INTRODUÇÃO
O evangelho que ocupa o último lugar entre os canônicos, é sem dúvida o mais sublime. Abrange em seu conteúdo abordagens devocionais e teológicas profundas. Tinha como prioridade advogar Jesus com verdadeiro Deus em função das muitas heresias surgidas naqueles dias e consegue ainda complementar os outros evangelhos fazendo abordagens diferenciadas acerca da identidade do Mestre.
Broadus David Hale em Introdução ao Estudo do Novo Testamento diz:“Nenhum outro livro levou tantas pessoas a Cristo e inspirou tantos a segui-lo e servi-lo”. Assim, dentro de nossas limitações, tentaremos expor com mais profundidade informações exegéticas em volta deste evangelho.
INFORMAÇÕES GERAIS
AUTOR –
A maioria dos estudiosos apontam o Apóstolo João como sendo o escritor do evangelho que leva seu nome, entretanto, há alguns que discordam e alegam outros personagens. Apresentaremos a seguir algumas citações a este respeito: David Hale, diz que a escola européia rejeita a idéia de que o filho de Zebedeu foi o autor, como afirma a tradição. Alguns supõem que o apóstolo encontra-se nos bastidores, mas não é o autor direto. . Outros diriam que certo João, o ancião, que viveu em Éfeso no final do primeiro século, escreveu esse livro. Outros nomes foram sugeridos, entre os quais estão João Marcos, Lázaro e até mesmo um João desconhecido, que foi um dos discípulos de Jesus que vivia em Jerusalém e era conhecido do sumo sacerdote. Já Os estudiosos conservadores, da Europa e das Américas, mantêm que há evidência suficiente para dizer-se, com alguma certeza, que João, o filho de Zebedeu, foi o autor. Alguns concederiam que João tenha usado um amanuense para a composição real, mas que João está por trás da obra, assim como outros o fizeram, por exemplo, Tércio foi o escriba de Paulo para Rm. 16.22 e Silvano para Pedro, I Pe 5.12.
A Bíblia de Estudo NTLH, declara que uma tradição muito antiga afirma que o discípulo a quem Jesus amava é o mesmo que viu o soldado romano furar o lado de Jesus com a sua lança. E na nota final do livro diz-se que ele é o discípulo que escreveu as coisas que viu Jo.21.24. E desde o segundo século este discípulo tem sido identificado como João, filho de Zebedeu. Finis Jennings Dake, em sua Bíblia afirma que o autor foi João, o discípulo amado, que era um apóstolo e meio irmão de Tiago. O Manual Bíblico SBB, diz que na igreja primitiva acreditava-se que o apóstolo João, já idoso, escreveu ou ditou o evangelho em Éfeso. F. Davidson diz que é geralmente aceito que o autor do evangelho foi um judeu que viveu na Palestina, entretanto, muitos comentaristas não o identificam com João, o apóstolo. Porém, há convincentes provas de que ele é o autor deste evangelho. Admite-se que o evangelho tenha sido escrito por uma testemunha ocular. O discípulo a quem Jesus amava e que estava presente a última ceia e, finalmente, a crucificação e ao túmulo vazio, é o mesmo “que dá testemunho destas coisas” Jo 21.24. Estes fatos a respeito desta testemunha defendem a autoria de João, o apóstolo. David Alan Black declara que não há sérias razões para rejeitar a autoria deste evangelho delegado a João, o filho de Zebedeu, o apóstolo e o discípulo amado, como também afirma a tradição. Donald Stamps na BEP nos informa que o autor identifica-se indiretamente como o discípulo “a quem Jesus amava”. O testemunho dos primórdios do cristianismo, bem como a evidência interna deste evangelho, evidenciam João, o filho de Zebedeu, como o autor. João foi um dos doze apóstolos originais de Cristo, e também um dos três mais chegados a Ele. Segundo testemunhos muito antigos, os presbíteros da igreja da Ásia Menor pediram ao venerável ancião e apóstolo João, residente em Éfeso, que escrevesse este “Evangelho Espiritual” para contestar e refutar uma perigosa heresia concernente à natureza, pessoa e deidade de Jesus, propagada por um certo judeu de nome Cerinto.
Além destes estudiosos modernos temos ainda algumas citações de notáveis Pais da Igreja, como por exemplo: Dionísio de Alexandria, em uma ocasião buscou um autor distinto para o livro de Apocalipse, por causa da influência dos quiliastas no Egito, mas ele nunca questionou se João era ou não o autor do quarto evangelho, algo impensável para ele. Orígenes também dá testemunho alegando que João foi o último evangelista a compor um evangelho, conforme a tradição da igreja. Clemente de Alexandria, o mestre de Orígenes deixa claro que a “tradição dos primeiros Pais da Igreja” considerava o apóstolo João, o último dos evangelistas, “cheio do Espírito Santo, que escrevera um evangelho espiritual”. Irineu de Lião ligado a era apostólica por intermédio de seu mestre, Policarpo, discípulo do apóstolo João, em seus escritos tinha o prazer de fazer citações de versículos do quarto evangelho, fez isso pelo menos cem vezes e sempre acompanhado da afirmação “Como João, o discípulo do Senhor, diz”. Irineu, comentando a composição do quarto evangelho declara enfaticamente que João era o autor, ele diz: “Posteriormente, João, o discípulo do Senhor, que deitou sua cabeça sobre o peito dele, também escreveu um evangelho quando residia em Éfeso na Ásia”. E ainda na igreja de Roma havia a mesma opinião quanto a autoria do evangelho.
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DATA –
Como é comum o desacordo da cronologia bíblica, aqui também não é diferente. Existem diversas especulações quanto a data de sua composição, tornando assim difícil a fixação de modo preciso de quando o evangelho foi escrito. Um ponto a observar é que a maioria dos estudiosos concordam que o evangelho foi escrito depois dos sinópticos. Shedd relata que “os eruditos conservadores situam-no depois da escrita dos outros evangelhos, ou seja, algum tempo entre 69 d.C. (antes da queda de Jerusalém) e 90 d.C.” (Bíblia Shedd, pg. 1482). As opiniões de outros variam apenas se foi antes ou depois da queda, entretanto, concordam que não seja provável que houvesse sido escrito depois do ano 90 d.C. Frank Charles Thompson concorda que a data é incerta mas coloca uma probabilidade para a última parte do primeiro século. O comentarista Mathew Henry faz uma breve declaração dizendo: “A história narra que depois da morte da mãe de Cristo, João viveu principalmente em Éfeso, onde se crê que escreveu seu evangelho e as epístolas, por volta do 97 d.C., e morreu pouco depois”.(Comentário Bíblico Novo Testamento, Mathew Henry, pg. 96). O renomado pesquisador David Alan Black, afirma que o evangelho foi composto na última década do século I, e diferente das opiniões acima, diz que a composição do evangelho se deu mais precisamente em 96 ou um dos anos subsequentes, David lança pelo menos três pontos para assegurar este pressuposto. Primeiro, o quarto evangelho foi composto depois dos sinópticos, como já dissemos, opinião unânime. Segundo, foi escrito após a morte de Pedro, pois o último capítulo faz conjecturas sobre a morte deste apóstolo e em terceiro lugar, ele foi escrito após a destruição do templo, pois o evangelista parece indicar que o fim para a cidade e para o povo como nação já ocorrera.
É interessante uma nota existente na Pequena Enciclopédia de Orlando Boyer que diz: “Descobriu-se na biblioteca John Ryland em Manchester, entre papiros adquiridos em 1920 no Egito pelo falecido professor Bernard Greenfall, uma folha contendo, de um lado, os versículos 31-33, do capítulo XVIII do Evangelho Segundo São João, e no verso, os versículos 37-38. Este fragmento de códex proviria de Oxyrhynchus (Benhesa), no Alto Egito.
A importância do achado está em que o fragmento data da primeira metade do segundo século, portanto anterior a tudo quanto se havia identificado até aqui, e demonstra que o Evangelho Segundo São João se achava em circulação nesta data, o que destrói a opinião de que ele era muito posterior aos Sinóticos”. (Transcrito da revista A Bíblia no Brasil; edição junho-dezembro de 1964 - PEOB, pg.374).
