quarta-feira, 9 de março de 2016

QUEM MATOU JESUS? (Hb. 5.7-9) - por André Rodrigues


"O qual, nos dias da sua carne, oferecendo, com grande clamor e lágrimas, orações e súplicas ao que o podia livrar da morte, foi ouvido quanto ao que temia. Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu. E, sendo ele consumado, veio a ser a causa da eterna salvação para todos os que lhe obedecem;"  (Hb. 5.7-9 ARCF)


Partindo do princípio do texto em apreço declarado pelo escritor aos Hebreus, é possível observar que Jesus Cristo cumpriu sua missão de maneira cabal, com obediência ilibada. Veio para esta missão e a executou integral e perfeitamente.

É de comum acordo que a conclusão ápice do cumprimento de sua obra, dar-se na culminância de sua morte vicária, substitutiva, ou seja, em nosso lugar. Nós quem deveríamos sofrer os agravos recaídos sobre o Mestre, entretanto, houve a disponibilidade do próprio Filho de Deus para esta ação, numa profunda demonstração de amor, morrendo em favor da humanidade perdida.

Mas, será possível contextualizar, realizando uma análise bíblica, e dizer dentre outros aspectos, sem a intenção de esgotar as possibilidades: quem matou Jesus? 

Sim é possível! E nesta perspectiva, num raciocínio pessoal, poderíamos dizer pelo menos quatros atitudes que culminaram na morte de Jesus. É óbvio que este feito estava previsto desde a fundação do mundo como ressalta João, na Ilha de Patmos, quando recebera do Espírito Santo, revelações concernentes aos últimos acontecimentos da humanidade (Ap. 13.8b). Porém, para fins de reflexão destacaremos as situações a seguir: 1- A inveja dos representantes espirituais da nação judaica; 2- A ganância de Judas; 3- A covardia de Pilatos; e por fim, 4- O pecado de todos nós.


 1- A INVEJA DOS REPRESENTANTES ESPIRITUAIS DA NAÇÃO JUDAICA - 


De maneira geral os judeus possuem um histórico que denigre sua imagem. A insubordinação e consequente desobediência está presente em boa parte de vossa história. No caso de inveja propriamente dito, não é diferente.

Há diferenças expressivas que coadunam com a realidade de que a vinda, a vida, o ministério e a atuação diferenciada em processos, na pessoa de Jesus, naturalmente viesse a ser causa de inveja nos representantes da nação. Destacaremos, dentre muitas, três destas. São elas: 

1.1 - JESUS ENSINAVA COM AUTORIDADE - Mt 7.28-29

Diferentemente dos escribas, fariseus, saduceus, sacerdotes de maneira geral que compunham a classe de representantes espirituais da nação, Jesus demonstra em seus ensinamentos de forma simples, porém contundente, que havia autoridade naquilo em que falava. 

De acordo com Mateus, percebemos a indagação dos primeiros ouvintes, logo em sequência de sua tentação, após a preparação e jejum de quarenta dias, quando o próprio dá início a uma série de mensagens, que ficariam conhecidas como o sermão da montanha. Estas mensagens vão desde o capítulo 5.1 até o capítulo 7.29. 
Logo em seguida da extensa explanação de Jesus, fica claro no entendimento e na menção escriturística de que as multidões se maravilharam de seus ensinos, conforme segue: 

"E aconteceu que, concluindo Jesus este discurso, a multidão se admirou da sua doutrina; Porquanto os ensinava como tendo autoridade; e não como os escribas".

Esta foi a causa primária, inaugural. Depois da exposição do sentimento das massas em reconhecer uma diferente e nova autoridade, caíra como ponto de partida para que seus corações viessem a produzir expressivamente o ardente desejo de inveja. 


Outro ponto, dentro desta expectativa a ser explorado é que:


1.2 - JESUS REALIZAVA PRODÍGIOS E MARAVILHAS - Jo 11.46-48

João, o evangelista, inicia o distinto livro, destinado à toda igreja, mostrando Jesus como o Verbo Encarnado (Jo 1.1-14). Após sua defesa prévia, exibe como embasamento, o testemunho de João Batista (Jo 1.15-34) e nos próximos versículos, destaca a chamada dos discípulos (potenciais testemunhas oculares) para um fortalecimento ainda maior do que se desejava alcançar com a escrita do referido evangelho (Jo 1.35-51).

No capítulo dois, João enfatiza o primeiro milagre realizado por Jesus: "Este sinal miraculoso, em Caná da Galiléia, foi o primeiro que Jesus realizou. Revelou assim a sua glória, e os seus discípulos creram nele" (Jo 2.11 - NVI). No decorrer de sua escrita, destaca diversas instruções dadas por Jesus e assegura inúmeros feitos miraculosos que coloca Jesus em posição de sui generi, diferenciada. Para tanto, ao término do evangelho que leva seu nome, afirma: "E ainda muitas outras coisas há que Jesus fez; as quais, se fossem escritas uma por uma, creio que nem ainda no mundo inteiro caberiam os livros que se escrevessem" (Jo 21.25 - ARIB). 


Todas estas manifestações incomodavam e muito aos representantes da nação judaica, que além de não aceitarem (mesmo vendo), procuravam ocasiões para pôr fim àquele problema que havia surgido inesperadamente. Por isso, deixando, por vezes as diferenças teológicas que os dividiam, uniram forças para acabar com a atuação do Mestre. Eles no íntimo sabiam que havia algo de diferente que pairava sobre Jesus, no entanto, movidos avidamente pelo sentimento de inveja e por medo da perca de poder e território, havia-lhes cegueira e não podiam perceber tamanho erro, mesmo sendo testemunhas dos feitos, dos acontecimentos e da fama que repousava sobre o Filho de Deus. 



Vejamos o texto supracitado: 



"Depois os principais dos sacerdotes e os fariseus formaram conselho, e diziam: Que faremos? porquanto este homem faz muitos sinais. Se o deixamos assim, todos crerão nele, e virão os romanos, e tirar-nos-ão o nosso lugar e a nação" (Jo 11.46,47 - ARCF).


Eles estavam tão cegos e desapercebidos que mesmo após uma breve, contudo, relevantes revelações não puderam perceber tamanha insanidade. Foram alertados pelo sumo sacerdote e mesmo assim continuaram com seus desígnios para matá-lo:


"E Caifás, um deles que era sumo sacerdote naquele ano, lhes disse: Vós nada sabeis,

nem considerais que nos convém que um homem morra pelo povo, e que não pereça toda a nação. Ora ele não disse isto de si mesmo, mas, sendo o sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus devia morrer pela nação. E não somente pela nação, mas também para reunir em um corpo os filhos de Deus que andavam dispersos.
Desde aquele dia, pois, consultavam-se para o matarem" (Jo 11.49-53 - ARCF - nosso grifo).

E, ainda, no mesmo contexto, assevera João: 

"Buscavam, pois, a Jesus, e diziam uns aos outros, estando no templo: Que vos parece? Não virá à festa? Ora, os principais dos sacerdotes e os fariseus tinham dado ordem para que, se alguém soubesse onde ele estava, o denunciasse, para o prenderem" (Jo 11.56-57 - ARCF).

As multidões acompanhavam a Jesus e seus discípulos. Muitos, por interesse. Mas, a continuidade daquela nova fase vivida por Israel logo atrairia conversos de todas as partes e eles, por sua vez, ficariam totalmente descredibilizados. 
Estavam tão possuídos de inveja que não conseguiam alegrar-se com os acontecimentos que chamavam atenção em escalas superiores. Todo este contexto, ocorrera por ocasião da ressuscitação de Lázaro, o amigo de Jesus.
Na ocasião em que o próprio Jesus volta à Betânia para visitar a Lázaro e consequentemente participar de uma ceia, diz-nos a Escritura que "[...] muita gente dos judeus soube que estava ali; e foram, não só por causa de Jesus, mas também para ver a Lázaro, a quem ressuscitara dos mortos. E os principais dos sacerdotes tomaram deliberação para matar também a Lázaro, por que muitos dos judeus, por causa dele, iam e criam em Jesus" (Jo 12.9-11 - ARC). Observem tamanha intenção dos representantes espirituais da nação, movidos unicamente pela inveja em detrimento dos bens que eram realizados desejavam não apenas acabar com a atuação de Jesus, mas se possível fora destruir definitivamente as provas que vinculavam tal atuação: "[...] tomaram deliberação para matar também a Lázaro" (Jo 12.10a). Sem perceber, agiam com assassinos. Eis o perigo da inveja.

