É preciso entender que igreja é igreja e estado é estado. Cada um possui responsabilidades distintas. Uma junção, além de desnecessária e descabida de referência bíblica é um risco a saúde espiritual da instituição, sobretudo, por princípios de corrupção entranhados na esfera pública. Isso sim é um julgo desigual. Jesus afirmou categoricamente que as portas do inferno não prevaleceriam sobre sua igreja, portanto, qualquer comunhão em prol de defesa é um escárnio a declaração supracitada e uma afronta ao próprio Deus.
domingo, 27 de novembro de 2016
DEUS NÃO TOLERA CORRUPÇÃO - Por André Rodrigues

Deus não tolera corrupção. Ela fere a cláusula pétrea do amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Nela, qualquer que seja o seu grau, geralmente haverá dois agentes, primeiro o que se beneficia e por último o que se prejudica. Na esfera divina, com base na escritura sagrada, isso é inaceitável. Assim, conclui-se que a corrupção dentre inúmeros sinônimos, maltrata; escraviza; faz-se ensoberbecer, se opor, mentir até a última instância. A corrupção desmoraliza! Mata! Procuremos, portanto, não compactuarmos com ela. Deus não tolera corrupção.
sábado, 29 de outubro de 2016
A REFORMA
A reforma começou como um protesto religioso contra algumas práticas e ensinamentos da igreja católica romana no século dezesseis. Essa reforma resultou em vários grupos de protestantes (aqueles que protestavam contra a igreja católica) através da Europa que se desvencilharam da igreja mãe, por estarem fartos da a sua corrupção e controle e por descordarem em pontos chave da teologia.
SEMENTES DE MUDANÇA
Idéias de reforma estavam flutuando pela Europa por alguns séculos. John Wycliffe na Inglaterra, Jan Huss em Bohemia, Savonarola na Itália e outros que ousaram falar contra as regras da igreja. No entanto, Martin Lutero começou verdadeiramente o conflito quando em outubro de 1517, martelou as suas noventa e cinco teses (discordâncias de regras da igreja) na porta de todas as igrejas católicas em Wittenberg, Alemanha. A porta da igreja era uma espécie de quadro de avisos, então isso não foi vandalismo - mas poderia ter sido considerado como tal por causa do grande estrago que as críticas de Lutero causaram.
Qual eram os temas? A igreja estava vendendo indulgências. Grandes doadores podiam comprar perdão para eles próprios ou para aqueles amados que já haviam partido. O dinheiro arrecadado pagaria as dívidas que o novo bispo tinha acumulado quando comprou a sua nova posição. A igreja estava encobertando o esquema pois parte deste dinheiro foi para construir uma nova basílica em Roma. Para Lutero isso só somava a um padrão de corrupção e a uma liderança nada espiritual. Além de achar isso corrupção, Lutero também discutia dizendo que esse era um sistema de obras contrario a mensagem da bíblia de redenção e graça. Naquele tempo, ele não tinha a intenção de deixar a igreja católica ou começar uma nova religião, mas a resposta nada produtiva da igreja o forçou a fazer exatamente isso.
OS PRINCíPIOS DA REFORMA
Alguns anos antes de começar essa aventura, Lutero estava estudando o livro de Romanos. Foi nessa época que ele finalmente enfrentou a graça de Deus pessoalmente. A igreja não estava ensinando muito sobre graça naquela época: a salvação era merecida por boas obras e observância religiosa, e aparentemente podia-se obter o perdão através de troca. Quando Lutero descobriu o ensinamento bíblico que dizia que "o justo viverá pela fé", a sua vida mudou e consequentemente o mundo também.
Esse princípio - justificação pela fé - formou a base do pensamento reformista. Como era a fé individual de cada pessoas que o ligava com Deus, não havia necessidade de ter um sacerdote ou um papa para mediar o relacionamento. Daí que surgiu o conceito do "sacerdócio do que crê".
E se cada um que cresse pudesse ficar diante de Deus pessoalmente, então todos poderiam escutar a palavra de Deus e interpretá-la. Nesse caso a bíblia se tornava a autoridade e não as autoridades da igreja. O ato de traduzir o latim empoeirado da igreja para uma linguagem mais atual, se tornou algo muito importante para os reformistas.