Esta mesma citação, em outras palavras é claro, é descrita pela Bíblia de Jerusalém nos informando que o testemunho mais antigo para a datação da escrita do quarto evangelho é um fragmento de papiro (Rylands 457), escrito por vlta de 125, que apresenta Jo 18.31-34.37-38 sob a forma que hoje conhecemos. Ainda outro papiro conhecido como Egerton 2, que lhe é muito pouco posterior, cita várias passagens do evangelho. Os dois citados documentos foram encontrados no Egito, dando a entender que sua publicação teria sido ou em Éfeso ou em Alexandria, nos últimos anos do primeiro século. As autoridades judaicas no Concílio de Jâmnia diz que sua forma quase definida, no tocante a composição, não teria sido antes dos anos 80.
LOCAL -
Cidades como Alexandria e Antioquia da Síria foram postas como sendo o local da composição do evangelho. Na primeira, por ocasião dos papiros descobertos no Egito e a semelhança de algumas literaturas daquele lugar. Na segunda, também por semelhança na escrita, agora, do chamado Odes de Salomão, descrito por alguns estudiosos como tendo paralelos, ou seja, como tendo semelhança com aquela literatura. Entretanto, é opinião unânime entre os pais da igreja que Éfeso, a cidade mais importante da província romana da Ásia, seja o local onde João escreveu o evangelho. Ademais é precisa a afirmação de Irineu, discípulo de Policarpo, seguidor de João, que diz “João, o discípulo do Senhor, que deitou sua cabeça sobre o peito Dele, também escreveu um evangelho quando residia em Éfeso na Ásia”.
PANORAMA HISTÓRICO –
Não é tarefa fácil extrair com propriedade informações sobre a escrita deste evangelho, no tocante, a tudo que relaciona-se com a história. Esta dificuldade gira em torno de, descobrir primeiramente a intenção e a inclinação de João, quanto a escrita. David Hale diz a cerca deste assunto que: “Muita atenção foi dada a esta área de estudo, e uma das razões por que diversos estudiosos entendem o quarto Evangelho diferentemente é porque ele tem idéias diferentes acerca de seu fundo histórico. É nesta área de estudo bíblico que as mais recentes batalhas se travaram acerca deste Evangelho. A pergunta fundamental parece ser se o autor escreveu de, e para, um ambiente basicamente judaico ou helênico. Alguns tentaram indicar que ambas as situações de estão evidentes neste Evangelho, indicando que o autor era um cidadão de dois mundos e escreveu a partir dessa perspectiva”.(Introdução ao estudo do N.T., pg. 115)
Passaremos a expor algumas informações de acordo com nossa pesquisa.
Descobrimos que a influência “maior” de sua escrita, fora judaica. Entretanto, é bom salientar que João não cobre seu escrito de referência escriturísticas veterotestamentária, e apenas faz uso de catorze delas em lugares bastante oportuno. Porém, João menciona diversas festas e títulos messiânicos conhecidos da comunidade judaica, mostrando claramente sua influência. É importante a divisão feita por alguns estudiosos dos tipos ou ramificações do Judaísmo na época da escrita deste evangelho, alguns atribuem que havia uma variedade de divisões, mas a mais conhecida era: o Judaísmo Rabínico, o Sectário e o Helenístico. Acredita-se que há uma certa ligação entre o evangelho e a literatura do Judaísmo Rabínico.
É interessante observar que, em João, Jesus devotou quase que seu ministério inteiro em Jerusalém, onde o centro religioso estava localizado. A maioria das controvérsias de Jesus eram com os membros do Sinédrio, tais como Nicodemos ou aqueles que apoiavam essa instituição (3:1; 7:45-52; 9:28,29; 11:45-53). Muitos dos discursos giravam em torno dos argumentos e da tradição rabínicas (5:10-18; 5:37-47; 7:15-24; 8:13-19; 10:31-38). Do começo ao fim, vê-se que o quarto Evangelho reflete o interesse rabínico (7:25-31; 7:40-44; 12:34). O uso, por Jesus, do termo "Eu sou" ,era especialmente de interesse rabínico, uma vez que ele se relaciona com a auto-identificação de Jesus como o Jeová do Velho Testamento (4:26; 6:20,35,41,48,51; 8:12, 24,28,58; 10:7,9,11,14; 11:25; 14:6; 15:1). (D.H. pg. 116).
Além do pensamento centrado na influência judaica para escrita deste evangelho, pensa-se também numa outra advinda de uma heresia surgida no primeiro século conhecida como Gnosticismo que era um ecletismo filosófico-religioso diversificado em numerosas seitas, e que visava a conciliar todas as religiões e a explicar-lhes o sentido mais profundo por meio da gnose. (Aurélio). Acredita-se com veemência que a escrita recebeu esta influência com o intúito de refutação, mas não se pode definir até que ponto esta foi estabelecida. Alguns estudiosos atribuem como sendo o ponto central para a interpretação correta deste evangelho, e outros atribuem apenas uma vaga influência indireta.
Um problema histórico-geográfico é apresentado no contexto do evangelho de João. Este, centraliza o ministério de Jesus na Judéia, enquanto os sinóticos declaram Galiléia. Na realidade não chega a ser uma contradição diz David Hale e sim que o quarto evangelho é escrito numa outra ótica, entretanto, com o mesmo objetivo, comunicar Jesus.
PROPÓSITO –
Na escrita deste evangelho cercado de atrativos tinha João em mente, independente das influências, das circunstâncias, das dificuldades, em fim, independente de tudo, queria ele em seu escrito comunicar e comprovar que Jesus é o Filho de Deus e que todo e que todo aquele que nEle crê tem a vida eterna.
ESBOÇO -
A BEP traz um atrativo esboço deste evangelho vejamos:
O Prólogo do Verbo (1.1-18)
I. Apresentação de Cristo a Israel (1.19-51)
A. Por João Batista (1.19-36)
B. Aos Primeiros Discípulos (1.37-51)
II. Os Sinais e Sermões de Cristo Diante de Israel e a Sua Rejeição (2.1—12.50)
A. A Revelação de Cristo a Israel (2.1— 11.46)
1. Primeiro Sinal: A Água Transformada em Vinho (2.1-11)
Interlúdio (2.12)
2. Testemunho Inicial aos Judeus em Jerusalém (2.13-25)
Festa em Jerusalém (Páscoa) (2.23-25)
3. Primeiro Sermão: O Novo Nascimento e a Nova Vida (3.1-21)
Interlúdio: João Batista e Jesus (3.22—4.3)
4. Segundo Sermão: A Água da Vida (4.4-42)
Interlúdio na Galiléia (4.43-45)
5. Segundo Sinal: Curando o Filho do Régulo (4.46-54)
Festa em Jerusalém (5.1)
6. Terceiro Sinal: Curando o Paralítico em Betesda no Sábado (5.2-18)
7. Terceiro Sermão: A Filiação Divina de Cristo (5.19-47)
8. Quarto Sinal: Alimentando os Cinco Mil (6.1-15)
9. Quinto Sinal: Andando sobre o Mar (6.16-21)
10. Quarto Sermão: O Pão da Vida (6.22-59)
11. Seleção dos Discípulos (6.60-71)
Interlúdio (7.1)
12. Festa em Jerusalém (Tabernáculos) (7.2-36)
13. Quinto Sermão: O Espírito Vivificante (7.37-52)
A Mulher Encontrada em Adultério (7.53—8.11)
14. Sexto Sermão: A Luz do Mundo (8.12-30)
15. Controvérsia com os Judeus (8.31-59)
16. Sexto Sinal: Curando o Cego de Nascença (9.1-41)
17. Sétimo Sermão: O Bom Pastor (10.1-21)
Festa em Jerusalém (Festa da Dedicação — 10.22-42)
18. Sétimo Sinal: A Ressurreição de Lázaro (11.1-46)
B.Cristo é Rejeitado por Israel (11.47—12.50)
III. Cristo e o Começo do Povo do Novo Concerto (13.1—20.29)
A. A Última Ceia (13.1—14.31)
1. A Lavagem dos Pés dos Discípulos e a Conversação Subseqüente (13.1-38)
2. Jesus, o Caminho ao Pai (14.1-31)
B. Sermão sobre a Videira Verdadeira e as Bênçãos da União com Cristo
(15.1—16.33)
C. Oração por Si Mesmo e pelo Povo do Novo Concerto (17.1-26)
D. O Servo Sofredor (18.1—19.42)
1. A Prisão (18.1-12)
2. O Julgamento pelos Judeus (18.13-27)
3. O Julgamento pelos Romanos (18.28—19.16)
4. A Crucificação (19.17-37)
5. O Sepultamento (19.38-42)
E. O Senhor Ressurreto (20.1-29)
O Propósito do Autor (20.30,31)
O Epílogo (21.1-25)
CONCLUSÃO
Claramente podemos entender que este evangelho é sem dúvida de extrema importância para nossa realidade. Mesmo com as diversas correntes, os diversos assuntos debatidos, as variadas exposições por inúmeros estudiosos renomados, fica preciso que Deus estava regendo o apóstolo na confecção deste evangelho, que seria um diferencial. Na capa do livro Por Que Quatro Evangelhos está estampado três rosas entrelaçadas e uma distante, representando com criatividade o que este evangelho representa. Muito mais daquilo que temos conhecido, fora operado por este tão grande homem de Deus. O testemunho histórico acerca de João é assim descrito “O "discípulo amado" era irmão de Tiago o Maior. As igrejas de Esmirna, Sardes, Pérgamo, Filadélfia, Laodicéia e Tiatira foram fundadas por ele. Foi enviado de Éfeso a Roma, onde se afirma que foi lançado num caldeiro de óleo fervendo. Escapou milagrosamente, sem dano algum. Domiciano desterrou posteriormente na ilha de Patmos, onde escreveu o livro do Apocalipse. Nerva, o sucessor de Domiciano, o libertou. Foi o único apóstolo que escapou de uma morte violenta”. Este pequeno testemunho citado pelo historiador, revela-nos que João, filho de Zebedeu, foi o desbravador de pelo menos seis das Igrejas da Ásia, mostrando-nos com isso que o Senhor sempre esteve ao seu lado, confirmando e abençoando seu ministério. Sigamos este exemplo!