1.3 - A INVEJA FEZ COM ELES O ENTREGASSE - Mt 27.11-18


Conscientes de seus malefícios e convictos de que Jesus deveria morrer, realizaram tudo o que foi necessário até conseguirem o vosso intento. Em Mateus, lê-se que mesmo sabendo da repercussão que desencadearia tomaram rumo em prosseguimento para a realização:

"Naquela ocasião os chefes dos sacerdotes e os líderes religioso do povo se reuniram no palácio do sumo sacerdote, cujo nome era Caifás, e juntos planejaram prender Jesus à traição e matá-loMas diziam: "Não durante a festa, para que não haja tumulto entre o povo"" (Mt 26.3,4 - NVI - nosso grifo). Nada poderiam detê-los. Estavam dispostos a passar por cima de qualquer prerrogativa que fosse para concluir com vossa maldade, senão, leiamos a narrativa bíblica:


"E foi Jesus apresentado ao presidente, e o presidente o interrogou, dizendo: És tu o Rei dos Judeus? E disse-lhe Jesus: Tu o dizes. E, sendo acusado pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos, nada respondeu. Disse-lhe então Pilatos: Não ouves quanto testificam contra ti? E nem uma palavra lhe respondeu, de sorte que o presidente estava muito maravilhado. Ora, por ocasião da festa, costumava o presidente soltar um preso, escolhendo o povo aquele que quisesse. E tinham então um preso bem conhecido, chamado Barrabás. Portanto, estando eles reunidos, disse-lhes Pilatos: Qual quereis que vos solte? Barrabás, ou Jesus, chamado Cristo? Porque sabia que por inveja o haviam entregado" (Mt 27.11-18 - ARCF - nosso grifo).



Não havia crime cometido por Jesus. Não havia indícios que o caracterizasse como malfeitor, mas mesmo assim, unicamente por inveja, preferiram Barrabás em detrimento de Jesus. Escolheram a soltura de um desordeiro e assassino confesso, ante ao Jesus que realizava o bem por onde passara. E, como se não bastasse, de igual modo, sendo por eles induzidos, todo o povo que acompanhava de perto a atuação de Jesus entrara na ideia de morte e como loucos pediam que ele fosse crucificado e como agravante, ensoberbecidos pelo movimento de inveja, clamavam sem perceber tamanha gravidade "[...] todo o povo, disse: O seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos. Então, soltou-lhes Barrabás e, tendo mandado açoitar a Jesus, entregou para ser crucificado" (Mt 27.25,26 - ARC).



A inveja dos representantes da nação judaica, foi um dos principais motivos para a prisão, o julgamento e consequente morte de crucificação de Nosso Senhor Jesus Cristo.



Outro ponto em consideração que se segue a esta realidade é: 



2- A GANÂNCIA DE JUDAS - 


Há um agravante em si tratando de Judas Iscariotes. Ele era um dos doze! Natural de Queriote, localidade de Moabe (cf. Jr 48.24). Distava a 20 Km ao sul de Hebrom. Foi, portanto, o único dos apóstolos que não fazia parte da região da Galiléia, visto que Queriote fazia parte da região da Judá. Mas, como todos os outros fora escolhido pelo próprio Jesus para compor o colégio apostólico. Durante quase todo o ministério de Jesus, desempenhou o papel de responsável pelas finanças, entretanto, possuía uma inclinação tendenciosa para o roubo.

É fácil afirmar que Judas:

2.1 - POSSUÍA UM CORAÇÃO AVARENTO - Mt 26.14-16


É interessante que sabendo o intento maligno dos representantes da nação em prender a Jesus, o apóstolo antecipa-se, tomando a iniciativa de procurar os principais para oferecer-lhes uma negociação quanto a entrega do Mestre, vejamos:



"Então, um dos Doze, chamado Judas Iscariotes, dirigiu-se aos chefes dos sacerdotes e lhes perguntou: "O que me darão se eu o entregar a vocês?" E eles lhe fixaram o preço: trinta moedas de prata. Desse momento em diante Judas passou a procurar uma oportunidade para entregá-lo" (Mt. 26.14-16 - NVI - nosso grifo).



Judas possuía um ardente desejo pela finança. Amava o dinheiro incondicionalmente. Foi capaz de ultrapassar todas as prerrogativas que repousava sobre os apóstolos para o trair, e sua traição consequentemente culminaria na morte. Mesmo que no primeiro instante não houvesse por parte de Judas a percepção de que os principais desejavam matá-lo, não havia motivos para o entregar. Ele o traiu desde o momento da intenção e conclusiva procura para a negociação. Vendeu-se por míseras trinta moedas. No ato da entrega, recebeu-as à vista o valor desprezível, que equivalia a um mês de trabalho de um simples empregado. Este é o duro preço da ganância, da avareza. Não se mede consequências em detrimento de ganho, seja qual porcentagem ou vantagem for.



Com esta ação infundada, desnecessária e sem pensar fez com que algo de muito pior acontecesse:


2.2 - PERMITIU QUE SATANÁS O CONDUZISSE - Lc 22.1-6


Jesus proferia suas últimas instruções as multidões antes da formulação do pacto da traição propriamente dita (cf. Lc 21.34-36). Aproximava-se a festa dos Pães Asmos, ou seja, a Páscoa. Todos que tinham a intenção de parar a Jesus, estavam atônitos e apreensivos para realizar de uma vez por toda vossa maledicência, mas repudiavam a ideia de possível alvoroço. Entendiam não ser interessante uma ação as claras, temendo retaliações. Nesta expectativa, as escondidas, Judas procura-os para acertarem com detalhes como seria a entrega. Neste instante, Lucas indaga na narrativa que: "Entrou, porém, Satanás em Judas" (v. 3a). Leiamos o texto:



"Estava, pois, perto a festa dos pães ázimos, chamada a páscoa.


E os principais dos sacerdotes, e os escribas, andavam procurando como o matariam; porque temiam o povo. Entrou, porém, Satanás em Judas, que tinha por sobrenome Iscariotes, o qual era do número dos doze. E foi, e falou com os principais dos sacerdotes, e com os capitães, de como lho entregaria;
Os quais se alegraram, e convieram em lhe dar dinheiro.
E ele concordou; e buscava oportunidade para lho entregar sem alvoroço" (Lc 22.1-6 - ARCF).


A avareza caracteriza-se como o pecado que permite com que a pessoa passe a não enxergar o mal que é capaz de executar e abre precedentes para uma forte e permanente atuação do maligno. O pecado da avareza destrói qualquer caráter formado, levando a pessoa de conduta coerente agir de maneira corrompida. 

Infelizmente, existem pessoas tendenciosas para este intento do mau. João, destaca no evangelho escrito por ele que Judas era ladrão. Ou seja, já dantes possuía uma conduta duvidosa, sem credibilidade.

Vejamos.

2.3 - JUDAS ERA LADRÃO - Jo 12.6

Como já falamos acima, ele era responsável pelas finanças. Pode-se afirmar, claramente que Judas era o tesoureiro do grupo de Jesus. Era ele quem organizava as finanças. Ele sabia quanto havia na bolsa. Tinha conhecimento da movimentação financeira que o cercavam. Porém, a conduta duvidosa de Judas foi observada especificamente em João (não nos sinópticos) na ocasião em que se encontravam na casa da família de Lázaro em Betânia, e Maria sua irmã "[...] tomando uma libra de bálsamo de nardo puro, de grande preço, ungiu os pés de Jesus, e os enxugou com os seus cabelos; e encheu-se a casa do cheiro do bálsamo. Mas Judas Iscariotes, um dos seus discípulos, aquele que o havia de trair disse: Por que não se vendeu este bálsamo por trezentos denários e não se deu aos pobres?" (Jo 12.3-5 - ARIB). Daí, percebeu-se, com evidência que Judas tinha uma conduta torpe, duvidosa. Vejamos: 

"Ele não falou isso por se interessar pelos pobres, mas porque era ladrão; sendo responsável pela bolsa de dinheiro, costumava tirar o que nela era colocado" (Jo 12.6 - NVI).


Notadamente percebe-se que a preocupação era não especificamente com os pobres, mas com o desperdício. Assim, aqui é revelado que ele possuía conduta corrupta, avarenta. Agindo, portanto, como ladrão: "[...] costumava tirar o que nela era colocado".



Como se observa, desde o início uma conduta duvidosa, personalidade distorcida, condução corrupta, Judas consegue concluir sua maldade entregando finalmente Jesus. Ele, portanto:



2.4 - REALIZA SEU INTENTO MALIGNO -  Mt 26.48,49



Todo o mau estava planejado, articulado. Havia inclusive um sinal específico para que os soldados e algozes percebessem após a execução quem era Jesus. Na ocasião da busca, o Mestre, juntamente com seus discípulos estavam no Getsêmani para as últimas orações e consequentes instruções aos seus discípulos, antes de sua iminente prisão.



Vejamos: 



"E, estando ele ainda a falar, eis que chegou Judas, um dos doze, e com ele grande multidão com espadas e varapaus, enviada pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos do povo. E o que o traía tinha-lhes dado um sinal, dizendo: O que eu beijar é esse; prendei-oE logo, aproximando-se de Jesus, disse: Eu te saúdo, Rabi; e beijou-o. Jesus, porém, lhe disse: Amigo, a que vieste? Então, aproximando-se eles, lançaram mão de Jesus, e o prenderam" (Mt 26.47-50 - ARCF - nosso grifo).


Judas teve por avareza, ganância, amor incondicional ao dinheiro a audácia, a inconsequência de entregar a Jesus que tanto bem fizera e que o mesmo as testificou de perto. Realizou seu intento maligno, porém obteve um final amargo de que é de conhecimento de todos: "Quando Judas, que o havia traído, viu que Jesus fora condenado, foi tomado de remorso e devolveu aos chefes dos sacerdotes e aos líderes religiosos as trinta moedas de prata. E disse: "Pequei, pois traí sangue inocente". E eles retrucaram: "Que nos importa? A responsabilidade é sua". Então Judas jogou o dinheiro dentro do templo, saindo, foi e enforcou-se" (Mt 27.3-5 - NVI). Judas, com seu pecado, atraiu para si próprio a condenação eterna.