E, como o pão e o vinho não podiam salvar uma pessoa, o conceito da ceia do Senhor mudou para os reformistas. Apesar de diferentes grupos de protestantes terem visões diferentes nesse ponto, todos concordaram que tomar a comunhão não tinha o efeito salvador; era a fé em Cristo que deu o seu corpo e o seu sangue por nós que poderia salvar.
O IMPACTO DA REFORMA
A reforma protestante mudou completamente a paisagem religiosa do mundo ocidental. A hegemonia católica romana foi quebrada. Os protestantes desafiaram com sucesso um regime opressivo repleto de corrupção. Por outro lado , eles abriram as portas para todos tipos de novas heresias e grupos de vanguarda. Não é de se estranhar que o numero de denominações protestantes continua crescendo ao mesmo tempo em que as novas igrejas se desvinculam das velhas igrejas. A ênfase num relacionamento individual com Deus e a capacidade de interpretação das escrituras criaram um ambiente de vitalidade e criatividade, mas também tinha o potencial para um caos e divisão.
A reforma também instigou revoluções políticas, acadêmicas, cientifica e filosóficas. Não é por acaso que a reforma veio logo depois da renascença. Em muitos aspectos elas eram o mesmo movimento - uma nova liberdade para as pessoas interagirem com a sua própria verdade. O Humanismo, o individualismo, o nacionalismo e muitos outros "ismos" têm ligações reformistas.
O mundo não contestou muita coisa entre os anos de 480 e 1480, porém, por volta do ano de 1580 estava irreconhecível.
Artigo extraido da ILÚMINA.
sexta-feira, 7 de outubro de 2016
A ENIGMÁTICA ORDEM DE MELQUISEDEQUE - por André Rodrigues
Fica claro que “no Antigo
Testamento não havia apenas uma única ordem de sacerdotes, mas duas” (LETHAM,
2007, p. 107): a procedente de Arão e outra, um tanto quanto misteriosa, tendo
Melquisedeque[1] como
principal personagem[2].
As questões relacionadas a esse “Rei-Sacerdote” dão espaço principalmente
às especulações tradicionais da história do povo judeu. Por
exemplo: “Uma tradição hebraica diz que se trata de Sem, filho de Noé[3] e
sobrevivente do dilúvio – que ainda vivia como o homem mais velho da época no
mundo. “Na era patriarcal, ele seria sacerdote de toda a espécie humana”
(HALLEY, 2001, p. 92). Somando-se a essa citação, Soares diz que “Muitos
rabinos da antiguidade afirmam ser ele Sem, o mais velho sobrevivente do
dilúvio, pois se recusam a admitir a idéia de Abraão ter dado os dízimos a um
estrangeiro” (2008, p. 116). Toda essa problemática deve-se ao fato de que a
menção escriturística acerca de Melquisedeque é restrita, ocorrendo apenas em
Gn 14.18ss e Sl 110.4. Portanto, ninguém conhece de modo preciso toda a
história desse homem. O que se pode afirmar, com respaldo bíblico resumido, é
que Melquisedeque de fato era “o honorável sacerdote-rei de Salém (Jerusalém)
[...] que pronunciou uma bênção a Abrão” (LIVINGSTON, Et All, vol. 1, 2009, p.
61, grifo do autor). Um breve relato é ressaltado acerca dele pelo historiador:
O rei de Sodoma veio até ele no lugar a que chamam Campo Real, onde o rei de
Salém, que agora é Jerusalém, o recebeu com grandes demonstrações de estima e
de amizade. Esse príncipe chamava-se Melquisedeque, isto é, “rei justo”. E ele
era verdadeiramente justo, pois a sua virtude era tal que, por consentimento
unânime, havia sido feito sacerdote do Deus Todo-poderoso. Ele não se contentou
em receber apenas a Abraão, mas também a todos os seus. Deu-lhes, no meio dos
banquetes que realizou, os louvores devidos à sua coragem e virtude e prestou a
Deus públicas ações de graças por tão gloriosa vitória. Abraão, por sua vez,
ofereceu a Melquisedeque a décima parte dos despojos que tomara dos inimigos, e
este aceitou (JOSEFO, Antiguidades Judaicas, Livro 1º, Cap. 10, p.