BIBLIOGRAFIA
•STAMPS, Donald. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL, Revista e Corrigida, Ed. 1995, 2002 CPAD – RJ
•DAKE, Finis Jennings. BÍBLIA DE ESTUDO DAKE, Revista e Corrigida, Ed. 1995, 2009 CPAD – RJ
•BÍBLIA DE ESTUDO APLICAÇÃO PESSOAL, Revista e Corrigida, Ed. 1995, 2003 CPAD – RJ
•THOMPSON, Frank Charles, D.D.,Ph.D. BÍBLIA DE REFERÊNCIA, Almeida Edição Contemporânea, 16º impressão 2005 EDITORA VIDA – SP
•BÍBLIA SAGRADA ALMEIDA SÉCULO 21. Coordenação Luiz Alberto Texeira Sayão, 2008 VIDA NOVA – SP
•SHEDD, Russel P. BÍBLIA SHEDD, 2º edição Almeida Revista e Atualizada no Brasil, 1997 VIDA NOVA – SP
•BÍBLIA DE ESTUDO NTLH, 2008 SBB Barueri – SP
•BÍBLIA DE JERUSALÉM, Tradução do texto em língua portuguesa diretamente dos originais, 2002 PAULUS – SP
•BLACK, Dadid Alan, POR QUE QUATRO EVANGELHOS, 2004 VIDA – SP
•BOYER, Orlando, PEQUENA ENCICLOPÉDIA BÍBLICA, 2º Edição Revista e Atualizada, 2006 VIDA – SP
•MANUAL BÍBLICO SBB, Tradução de Lailah de Noronha, 2008 Barueri – SP
•FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda, NOVO DICIONÁRIO DA LÍNGUA PORTUGUESA, Versão Eletrônica 3.0, 1999 NOVA FRONTEIRA.
•HALE, Broadus David, INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO NOVO TESTAMENTO, Tradução de Cláudio Vital de Souza. 1983 JUERP - RJ
•DAVIDSON, F. MA, DD, O NOVO COMENTÁRIO DA BÍBLIA, 3ª Edição 1995, Reimpressão 1997 VIDA NOVA – SP
•FOX, John, O LIVRO DOS MÁRTIRES, CPAD - RJ
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
sábado, 14 de novembro de 2009
GÓLGOTA, (Breve definição)
Gólgota é o lugar perto de Jerusalém aonde Jesus e mais dois ladrões foram crucificados. A palavra Gólgota , que em hebraico e em aramaico significa "crânio", é usada em três dos evangelhos (Mateus 27:33; Marcos 15:22; João 19:17), porém no evangelho de Lucas, é usada a palavra que vem do latim "caveira", que tem o mesmo significado (Lucas 23:33).
A razão pela qual esse lugar era chamado de "o crânio" é desconhecida, apesar de existirem vários palpites. De acordo com o padre Jerônimo (346-420 D.C.), a Gólgota era um lugar usado para execuções, e portanto havia muitos crânios jogados por ali de pessoas que haviam sido executadas. No entanto, não há evidências que comprovem esta idéia. Outras pessoas sugeriram que era um lugar usado para execução e que "o crânio" era uma figura de linguagem simbolizando a morte. Um teólogo da igreja primitiva Origen (185-253 D.C.) mencionou uma lenda antiga que dizia que o crânio de Adão tinha sido enterrado ali. Outros diziam que o lugar da Crucificação era uma colina com formato de crânio, mas novamente não existem evidências que provem isso e o Novo Testamento não descreve o lugar como sendo uma colina.
Ninguém nem tem certeza de onde exatamente ficava Gólgota. As referências bíblicas nos dão apenas uma idéia vaga da localização. Era fora da cidade (João 19:20; Hebreus 13:12), pode ter sido tanto numa colina como num plateau, pois dava para ser visto a uma certa distância e provavelmente perto de uma estrada visto que a Bíblia menciona que havia transeuntes (Mateus 27:39; Marcos 15:29). João descreve como sendo um lugar perto de um jardim que tinha uma cova aonde Jesus foi sepultado (João 19:41). O uso de "o" - "o lugar do crânio" - indica que era um lugar bem conhecido. Aparentemente houve pouco interesse na localização da Gólgota até o começo do século 4. O historiador, Eusebius, que viveu em Jerusalém por muitos anos, disse que o Imperador Constantino instruiu um de seus bispos a achar o lugar aonde Jesus foi crucificado e enterrado. Dizia uma lenda que o bispo foi guiado por uma figura fantasmagórica da Rainha Mãe Helena. O lugar que ele achou continha um templo de Afrodite, o qual foi destruído pelo Imperador. De acordo com a lenda, ele encontrou fragmentos da cruz de Cristo. Ele construiu duas igrejas, e esse é o lugar da igreja do Santo Sepulcro, que ainda existe hoje, apesar de ter sido destruída e reconstruída várias vezes.
Em 1842 um estudioso chamado Otto Thenius, sugeriu que a Gólgota era uma colina rochosa a uns 228.5 metros noroeste do portão de Damasco. O lugar que Thenius mencionou havia sido um lugar aonde antigamente os judeus usavam para apedrejar criminosos. Esse lugar se localizava fora do muro da cidade e tinha o formato de um crânio. Mais tarde o General Charles Gordon sugeriu o mesmo lugar e desde então é conhecido como "A Caveira de Gordon".
Fonte: Ilúmina
sábado, 31 de outubro de 2009
HILEL, O GRANDE RABINO DE ISRAEL
Hilel, o ancião, (no hebraico הלל ) (c. 60 a.C. - c. 9) é o nome de um conhecido líder religioso judeu, que viveu durante o reinado de Herodes, o Grande na época do Segundo Templo. Estudioso respeitado em seu tempo, Hilel é associado à diversos ensinamentos da Mishná e do Talmud, tendo fundado uma escola (Beit Hilel) para ensino de mestres no judaísmo.
