quinta-feira, 1 de julho de 2010

O QUE SIGNIFICA A PALAVRA CRISTO - Por André Rodrigues

Em língua portuguesa o estudo das palavras define-se como etimologia, que averigua dentre outras coisas a história e as mudanças dos significados de acordo com a época, enfim. Etimologicamente, a palavra Cristo, tem significado particular e isto é possível porque não há constante variação nos idiomas hebraico e grego, de onde esta se deriva. É, basicamente impossível haver discordância entre os expoentes de léxicos. Entretanto, pode haver mudanças nos vocábulos e, mesmo assim, o significado permanece o mesmo, se mantendo unânime no sentido e na aplicação.

Na definição de Champlin, a palavra Cristo é a:

[...] Transliteração do adjetivo verbal grego, Christós, que significa ungido. Essa palavra hebraica, por sua vez traduz o termo hebraico mashiach, que tem o mesmo sentido. Essa palavra hebraica foi absorvida pelo grego sob a forma modificada de messias, conforme se vê em João 14:1 e 4:25. É daí que vem a palavra portuguesa Messias. [...] O termo Messias através de sua tradição grega, e, daí, para o português, tornou-se parte integrante do nome de Jesus, pois ele é Jesus, o Cristo, ou então, o Senhor Jesus Cristo, ou o Filho, Jesus Cristo, que é nosso Senhor. (1995, p. 977).

Nota-se, que o estudioso acima teve a preocupação de mostrar a raiz desta palavra dando ênfase no texto que cita. Inicialmente, trazendo a informação do grego e posteriormente faz menção ao seu uso. Contudo, a idéia de Cristo, ou seja, a idéia de Messias, é maior contextualizada no aramaico e hebraico, como expõe Coenen e Brown:

“Cristo” é derivado através do Lat. Christus, do Gr. Christos, que, na LXX e no NT é o equivalente gr. do Aram. mesiha. Essa palavra, por sua vez, corresponde ao Heb. masiah, e denota uma pessoa que foi cerimonialmente ungida para um cargo [...]. A transliteração gr. de mesiah é Messias, que [...] ocorre apenas duas vezes no NT gr., somente em Jo 1:41,4:25. Em ambas as ocasiões, refere-se a Jesus de Nazaré. A LXX não emprega a palavra estrangeira mas, assim como no NT (excetuando-se as passagens supra mencionadas), emprega com consistência a palavra gr. correspondente. Não foram, portanto, os cristãos os primeiros a cunharem esta palavra. Ao empregá-la no NT, os autores e suas formas literárias estavam adotando, sem dúvida alguma, uma palavra e um conceito que já estavam disponíveis e em uso corrente no período pré-cristão. Esta situação é evidenciada pelos escritos veterotestamentários apócrifos e pseudepígrafos , entre outros. (2000, p. 1079).

As definições acima deixam evidentes que o emprego desta palavra é particular àquele que é Ungido, termo comumente encontrado nos escritos canônicos veterotestamentários. Desta forma, explica Vine na segunda parte de sua obra que define o significado de algumas palavras gregas:
Chistos (“ungido”, traduz, na Septuaginta, a palavra “Messias”, termo aplicado aos sacerdotes que eram ungidos com óleo santo, particularmente o sumo sacerdote (por exemplo, Lv 4.3,5,16). Os profetas são chamados hoi christoi theou, “os ungidos de Deus” (Sl 105.15). Um rei de Israel foi descrito em certa ocasião como christos tou kuriou, “o ungido do Senhor” (1 Sm 2.10,35; 2 Sm1.14; Sl 2.2; 18.50; Hc 3.13); o termo é usado até para se referir a Ciro (Is 45.1).
O título ho christos, “o Cristo”, não é usado acerca de Cristo na versão Septuaginta dos livros inspirados do Antigo Testamento [...] (2004, p. 522).

Contudo, na aplicação direcionada para o Novo Testamento, a palavra Cristo refere-se a Jesus. Ele é o Ungido por excelência. Cristo é o “Título oficial de Jesus. Conferido-lhe pelo mesmo Deus (At 1.16). [...] Evoca-lhe ainda o tríplice ofício: profeta, sacerdote e rei”. (ANDRADE, 2007, p. 122). Assim também descreve Boyer, numa breve citação: “Cristo, do gr., Ungido, e do heb., Messias: O Cristo quer dizer o Ungido”. (2006, p. 184).
Vine nos informa detalhes do comportamento do termo no contexto neotestamentário e segundo ele a palavra não é usada estritamente como título, porquanto diz:

[...] No Novo Testamento, a palavra é usada muitas vezes com o artigo, referindo-se ao Senhor Jesus, como apelativo em vez de título (Lc 2.11; 23.2; Jo 1.41). Três vezes o título foi expressamente aceito pelo próprio Senhor (Mt 16.17; Mc 14.61,62; Jo 4.26).
É acrescentado como apelativo ao nome próprio “Jesus” (por exemplo, Jo 17.3, a única vez que o Senhor assim se referiu a Si mesmo; At 9.34; 1 Co 3.11; 1 Jo 5.6). É distintamente um nome próprio em muitas passagens, quer com o artigo (por exemplo, Mt 1.17; 11.2; Rm 7.4; 9.5; 15.19; 1 Co 1.6), quer sem o artigo (Mc 9.41; Rm 6.4; 8.9,17; 1 Co 1.12; Gl 2.16). O título Christos é as vezes usado sem o artigo, e significa o Único que pelo Espírito Santo e poder habita nos crentes e molda o caráter deles de conformidade com a Sua semelhança [...] (2004, p. 522, grifo meu).

Desta forma, concluímos que a palavra Cristo, ficou bem delineada. Expressão do aramaico Mesiha, do heb. Masiah, do gr. Christós, do lat. Chistus, e traduzida na nossa língua como Messias. (COENEN; BROWN, 2000, p. 1079).

ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. 16º edição, revista e ampliada. 2007. CPAD – RJ.
COENEN, Lothar. BROWN, Colin. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. 2º edição. 2000. Vida Nova – SP.
CHAMPLIN, Russell Norman. BENTES, João Marques. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Vol. 4 M – O. 3º edição. 1995. Editora e Distribuidora Candeia – SP.
edição, 2004. CPAD – RJ.
VINE, W. E.; UNGER, Merril F.; JR. Willian White. Dicionário Vine. 4º

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