92, 93). Dá para se perceber quão
complexa é a figura de Melquisedeque. Entretanto, para facilitar a compreensão
acerca deste misterioso personagem, outro ponto a considerar é que
Melquisedeque é tipo de Cristo, ou seja, exercia um sacerdócio semelhante ao
que seria exercido por Jesus no Novo Concerto sacerdotal, ou seja, uma nova
dispensação. “Jesus não poderia ser um sacerdote em Israel. Ele não era um
membro da tribo de Levi, e menos ainda da família de Arão. Portanto, ele
simplesmente não era qualificado” (LETHAM, 2007, p.105). Contudo: Os profetas
prediziam que Jesus viria como sacerdote eterno (cf. Sl 110.4). Quando Ele
veio, foi identificado como o sumo sacerdote prometido (cf. Hb 2.17; 3.1; 4.14,
15; 5.6,10; 8.1; 10.21). [...] Jesus, como sacerdote conforme a ordem de
Melquisedeque, evidencia que o seu sacerdócio não era da Lei, mas sim de uma
nova dispensação. Conforme aquela dispensação, Jesus jamais poderia ser
sacerdote, porque estes eram todos da tribo de Levi (cf. Nm 18.27; 1Cr 23.13),
enquanto Jesus era da tribo de Judá (cf. Hb 7.13,14). Assim, ele foi sacerdote
chamado por Deus. “Jurou o Senhor: “Tu és sacerdote eternamente, segundo a
ordem de Melquisedeque” (Hb 7.21). Jesus, sacerdote conforme a ordem de
Melquisedeque, chama a atenção para o fato de que Ele, assim como
Melquisedeque, era tanto rei como sacerdote. Assim como Melquisedeque foi
chamado “rei de justiça” (Hb 7.2), Jesus também o foi (cf. At 22.14; Jr 23.6;
1Jo 2.1). Assim como Melquisedeque foi chamado “rei de paz” (cf. hb 7.2), Jesus
também o foi (cf Is 9.6). Nenhum dos sacerdotes levíticos foi sacerdote e rei.
Mas Jesus era tanto sacerdote como Rei (cf. Zc 6.13) (BERGSTÉN, 1999, p. 61,
62). Talvez isso explique o fato de que informações precisas acerca
de Melquisedeque tenham sido encobertas, por ser ele exatamente um sacerdote
tipo de Jesus, ou seja, um mistério que estaria por revelar-se. Letham afirma
que sua pessoa “estimulou desde a antiguidade a imaginação dos judeus” (2008,
p. 114). Como tipo do que deveria vir, pensa-se: “Assim como o misterioso rei
da época cananeia era também sacerdote, Aquele que se esperava devia também
assumir uma função sacerdotal que se elevasse muito acima do sacerdócio
ordinário, que não perecesse, mas que fosse eterno” (IBIDEM). Nessa nova
dispensação sacerdotal, é possível sim observar sua superioridade em relação à
outra. Acerca da antecipação dessa nova ordem sacerdotal à ordem arônica, o
autor a seguir faz uma importante declaração: O escritor aos Hebreus chama a
atenção, ainda, para alguns detalhes do curto relato do encontro de Abraão com
Melquisedeque, como a menção dos dízimos e o fato de Abraão ser abençoado por
ele (Gn 14.19, 20; Hb 7.6), revestindo de significado espiritual
extraordinário. No sistema arônico, o dízimo era estabelecido pela lei e era
tomado do povo (Nm 18.21; Hb 7.5), mas Abraão o fez espontaneamente. Nesse caso
até Levi, bisneto de Abraão, pagou dízimo “por que ainda ele estava nos lombos
de seu pai, quando Melquisedeque lhe saiu ao encontro” (Hb 7.9). Assim, o
patriarca, fundador da nação de Israel, foi abençoado, isso revela sua estatura
espiritual visto que “o menor é abençoado pelo maior” (Hb 7.7), mostrando
a superioridade da ordem de Melquisedeque (SOARES, 2008, p. 116, 117,
grifo meu). É notória uma elevada perfeição na ordem de
Melquisedeque, principalmente na pessoa de Jesus como seu antítipo. A
explicação dessa superioridade encontra-se na explicação exegética do Salmo
110.4, que nos revela detalhes dessa ordem. O comentarista abaixo, fazendo um
paralelo com a carta aos Hebreus, diz: As funções de rei e sacerdote estão
combinadas em Senhor. Este versículo é citado seis vezes em Hebreus
(5.6, 10; 6.20; 7.11, 15, 21), onde o autor ressalta que o sacerdócio de Cristo
é de uma ordem diferente e superior à de Arão, a saber, um sacerdócio segundo
a ordem de Melquisedeque. Como tal, ele não depende de linhagem humana (Hb
7.3). Ele era anterior e melhor do que o sacerdócio dos filhos de Levi
(7.4-10). Esse sacerdócio indica uma mudança na lei (7.11-12). Ele explica como
Jesus, sendo da tribo de Judá e não da de Levi, podia ser sacerdote (7.13-14).