Outro relevante ponto e conclusivo para a condenação e consequente morte de Jesus foi a covardia do que detinha o poder de libertar Jesus se assim o desejasse.

Neste ponto, encontraremos: 


3 - A COVARDIA DE PILATOS - 

Pilatos era uma autoridade. Na verdade, Pilatos era Governador romano da Judéia. Exerceu seu governo entre 26-36 d.C., o significado de seu nome, advindo do latin era: armado com um dardo. Pilatos governou durante o reinado de Tibério César (Cf. Mt 27.2 / Lc 3.1), era subordinado de César e fazia-lhe tudo o que agradara. Teve importante papel na condenação e principalmente na morte de Jesus, por que deixou de fazer uso de usa responsabilidade de maneira apartidária. Por alguns momentos de indagações direcionadas a Jesus (a sós) e pela pressão outorgada pelos representantes da nação e agora também da multidão, temeu. Por pouco não permitia que Jesus fosse entregue para crucificação, por entender não haver indícios suficientes para a crucificação. Bastava-lhe apenas açoites e já estaria de bom tamanho (pensava). No entanto, ao perceber a multidão juntamente com os representantes espirituais se voltarem a clamar veementemente pela crucificação de Jesus, e por medo de um agravio em seu governo (caso viesse a se desencadear a notícia de alvoroço e então chegasse até ao conhecimento de César), acabou por ceder as pressões e entregou-o a multidão para ser crucificado:

"Depois levaram Jesus da casa de Caifás para a audiência. E era pela manhã cedo. E não entraram na audiência, para não se contaminarem, mas poderem comer a páscoa. Então Pilatos saiu fora e disse-lhes: Que acusação trazeis contra este homem? Responderam, e disseram-lhe: Se este não fosse malfeitor, não to entregaríamos. Disse-lhes, pois, Pilatos: Levai-o vós, e julgai-o segundo a vossa lei. Disseram-lhe então os judeus: A nós não nos é lícito matar pessoa alguma. (Para que se cumprisse a palavra que Jesus tinha dito, significando de que morte havia de morrer). Tornou, pois, a entrar Pilatos na audiência, e chamou a Jesus, e disse-lhe: Tu és o Rei dos Judeus? Respondeu-lhe Jesus: Tu dizes isso de ti mesmo, ou disseram-to outros de mim? Pilatos respondeu: Porventura sou eu judeu? A tua nação e os principais dos sacerdotes entregaram-te a mim. Que fizeste? Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui. Disse-lhe, pois, Pilatos: Logo tu és rei? Jesus respondeu: Tu dizes que eu sou rei. Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz. Disse-lhe Pilatos: Que é a verdade? E, dizendo isto, tornou a ir ter com os judeus, e disse-lhes: Não acho nele crime algum. Mas vós tendes por costume que eu vos solte alguém pela páscoa. Quereis, pois, que vos solte o Rei dos Judeus? Então todos tornaram a clamar, dizendo: Este não, mas Barrabás. E Barrabás era um salteador" (Jo 18.28-40 - ARCF - nossos grifos).

Sequencialmente:


"Pilatos, pois, tomou então a Jesus, e o açoitou. E os soldados, tecendo uma coroa de espinhos, lha puseram sobre a cabeça, e lhe vestiram roupa de púrpura.


E diziam: Salve, Rei dos Judeus. E davam-lhe bofetadas. Então Pilatos saiu outra vez fora, e disse-lhes: Eis aqui vo-lo trago fora, para que saibais que não acho nele crime algum. Saiu, pois, Jesus fora, levando a coroa de espinhos e roupa de púrpura. E disse-lhes Pilatos: Eis aqui o homemVendo-o, pois, os principais dos sacerdotes e os servos, clamaram, dizendo: Crucifica-o, crucifica-o. Disse-lhes Pilatos: Tomai-o vós, e crucificai-o; porque eu nenhum crime acho nele. Responderam-lhe os judeus: Nós temos uma lei e, segundo a nossa lei, deve morrer, porque se fez Filho de Deus.
E Pilatos, quando ouviu esta palavra, mais atemorizado ficou. E entrou outra vez na audiência, e disse a Jesus: De onde és tu? Mas Jesus não lhe deu resposta. Disse-lhe, pois, Pilatos: Não me falas a mim? Não sabes tu que tenho poder para te crucificar e tenho poder para te soltar? Respondeu Jesus: Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado; mas aquele que me entregou a ti maior pecado tem. Desde então Pilatos procurava soltá-lo; mas os judeus clamavam, dizendo: Se soltas este, não és amigo de César; qualquer que se faz rei é contra César. Ouvindo, pois, Pilatos este dito, levou Jesus para fora, e assentou-se no tribunal, no lugar chamado Litóstrotos, e em hebraico Gabatá. E era a preparação da páscoa, e quase à hora sexta; e disse aos judeus: Eis aqui o vosso ReiMas eles bradaram: Tira, tira, crucifica-o. Disse-lhes Pilatos: Hei de crucificar o vosso Rei? Responderam os principais dos sacerdotes: Não temos rei, senão César. Então, consequentemente entregou-lho, para que fosse crucificado. E tomaram a Jesus, e o levaram" (Jo 19.1-16 - ARCF - nosso grifo).

Dois outros fatores que pesaram negativamente em sua decisão foram:

3.1 - RECEBER AVISO DE SUA MULHER - Mt 27.19

Pilatos contribui decisivamente para a crucificação de Jesus mesmo sendo avisado por sua esposa sobre o testemunho dado-lhe em revelação que se tratava de um homem justo:


"E, estando ele assentado no tribunal, sua mulher mandou-lhe dizer: Não entres na questão desse justo, porque num sonho muito sofri por causa dele" (Mt. 27.19 - ARCF).



3.2 - OMITIR SUA AUTORIDADE - Mt 27.23,24



Nisto, consequentemente, por medo de retaliações em seu mandato e que as notícias de alvoroço chegassem até a Tibério César, acabou por omitir sua autoridade, dando ouvido e permitindo a conclusão do pedido da turba:



"Pilatos, porém, disse: Pois que mal fez ele? Mas eles clamavam ainda mais: Seja crucificado. Ao ver Pilatos que nada conseguia, mas pelo contrário que o tumulto aumentava, mandando trazer água, lavou as mãos diante da multidão, dizendo: Sou inocente do sangue deste homem; seja isso lá convosco" (Mt. 27.23,24 - ARCF).



Mesmo pesando sobre si assassinatos (Cf. Lc 13.1), por certo este pesaria com maior intensidade. Pilatos, mesmo com atitude de lavar as mãos diante da multidão e afirmar ser inocente do sangue de Jesus, foi o principal desencadeador de sua morte.

Por último, na expectativa dos responsáveis pela morte de Jesus, encontra-se:

4 - O PECADO DE TODA A HUMANIDADE - 

Como explicitado no início desta reflexão é sabido que Jesus haveria de morrer. Esta verdade, portanto, é conhecida na revelação dada a João (Cf. Ap 13.8b) e noutros contextos, sobretudo nas profecias concernentes a vinda do Messias para trazer novamente o acesso do homem livremente à Deus, outrora perdido com a entrada do pecado cometido por àquele que possuía a representatividade perpétua para o restante da humanidade (Cf. Gn 3.15). Assim, como propósito inadiável, porém, na "plenitude dos tempos" (Cf. Gl 4.4), Jesus vem ao mundo para estabelecer por morte esta proeza. Mas, entendemos que para cumprimento inevitável desta morte, houveram estágios, nos quais (dentre outros) registramos os que foram citados acima. Agora, por fim, poderíamos afirmar que nós (toda humanidade) somos os maiores responsáveis pela morte de nosso Mestre.


A morte de Jesus foi:


4.1 - VATICINADA POR ISAÍAS - Is 53.1-6


No texto em apreço, escrito cerca de 700 anos antes da vinda de Cristo a este mundo, parece que o autor estava ao pé da cruz no momento da crucificação. O relato, vaticinado por Isaías e sem dúvidas, revelado pelo Espírito Santo, mostra com detalhe o propósito pelo qual Jesus se dispôs a vim ao mundo e ressalta expressamente nossa culpabilidade, claramente percebidas principalmente nos versículos 4 e 5 da narrativa, senão vejamos:



"Quem deu crédito à nossa pregação? e a quem se manifestou o braço do Senhor?
Pois foi crescendo como renovo perante ele, e como raiz que sai duma terra seca; não tinha formosura nem beleza; e quando olhávamos para ele, nenhuma beleza víamos, para que o desejássemos. Era desprezado, e rejeitado dos homens; homem de dores, e experimentado nos sofrimentos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum. Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e carregou com as nossas dores; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e esmagado por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós" (Is 53.1-6 - ARIB - nosso grifo).



Negar que unicamente por nós e para nós foi trazido Jesus ao mundo para morrer e morte de cruz, seria blasfemar contra o propósito de restauração calculado pelo conselho divino na eternidade. No entanto, "o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós" (v. 6). Somos, os maiores responsáveis pela morte de Jesus.