Hilel era reverenciado como verdadeiro líder espiritual e religioso. O rei Herodes não teve outra escolha senão aceitar a autoridade religiosa do Sanhedrin, reconhecer o prestígio de Hilel e respeitar o controle que este exercia sobre a vida religiosa.
O sábio que era puro amor, humanismo e bondade, infinita paciência e profunda humildade.
Na Terra de Israel, no último meio século que antecedeu a Era Comum, houve uma grande disseminação da Lei Oral, que tornou os eruditos da Mishná os verdadeiros líderes do povo, embora a autoridade política e o alto sacerdócio se encontrassem em outras mãos.
Estes sábios são os Tanaim. Taná, em aramaico, significa aquele que estuda, repetindo e transmitindo os ensinamentos de seus mestres.
O período dos Tanaim foi de criatividade, inovação e grande florescimento da cultura judaica, ao mesmo tempo em que foi de profunda turbulência e crise, culminando com a destruição do Templo no ano 70 da Era Comum, o que tornou necessária a reestruturação de toda a vida religiosa.
A primeira geração de Tanaim, que exerceu suas atividades no início do reinado de Herodes, é representada por Hillel e Shamai, fundadores de duas escolas que levaram seus nomes (Bet Hillel e Bet Shamai). Apesar de todas as controvérsias que se acenderam entre estas, ambas inscreviam-se na estrutura tradicionalmente aceita no judaísmo. As disputas haláchicas entre elas prosseguiram por muitas gerações até que finalmente prevaleceram os pontos de vista da Casa de Hillel. O Talmud Babilônico nos traz, numa única frase, a conclusão: "Ambas são as palavras do D’us vivo, e a decisão está de acordo com a casa de Hillel."
As duas escolas refletem a personalidade de seus fundadores. Hillel era uma pessoa amável, simples, próxima às camadas mais modestas, e suas máximas breves refletem sua generosidade, piedade e amor à humanidade. Shamai era extremamente íntegro, mas rígido e irascível. No Talmud se diz: "Que o homem seja sempre humilde e paciente como Hillel e não exaltado como Shamai."
Hillel foi o menos sentencioso e o mais tolerante dos sábios rabínicos. Falava a língua do povo, ao qual ensinava ética. Suas palavras refletem seu humanismo e bondade:
"Não faça aos outros o que não quer que façam a você. Aí está toda a Torá. O resto é mero comentário." Ou..."Sejam como os discípulos de Aarão, amando e buscando a paz, amando a humanidade e aproximando-a da Torá".
E, talvez, sua máxima mais famosa seja: "Se não eu por mim, quem por mim? Se eu for só por mim, quem sou eu? Se não for agora, quando?"
Hillel nasceu numa próspera família da Babilônia e com cerca de trinta anos foi estudar com os sábios Shemaia e Abtalion em Jerusalém. Lá, ele vivia em condições de grande penúria, trabalhando como simples lenhador. O amor ao estudo fazia com que adiasse seu retorno à cidade natal, onde seus correligionários viviam em paz, longe das turbulências que agitavam a Terra de Israel.
Conta-se sobre Rabi Hillel que, quando estudava em Jerusalém, era tão pobre que só ganhava uma moeda de cobre por dia de trabalho. Metade desse dinheiro ele dava ao bedel, para poder freqüentar a Casa de Estudo, e a outra metade usava para o seu sustento e o de sua família.
Certo dia, não ganhou nada. Nesse dia, nem ele nem sua família comeram; mas, ansioso para ouvir as palavras de Shemaia e Abtalion, e como o bedel não o deixou entrar sem pagar, Hillel subiu no telhado e, deitado sobre a clarabóia, se esforçou para ouvir as discussões. Concentrado como estava, não lembrou que era sexta-feira, em pleno inverno, nem que nevava. Passou, assim, a noite deitado sobre o telhado. No dia seguinte, a academia pareceu bem mais escura do que de costume: a clarabóia estava coberta de neve, mas olhando bem dava para perceber o contorno de um homem debaixo da neve. Logo reconheceram Hillel, a quem lavaram, massagearam com óleo, deixando-o esquentar-se perto do fogo. Ninguém hesitou em transgredir o Shabat para salvá-lo.
Após a morte de Shemaia e Abtalion, provavelmente Hillel voltou para a Babilônia, mas visitava freqüentemente Jerusalém em peregrinação antes das Grandes Festas ou a cada vez que precisava esclarecer alguma dúvida sobre as leis.
Hillel foi o primeiro dos autores da Mishná a afirmar que o judaísmo tinha como objetivo implementar o cumprimento dos deveres de cada indivíduo em relação a seu próximo e que todos os mandamentos são meios para alcançar esta finalidade. Também foi o primeiro a estabelecer o princípio do amor fraterno como condição principal para todos os mandamentos da Torá.
Conta a Hagadá que um gentio procurou Hillel, pedindo que lhe ensinasse toda a Torá enquanto ele se equilibrava sobre uma perna só. Este, em vez de expulsá-lo por sua insolência, como fizera Shamai, disse-lhe calmamente:
"Não faça aos outros o que não quer que façam a você. Eis toda a Torá. Todo o resto é comentário. Vai e estuda!"
Hillel era tão bondoso com os outros que tolerava todos os caprichos, sem ficar com raiva. Certa vez, ofereceu a um homem pobre um cavalo e um escravo que corresse na sua frente, como era costume. Como não conseguiu o escravo, ele mesmo ficou correndo na frente do homem, por um percurso de três milhas.
A paciência de Hillel era tão inabalável, que há várias histórias sobre tentativas frustradas de o fazer enfurecer-se.
Uma vez um homem apostou 400 moedas de prata que faria Hillel perder a paciência. Foi procurar o mestre na sexta-feira, quando este tomava banho, preparando-se para o Shabat: "Quem é Hillel e onde ele está?" Hillel se enrolou em uma toalha e foi ver quem o chamava. "Eu tenho uma pergunta, disse: "Por que os babilônios têm a cabeça redonda?" "Boa pergunta", respondeu Hillel. "É porque suas parteiras não são suficientemente competentes".
Pouco depois o mesmo homem voltou e, novamente, chamou Hillel com arrogância, perguntando por que o povo de Tadmor tem a vista fraca.
"É porque Tadmor é situada em uma região desértica e a areia entra nos olhos de seus habitantes".
Pouco depois, o homem voltou a chamar Hillel para fazer-lhe mais uma pergunta: "Por que os africanos têm os pés tão largos?" "Porque eles andam descalços em terreno pantanoso."
Aí o homem disse: "Eu tenho mais uma pergunta, mas estou com medo de que você fique bravo". "Faça quantas perguntas quiser e eu responderei da melhor forma que meus conhecimentos permitirem". "Você é Hillel, o Nassi dos judeus?" "Sou". "Então espero que os judeus não tenham ninguém mais como você! Por sua causa perdi uma grande soma de dinheiro, apostando que conseguiria enfurecê-lo."
E Hillel respondeu: "Mesmo que você perca o dobro deste valor, não conseguirá fazer-me perder a paciência!"
FONTE: WIKIPÉDIA E MORASHÁ
Hilel era reverenciado como verdadeiro líder espiritual e religioso. O rei Herodes não teve outra escolha senão aceitar a autoridade religiosa do Sanhedrin, reconhecer o prestígio de Hilel e respeitar o controle que este exercia sobre a vida religiosa.
O sábio que era puro amor, humanismo e bondade, infinita paciência e profunda humildade.
Na Terra de Israel, no último meio século que antecedeu a Era Comum, houve uma grande disseminação da Lei Oral, que tornou os eruditos da Mishná os verdadeiros líderes do povo, embora a autoridade política e o alto sacerdócio se encontrassem em outras mãos.
Estes sábios são os Tanaim. Taná, em aramaico, significa aquele que estuda, repetindo e transmitindo os ensinamentos de seus mestres.
O período dos Tanaim foi de criatividade, inovação e grande florescimento da cultura judaica, ao mesmo tempo em que foi de profunda turbulência e crise, culminando com a destruição do Templo no ano 70 da Era Comum, o que tornou necessária a reestruturação de toda a vida religiosa.