Esse sacerdócio era assegurado e fundamentado pelo juramento do Senhor (7.
20-22). E, visto que é eterno, não sujeito a uma sucessão humana de sumos
sacerdotes, ele é a base da nossa salvação completa e eterna (7.23-28). Mesmo o
nome Melquisedeque é significativo, um aspecto que tornava a
terminologia do salmista especialmente importante. Melquisedeque significa “rei
da justiça”. Ele foi identificado em Gênesis 14.18-20 como “rei de Salém”, que
significa “rei de paz”. Ele era reconhecido como “o sacerdote do Deus
Altíssimo” setecentos anos antes de ser instituído o sacerdócio levítico. No
sacerdote régio de justiça e paz temos um tipo de Cristo, que unifica nele
mesmo as funções de profeta, sacerdote e rei do AT (CHAPMAN, Et All, vol. 3,
2009, p. 283, grifos do autor). Concluímos que, mediante o sacerdócio
deste enigmático Melquisedeque, abre-se um precedente tipológico que serviria
como exemplo para o ministério sacerdotal de Cristo, o qual transcenderia
qualquer ordem anterior ou posterior (caso houvesse). Assim, nessa ordem
segundo Melquisedeque, Jesus se destaca como sendo “um grande Sumo Sacerdote,
que está de pé e pronto para vir em auxílio dos que passam por provações (Hb
2.18) e ansioso para dar graça para ajudar nos momentos de necessidade (Hb
4.16) (RYRIE, 2004, p. 296).
[1] Este nome vem
de duas palavras hebraicas (melek), “rei” e (tsedeq), “justiça,
retidão” (SOARES, 2008, p. 116). Neste caso a palavra significa literalmente
Rei de Justiça (BOYER, 2006, p. 429).
[2] Letham (2007,
p.107) destaca que o sumo sacerdote Melquisedeque não teve que estabelecer sua
legitimidade pelo apelo à antiguidade. Na verdade, todas as referências à
antiguidade de Melquisedeque e ao seu período de vida são omitidas em Gênesis,
um ponto que é desenvolvido em Hebreus.
[3] Esta
possibilidade disposta na tradição judaica entra em contradição com o
testemunho neotestamentário, observado pelo escritor aos Hebreus, quando
enfatiza: “sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem
fim de vida, mas, sendo feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote
para sempre” (Hb 7.3, ARC).
Artigo extraído de nosso Livro O Tríplice Ofício de
Cristo: Profeta, Sacerdote e Rei (RODRIGUES, 2011, p.
84 - 89).
quinta-feira, 25 de agosto de 2016
CÂNON DO NOVO TESTAMENTO
Como no Antigo Testamento, homens inspirados por Deus escreveram aos poucos os livros que compõem o cânon do Novo Testamento. Sua formação levou apenas duas gerações: quase 100 anos. Em 100 d.C. todos os livros do Novo Testamento estavam escritos. O que demorou foi o reconhecimento canônico, isto motivado pelo cuidado e escrúpulo das igrejas de então, que exigiam provas concludentes da inspiração divina de cada um desses livros. Outra coisa que motivou a demora na canonização foi o surgimento de escritos heréticos e espúrios com pretensão de autoridade apostólica. Trata-se dos livros apócrifos do Novo Testamento, fato idêntico ao acontecido nos tempos do encerramento do cânon do Antigo Testamento.
A ordem dos 27 livros do Novo Testamento, como temos atualmente em nossas Bíblias, vem da Vulgata, e não leva em conta a sequência cronológica. 58 Livros desaparecidos, citados no Novo Testamento. Há também livros mencionados no Novo Testamento até agora desaparecidos (1 Co 5.9; Cl 4.16).
a. Ás Epístolas de Paulo. Foram os primeiros escritos do Novo Testamento. São 13: de Romanos a Filemom. Foram escritas entre 52 e 67 d.C. Pela ordem cronológica, o primeiro livro do Novo Testamento é 1 Tessalonicenses, escrito em 52 d.C. 2 Timóteo foi escrita em 67 d.C, pouco antes do martírio do apóstolo Paulo em Roma. Esses livros foram também os primeiros aceitos como canônicos. Pedro chama os escritos de Paulo de "Escrituras" - título aplicado somente à Palavra inspirada de Deus! (2 Pe 3.15,16).