4.2 - NÓS O CONDUZIMOS AO LOCAL DE PRENSA DE ÓLEO - Mt 26.36-46 


Por nós, foi preciso que Jesus fosse conduzido ao Getsêmani, do gr..lagar de azeite. Local para onde Jesus costumava se retirar (Cf. Lc 22.39 / Jo 18.2). Era, portanto, um jardim situado à nascente de Jerusalém, logo após a travessia do Cedrom, aos pés do Monte das Oliveiras. Foi ali, no Getsêmani onde ocorrera a cena de sua agonia (Cf. Mt 26.36ss).



"Então chegou Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani, e disse a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto vou além orar. E, levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se muito.


Então lhes disse: A minha alma está cheia de tristeza até a morte; ficai aqui, e velai comigo. E, indo um pouco mais para diante, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres. E, voltando para os seus discípulos, achou-os adormecidos; e disse a Pedro: Então nem uma hora pudeste velar comigo?
Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca. E, indo segunda vez, orou, dizendo: Pai meu, se este cálice não pode passar de mim sem eu o beber, faça-se a tua vontade. E, voltando, achou-os outra vez adormecidos; porque os seus olhos estavam pesados. E, deixando-os de novo, foi orar pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras. Então chegou junto dos seus discípulos, e disse-lhes: Dormi agora, e repousai; eis que é chegada a hora, e o Filho do homem será entregue nas mãos dos pecadores. Levantai-vos, partamos; eis que é chegado o que me trai" (Mt 26.36-46 - ARCF - nosso grifo).



Jesus suplica ao Pai por três vezes veementemente quanto ao cálice que deveria passar. Estas palavras são registradas também em Marcos e Lucas, João, porém, trata de maneira geral (Cf. Mc 14.32-42 / Lc 22.39-46 / Jo 18.1-11). Lucas, como médico que era, registra magistralmente o tamanho da agonia sofrida pelo Senhor "[...] E, posto em agonia, orava mais intensamente. E o suor tornou-se em grandes gotas de sangue que corriam até o chão" (v.44 - ARC - nosso grifo). Aqui, obviamente não se trata do momento em que se aproximava, em que o mesmo deveria morrer. Para tanto, este foi o propósito para que veio. Mesmo sendo palco de inúmeras discussões é de comum acordo entre a maioria dos estudiosos que tratava absolutamente do momento de separação que seria inevitável nos momentos finais pré-morte, propriamente dita. Desta forma, conclui-se que por nós, Jesus passa por tamanha agonia e sofrimento e por instantes encontra resistência e ligeiro abandono por parte do Pai, uma vez que carregava todo o pecado da humanidade:



Diz-nos a narrativa:



"E perto da hora nona exclamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni; isto é, Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?" (Mt 27.46 - ARCF - nosso grifo).



Este momentâneo abandono deu-se como colocado acima. Tratava-se exclusivamente da carga depositada em Jesus no momento da crucificação. Ele carregava em si todas as enfermidades; todas as intempéries desta vida; toda a carga de pecado, de todos os homens, de todas as épocas, passadas e vindouras. E, sendo Deus Santo, não comunga com pecado e era, portanto, necessário que assim o fizesse. E assim o fez.



Então, em conclusão, fica claro que o propósito de sua vinda era inevitável. Mas, é importante salientar que esta proposta para ser cumprida haveria de ter alguns personagens que corroborariam nos moldes que fora previsto, para que se cumprisse de maneira cabal e absoluta. Fato é que Jesus morreu por toda a humanidade, para que tivéssemos novamente acesso ao Pai como no início, dentro dos parâmetros originais na presciência de Deus em relação ao homem.







BIBLIOGRAFIA - 



BOYER, Orlando. Pequena Enciclopédia Bíblica. Edição revisada e atualizada. 2ª impressão, 2006. Editora Vida - SP.



HALLEY, Henry Hampton. Manual Bíblico de Halley: Nova Versão Internacional (NVI) / (Tradução: Chown, Gordon), 2001. Editora Vida - SP.



McDONALD, William. Comentário Bíblico Popular. Editado com introduções de ArtFarstad, 2008. Editora Mundo Cristão - SP.



Bíblias nas versões: 

(www.bibliaonline.com.br)


Almeida Corrigida e Revisada Fiel - ACRF

Almeida Revisada Imprensa Bíblica - ARIB
Almeida Revista e Corrigida - ARC
Nova Versão Internacional - NVI  



















                      
 








sábado, 5 de março de 2016

JESUS, O ETERNO DESCENDENTE DE DAVI - Por André Rodrigues



Depois de tecermos comentários sobre os ofícios de Jesus como Profeta e Perfeito Sumo Sacerdote, falaremos, agora, sobre Seu ofício de Rei, o terceiro do tríplice ofício. Partiremos do pressuposto de sua atuação como Rei nos Evangelhos sinópticos, na implantação deste reino no início do Seu ministério, como também dos aspectos característicos dessa atuação durante Seu estado de humilhação, após a ascensão e, por último, no futuro reinado do Milênio. 
Como foi possível observar, havia diversas promessas que diziam respeito a um Rei, descendente da casa de Davi, que reinaria eternamente. Severa (1999, p. 241) cita que “os profetas do Antigo Testamento falaram de um rei que viria da casa de Davi, para governar Israel e as nações, com justiça, paz e prosperidade (Is 11.1-9)”. Este Rei é Jesus. Uma dessas muitas promessas é relatada pelo profeta Isaías: Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz; para que aumente o seu governo, e venha paz sem fim, sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer e o firmar mediante o juízo e a justiça, desde agora e para sempre. O zelo do SENHOR dos Exércitos fará isto (9.6,7, ARA, grifos meu).
Havia, no Novo Testamento, uma expectativa do advento desse Reino. Os judeus conheciam bem as profecias e esperavam ansiosos por um reino terreno político, com a esperança de poderem viver em constante gozo num perfeito reino prometido por Deus, em contraste com a forma que viviam naqueles dias,  subjugados pelos romanos e desgastados por reinos imperiais de outrora. Geisler corrobora, dizendo: O Novo Testamento contém esta mesma expectativa messiânica do Antigo Testamento de um reino terreno político literal que cumpra todas as profecias a seu respeito. Por exemplo, José de Arimatéia estava esperando o auge deste reino (Mc 15.43; Lc 23.51), e Jesus disse que João Batista morreu antes de se tornar parte dele (7.28; cf. 16.16) (2010, vol. 4, p. 880). 
Mesmo com a expectativa da chegada do referido Reino, os judeus, em sua maioria, nos dias de Jesus, não deram crédito as Suas palavras. Ainda hoje esperam o advento do Messias. Não conseguiram perceber que Seu Rei estava diante deles. É-nos dito, entretanto, que logo no início de seu ministério, após a prisão de seu precursor, João Batista, “Jesus seguiu para a região da Galiléia e ali anunciava a boa notícia que vem de Deus. Ele dizia: - Chegou a hora, e o Reino de Deus está perto” (Mc 1.14,15, NTLH). Assim, de acordo com Letham (2007, p. 56), Marcos assinala, na verdade, “a primeira proclamação de seu ministério”. Dessa forma, esse registro retrata a inauguração desse Reino:   [...] o reino de Deus era um tema muito importante para Jesus. Esse foi o coração da instrução pós-ressurreição que ele deu aos seus discípulos (At 1.3). Não que isso fosse algo extraordinariamente novo. Além do mais, quando Jesus começou seu ministério, ele o fez com a simples declaração da proximidade do reino de Deus. Tal mensagem pressupôs um entendimento do reino de Deus e de sua natureza. A coisa mais surpreendente sobre isso foi que o reino estava próximo e isso exigia arrependimento imediato de Israel. Esse tema estava presente, em certo sentido, no entendimento de Israel à época de Jesus. O contexto desse entendimento, muito provavelmente encontrava-se no próprio Antigo Testamento. Lembremo-nos da visão de Daniel sobre a sucessiva derrota de reinos humanos causado por uma pedra cortada sem o auxílio de mãos e que por sua vez tornou-se um reino que permanece para sempre (Dn 2. 31-45). Outra visão de Daniel é sobre o domínio eterno dado ao Filho do Homem (Dn 7.9-14). Ambas as visões referiam-se a circunstâncias futuras em relação aos dias de Daniel. Novamente uma expectativa vibrante desenvolveu-se no Antigo Testamento de que o próprio Yahweh viria para libertar o seu povo. Jesus estava, de fato, dizendo a Israel que esse tempo havia chegado (LETHAM, 2007, p. 56). Após o estabelecimento inicial de seu ministério, Jesus faz a convocação de doze homens, os quais iriam compor o colégio apostólico, cobre-lhes de instruções diversas, mostrando a natureza desse Reino, atrai para Si inúmeros outros discípulos, prega, cura, realiza milagres, alimenta multidões, quebra grilhões de endemoniados etc. Esses exemplos são encontrados em escala abundante nos quatro Evangelhos. Contudo, seu ministério não é  duradouro. Chega o tempo de Sua partida, afinal foi para isto que veio: morrer pela humanidade! Dessa forma: [...] Na presença de Pilatos, testificou que nasceu para ser rei; explicou que seu reino não era deste mundo, isto é, não seria um reino fundado por força humana, nem seria governado de acordo com os ideais humanos (Jo 18.36). Jesus, antes de sua morte, predisse sua vinda com poder e majestade para julgar as nações (Mt 25.31) (PEARLMAN, 2006, p. 172, 173).
De maneira teológica e sistemática, Mueller destaca características do ofício régio de Jesus nas proximidades de sua morte vicária, corroborando a última citação de Pearlman: Também em seu estado de humilhação, Cristo foi verdadeiro rei, que possuía e exercia o poder divino, não apenas segundo a sua natureza divina (de modo essencial), mas também segundo a sua natureza humana (por comunicação), [...] a Escritura atribui governo a Cristo encarnado (Is 9.6); realeza (Jo 18.37); poder divino (Mt 28.18), etc. [...] Todavia, nosso Salvador não exerceu o emprego perfeito e constante do domínio divino comunicado à natureza humana até a sua exaltação à direita de Deus. (Ef 1.20-23; 4.10; Fp 2.9-11) (2004, p. 306, grifo nosso). Com efeito, depois de Sua morte e ressurreição, recebeu do Pai a soberana exaltação e coroação de honra e glória, a restauração daquela glorificação que tinha antes da existência do mundo (Jo 17.5); foi feito Senhor e Cristo (At 2.36), Príncipe e Salvador (At 5.31), Juíz dos vivos e dos mortos (At 10.42); assentou-se à direita de Deus nos céus (Ef 1.10), tudo lhe foi entregue em suas mãos (Jo 3.35) e, por último, tornou-se o detentor de todo o poder no céu e na terra (Mt 28.18), (BERGSTÉN, 1999, p. 63). Segundo Hodge (2001, p. 931), “Cristo possui o que os teólogos costumam chamar de seu reino de poder. Como Teantropo e Mediador, foi entregue em sua mão todo o poder [...]”. Outro ponto a considerar é acentuado por Berkhof  (2004, p. 375) quando diz que, “na qualidade de Segunda Pessoa da Trindade Santa, o Filho eterno, Cristo naturalmente compartilha o domínio de Deus sobre todas as Suas criaturas [...] (Sl 103.19)”. Assim, Cristo, cheio de poder e considerado como o “REI DOS REIS e SENHOR DOS SENHORES” (Ap 19.16), está preparado para implantar, literalmente, o Seu Reino. “Porém, a plenitude desse ministério Jesus mostrará quando voltar ao mundo como Rei, para restaurar tudo que os profetas têm predito (cf. At 3.21)”. De acordo com Grudem (1999, p. 527), será de fato percebida essa autoridade sobre a Igreja e também sobre todo o universo “quando Jesus voltar à terra com poder e grande glória para reinar (Mt 26.64; 2Ts 1.7-10; Ap 19.11-16)”. Na oportunidade, “todo joelho se dobrará diante dele (Fp 2.10)”. Posteriormente, virá a implantação do perfeito reino Milenial: “Quando Cristo retornar, ele punirá o diabo e seus emissários e aprisionará Satanás (Ap 19.17-21; 20.1-6), e então reinará no Monte Sião (Jerusalém)”, (GEISLER, 2010, vol. 4, p. 949, grifo nosso). Andrade reúne informações de como será o Milênio e o perfeito reinado de Cristo: O Milênio terá início após a Grande Tribulação, entende-se claramente que será na terra, de acordo com as profecias, Jerusalém será a capital do Reino (Is 2.2,3; 60.1-3; 66.20; Mq 4.8-13). Cristo reinará, na Jerusalém terrena, haverá dois tipos distintos de residentes: os salvos, ou seja, a Igreja glorificada e os povos naturais. Os salvos transformados não estarão restritos unicamente a Jerusalém terrestre, uma vez que, o seu estado é de corpo glorificado. Os judeus salvos, os gentios absorvidos no julgamento das Nações, todos os sobreviventes da Grande Tribulação, além do povo nascido durante os mil anos, também estarão no milênio. Nestes, mil anos, o mundo realmente saberá o que significa a expressão “Paraíso na Terra”. Será mantido o livre-arbítrio, ou seja, as nações que participarem do milênio terão o direito de escolher se querem adorar ao Senhor ou não, com isso, haverá rebeldes, e assim significa dizer que o pecado não será totalmente aniquilado neste período. Com este direito de escolha, conclui-se que haverá naqueles dias, salvação em massa (Is 33.6; 62.1; Zc 8.13) (2009, pp. 539-543).
Concluímos, portanto, que Cristo, no Milênio, implantará definitivamente Seu Reino, agora só percebido parcialmente. Naqueles dias, será possível serem observados critérios de governo e liderança diferentes dos atuais, porque Cristo, sendo perfeito, reinará perfeitamente. Então se cumprirá, de uma vez por todas, essa gloriosa atuação do Eterno Descendente de Davi.
Depois das considerações acima quanto à manifestação dos Ofícios em Jesus, trataremos da consolidação dessa doutrina, com o objetivo de mostrar que não se trata de algo do passado, apenas presente nos dois Testamentos, mas que se reflete também na história e nos dias atuais.