A primeira geração de Tanaim, que exerceu suas atividades no início do reinado de Herodes, é representada por Hillel e Shamai, fundadores de duas escolas que levaram seus nomes (Bet Hillel e Bet Shamai). Apesar de todas as controvérsias que se acenderam entre estas, ambas inscreviam-se na estrutura tradicionalmente aceita no judaísmo. As disputas haláchicas entre elas prosseguiram por muitas gerações até que finalmente prevaleceram os pontos de vista da Casa de Hillel. O Talmud Babilônico nos traz, numa única frase, a conclusão: "Ambas são as palavras do D’us vivo, e a decisão está de acordo com a casa de Hillel."
As duas escolas refletem a personalidade de seus fundadores. Hillel era uma pessoa amável, simples, próxima às camadas mais modestas, e suas máximas breves refletem sua generosidade, piedade e amor à humanidade. Shamai era extremamente íntegro, mas rígido e irascível. No Talmud se diz: "Que o homem seja sempre humilde e paciente como Hillel e não exaltado como Shamai."
Hillel foi o menos sentencioso e o mais tolerante dos sábios rabínicos. Falava a língua do povo, ao qual ensinava ética. Suas palavras refletem seu humanismo e bondade:
"Não faça aos outros o que não quer que façam a você. Aí está toda a Torá. O resto é mero comentário." Ou..."Sejam como os discípulos de Aarão, amando e buscando a paz, amando a humanidade e aproximando-a da Torá".
E, talvez, sua máxima mais famosa seja: "Se não eu por mim, quem por mim? Se eu for só por mim, quem sou eu? Se não for agora, quando?"
Hillel nasceu numa próspera família da Babilônia e com cerca de trinta anos foi estudar com os sábios Shemaia e Abtalion em Jerusalém. Lá, ele vivia em condições de grande penúria, trabalhando como simples lenhador. O amor ao estudo fazia com que adiasse seu retorno à cidade natal, onde seus correligionários viviam em paz, longe das turbulências que agitavam a Terra de Israel.
Conta-se sobre Rabi Hillel que, quando estudava em Jerusalém, era tão pobre que só ganhava uma moeda de cobre por dia de trabalho. Metade desse dinheiro ele dava ao bedel, para poder freqüentar a Casa de Estudo, e a outra metade usava para o seu sustento e o de sua família.
Certo dia, não ganhou nada. Nesse dia, nem ele nem sua família comeram; mas, ansioso para ouvir as palavras de Shemaia e Abtalion, e como o bedel não o deixou entrar sem pagar, Hillel subiu no telhado e, deitado sobre a clarabóia, se esforçou para ouvir as discussões. Concentrado como estava, não lembrou que era sexta-feira, em pleno inverno, nem que nevava. Passou, assim, a noite deitado sobre o telhado. No dia seguinte, a academia pareceu bem mais escura do que de costume: a clarabóia estava coberta de neve, mas olhando bem dava para perceber o contorno de um homem debaixo da neve. Logo reconheceram Hillel, a quem lavaram, massagearam com óleo, deixando-o esquentar-se perto do fogo. Ninguém hesitou em transgredir o Shabat para salvá-lo.
Após a morte de Shemaia e Abtalion, provavelmente Hillel voltou para a Babilônia, mas visitava freqüentemente Jerusalém em peregrinação antes das Grandes Festas ou a cada vez que precisava esclarecer alguma dúvida sobre as leis.
Hillel foi o primeiro dos autores da Mishná a afirmar que o judaísmo tinha como objetivo implementar o cumprimento dos deveres de cada indivíduo em relação a seu próximo e que todos os mandamentos são meios para alcançar esta finalidade. Também foi o primeiro a estabelecer o princípio do amor fraterno como condição principal para todos os mandamentos da Torá.
Conta a Hagadá que um gentio procurou Hillel, pedindo que lhe ensinasse toda a Torá enquanto ele se equilibrava sobre uma perna só. Este, em vez de expulsá-lo por sua insolência, como fizera Shamai, disse-lhe calmamente:
"Não faça aos outros o que não quer que façam a você. Eis toda a Torá. Todo o resto é comentário. Vai e estuda!"
Hillel era tão bondoso com os outros que tolerava todos os caprichos, sem ficar com raiva. Certa vez, ofereceu a um homem pobre um cavalo e um escravo que corresse na sua frente, como era costume. Como não conseguiu o escravo, ele mesmo ficou correndo na frente do homem, por um percurso de três milhas.
A paciência de Hillel era tão inabalável, que há várias histórias sobre tentativas frustradas de o fazer enfurecer-se.
Uma vez um homem apostou 400 moedas de prata que faria Hillel perder a paciência. Foi procurar o mestre na sexta-feira, quando este tomava banho, preparando-se para o Shabat: "Quem é Hillel e onde ele está?" Hillel se enrolou em uma toalha e foi ver quem o chamava. "Eu tenho uma pergunta, disse: "Por que os babilônios têm a cabeça redonda?" "Boa pergunta", respondeu Hillel. "É porque suas parteiras não são suficientemente competentes".
Pouco depois o mesmo homem voltou e, novamente, chamou Hillel com arrogância, perguntando por que o povo de Tadmor tem a vista fraca.
"É porque Tadmor é situada em uma região desértica e a areia entra nos olhos de seus habitantes".
Pouco depois, o homem voltou a chamar Hillel para fazer-lhe mais uma pergunta: "Por que os africanos têm os pés tão largos?" "Porque eles andam descalços em terreno pantanoso."
Aí o homem disse: "Eu tenho mais uma pergunta, mas estou com medo de que você fique bravo". "Faça quantas perguntas quiser e eu responderei da melhor forma que meus conhecimentos permitirem". "Você é Hillel, o Nassi dos judeus?" "Sou". "Então espero que os judeus não tenham ninguém mais como você! Por sua causa perdi uma grande soma de dinheiro, apostando que conseguiria enfurecê-lo."
E Hillel respondeu: "Mesmo que você perca o dobro deste valor, não conseguirá fazer-me perder a paciência!"
FONTE: WIKIPÉDIA E MORASHÁ
INSPIRAÇÃO, O QUE SIGNIFICA?
A palavra inspiração, não sendo bíblica, significa, normalmente, uma influência sobrenatural do Espírito de Deus sobre os autores bíblicos, garantindo que, aquilo que escreveram era precisamente o que Deus pretendia que eles escrevessem para a transmissão da verdade divina, podendo, por isso, dizer-se realmente "inspirados" ou theopneustos, literalmente, "soprados por Deus" (#2Tm 3.16). Como já não é novo para nós este assunto, limitar-nos-emos agora a corrigir alguns equívocos.
A "inspiração" que garante a comunicação infalível da verdade revelada é bem distinta da "inspiração" do artista criador. Nada de confusões. A inspiração não só não implica estado anormal do espírito do escritor, -por exemplo, visões ou audição de vozes estranhas, -como não supõe, também, a aniquilação da sua personalidade. Deus providencialmente preparou os meios humanos de inspiração para que os escritores pudessem cumprir a sua tarefa; e, na maior parte dos casos, apenas através das faculdades normais. Muitos estados de espírito são na realidade compatíveis com a inspiração. Não é necessário supor-se que os autores tinham sempre a consciência de que estavam a ser inspirados, quer dizer, que sabiam estar a escrever as Escrituras Canônicas. Nem há razão para afirmar-se que um documento inspirado não possa, na providência divina, ter sido compilado ou extraído de fontes por um processo vulgar de composição histórica, passando por várias edições até atingir a sua forma definitiva. O que deve admitir-se é que no fim de contas a obra foi theopneustos, e que através dela Deus quis comunicar aos homens a Sua graça salvadora. Sendo assim, só podemos admitir a inspiração verbal. E se as palavras da Escritura são inspiradas por Deus, é quase uma blasfêmia não admitir a infalibilidade da sua doutrina, e a ausência de erro nessas palavras. São prerrogativas que não podemos aprovar, ou desaprovar, através da argumentação vulgar; porque as consideramos artigos de fé, baseadas que são na doutrina de Cristo e no testemunho do Espírito a confirmarem que as Escrituras Canônicas foram inspiradas por um Deus que não pode mentir. Quem as nega rejeita o testemunho de Cristo, dos apóstolos e da própria Igreja Cristã relativo à natureza da "Palavra de Deus" escrita, e com certeza não possui nem compreende o testemunho interno do Espírito Santo.