b. Os Atos dos Apóstolos. Escrito em 63 d.C, no fim dos dois anos da primeira prisão de Paulo em Roma (At 28.30).
c. Os Evangelhos. Estes, a princípio, foram propagados oralmente. Não havia perigo de enganos e esquecimento porque era o Espírito Santo quem lembrava tudo e Ele é infalível (Jo 14.26). Os Sinóticos foram escritos entre 60 a 65 d.C. Marcos, em 65. Em 1 Timóteo 5.18, Paulo, escrevendo em 65 d.C, cita Mateus 10.10. João foi escrito em 85. Entre Lucas e João foram escritas quase todas as epístolas. Note-se que Paulo chama Mateus e Lucas de "Escrituras" ao citá-los em 1 Timóteo 5.18; o original dessa citação está em Mateus 10.10 e Lucas 10.7.
d. As Epístolas, de Hebreus a Judas, foram escritas entre 68 e 90 d.C. Quanto à autoria de Hebreus, só Deus sabe de fato. Agostinho (354-430 d.C), bispo de Hipona, África do Norte, afirma que seu autor é Paulo. As igrejas orientais atribuíram-na a Paulo, mas as ocidentais, até o IV século recusaram-se a admitir isto. A opinião ainda hoje é a favor de Paulo. Orígenes (185-254) - o homem mais ilustre da igreja antiga, e, anterior a Agostinho - afirma: "Quem a escreveu só Deus sabe com certeza".
e. O Apocalipse. Escrito em 96 d.C, durante o reinado do imperador Domiciano.
Muitos livros antes de serem finalmente reconhecidos como canônicos foram duramente debatidos. Houve muita relutância quanto às epístolas de Pedro, João e Judas bem como quanto ao Apocalipse. Tudo isto tão-somente revela o cuidado da Igreja e também a responsabilidade que envolvia a canonização. Antes do ano 400 d.C, todos os livros estavam aceitos. Em 367, Atanásio, patriarca de Alexandria, publicou uma lista dos 27 livros canônicos, os mesmos que hoje possuímos; essa lista foi aceita pelo Concilio de Hipona (África) em 393.
Data do reconhecimento e fixação do cânon do Novo Testamento
Isso ocorreu no III Concilio de Cartago, em 397 d.C. Nessa ocasião, foi definitivamente reconhecido e fixado o cânon do Novo Testamento. Como se vê, houve um amadurecimento de 400 anos.
A necessidade da mensagem escrita do Novo Testamento
A mensagem da Nova Aliança precisava ter forma escrita como a da Antiga. Após a ascensão do Senhor Jesus, os apóstolos pregaram por toda parte sem haver nada escrito. Sua Bíblia era o Antigo Testamento. Com o correr do tempo, o grupo de apóstolos diminuiu. O Evangelho espalhou-se. Surgiu a necessidade de reduzi-lo à forma escrita, para ser transmitido às gerações futuras. Era o plano de Deus em marcha. Muitas igrejas e indivíduos pediam explicações acerca de casos difíceis surgidos por perturbações, falsas doutrinas, problemas internos, etc. (Ver 1 Coríntios 1.11; 5.1; 7.1.)
Os judeus cumpriram sua missão de transmitir ao mundo os oráculos divinos (Rm 3.2). A Igreja também cumpriu sua parte, transmitindo as palavras e ensinos do Senhor Jesus, bem como as que Ele, pelo Espírito Santo inspirou aos escritores sacros. Ele mesmo disse: "Tenho muito que vos dizer... mas o Espírito de verdade... dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará o que há de vir" (Jo 16.12,13).
Dão testemunho da existência de livros do Novo Testamento, em seu tempo, os seguintes cristãos primitivos, cujas vidas coincidiram com a dos apóstolos ou com os discípulos destes:
Clemente de Roma, na sua carta aos Coríntios, em 95 d.C. cita vários livros do Novo Testamento.
Policarpo, na sua carta aos Filipenses, cerca de 110 d.C, cita diversas epístolas de Paulo.
Inácio, por volta de 110, cita grande número de livros em seus escritos.