RODRIGUES, André. O Tríplice Ofício de Cristo: Profeta, Sacerdote e Rei. 2011, Editora Nossa Livraria - PE



segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

ÉPOCA E LOCAL DA ESCRITA DAS EPÍSTOLAS PASTORAIS - Por André Rodrigues


Os movimentos de Paulo e de seus amigos, após a saída do encarceramento romano de Atos 28, são difíceis de se precisar. O melhor é usar a informação disponível e tentar reconstruir o itinerário mais simples. As palavras de Clemente de Roma, em 95 d.C, devem ser tomadas seriamente acerca de Paulo ter trabalhado na Espanha. Isto foi escrito cedo demais, após a morte de Paulo (dentro de trinta anos), para ter sido informação falsa e a igreja não contestá-la. Seja quanto tempo for que Paulo tenha trabalhado na Espanha, crê-se que não se trata de um trabalho permanente. A exiguidade da informação dada por Clemente é entendida pelo contexto da carta que ele escreveu; ele estava escrevendo acerca das mortes de Paulo e Pedro em Roma, não acerca de seus ministérios como tais. A informação contida nas Pastorais é esboçada e as tentativas de se fazer um itinerário preciso são fadadas ao fracasso. O que se sabe das Pastorais pode ser declarado: Paulo esteve em Creta, Éfeso, Trôade, Macedônia, Mileto, Corinto e Roma. O tempo envolvido seria de 60-61 d.C. até uma data desconhecida, após o incêndio de Roma, em 19 de julho de 64 d.C. Se Paulo foi à Espanha e não retornou em seus passos, a simples viagem seguinte poderia ser traçada geograficamente para se conformar ao material contido nas Pastorais. De Roma até a Espanha seria a primeira etapa. De lá, Paulo teria ido a Creta, onde trabalhou por um período de tempo indeterminado. Deixando Tito (Tt 1:5), Paulo foi para Éfeso. É possível que durante esse tempo ele tenha feito uma visita às igrejas no vale do Lico (Fm. 22). Deixando Timóteo em Éfeso (I Tm. 1:3), Paulo foi à Macedônia (provavelmente a Filipos). Enquanto esteve lá, escreveu I Timóteo e talvez Tito, embora seja mais provável que as tenha escrito de Corinto. Ele então teria ido a Trôade, deixando uma capa e alguns livros na casa de Carpo (II Tm. 4:13), para ir a Éfeso e Mileto, onde Trófimo adoeceu e ficou para trás (II Tm. 4:20), e depois para Corinto. Pensa-se que Paulo pode ter escrito a Tito durante essa época, pois planejava ir a Nicópolis para o inverno (Tt 3:12), mas não é certo se o fez. Quando ele deixou Corinto, Erasto ficou para trás (II Tm. 4:20). Em algum lugar Paulo foi preso, depois que a perseguição aos cristãos, conduzida por Nero, começou. Nero, para transferir a atenção de sua própria culpa no incêndio de Roma, culpou os cristãos. A perseguição, que imediatamente se iniciou, foi intensa, e Paulo foi arrastado nela. A prisão pode ter acontecido em Éfeso, explicando, desta forma, a origem da tradição acerca das ruínas de uma torre lá chamada "Prisão de Paulo". A prisão poderia ter ocorrido em Corinto. Ambas estas cidades eram bem zelosas em sua lealdade para com o culto ao imperador, cada uma tendo um templo e sacerdotes para promover a veneração ao imperador. Depois de sua prisão, Paulo teria apelado para Roma, com base no fato de ser um cidadão romano, e teria asseverado seu direito de ser ouvido em Roma. Chegando a Roma, Paulo tinha já tido sua primeira audiência perante o tribunal (II Tm. 4:11,16,21) e esperava ser condenado na segunda (II Tm. 4:6). Durante esse intervalo Paulo escreveu II Timóteo. O inverno mencionado em Tt 3:12 possivelmente seria o inverno de II Timóteo 4:21. Se assim for, é improvável que Paulo tenha ido a Nicópolis, como planejara. Se não é o mesmo inverno, a razão para enviar Tito à Dalmácia (II Tm. 4:10) estaria esclarecida. Uma tradição antiga afirma que Paulo morreu no ano do incêndio de Roma. Isto poderia significar, e provavelmente significa que ocorreu dentro do espaço de um ano. A tradição também afirma que Paulo foi decapitado fora de Roma, na Via Óstia, em 29 de junho. Isto mais provavelmente teria ocorrido no ano de 65 d.C.



