quinta-feira, 13 de agosto de 2009

MINISTÉRIO NO ANTIGO TESTAMENTO - Por André Rodrigues






























Para que entremos de fato no assunto acima citado, entendemos que faz necessário o uso de algumas definições basilares, afim de que, nossa compreensão possa ser a contento.
A opinião de alguns dicionaristas cristãos e/ou seculares não divergem em relação a palavra MINISTÉRIO, por exemplo:

[Do lat. ministeriu.] S. m. Cargo, incumbência, mister, função, profissão, função de ministro; (Aurélio)
Mister, ofício, cargo, função, serviço; (Orlando Boyer)

[Do lat. ministerium. ]Ofício, cargo e função; (Claudionor Corrêa de Andrade)

 Mister, profissão, cargo; (DBG – Diversos autores)

Quanto a MINISTRO, as definições ao que parece tornam-se mais abrangentes, porém, mantendo o mesmo padrão de relação. Vejamos:

[Do lat. ministru, 'criado', 'servo', 'servidor'.] Aquele que executa os desígnios de outrem: medianeiro, intermediário, executor, auxiliar; (Aurélio)
Aquele que tem um cargo ou está incumbido de uma função; auxiliar, executor, membro de um ministério; chefe da legação de um país; sacerdote; (DBLP – Diversos autores)
Aquele que está incumbido de uma função; (Orlando Boyer)


Como podemos observar as expressões que definem tanto uma como a outra palavra, estão intimamente ligadas, sendo assim, a cada passo torna-se mais satisfatória a nossa assimilação ao assunto, entretanto, ainda há caminhos a percorrer.
Agora já penetrando propriamente dito, temos outras citações correlatas que irão nos dar sustentabilidade maior nesta obra. No dicionário Vine encontramos o verbo MINISTRAR derivado de SHÃRAT, que significa “ministrar, servir, oficiar”, esta palavra é termo comum no uso do hebraico antigo e moderno, em várias formas verbais e substantivais. O termo shãrat é encontrado pouco menos de 100 vezes no Antigo Testamento hebraico. A primeira vez que é usada na Bíblia hebraica acha-se na história de José quando ele se torna escravo de Potifar: “José achou graça a seus olhos e servia-o”. (Gn 39.4). Esta palavra deve diferir de ‘ÃBAD, de onde provêm o termo que alude o trabalho mais servil, ou seja, “escravo” ou “servo,” isto porque, shãrat é usada de forma mais direta a “serviço” feitos por trabalhadores domésticos régios, ou seja, que estavam de serviço a casa real, ao rei, (II Sm 13.17; I Rs 10.5), ainda dentro do contexto, porém, com uma idéia moderna de “funcionário público” o termo é usado em referência a funcionários da coorte e escravos reais (I Cr 27.1; 28.1; Et 1.10). Nas referências citadas é comum encontrar palavras como: servos, criados, copeiros, oficiais, eunucos. Além destes significados, shãrat é usado com termo especial para designar o serviço (ministério) na adoração (I Rs 19.21; Is 60.10).
Já o substantivo que também é descrito no Vine como SHÃRAT relaciona-se com o verbo e significa “ministro” ou “servo”, no sentido próprio da palavra, ou seja, servidor, assistente, ajudante, aquele que é digno de confiança, este substantivo é aplicado aos anjos como ministros de confiança de Jeová (Sl 103.21; 124.4).


CLASSIFICAÇÃO DOS MINISTROS

Percebemos que há grande variedade de atividades que se relacionam com Ministério no Antigo Testamento, porém, trataremos apenas de algumas, tais como: Pastor, Sacerdote, Levita, Profeta, Anjo, Juíz, Chefe;

PASTOR – De acordo com a Enciclopédia de Teologia e Filosofia de Champlim, Pastor pode ser alguém que cuida de ovelhas, literalmente. É possível encontrar referência do termo no singular RAAH, que pode significar “cuidar do rebanho”, “dar pasto”, em (Jr 17.16), segundo o escritor em nenhum outro lugar se encontra desta maneira, mas na forma plural, outras 17 vezes é descrita no Antigo Testamento e coincidentemente o livro do profeta Jeremias parece ser um “depósito”, de algumas destas referências: (Jr 2.8; 3.15; 10.21; 23.1,2).

SACERDOTE – KÕHEN, é o substantivo usado 741 vezes no Antigo Testamento e significa “sacerdote”, “sacerdócio”, este termo é comumente usado nos cinco primeiros livros, ou seja, na Lei, principalmente em Levítico, livro chamado de “Manual dos Sacerdotes” kõhen aparece 185 vezes. O termo é usado várias vezes como vimos, mas a sua aplicação inicial era diretamente aos sacerdotes pagãos: egípicios, filisteus, os sacerdotes de Dagom, os de Baal, os de Quemós e os sacerdotes de Baalins e de Aserá (Gn 41.50; 46.20; 47.26; I Sm 6.2; II Rs 10.19; Jr 48.7, II Cr 34.4,5). É conhecido que Deus estabeleceu o sacerdócio com Arão e seus filhos, Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar sobre a nação de Israel (Êx 28 – 29), entretanto, fora uma instituição OFICIAL, isto porque, há referência de sacerdotes tais como Melquisedeque (Gn 14.18) e dos sacerdotes midianitas (Êx 2.16; 3.1; 18.1). É provável que bem antes de estabelecimento oficial de sacerdócio judaico já havia manifestações correlatas a práticas de sacrifícios como se observa com os Patriarcas Noé, Abraão e Jó. Em ambos vemos princípios e práticas do desenvolvimento destas funções, por exemplo, Jó oferecia sacrifícios por seus filhos (Jó 1.5).
O verbo é KÃHAN, é usada 23 vezes no hebraico bíblico, derivando-se do termo substantivo kõhen e é traduzido por “atuar como sacerdote”, uma forte referência a este termo encontra-se em (Êx 28.1). Numa definição bastante atraente diz o autor: “Um sacerdote é ministro autorizado da deidade, que ministra no altar e em outros ritos cultuais, um “sacerdote”cumpre deveres sacrificiais, ritualistas e mediadores”. (Vine p.272)

