sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

O QUE É UM LEVITA - Por André Rodrigues


Um Levita era como o próprio nome declara um descendente da tribo de Levi. A palavra Levi, deriva do heb., Associado. A definição de Claudionor é a seguinte: “Esta tribo foi escolhida por Deus para exercer o sacerdócio (Ml 2.4). Isto não significa, porém, que todo o levita fosse sacerdote. No entanto, todo sacerdote tinha de ser necessariamente um levita. Entre os filhos de Levi, o Senhor suscitou notáveis profetas como Jeremias, Ezequiel e Habacuque”.

A forma no verbo para designar cantar no hebraico é RÃNAN, que significa “cantar”, jubilar, bradar, chorar”, este ocorre cerca de 50 vezes no Antigo Testamento. SHÎR é também um verbo e por sua vez ocorre no Antigo Testamento 90 vezes, sendo um quarto deste percentual, encontra-se no Livro dos Salmos na forma de imperativo (Sl 96.1), este as vezes encontra-sem em harmonia com outro termo: ZÃMAR “cantar” (Sl 68.4,32). No substantivo, mantêm-se a expressão SHÎR que significa “cântico, canção” aparece cerca de 30 vezes nos títulos dos Salmos e em outras partes referindo-se ao canto alegre como por exemplo (Gn 31.27), referindo-se a canto triunfal em (Jz 5,12) e como aplicação a canto de adoração religiosa em (Ne 12.46). Na forma que cabe a abordagem do assunto em pauta a mesma palavra, agora no particípio SHÎR significa “cantores” estes como ministros, levitas. Aparece por cerca de 33 vezes derivando “cantores levíticos”, nos livros de I e II Crônicas. Com referência a “cantoras” são ligeiramente mencionados em (II Sm 19.35; II Cr 35.25; Ec 2.8). 
Já vimos que da tribo de Levi descendem os sacerdotes e os levitas, com isto Deus estabelece variadas funções para ambos. Deus chama os sacerdotes, em (Dt 33.8-10) aparece uma antiga descrição dessas tarefas a eles delegadas. Este texto refere-se à tribo de Levi, que havia revelado um zelo especial por Deus (Êx 32.26-29 conf.). Nesta realidade Deus convoca aos Levitas como ministros que fossem um exemplo e se tornassem líderes religiosos: 

• Deveriam ensinar a Lei de Deus aos demais israelitas. Nisto se incluíam, não apenas instruções éticas mais amplas (Os 4.1-6), mas também decisões sobre casos difíceis de natureza ritual e legal (Dt 17.8-12).

• Cuidavam também, dos lugares sagrados e santuários, onde eram oferecidos incenso e sacrifícios em favor do povo.

• Outra responsabilidade era o Urim e o Tumim, o meio oficial de se lançar sortes, levando a uma resposta de Deus em forma de “sim” ou “não”. O Urim e o Tumim ficavam no peitoral do sacerdote, e eram usados por solicitação de pessoas ou do rei (I Sm23.9-12; 28.6). (Manual Bíblico – SBB, p. 185).




domingo, 29 de novembro de 2015

30 DE NOVEMBRO - DIA DO TEÓLOGO

O teólogo vive incessantemente em busca das coisas pertencentes a Deus. Desfrutam da inerrante, infalível e inexorável Escritura Sagrada, com a intenção de uma melhor compreensão para o exercício de um ensino mais acurado, mais acentuado, mais próximo do real sentido, visando unicamente o crescimento da obra iniciada pelo Teólogo dos teólogos: O Senhor Jesus Cristo.
Parabéns a todos os amantes da rainha das ciências: a Teologia.
Parabéns a todos os Teólogos!
Segue um excelente texto que contextualiza o modus operandi da vida de um exímio teólogo - I Tm 4.6-16 (ARA)
6 Expondo estas coisas aos irmãos, serás bom ministro de Cristo Jesus, alimentado com as palavras da fé e da boa doutrina que tens seguido.
7 Mas rejeita as fábulas profanas e de velhas caducas. Exercita-te, pessoalmente, na piedade.
8 Pois o exercício físico para pouco é proveitoso, mas a piedade para tudo é proveitosa, porque tem a promessa da vida que agora é e da que há de ser.
9 Fiel é esta palavra e digna de inteira aceitação.
10 Ora, é para esse fim que labutamos e nos esforçamos sobremodo, porquanto temos posto a nossa esperança no Deus vivo, Salvador de todos os homens, especialmente dos fiéis.
11 Ordena e ensina estas coisas.
12 Ninguém despreze a tua mocidade; pelo contrário, torna-te padrão dos fiéis, na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza.
13 Até à minha chegada, aplica-te à leitura, à exortação, ao ensino.
14 Não te faças negligente para com o dom que há em ti, o qual te foi concedido mediante profecia, com a imposição das mãos do presbitério.
15 Medita estas coisas e nelas sê diligente, para que o teu progresso a todos seja manifesto.
16 Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres; porque, fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes.
#LeiaABíblia


quinta-feira, 23 de julho de 2015

O TRÍPLICE OFÍCIO DE CRISTO - Profeta, Sacerdote e Rei (Versão e-book)