BIBLIOGRAFIA


• Introdução ao estudo do Novo Testamento. Hale, Broadus David. Tradução de
Cláudio Vital de Souza. Rio de Janeiro, Junta de Educação
Religiosa e Publicações, JUERP-RJ 1983.

• O Novo Comentário da Bíblia. Editado e organizado pelo Prof. F. Davidson, MA, DD.
Colaboradores Rev. A. M. Stibbs, MA, DD Rev. E. F. Kevan, MTh. Editado em português pelo Rev. Dr. Russell P. Shedd, MA, BD, PhD. Edições Vida Nova-SP

• Bíblia de Estudo Pentecostal. Antigo e Novo Testamento, Traduzida em português por João Ferreira de Almeida, com referências e algumas variantes. Edição Revista e Corrigida, Ed.1995, Edições CPAD-RJ 2002.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

EVIDÊNCIAS INTERNAS DAS EPÍSTOLAS PASTORAIS - Por André Rodrigues


Muita parte do questionamento acerca da evidência externa é subjetiva e se torna dúvida e negação reais, devido a considerações e conclusões que surgem da evidência interna. Se devesse ser concluído de considerações internas que Paulo não poderia ter escrito as Pastorais, então, logicamente, o testemunho da igreja primitiva deve estar errado. Os críticos que encontram falha quanto à autoria paulina das Pastorais fazem-no com base em cinco considerações: 1) O cenário histórico; 2) a linguagem; 3) a teologia; 4) a eclesiologia; e 5) os ensinos heréticos a serem combatidos.

1. O Cenário Histórico — Uma das razões principais dadas para a rejeição da autoria paulina é que os lugares e muitas das pessoas mencionadas nas Pastorais não podem ser harmonizados com o que se conhece dos movimentos de Paulo, conforme vistos em Atos e nas outras cartas de Paulo. I Timóteo indica que Paulo, após ter trabalhado em Éfeso por algum tempo, deixou Timóteo (1:3) e foi para a Macedônia. Segundo Atos 19:22 e 20:1, Paulo permaneceu em Éfeso e enviou Timóteo, bem como Erasto, para a Macedônia. Após algum tempo, Paulo deixou Éfeso antes da volta de Timóteo, foi para Corinto, e lá Timóteo o encontrou. 

Como este é o único lugar, em Atos. acerca de um ministério em Éfeso, deve-se concluir que I Timóteo teve que ocorrer após Atos 28. Na Epístola a Tito, Paulo infere que trabalhou na ilha de Creta e deixara Tito quando foi para a Macedônia ou Acaia (1:5; 3:12). Ele pediu a Tito para encontrar-se com ele em Nicópolis, onde planejava passar o inverno. Nada existe em Atos ou nas cartas de Paulo acerca de um ministério em Creta. Ele passou por lá como prisioneiro, quando ia para Roma, proveniente de Cesaréia (At. 27:7-12), mas não teve nenhuma ocasião ou tempo para um ministério na ilha. Também Paulo — estando a caminho de Roma e os dois anos como prisioneiro lá — passou o inverno, que se seguiu à viagem, em Roma, e não em Nicópolis. Portanto, nenhum dos movimentos de Paulo, conforme apresentados em Tito, pode ser harmonizado com Atos. II Timóteo mostra Paulo como um prisioneiro em Roma, Trófimo deixado doente em Mileto (4:20), Tito na Dalmácia (4:10), Erasto como havia ficado em Corinto (4:20), e que os livros e a capa haviam sido deixados em Trôade (4:13). Timóteo deve chegar antes que o inverno comece (4:9,13). Nenhuma destas informações concorda com Atos. Isto não poderia ter sido durante o chamado primeiro encarceramento romano (o de Atos 28), porque, em II Timóteo 4:12, Paulo está enviando Tíquico a Éfeso, e, embora parecesse ser. Aquela ocasião de Colossenses 4:7, Timóteo estava com Paulo em Roma quando a carta Colossense foi escrita (Col. 1:1).

Como estes movimentos de Paulo não podem ser encaixados no quadro do seu ministério como ele é encontrado em Atos, uma de suas alternativas deve ser adotada. Ou Paulo não escreveu estas cartas, ou houve um ministério realizado por ele depois de Atos 28. A primeira posição foi adotada por muitos críticos modernos, porque eles não podem aceitar a tradição de uma soltura de Roma e um ulterior ministério, reprisão, e morte sob Nero. A segunda alternativa é a explicação tradicional acerca do cenário para as Pastorais: Paulo foi solto, escreveu I Timóteo e Tito, então sendo preso outra vez, escrevendo II Timóteo de Roma, pouco antes de sua morte.
Atos 28:30,31 dá a impressão de que Paulo foi solto da prisão. O tom dos sete últimos capítulos de Atos, bem como o tom de Filipenses (1:19, 25; 2:24) e Filemom (v. 22), dão a impressão de espera de liberdade. Em contraste, II Timóteo 4:6-8 não dá a mais ligeira esperança de libertação. Existe evidência patrística de que Paulo foi solto da prisão, embora os críticos, aqueles que negam a autenticidade destas cartas, não considerem isto. Em cerca de 95 d.C, Clemente de Roma, escrevendo somente trinta anos após a morte de Paulo em Roma, afirma que Paulo após instruir o mundo inteiro (o Império Romano) sobre a justiça, "e tendo ido até as extremidades do Ocidente, e tendo dado testemunho perante governadores", sofreu martírio em Roma (I Clemente 5). Embora as "extremidades do Ocidente" pudesse significar Roma para os que estavam na parte oriental do Império, isto só poderia significar Espanha para os que estavam em Roma, e Clemente escreveu de Roma, como um romano. O prólogo a Atos, no Fragmento Muratoriano, afirma que Lucas "omite a morte de Pedro e também a partida de Paulo da cidade, quando este partiu para a Espanha". Depois dessa época, não há dúvida, entre os escritores patrísticos, acerca da soltura de Paulo do encarceramento de Atos 28.
Um argumento usado pelos críticos, contra este peso de evidência patrística, é a completa falta de uma tradição na igreja hispânica de que Paulo trabalhou lá. Pode bem ser que Paulo não tenha passado muito tempo na Espanha. Das palavras de Paulo, nas epístolas da prisão, pode ser que, por causa do alarmante crescimento da heresia na província romana da Ásia, ou seu ministério na Espanha foi muito breve ou ele retornou ao Oriente sem ter ido à Espanha. O problema real não é esta ida à Espanha; o problema é se ele obteve sua liberdade e teve um ministério ulterior na parte oriental do Império. Se ele o teve, haveria tempo e oportunidade ampla para que os movimentos revelados nas Pastorais tivessem ocorrido antes de sua morte, após o incêndio em Roma, em 64 d.C.