O problema da inspiração
Nenhuma doutrina cristã está isenta de problemas, e isto porque Deus quis que a Sua verdade fosse um objeto de fé. Ora, o fundamento da fé é o testemunho e a autoridade do próprio Deus; donde se segue que são coisas distintas o acreditar numa autoridade e o acreditar em face duma demonstração racional. O pecado original do homem foi um desejo de evidenciar a sua sabedoria auto-suficiente, uma vontade de não admitir qualquer autoridade externa, capaz de agir por si própria (cfr. #Gn 3.5,6); e Deus deliberadamente apresenta a verdade salvadora aos pecadores e de tal forma que, ao aceitá-la, supõe-se um ato de arrependimento intelectual de sujeição à doutrina de Deus. Daí a renúncia à própria sabedoria (cfr. #Rm 1.22; #1Co 1.19-25) a fim de que só possa sobressair aquela outra sabedoria, que é apanágio dos que ouvem a Palavra do Senhor. Para ser mais completa essa renúncia, Deus determinou, ou melhor, garantiu, que nem um só artigo de fé pudesse ser demonstrado, tal como qualquer teorema geométrico. O homem deve contentar-se com o conhecimento que adquire pela fé, conhecimento esse que, no fim de contas, jamais poderá atingir a perfeição neste mundo. Não conseguiremos, pois, eximir de dificuldades a doutrina da Inspiração Bíblica, tal como sucede com a doutrina da Trindade ou da Encarnação. Nem esperemos neste mundo resolver todos os problemas. Não é de admirar, portanto, que muitos cristãos caiam na heresia, a respeito desta ou doutras doutrinas. Convém, no entanto, indicar qual a atitude a tomar perante os erros que se nos apresentem.
Em primeiro lugar, esta doutrina não raro é amesquinhada por aqueles que dizem professá-la, e afirmam que a Bíblia é produto da inspiração em certo sentido, mas nunca inspiração verbal. Deus inspirou ou revelou a verdade aos escritores, que sendo criaturas falíveis e pecaminosas, poderiam falsificá-la. Por isso, é possível admitirmos erros nas Escrituras. Mas não foi assim, como vimos, o pensar de Cristo e dos apóstolos. É errado o pensamento de que nem todos os livros da Bíblia estão ao mesmo nível de profundidade espiritual e finalidade de doutrina; mas, na Sua providência soberana, podia Deus preparar e dirigir os instrumentos humanos apenas para escreverem precisamente aquilo que entendesse, nem mais nem menos. Por outras palavras, segundo esta teoria, a Bíblia não é aquilo que Deus pretendia, nem aquilo que Cristo pensava e ensinava. É evidente que tal teoria é inadmissível.
Em segundo lugar, rejeita-se por vezes a nossa doutrina, recorrendo-se a pretensos argumentos internos da Bíblia. Tais objeções, todavia, supõem fundamentalmente uma idéia humana a priori daquilo que provavelmente será a Bíblia inspirada. E, só o fato de as apresentar como argumentos válidos para duvidar do que Deus afirma desse livro, é já um sinal de impenitência intelectual, inconsciente talvez, mas não menos real por isso. O melhor é, na realidade, começar por aceitar o testemunho de Deus sobre a inspiração verbal, e só depois examinar os argumentos internos da Escritura para se chegar à conclusão da probabilidade da inspiração verbal. Por mais rigoroso e profundo que seja o exame, verificar-se-á que a inspiração se adapta perfeitamente a todas as formas do pensamento, a todos os métodos literários, a todas as figuras estilísticas e a todas as características vocabulares dos escritores. Estes são os canais condutores da verdade inspirada. Desconhecê-los, pode ser um perigo, pois é possível não se conhecer a intenção de Deus, e nesse caso descobrir erros onde na realidade não existem. Ao estudar-se a Bíblia, deve seguir-se o princípio, baseado na fé, de que a Escritura, em parte alguma é capaz de adulterar a verdade, sendo inspirada para no-la transmitir, e de que todos os acontecimentos bíblicos têm um significado que só a Igreja pode conhecer perfeitamente. Neste caso, é conveniente apreciar o texto a analisar à luz do contexto bíblico da Escritura, considerada no seu todo. Trata-se dum princípio de importância fundamental para a interpretação bíblica, que nunca se deve perder de vista, mesmo no meio das dificuldades que possam surgir a este respeito. Vamos citar aqui um exemplo apenas.
Várias vezes se diz que certas atitudes, ações e reflexões teológicas são uma refutação da doutrina duma Escritura inspirada. É uma objeção que só revela incompreensão da natureza da Bíblia. Já frisamos que a Bíblia é mais do que um simples amontoado de textos separados; é um organismo, um conjunto homogêneo, cujas partes não se podem explicar isoladamente. Ora, Deus recolheu diferentes materiais para a Sua obra; por isso não admira, que muitos dos exemplos apontados sejam maus. É que tudo serve para nossa instrução, embora tais exemplos possam ser interpretados de diferentes modos. Fala-se em erros teológicos e práticos, supondo-se que pelo fato de aparecerem na Bíblia têm a aprovação de Deus. Os princípios da teologia bíblica devem interpretar os fatos da história e da biografia bíblicas, uma vez que estes também explicam aquela. A Escritura interpreta-se com o auxílio da mesma Escritura. Já se disse que a Bíblia constitui uma unidade orgânica, que a Palavra de Deus é um todo, e que cada texto deve ser compreendido à luz da verdade que se encontra em Jesus.
Impossível aqui apresentar mais argumentos a favor da nossa tese. Limitar-nos-emos a afirmar, em conclusão, que a atitude da fé para com a doutrina da inspiração bíblica, bem como para com outras doutrinas, é a de aceitar única e simplesmente o testemunho de Deus. Nada, por isso, poderá abalar a nossa fé, já que nada pode abalar o testemunho em que se apóia. Quando tiver de enfrentar as dificuldades e as objeções, que implicam com a sua fé, o crente deve lembrar-se mais da sua possibilidade de falhar do que da infalibilidade do testemunho de Deus, ao apresentar-nos a verdade. Recorra-se, nesse caso, a uma cuidadosa retrospecção à luz dum estudo mais profundo e mais eficaz da evidência bíblica. Foi assim que se fizeram progressos doutrinários através da história da Igreja. Será assim que também nos nossos dias se conseguirá uma compreensão mais fiel e mais perfeita da doutrina da inspiração da Bíblia, aceitando-a como a Palavra de Deus, isenta de erro e infalível.
J. I. PACKER (O NOVO DICIONÁRIO DA BÍBLIA - F. DAVIDSON)
A "inspiração" que garante a comunicação infalível da verdade revelada é bem distinta da "inspiração" do artista criador. Nada de confusões. A inspiração não só não implica estado anormal do espírito do escritor, -por exemplo, visões ou audição de vozes estranhas, -como não supõe, também, a aniquilação da sua personalidade. Deus providencialmente preparou os meios humanos de inspiração para que os escritores pudessem cumprir a sua tarefa; e, na maior parte dos casos, apenas através das faculdades normais. Muitos estados de espírito são na realidade compatíveis com a inspiração. Não é necessário supor-se que os autores tinham sempre a consciência de que estavam a ser inspirados, quer dizer, que sabiam estar a escrever as Escrituras Canônicas. Nem há razão para afirmar-se que um documento inspirado não possa, na providência divina, ter sido compilado ou extraído de fontes por um processo vulgar de composição histórica, passando por várias edições até atingir a sua forma definitiva. O que deve admitir-se é que no fim de contas a obra foi theopneustos, e que através dela Deus quis comunicar aos homens a Sua graça salvadora. Sendo assim, só podemos admitir a inspiração verbal. E se as palavras da Escritura são inspiradas por Deus, é quase uma blasfêmia não admitir a infalibilidade da sua doutrina, e a ausência de erro nessas palavras. São prerrogativas que não podemos aprovar, ou desaprovar, através da argumentação vulgar; porque as consideramos artigos de fé, baseadas que são na doutrina de Cristo e no testemunho do Espírito a confirmarem que as Escrituras Canônicas foram inspiradas por um Deus que não pode mentir. Quem as nega rejeita o testemunho de Cristo, dos apóstolos e da própria Igreja Cristã relativo à natureza da "Palavra de Deus" escrita, e com certeza não possui nem compreende o testemunho interno do Espírito Santo.