Em 2011, publicamos pela Editora Nossa Livraria, o primeiro trabalho literário intitulado: O Tríplice Ofício de Cristo - Profeta, Sacerdote e Rei. Agora, se desejar possuir um exemplar em formato e-book, o livro está disponível no Amazon.com.br.
Trata-se de um livro totalmente cristológico, mostrando Jesus na atuação sublime dos ofícios relacionados a Ele próprio, intrínsecos em seu nome: Cristo (O ungido por excelência). O Único pelo qual pode-se atribuir tais ofícios: Profético, Sacerdotal e Régio.




quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

A CONSOLIDAÇÃO DA DOUTRINA NA TEOLOGIA HODIERNA - Por André Rodrigues






Nessa expectativa final, é importante dizermos que a doutrina do Tríplice Ofício de Cristo está presente entre os teólogos hodiernos[1]. Entretanto, ela é transmitida de maneira superficial[2], com sua importância menosprezada. No início, parecem ser unânimes no desenvolvimento introdutório do assunto, com poucas exceções. Berkhof e Hodge são semelhantes; Strong e Grudem parecem correlatos; Soares e Mueller partem do mesmo pressuposto: o destaque do múnus tríplex. Quanto à doutrina, Strong diz:


As Escrituras representam os ofícios de Cristo em número de três: profético, sacerdotal e real. Apesar de que estes termos derivam de relações humanas concretas, expressam idéias perfeitamente distintas. O profeta, o sacerdote e o rei do V.T., diferenciavam-se, mas designavam prefigurações daquele que devia combinar todas as variadas atividades em si mesmo, e forneceria a realidade ideal, da qual eram símbolos imperfeitos. (2003, p. 370).


 Soares denomina essa doutrina de “O Munus Triplex”. Assevera que se trata da doutrina dos três ofícios de Cristo: Profeta, Sacerdote e Rei (2008, p. 97, grifo do autor).  Ainda outros, referem-se a ela da mesma maneira.


 Grudem diz-nos:

Os três cargos mais importantes que poderiam existir para o povo de Israel no Antigo Testamento eram: o profeta (como Natã, 2Sm 7.2), o sacerdote (como Abiatar, ISm 30.7) e o rei (como Davi, 2Sm 5.3). esses três ofícios eram distintos. Os profetas falavam as palavras de Deus ao povo; o sacerdote oferecia sacrifícios, orações e louvores a Deus em favor do povo; e o rei governava o povo como representante de Deus. Esses três ofícios prefiguravam a própria obra de Cristo de várias maneiras (1999, p. 523, grifos do autor).


Pertence a Mueller a declaração abaixo:


A encarnação do Filho de Deus realizou-se para que se pudesse cumprir a obra da redenção determinada por Deus desde a antiguidade (Jo 17.4; 3.16; Mt 18.11; Lc 19.10; I Tm 1.15). A Confissão de Ausburgo[3] declara (Art. III): “O Verbo, isto é, o Filho de Deus se fez ser humano, nascido da bem-aventurada virgem Maria [...] para ser a oblação não só pela culpa original, mas, ao mesmo tempo por todos os demais pecados e assim nos reconciliar com o Pai”. Logo, tudo o que Cristo fez, no seu estado de humilhação como homem-Deus[4] (Lc 1.30,31; Mt 1,21,25; Lc 2.21), e o que ainda faz como tal, em seu estado de exaltação, pertence ao seu divino ofício ou obra. [...] Daí falarmos de um tríplice ofício de Cristo: a) o profético (munus propheticum), b) o sacerdotal (munus sacerdotales) e c) o real (múnus regium) O Messias foi, já no Antigo Testamento, descrito como divino Profeta, Sacerdote e Rei. Apesar de que os três ofícios jamais estiveram divididos ou separados em Cristo, perseveraremos nessa classificação que acabamos de fazer (múnus tríplex) para fins de maior clareza na apresentação da obra de Cristo (MUELLER, 2004, p. 295, 296, grifos do autor).   