2. A Linguagem — O argumento mais antigo e de maior peso contra a autenticidade das Pastorais é o da linguagem. Quanto ao estilo, as Pastorais não são argumentativas e são desprovidas do caráter ardente e quebrantado que é tão típico nos outros escritos de Paulo. Estas três cartas são simplesmente instrutivas; a atmosfera, tranquila e calma. Esta possibilidade poderia ser exatamente assim por causa da natureza e propósitos das cartas: ajudar seus associados mais jovens na obra do ministério e igrejas específicas, com problemas específicos. O estilo de Paulo era muito flexível e determinado pelo material do assunto, em muitas de suas cartas, incluindo as Pastorais.
É com o vocabulário, contudo, que tantos críticos tem problemas quanto à autoria paulina. As estatísticas tem muitas falhas, mas são impressivas para um linguista. P.N. Harrison (The Problem of the Pastoral Epistles — O Problema das Epístolas Pastorais, 1921) tem a mais capaz apresentação do problema de vocabulário, de acordo com as estatísticas. Há 902 palavras no texto crítico das Pastorais. Destas, cinquenta e quatro são nomes próprios. Das 848 restantes, 36% ou 306 não ocorrem em outras cartas paulinas. Cento e trinta e uma (destas 306) são encontradas em outros livros não-paulinos do Novo Testamento; mas, 175 não são encontradas alhures no Novo Testamento. Por outro lado, há 1.635 palavras nas outras cartas paulinas que não são encontradas nas Pastorais, 582 das quais não são encontradas alhures no Novo Testamento. Alega-se que a porcentagem de vocabulário especial para as Pastorais é alta demais em comparação com outras cartas de Paulo, e esta diferença no vocabulário, portanto, impede uma autoria paulina. É interessante observar-se, todavia, que das 848 palavras encontradas somente nas Pastorais, 278 ocorrem somente em I Timóteo, 96 somente em Tito, e 185 em II Timóteo. Estas três cartas partilham somente 289 do vocabulário especial. Se estas cartas não fossem tomadas como um grupo, cada uma seria negada como sendo do mesmo autor, da mesma forma que, tomadas como um grupo, elas são rejeitadas como paulinas. Contudo, o mesmo estilo corre através das Pastorais, e todos os críticos concordam que o mesmo autor escreveu todas as três.
Foram feitas tentativas para mostrar que o vocabulário representa a Igreja do final do primeiro século ou início do segundo. Alega-se que o autor revela sua época através de seu vocabulário, e, como este é o vocabulário de Clemente e Inácio e outros escritores do segundo século, o autor reuniu estas cartas durante o segundo século. É mais provável ser verdadeiro que este autor influenciou Clemente, Inácio e os outros escritores, em seu vocabulário, do que ter sido influenciado por eles. É observado que os 87% dos hapax legomena (termo técnico para palavras que aparecem somente uma vez) nas Pastorais são encontrados nas obras de Filo, e 80% na Septuaginta (LXX). Dos 175 hapax legomena, apenas noventa e dois foram encontrados nos escritores patrísticos. Por outro lado, todos, exceto vinte e oito, são conhecidos como de outros escritores, antes de 50 d.C. Simplesmente não pode ser substanciado que o vocabulário especial das Pastorais não estava em uso durante a época de Paulo.
Várias proposições foram dadas para explicar estas peculiaridades do vocabulário. Sugere-se que o assunto afeta o vocabulário usado. Isto também pode ser dito da pessoa, ou pessoas, a quem a carta foi escrita. Depois, há a atmosfera de onde se escreve, o ficar mais idoso, a passagem do tempo. Há também o cabedal sempre crescente de vocabulário, à medida que uma pessoa de tal inteligência como Paulo encontra novos termos, ao viajar de lugar a lugar. Há também a ser considerado o trabalho de um amanuense e a liberdade dada a ele na transcrição da carta. Estas são todas sugestões válidas para explicar as peculiaridades, mas talvez a maior destas é o assunto. Num estudo estatístico das cartas de Paulo, foi observado, e facilmente confirmado, que a maior parte dos hapax legomena de cada carta ocorre nas seções éticas ou práticas. As palavras que são consideradas "palavras paulinas" encontram-se normalmente nas partes teológicas, geralmente a primeira parte da carta. O todo das Pastorais é ético e prático; muito pouco é teológico. Ao comparar-se as Pastorais com seções não-ateológicas das outras cartas de Paulo, pode-se observar que a porcentagem dos hapax legomena é quase a mesma para cada carta. Nessas cartas práticas de Paulo, as Pastorais, há várias citações ou quase citações, materiais pré formulados, sobre os quais o escritor tem pouco controle de vocabulário. Estes ditos, hinos, provérbios e confissões tradicionais teriam palavras que necessariamente não seriam parte do vocabulário normal do escritor. O estilo e vocabulário próprios do autor não podem ser julgados por esta espécie de conteúdo.
Embora haja uma diferença no vocabulário entre as Pastorais e as outras cartas de Paulo, esta diferença não obsta necessariamente uma autoria paulina. Diferenças até maiores ocorrem entre as obras de outros escritores, e, se for concluído em bases vocabulares que Paulo não poderia ter escrito as Pastorais, deve ser dito, nas mesmas bases, que Cícero não poderia ter sido o autor dos livros sobre oratória, assim como daqueles sobre filosofia, nem Shakespeare ter escrito as tragédias e as comédias, as quais o mundo reconhece como obras-primas suas.

3. A Teologia — A objeção à autoria paulina em bases doutrinárias pode ser resumida nas palavras de James Denny: "São Paulo era inspirado, mas o escritor destas epístolas é às vezes apenas ortodoxo" (The Death of Christ — A Morte de Cristo, 1911). Paulo é criativo e propõe grandes doutrinas e contende por elas, ao passo que este escritor urge seus leitores a se firmarem "na fé". Muita parte da posição doutrinária de Paulo não é encontrada nas Pastorais. A ausência de ênfases paulinas — tais como a paternidade de Deus, a filiação de Jesus Cristo e a pequena atenção dada ao Espírito Santo — certamente deve indicar um escritor que não Paulo. O significado místico de "em Cristo", alega-se, e a antítese entre a lei e a fé, não são encontrados. A palavra "Salvador", usada tanto para Deus como para Jesus, não é tipicamente paulina, bem como o uso dos termos "fé", para simbolizar o conteúdo da crença cristã. Diz-se que toda esta diferença doutrinária só pode significar que Paulo não foi o autor das Pastorais. Há também o uso extensivo da palavra "piedade" (eusébia) nas Pastorais, que não se vê nas outras cartas de Paulo.
Mesmo os mais críticos dos que negam a autenticidade das Pastorais dificilmente negariam a base paulina da teologia nelas encontrada. Hans Windisch, há muito tempo atrás (Zur Christologie der Pastoral-briefe — À Cristologia das Cartas Pastorais, 1935), observou que a teologia das Pastorais não é pós-paulina, e, sim, pré-paulina. Deve ser observado que a maior parte das ideias doutrinárias é encontrada nas seções citadas. Paulo não estava escrevendo teologia; ele estava dando conselho prático. Paulo era um teólogo criativo (quando a ocasião o exigia), mas era primeiramente um apóstolo, e a necessidade de conservar o ensino apostólico era mais importante que a criatividade e a inovação. O meio mais eficaz para a conservação e propagação da mensagem cristã era através de declarações pré-formuladas: "sã doutrina" (I Tm. 1:10; II Tm. 4:3; Tt 1:9); "verdade" (I Tm. 2:4; II Tm. 4:4; Tito 1:1); "depósito" (I Tm. 6:20; II Tm. 2:23; Tito 1:3); "fé" (I Tim. 4:1; II Tim. 3:8; Tito 1:13). Igualmente, o uso destas declarações pré-formuladas teria sido muito mais provável em cartas dirigidas a associados íntimos do que a comunidades mistas (ver I Tm. 3:16). O ministério, tanto de Timóteo quanto de Tito, era assegurar a continuação da doutrina apostólica. A natureza conservadora do escritor das Pastorais encontra-se em acentuado contraste com a teologia "progressiva" e "criativa" de alguns dos escritores do segundo século, e mesmo daqueles a quem Paulo admoesta Timóteo e Tito a resistirem. Paulo estava exortando seus colegas mais jovens a promoverem somente aquilo que haviam recebido para satisfazer aos problemas que encontravam em suas respectivas igrejas.

4. A Eclesiologia — Uma vez que as Pastorais falam de bispos, anciãos e diáconos, presume-se que isto reflete uma data muito posterior, quando um alto grau de organização eclesiástica já se havia desenvolvido. Esta presunção é uma consequência da teoria (de F.C. Baur) de que Paulo não tinha interesse na estrutura organizacional da igreja. Há, contudo, evidência, em Atos, de que Paulo estava muito interessado na ordem na igreja. Atos 14:23 é explícito acerca deste interesse, ao mostrar a designação dos "anciãos" (presbúteroi). Este ofício foi moldado na forma dos líderes da sinagoga, onde os anciãos tinham o cuidado e a responsabilidade do trabalho e do culto. Atos 20:17 mostra Paulo mandando chamar os anciãos da igreja em Éfeso. Aparentemente, Paulo havia participado na escolha deles, para o ofício, antes de partir de Éfeso para a Macedônia e Corinto. Em I Tessalonicenses 5:12, as palavras "os que presidem sobre vós" poderiam referir-se a algum tipo de estrutura organizacional daquela época primitiva.
A amplitude da organização nas Pastorais pode ser facilmente exagerada. A menção de "bispos" e "diáconos" é encontrada em Filipenses 1:1, e Paulo se refere aos anciãos de Éfeso (At. 20:17) como "bispos" (epískopoi) em Atos 20:28. O termo presbúteros é usado nas Pastorais de maneira não-técnica ("homens mais idosos" em I Tm. 5:1,17,19), bem como no sentido técnico (Tt 1:5). O bispo monárquico do segundo século não é retratado nas Pastorais. O ministério do "bispo", nas Pastorais, não é essencialmente diferente do dos outros escritos neotestamentários. É infundada a afirmação de que Timóteo e Tito, porque tem o poder de designar anciãos (I Tim. 5:19; Tito 1:5) e exercer controle sobre a igreja, são o tipo de bispos do segundo século. Eles são representantes pessoais de um apóstolo deixado para trás, para completar a obra que Paulo havia iniciado. A escolha de pessoas para os ofícios é ainda o ministério do profeta (I Tm. 4:14), conforme visto antes em Atos 13:2. A imposição das mãos na ordenação (I Tm. 4:14; 5:22; II Tm. 1:6) está relacionada à tarefa da missão (At. 13:3; 14:23). Um dos resultados da descoberta dos Rolos do Mar Morto é a revelação de que a comunidade essênia escolhia "supervisores" (epíscopoi) para realizar quase o mesmo trabalho dos da igreja cristã e das sinagogas judaicas espalhadas através do mundo daqueles dias. E esta era a prática muito antes de 70 d.C.
Deve-se concluir que a evidência nas Pastorais não exibe uma eclesiologia avançada. Lá está revelada a preocupação de Paulo de que o trabalho da igreja deverá ser realizado de maneira ordenada.