O problema da inspiração
Nenhuma doutrina cristã está isenta de problemas, e isto porque Deus quis que a Sua verdade fosse um objeto de fé. Ora, o fundamento da fé é o testemunho e a autoridade do próprio Deus; donde se segue que são coisas distintas o acreditar numa autoridade e o acreditar em face duma demonstração racional. O pecado original do homem foi um desejo de evidenciar a sua sabedoria auto-suficiente, uma vontade de não admitir qualquer autoridade externa, capaz de agir por si própria (cfr. #Gn 3.5,6); e Deus deliberadamente apresenta a verdade salvadora aos pecadores e de tal forma que, ao aceitá-la, supõe-se um ato de arrependimento intelectual de sujeição à doutrina de Deus. Daí a renúncia à própria sabedoria (cfr. #Rm 1.22; #1Co 1.19-25) a fim de que só possa sobressair aquela outra sabedoria, que é apanágio dos que ouvem a Palavra do Senhor. Para ser mais completa essa renúncia, Deus determinou, ou melhor, garantiu, que nem um só artigo de fé pudesse ser demonstrado, tal como qualquer teorema geométrico. O homem deve contentar-se com o conhecimento que adquire pela fé, conhecimento esse que, no fim de contas, jamais poderá atingir a perfeição neste mundo. Não conseguiremos, pois, eximir de dificuldades a doutrina da Inspiração Bíblica, tal como sucede com a doutrina da Trindade ou da Encarnação. Nem esperemos neste mundo resolver todos os problemas. Não é de admirar, portanto, que muitos cristãos caiam na heresia, a respeito desta ou doutras doutrinas. Convém, no entanto, indicar qual a atitude a tomar perante os erros que se nos apresentem.
Em primeiro lugar, esta doutrina não raro é amesquinhada por aqueles que dizem professá-la, e afirmam que a Bíblia é produto da inspiração em certo sentido, mas nunca inspiração verbal. Deus inspirou ou revelou a verdade aos escritores, que sendo criaturas falíveis e pecaminosas, poderiam falsificá-la. Por isso, é possível admitirmos erros nas Escrituras. Mas não foi assim, como vimos, o pensar de Cristo e dos apóstolos. É errado o pensamento de que nem todos os livros da Bíblia estão ao mesmo nível de profundidade espiritual e finalidade de doutrina; mas, na Sua providência soberana, podia Deus preparar e dirigir os instrumentos humanos apenas para escreverem precisamente aquilo que entendesse, nem mais nem menos. Por outras palavras, segundo esta teoria, a Bíblia não é aquilo que Deus pretendia, nem aquilo que Cristo pensava e ensinava. É evidente que tal teoria é inadmissível.
Em segundo lugar, rejeita-se por vezes a nossa doutrina, recorrendo-se a pretensos argumentos internos da Bíblia. Tais objeções, todavia, supõem fundamentalmente uma idéia humana a priori daquilo que provavelmente será a Bíblia inspirada. E, só o fato de as apresentar como argumentos válidos para duvidar do que Deus afirma desse livro, é já um sinal de impenitência intelectual, inconsciente talvez, mas não menos real por isso. O melhor é, na realidade, começar por aceitar o testemunho de Deus sobre a inspiração verbal, e só depois examinar os argumentos internos da Escritura para se chegar à conclusão da probabilidade da inspiração verbal. Por mais rigoroso e profundo que seja o exame, verificar-se-á que a inspiração se adapta perfeitamente a todas as formas do pensamento, a todos os métodos literários, a todas as figuras estilísticas e a todas as características vocabulares dos escritores. Estes são os canais condutores da verdade inspirada. Desconhecê-los, pode ser um perigo, pois é possível não se conhecer a intenção de Deus, e nesse caso descobrir erros onde na realidade não existem. Ao estudar-se a Bíblia, deve seguir-se o princípio, baseado na fé, de que a Escritura, em parte alguma é capaz de adulterar a verdade, sendo inspirada para no-la transmitir, e de que todos os acontecimentos bíblicos têm um significado que só a Igreja pode conhecer perfeitamente. Neste caso, é conveniente apreciar o texto a analisar à luz do contexto bíblico da Escritura, considerada no seu todo. Trata-se dum princípio de importância fundamental para a interpretação bíblica, que nunca se deve perder de vista, mesmo no meio das dificuldades que possam surgir a este respeito. Vamos citar aqui um exemplo apenas.
Várias vezes se diz que certas atitudes, ações e reflexões teológicas são uma refutação da doutrina duma Escritura inspirada. É uma objeção que só revela incompreensão da natureza da Bíblia. Já frisamos que a Bíblia é mais do que um simples amontoado de textos separados; é um organismo, um conjunto homogêneo, cujas partes não se podem explicar isoladamente. Ora, Deus recolheu diferentes materiais para a Sua obra; por isso não admira, que muitos dos exemplos apontados sejam maus. É que tudo serve para nossa instrução, embora tais exemplos possam ser interpretados de diferentes modos. Fala-se em erros teológicos e práticos, supondo-se que pelo fato de aparecerem na Bíblia têm a aprovação de Deus. Os princípios da teologia bíblica devem interpretar os fatos da história e da biografia bíblicas, uma vez que estes também explicam aquela. A Escritura interpreta-se com o auxílio da mesma Escritura. Já se disse que a Bíblia constitui uma unidade orgânica, que a Palavra de Deus é um todo, e que cada texto deve ser compreendido à luz da verdade que se encontra em Jesus.
Impossível aqui apresentar mais argumentos a favor da nossa tese. Limitar-nos-emos a afirmar, em conclusão, que a atitude da fé para com a doutrina da inspiração bíblica, bem como para com outras doutrinas, é a de aceitar única e simplesmente o testemunho de Deus. Nada, por isso, poderá abalar a nossa fé, já que nada pode abalar o testemunho em que se apóia. Quando tiver de enfrentar as dificuldades e as objeções, que implicam com a sua fé, o crente deve lembrar-se mais da sua possibilidade de falhar do que da infalibilidade do testemunho de Deus, ao apresentar-nos a verdade. Recorra-se, nesse caso, a uma cuidadosa retrospecção à luz dum estudo mais profundo e mais eficaz da evidência bíblica. Foi assim que se fizeram progressos doutrinários através da história da Igreja. Será assim que também nos nossos dias se conseguirá uma compreensão mais fiel e mais perfeita da doutrina da inspiração da Bíblia, aceitando-a como a Palavra de Deus, isenta de erro e infalível.
J. I. PACKER (O NOVO DICIONÁRIO DA BÍBLIA - F. DAVIDSON)
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
CALENDÁRIOS, ANTIGO E MODERNO

VISÃO GERAL
Calendário é uma ferramenta de controle do tempo. Sua importância vem de longa data. Eles ajudam os agricultores a saberem quando chega a próxima estação. Também auxiliam a lembrar da ocorrência dos fatos. No passado, por exemplo, havia várias maneiras de decidir o início de um ano. Diferentes maneiras de decidir quão longo ele seria; diferentes modos de organizar os dias em semanas e meses. Houve muitas mudanças nos calendários antes de tomarem a forma que conhecemos hoje.
DIAS, HORAS, MINUTOS
É fácil saber quando um dia acabou - a escuridão se segue à luz do dia e um outro dia se faz. Assim, os primeiros povos devem ter controlado o tempo simplesmente marcando a passagem dos dias.
Até onde sabemos, os primeiros a dividirem um dia em horas e minutos foram os sumérios, que viveram no Oriente Médio. E também usaram o termo "dia" para se referir ao período da luz do dia, assim como nós.
