um processo lento e muito complexo, em cuja origem descobre-se a figura de Moisés, o grande libertador e legislador que, com a sua personalidade, marcou o espírito e a história do povo de Israel; um processo que se encerra com a coleção formada pelos cinco primeiros livros da Bíblia.
Na formação do Pentateuco há um importante trabalho inspirado, que compila, ordena e redige narrações, séries genealógicas e conjuntos de leis que, durante séculos, haviam sido transmitidas oralmente de uma geração para outra. Nele está contida a herança espiritual que Moisés legou ao povo de Israel, uma herança viva, fielmente transmitida e enriquecida com o passar dos séculos.
Os principais temas e as seções correspondentes do Pentateuco podem ser analisados segundo o esquema seguinte:

1. Desde a criação do mundo até a genealogia de Abraão (Gn 1—11).
2. A história dos Patriarcas (Gn 12—50).
3. A saída do Egito (Êx 1—15).
4. Desde o Egito até o Sinai (Êx 16—18).
5. A revelação do SENHOR no Sinai (Êx 19—Nm 10).
6. Desde o Sinai até Moabe (Nm 10—36).
7. O livro de Deuteronômio (Dt 1—34).

Extraído da Bíblia de Estudo Almeida Revista e Atualizada
© 1999 Sociedade Bíblica do Brasil.
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