5. Os Ensinos Heréticos. As Objeções à autoria paulina, nestas bases, recebem menos importância, da parte dos críticos antipaulinos modernos, do que dos mais antigos. Este é outro resultado da descoberta e edição dos Documentos do Mar Morto. Reconhece-se, agora, que a heresia das Pastorais não pode ser o gnosticismo desenvolvido do segundo século ou o marcionismo. A citação de Policarpo, de I Timóteo, obstaria a polêmica anti-Marcião como sendo um propósito deste autor. O gnosticismo do segundo século simplesmente não está presente nestas cartas. Os falsos ensinos têm uma natureza judaica muito decidida, e, no máximo, seria um judaísmo gnosticizado, em oposição ao trabalho dos missionários cristãos entre os gentios. Reconhece-se que a heresia não pode ser muito diferente da de Colossenses, embora a ênfase, nas Pastorais, pareça ser mais estritamente judaica. Há brechas causadas por argumento interminável da lei (Tito 3:9; cf. I Tm. 6:4; II Tm. 2:14-23) e genealogias (I Tm. 1:4). Os ensinos incluíam domínios, proibição de certos alimentos e do casamento (I Tim. 4:1-3) e a crença de que a ressurreição já era passada (II Tim. 2:18). Isto tudo tem paralelos no judaísmo pré-cristão. A base gnóstica para a negação da ressurreição não é encontrada aqui; a interpretação de II Tm. 2:18 é mais provavelmente uma observação da fórmula batismal paulina (Rm. 6:4; Col. 2:12; 3:1-4). A estrutura gnóstica de uma cristologia docética não está presente em nenhuma parte nas Pastorais. Mais e mais, à medida que são feitas novas descobertas de documentos escritos por volta da época do início da era cristã, está sendo reconhecido que as raízes da heresia gnóstica remontam ao século pré-cristão. O gnosticismo é uma amalgamação de muitas crenças, incluindo ideias do judaísmo. O primeiro século foi uma época de solidificação daquilo que se tornou uma doutrina definida pelo fim do primeiro século e metade do segundo. As Pastorais refletem ensinos judaicos que até certo ponto se tornaram helenizados. Que os ensinos estavam em oposição à missão aos gentios está prontamente óbvio através das Pastorais; que elas são mais que judaísmo helenizado não pode ser sustentado. A heresia mostrada nestas cartas é quase aquela com que Paulo se confrontava sempre que entrava em contato com oposição liberada por judeus helenizados da diáspora.

Conclusão — Foi mostrado que a autoria paulina não deve ser rejeitada por causa de problemas externos ou internos. Os argumentos para refutar a autenticidade estão longe de serem conclusivos. São suficientemente atrativos para assegurar que muitos eruditos críticos continuarão a propô-los de uma forma ou outra. Mesmo a conclusão, feita por alguns, de que as Pastorais contem porções de materiais paulinos autênticos, assimilados e expandidos por um paulinista do final do primeiro século ou princípio do segundo (i.e., II Tm. 1:16-18; 3:10,11; 4:1,2, 5-22; Tt 3:12-15) não pode ser substanciada. É interessante observar que, sempre que são encontrados materiais favoráveis à autoria paulina, estas passagens são ditas serem fragmentos de outros documentos conhecidos ou perdidos; que os outros materiais são da mão de um compilador! Mas há coisa demais que um paulinista deixa fora, que seria de muita ajuda durante a época das perseguições e disputa sobre doutrina, e ele certamente teria tido o cuidado de mencionar a viagem à Espanha depois da saída da prisão. Contudo, o maior argumento contra a autoria de um paulinista é o cuidado que a igreja primitiva teve em selecionar seus documentos. Ela estava preocupada com a verdade histórica, e estas cartas afirmam que elas foram escritas por Paulo. A história da igreja, nos primeiros séculos, mostra a natureza exigente da igreja para com a verdade. Escrever em nome de outro é algo que a igreja não poderia e não iria tolerar. O oficial da igreja romana que escreveu "Os Atos de Paulo" no nome de Paulo não somente foi removido do ofício, mas também excluído da igreja! Tal era a importância que a igreja dava à veracidade acerca do testemunho apostólico, segundo Tertuliano.
É afirmado neste livro que o estudante do Novo Testamento não deve ter nenhuma hesitação em crer no versículo introdutório de cada uma destas três cartas que têm o nome "Paulo" como o autor. Paulo escreveu estas cartas, e elas podem ser usadas com confiança, como sustentando a verdade.




BIBLIOGRAFIA

• Introdução ao estudo do Novo Testamento. Hale, Broadus David. Tradução de
Cláudio Vital de Souza. Rio de Janeiro, Junta de Educação
Religiosa e Publicações, JUERP-RJ 1983.

• O Novo Comentário da Bíblia. Editado e organizado pelo Prof. F. Davidson, MA, DD.
Colaboradores Rev. A. M. Stibbs, MA, DD Rev. E. F. Kevan, MTh. Editado em português pelo Rev. Dr. Russell P. Shedd, MA, BD, PhD. Edições Vida Nova-SP

• Bíblia de Estudo Pentecostal. Antigo e Novo Testamento, Traduzida em português por João Ferreira de Almeida, com referências e algumas variantes. Edição Revista e Corrigida, Ed.1995, Edições CPAD-RJ 2002.


terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

EVIDÊNCIAS EXTERNAS DAS EPÍSTOLAS PASTORAIS - Por André Rodrigues


Se a autenticidade fosse decidida somente em bases externas, não haveria nenhuma dúvida acerca da autoria paulina. Há traços destas cartas em Clemente de Roma e Inácio, mas nenhuma citação direta. Há várias palavras e locuções comuns às Pastorais e aos escritos de Clemente e Inácio. Os críticos que atribuem estas cartas a um paulinista do início do segundo século afirmam que o compilador tomou emprestado de Clemente! Policarpo mostra conhecimento mais aguçado das Pastorais e parece citar diretamente delas. Há alusões em Justino Mártir e Heracles, e Irineu indicou diretamente que estas foram cartas de Paulo. Pela época do final do segundo século, as Pastorais eram largamente conhecidas e aceitas como sendo de Paulo. Os traços da circulação das Pastorais na igreja antes da época de Marcião são mais claros que os que podem ser encontrados para Romanos e II Coríntios. Estas três cartas estão incluídas na lista das cartas paulinas, conforme apresentadas no Fragmento Muratoriano. Os que se opõem à autoria paulina das Pastorais em bases externas fazem isto por duas razões: 1) Elas não aparecem no cânon de Marcião; 2) elas estão ausentes do mais antigo manuscrito grego existente das cartas paulinas, o p46. Alega-se que as dez cartas paulinas contidas na lista de Marcião indicam que ele não soube da existência destas outras três. Diz-se que estas não estiveram em circulação o suficiente cedo para Marcião incluí-las em seu cânon; que elas foram escritas durante o segundo século, no grande debate contra a heresia de Marcião. Contudo, Tertuliano, em sua polêmica contra Marcião, afirmou que foi por esta razão que Marcião rejeitou três dos Evangelhos, mutilou o terceiro Evangelho, para satisfazer aos seus critérios, mutilou algumas das cartas de Paulo (principalmente Romanos) e rejeitou as cartas que conhecemos como as Pastorais. Esta seleção foi feita em bases doutrinárias, e há materiais, nestas cartas (i.e., I Tm. 1:8; 6:20; II Tm. 3:16; etc), que estão em desacordo com os conceitos básicos de Marcião. Deve ser lembrado também que os cristãos ortodoxos do segundo e terceiro séculos aceitaram estas Pastorais como genuínas. Por que deveria ser dado mais peso a uma lista de um conhecido herege do que àqueles que estão na corrente principal do cristianismo? A ausência das Pastorais (e Filemom), no p46, é também citada como prova para negar-se a autoria paulina. Contudo, se assim fosse, muito do Novo Testamento seria rejeitado também. Os papiros de Chester Beatty contem fragmentos de um códice dos Evangelhos p46, quase tudo de um códice contendo as cartas de Paulo p46 e fragmentos de outro códice do Apocalipse P47. Concluir-se que somente os livros representados nestes papiros são autênticos seria por em risco todos os que não aparecem. Igualmente, é observado que faltam, no códice existente, denominado P46, a primeira e a última páginas. Estimou-se que pelo menos sete das últimas páginas estão faltando. Pode-se ver que o copista estava começando a aglomerar suas cartas nas últimas páginas existentes, e, assim, dando a impressão de que estava tentando colocar todo o material paulino restante dentro do códice. Normalmente se tomaria nove páginas para as Pastorais e Filemom, mas com a aglomeração de cartas isto poderia ser feito em sete páginas. Deve ser também lembrado que estes papiros foram produzidos em Alexandria, e, os escritores patrísticos de Alexandria, todos reconhecem, sem dúvida, a autenticidade destas quatro cartas ausentes de Paulo. Clemente de Alexandria e seus discípulos aceitaram estas como autênticas muito antes de o P46 ter sido escrito. Portanto, rejeitar-se a autenticidade em bases externas é uma conjetura subjetiva, que deve ser abandonada por qualquer observador honesto.



BIBLIOGRAFIA


Introdução ao estudo do Novo Testamento. Hale, Broadus David. Tradução de
Cláudio Vital de Souza. Rio de Janeiro, Junta de Educação
Religiosa e Publicações, JUERP-RJ 1983.

O Novo Comentário da Bíblia. Editado e organizado pelo Prof. F. Davidson, MA, DD.
Colaboradores Rev. A. M. Stibbs, MA, DD Rev. E. F. Kevan, MTh. Editado em português pelo Rev. Dr. Russell P. Shedd, MA, BD, PhD. Edições Vida Nova-SP

Bíblia de Estudo Pentecostal. Antigo e Novo Testamento, Traduzida em português por João Ferreira de Almeida, com referências e algumas variantes. Edição Revista e Corrigida, Ed.1995, Edições CPAD-RJ 2002.

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