Os povos antigos mediam a passagem do tempo durante o dia usando um mostrador de sol. Uma história na Bíblia conta como o Rei Acaz usava o movimento da luz do sol sobre degraus para medir o tempo (II Reis 20:9; Isaías 38:8). Naturalmente, mostradores de sol não ofereciam uma maneira exata de medir o tempo como os relógios o fazem.
Diferentes povos antigamente fizeram escolhas diferentes sobre o início de um dia. Uma maneira pela qual Deus mostra que nos ama e quer cuidar de nós é nos dando um mundo organizado para vivermos.
A INFLUÊNCIA DA ASTRONOMIA
Os povos antigos não sabiam como o sistema solar funcionava, mas eram bons observadores das mudanças que aconteciam na natureza e usaram suas observações para desenvolver seus calendários.
Observaram que um dia era o tempo em que a terra faz um giro completo uma vez, passando por um ciclo de luz e um ciclo de escuridão.
Concluíram que um mês é um período baseado no tempo que a lua circunda completamente a terra, cerca de 29 dias e meio, levando-se em conta a sua forma.
Perceberam que um ano é o tempo que a terra leva para dar a volta completa ao redor do sol, o que leva cerca de 365 dias. Observavam as mudanças das estações, o que era muito importante para saberem quando fazer suas plantações.
Para entender porque as estações acontecem, devemos lembrar que a terra gira em torno de seu eixo imaginário que se inclina em relação ao sol, fazendo com que a distância da terra ao sol seja diferente e imprima características climáticas distintas em cada posição.
O CALENDÁRIO JUDEU
Dos povos antigos, talvez nenhum foi mais interessado no seu calendário do que os judeus, que o usavam para controlar seus inúmeros dias santos.
Um fato interessante é que contam os anos desde o tempo em que Deus criou o mundo. Assim o ano 1 judeu aconteceu 3.760 anos antes do ano1 do nosso calendário atual, conhecido como calendário romano.
MESES E SEUS NOMES
O calendário judeu tem doze meses, como o romano. Mas há diferenças entre eles. Os meses não se chamam Janeiro, Fevereiro, etc.. Eles têm nomes adaptados do antigo calendário babilônico e são maiores do que os meses do calendário romano.
A Bíblia contém nome de sete meses que os judeus usam até hoje, que são: 1. Kislev (Neemias 1:1; Zacarias 7:1) 2. Tebeth (Ester 2:16) 3. Shebat (Zacarias 1:7) 4. Adar (Ester 3:7; Ester 8:12) 5. Nisan (Neemias 2:1; Ester 3:7) 6. Sivan (Ester 8:9) 7. Elul (Neemias 6:15)
A Bíblia também menciona quatro nomes antigos que não estão mais em uso e que se relacionavam com agricultura ou plantas:
1. Abib (Êxodo 13:4) 2. Ziv (1 Reis 6:1, 37) 3. Ethanim (1 Reis 8:2) 4. Bul (1 Reis 6:38) Os meses judeus começam com a "lua nova", noite em que no ciclo lunar a lua não está visível no céu. Considerando que a lua nova ocorre a cada 29,5 dias, o ano tinha 354 dias. Não se sabe como os judeus fizeram para ajustar os 11 dias restantes. Mais tarde adicionaram um mês extra (chamado Veadar) sete vezes num período de 19 anos para que seus meses pudessem acompanhar os anos.
Muito importante de se ressaltar é que os meses tinham significados religiosos que marcavam importantes eventos em sua história. Consideravam sagrado o início de cada mês. Para eles, "a lua se levantará para a nação deles e o sol para o Messias" (Malaquias 4;2).
Assim como a lua reflete a luz do sol, era esperado que Israel refletisse a luz do Messias para o mundo. Essa é uma idéia que se aplica aos cristãos também. Podemos nos considerar "luas" que refletem a luz de Jesus para todos ao nosso redor.
Durante o período de 400 anos entre o fim do Velho Testamento e o início do Novo Testamento, alguns líderes tentaram fazer com que Israel mudasse seu calendário, que passou a ter doze meses de trinta dias cada, o último com cinco dias extras adicionados. Esse calendário era mais preciso, embora o antigo ainda continue a ser aceito por eles.
REFERÊNCIAS A DIAS ESPECIAIS
Os antigos judeus não se referiam às datas como fazemos hoje (por exemplo, 21 de agosto). Em vez disso, se queriam se referir a um dia especial contariam quando o evento relevante aconteceu , tal como o ano em que determinado rei começou a reinar. Essa é forma que freqüentemente encontramos no Velho Testamento. Os escritores do Novo testamento mantiveram essa prática. Algumas vezes também relacionavam os dias a algum evento do mundo romano (Lucas 1:5; João 12:1; Atos 18:12).
Somente mais tarde, quando a reforma do calendário de Júlio César começou a ser amplamente aceita, começaram a se referir aos dias de uma maneira mais universal.
FESTAS JUDAICAS
Deus é o inventor da celebração e da adoração. Logo não é motivo de surpresa que desejasse que seu povo aproveitasse as festas. De fato, os judeus celebravam sete festas e festivais cada ano. Esses feriados são marcas espirituais importantes no calendário dos judeus.
1. Páscoa e a Festa dos Pães Asmos. A Páscoa ocorre no 14º de Nisan e a Festa dos Pães Asmos ocorre durante a semana seguinte. O propóstio da combinação dessas festas é relembrar o livramento dos antigos hebreus do Egito (Êxodo 12:15).
2. Pentecostes (Festa das Semanas). Ocorre 50 dias após a Páscoa. É um tempo de alegria que originalmente marcou a colheita do trigo em Israel (Levítico 23:15-17).
3. Rosh Hashanah (Ano Novo Judaico). Ocorre no primeiro dia do mês Tishri. De acordo com os rabinos, este foi o dia em que Deus criou o mundo (mas a Bíblia não confirma isto).
4. Yom Kippur (Dia de Expiação). O décimo dia do mês Tishri não é para celebração, mas é solene e santo. A Bíblia dá regras complexas sobre o que os judeus poderiam fazer nesse dia (Levítico 16).
5. Succoth (Festa dos Tabernáculos). Dura uma semana, indo do 15º ao 22º dia de Tishri. É o tempo dos judeus se lembrarem do cuidado de Deus para com seu povo durante os quarenta anos no deserto (Levítico 23:39-43). Originalmente, também celebravam a colheita do outono.
6. Hanukkah (Festa da Dedicação). Esta celebração também dura uma semana, começando no 25º dia do mês Kislev. Não é mencionada no Velho Testamento porque celebra um evento ocorrido depois que o Velho Testamento foi escrito. Cerca de 150 anos antes de Cristo, os judeus conduzidos por Judas Macabeus foram vitoriosos sobre os sírios liderados por Antioco Epifânio. Hanukkah lembra aquela vitória.
7. Purim. No 14º e 15º dias do mês Adar, os judeus celebram o festival que se reporta ao livro de Ester. Lá lemos como Deus livrou os judeus da destruição quando Mordecai e Ester frustraram o plano de Hamã (Ester 9).
Esse conjunto de festas não deve ser o mesmo que celebramos, mas têm os mesmos propósitos dos nossos feriados religiosos - permitir às pessoas interromperem suas rotinas e lembrarem-se de Deus. Assim como festejamos a Páscoa, o Natal e outros dias especiais, renovamos nossa fé no Senhor de todos os tempos, passado, presente e futuro.
Assim como um relógio marca a passagem de minutos e horas, um calendário marca a passagem de unidades maiores de tempo - dias, semanas, meses, anos e mesmo séculos. Um calendário tem várias funções. Naturalmente é importante para manter controle dos eventos na história. Também regula as atividades humanas diárias tais como negócios, governo, agricultura e práticas religiosas. O calendário que usamos representa uma interação entre um conhecimento crescente do sistema solar e a tradição histórica e religiosa. Para os cristãos, o calendário pode nos lembrar da necessidade de "contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio" (Salmo 90:12).
Fonte: Ilúmina
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