Não se faz necessário expormos um a um de forma pormenorizada, pois isso seria por demais repetitivo. O importante é mostrar que a doutrina do Tríplice Ofício de Cristo está também presente na teologia de nossos dias.
Sem a exposição dessa doutrina acima, seria difícil compreendermos os ditames estabelecidos por Deus, visto que ela tem plena conexão com o conhecimento que possuímos da Palavra de Deus (profeta), da obra salvívica de Jesus (sacerdote) e de nosso futuro regido com perfeição eterna (rei). 






[1] Esequias Soares; Ciro Sanches Zibordi; Myer Pearlman; Eurico Bergstén; Oscar Cullman; e os reformados Wayne Grudem; Louis Berkhof; Charles Hodge; Robert Letham; Augusto Hopkins Strong; dentre outros.        

[2] Raro, um ou outro destes supracitados alonga-se em determinado ofício. Strong, por exemplo, se detém com brevidade acerca do ofício sacerdotal em detrimento dos outros (2003, p. 370ss).

[3] Andrade (2007, p. 109), afirma ser a declaração básica da fé luterana. Redigida por Felipe Melanchthon, foi apresentada à Dieta de Augusburg em 1530. Melanchton (1497-1560) foi um dos mais diretos colaboradores de Martinho Lutero (ANDRADE, 2007, p. 398).

[4] Do gr. tard. Theántropos (AURÉLIO).



Artigo extraído de: RODRIGUES, André. O Tríplice Ofício de Cristo: Profeta, Sacerdote e Rei. 2011, Editora Nossa Livraria - PE


sexta-feira, 24 de outubro de 2014

A CONSOLIDAÇÃO DA DOUTRINA DOS OFÍCIOS NA HISTÓRIA - Por André Rodrigues

Aqui, passaremos a desenvolver a ideia desses ofícios na história. Os reformados[1] costumam falar de três ofícios com relação à obra de Cristo[2]. Berkhof (2004, p. 327) diz-nos que “Calvino[3] foi o primeiro a reconhecer a importância de distinguir os três ofícios do Mediador e chamar a atenção para isto num capítulo específico das suas Instituta[4]”. Entretanto, não deixa de fazer menção de que os chamados primeiros Pais da Igreja ressaltavam esses diferentes ofícios na pessoa de Jesus[5]. Temos, por exemplo, o testemunho de Euzébio de Cesaréia, “Pai da História Eclesiástica (263-340) ‘que’ propôs-se a escrever desde os primórdios da Igreja Cristã até os seus dias” (ANDRADE, 2007, p. 382), o qual disserta sobre o conhecimento dos hebreus referente aos ofícios de Cristo desta forma:

Deve-se saber que, entre os hebreus, o nome de Cristo[6] não era ornamento apenas dos que estavam investidos do sumo sacerdócio e eram ungidos simbolicamente com óleo preparado, mas também dos reis, que eram ungidos pelos profetas por inspiração divina e faziam deles imagem de Cristo, pois efetivamente estes reis já levavam em si mesmos a imagem do poder real e soberano do único e verdadeiro Cristo, Verbo divino, que reina sobre todas as coisas. Além disso, a tradição nos faz saber igualmente que também alguns profetas foram convertidos em Cristo, figuradamente, por meio da unção com óleo, de forma que todos estes fazem referência ao verdadeiro Cristo, o Verbo divino e celestial, único sumo Sacerdote do universo, único rei de toda a criação e, entre os profetas, único sumo Profeta do Pai. Prova disto é que nenhum dos que antigamente foram ungidos simbolicamente: nem sacerdotes, nem reis, nem profetas, possuíam tão alto poder de virtude divina como está demonstrado que possuía Jesus, nosso Salvador e Senhor, o único e verdadeiro Cristo. (EUSÉBIO DE CESARÉIA, 2005, p. 23, grifo meu).


Essa pode ser uma das mais importantes declarações históricas a esse respeito. Retornando, porém, ao período da Reforma, diz-se que não era unânime a concepção dos três ofícios na pessoa de Jesus. Berkhof ressalta que nem todos os teólogos Luteranos[7] declaravam a existência dos três ofícios, mas distinguiam somente dois, fazendo uma junção do ofício profético ao sacerdotal. Contudo, a tríplice distinção consolidou-se como aceita no âmbito comum da teologia, mesmo não havendo concretização quanto à importância desses ofícios e quanto à relação mútua entre eles (2004, p. 327). Esse pensamento acerca do reconhecimento de apenas dois dos ofícios perdurou com os Socinianos[8].

Os Socinianos, na verdade, reconheciam só dois ofícios: Cristo agiu como profeta na terra, e age como rei no céu. Apesar de falarem também de Cristo como sacerdote, incluíam subordinadamente a Sua obra sacerdotal em Sua obra real e, portanto, não reconheciam o Seu saderdócio terreno. (IBIDEM).

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