Justino Mártir, nascido no ano da morte de João, escrevendo em 140 d.C, cita diversos livros do Novo Testamento.
Irineu (130-200 d.C), cita a maioria dos livros do Novo Testamento, chamando-os "Escrituras".
Orígenes (185-254 d.C), homem erudito, piedoso e viajado, dedicou sua vida ao estudo das Escrituras. Em seu tempo, os 27 livros já estavam completos; ele os aceitou, embora com dúvida sobre alguns (Hebreus, Tiago, 2 Pedro, 2 e 3 João).
DATAS E PERÍODOS SOBRE O CÂNON EM GERAL
O Antigo Testamento foi escrito no espaço de mais ou menos 1.046 anos; de 1491 a 445 a.C, isto é, de Moisés a Esdras. A data 445 é apenas um ponto geral de referência cronológica quanto ao encerramento do cânon do Antigo Testamento. Se entrarmos em detalhes sobre o último livro do Antigo Testamento em ordem cronológica - Malaquias, teremos uma variação de espaço de tempo como veremos a seguir. O Pentateuco, como já vimos, foi iniciado cerca de 1491 a.C. Malaquias, o último livro do Antigo Testamento por ordem cronológica, foi escrito após 445, no final do governo de Neemias e do sacerdócio de Esdras. Ora, isto foi a partir de 432, quando Neemias regressou a Jerusalém, procedente da Pérsia, para onde tinha ido em 434, a fim de renovar sua licença (Ne 13.6). É a partir desse ano que Malaquias entra em cena. Quando ele escreveu, talvez Neemias não estivesse mais na Palestina, porque não o menciona em seu livro, como fazem Ageu e Zacarias, profetas seus antecessores, os quais mencionam Zorobabel e Josué, respectivamente, governador e sacerdote dos repatriados. (Ver Zacarias capítulos 3 e 4 e Ageu 1.1.)
Malaquias não menciona nominalmente Neemias, apenas menciona o "Governador" (Ml 1.9). O próprio livro de Malaquias apresenta outras evidências internas que o colocam de 432 em diante, como passamos a mostrar:
a. Em Malaquias 2.10-16, vê-se que os casamentos ilícitos que Esdras corrigira antes de Neemias, em 516 (Ed 9 e 10), estavam ocorrendo outra vez. Isto coincide com o estado descrito em Neemias 13, acontecido em 432.
b. Em Malaquias 3.6-12, havia pobreza no tesouro do templo. Situação idêntica à de Neemias 13, reinante em 432.
c. As referências de Malaquias 1.13; 2.17; 3.14, indicam que o culto levítico já havia sido restaurado há bastante tempo. Essa restauração temo-la ampliada em Neemias 12.44 ss.
Portanto, Malaquias deve ter sido escrito cerca de 432 a.C. Repetimos o que dissemos há pouco: a data 445 é apenas um ponto geral de referência quanto ao encerramento do cânon do Antigo Testamento. Foi esse o ano em que Esdras iniciou seu grande ministério entre os repatriados de Israel. Se descermos a detalhes quanto ao livro de Malaquias, partiremos de 432. Malaquias é o último livro do Antigo Testamento, quanto à ordem cronológica. Quanto à disposição dos livros no corpo do cânon hebraico, o último livro é 2 Crônicas, como já mostramos.
O Novo Testamento foi completado em menos de 100 anos, pois seu último livro, o Apocalipse, foi escrito cerca de 96 d.C. Isto é, dá um total de 1.142 anos para a formação de ambos os Testamentos (1.046 + 96). (Leve-se em conta que a cronologia bíblica é sempre aproximada, pois os povos orientais não tinham um sistema fixo de computação de datas.)
Quando se fala do espaço total de tempo, que vai da escrita do Pentateuco ao Apocalipse, é preciso intercalar os 400 anos do Período Interbíblico ocorrido entre os Testamentos, o que dará um total de 1.542 anos (1.046 + 96 + 400). Por isso se diz que a Bíblia foi escrita no espaço de 16 séculos. Este é o período no qual o cânon foi completado. Noutras palavras: o cânon abrange na História um total de 1542 anos, porém foi escrito em 1.142 anos, aproximadamente.
A BÍBLIA ATRAVÉS DOS SÉCULOS - ANTÔNIO GILBERTO - 15ª EDIÇÃO 2004 - CPAD
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"Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chega a Deus". (Hb 7.24a).