LEVITA – Um Levita era como o próprio nome declara um descentente da tribo de Levi. A palavra Levi, deriva do heb., Associado. A definição de Claudionor é a seguinte: “Esta tribo foi escolhida por Deus para exercer o sacerdócio (Ml 2.4). Isto não significa, porém, que todo o levita fosse sacerdote. No entanto, todo sacerdote tinha de ser necessariamente um levita. Entre os filhos de Levi, o Senhor suscitou notáveis profetas como Jeremias, Ezequiel e Habacuque”.
A forma no verbo para designar cantar no hebraico é RÃNAN, que significa “cantar”, jubilar, bradar, chorar”, este ocorre cerca de 50 vezes no Antigo Testamento. SHÎR é também um verbo e por sua vez ocorre no Antigo Testamento 90 vezes, sendo um quarto deste percentual, encontra-se no Livro dos Salmos na forma de imperativo (Sl 96.1), este as vezes encontra-sem em harmonia com outro termo: ZÃMAR “cantar” (Sl 68.4,32). No substantivo, mantêm-se a expressão SHÎR que significa “cântico, canção” aparece cerca de 30 vezes nos títulos dos Salmos e em outras partes referindo-se ao canto alegre como por exemplo (Gn 31.27), referindo-se a canto triunfal em (Jz 5,12) e como aplicação a canto de adoração religiosa em (Ne 12.46).
Na forma que cabe a abordagem do assunto em pauta a mesma palavra, agora no particípio SHÎR significa “cantores” estes como ministros, levitas. Aparece por cerca de 33 vezes derivando “cantores levíticos”, nos livros de I e II Crônicas. Com referência a “cantoras” são ligeiramente mencionados em (II Sm 19.35; II Cr 35.25; Ec 2.8).
Já vimos que da tribo de Levi descendem os sacerdotes e os levitas, com isto Deus estabelece variadas funções para ambos. Deus chama os sacerdotes, em (Dt 33.8-10) aparece uma antiga descrição dessas tarefas a eles delegadas. Este texto refere-se à tribo de Levi, que havia revelado um zelo especial por Deus (Êx 32.26-29 conf.). Nesta realidade Deus convoca aos Levitas como ministros que fossem um exemplo e se tornassem líderes religiosos:

• Deveriam ensinar a Lei de Deus aos demais israelitas. Nisto se incluíam, não apenas instruções éticas mais amplas (Os 4.1-6), mas também decisões sobre casos difíceis de natureza ritual e legal (Dt 17.8-12).

• Cuidavam também, dos lugares sagrados e santuários, onde eram oferecidos incenso e sacrifícios em favor do povo.

• Outra responsabilidade era o Urim e o Tumim, o meio oficial de se lançar sortes, levando a uma resposta de Deus em forma de “sim” ou “não”. O Urim e o Tumim ficavam no peitoral do sacerdote, e eram usados por solicitação de pessoas ou do rei (I Sm23.9-12; 28.6). (Manual Bíblico – SBB, p. 185).

PROFETA – RO’EH - Este substantivo, traduzido por “vidente”, em português, indica a capacidade especial de se ver na dimensão espiritual e prever eventos futuros. O título sugere que o profeta não era enganado pela aparência das coisas, mas que as via conforme realmente eram — da perspectiva do próprio Deus. Como vidente, o profeta recebia sonhos, visões e revelações, da parte de Deus, que o capacitava a transmitir suas realidades ao povo. NABI’ - (a) Esta é a principal palavra hebraica para “profeta”, e ocorre 316 vezes no Antigo Testamento. NABI’IM é sua forma no plural. Embora a origem da palavra não seja clara, o significado do verbo hebraico “profetizar” é: “emitir palavras abundantemente da parte de Deus, por meio do Espírito de Deus” (Gesenius, Hebrew Lexicon). Sendo assim, o nabi’ era o porta-voz que emitia palavras sob o poder impulsionador do Espírito de Deus. Os profetas falavam, em lugar de Deus, ao povo do concerto, baseados naquilo que ouviam, viam e recebiam da parte dEle. (b) No Antigo Testamento, o profeta também era conhecido como “homem de Deus” (2Rs 4.21), “servo de Deus” (Is 20.3; Dn 6.20), homem que tem o Espírito de Deus sobre si ( Is 61.1-3), “atalaia” (Ez 3.17), e “mensageiro do Senhor” (Ag 1.13). Os profetas também interpretavam sonhos (por exemplo José, Daniel) e interpretavam a história — presente e futura — sob a perspectiva divina. O profeta não era simplesmente um líder religioso, mas alguém possuído pelo Espírito de Deus (Ez 37.1,4). Pelo fato do Espírito e a Palavra estarem nele, o profeta do Antigo Testamento possuía estas três características:

1 - Conhecimentos divinamente revelados - Ele recebia conhecimentos da parte de Deus no tocante às pessoas, aos eventos e à verdade redentora. O propósito primacial de tais conhecimentos era encorajar o povo a permanecer fiel a Deus e ao seu concerto. A característica distintiva da profecia, no Antigo Testamento, era tornar clara a vontade de Deus ao povo mediante a instrução, a correção e a advertência. O Senhor usava os profetas para pronunciarem o seu juízo antes de este ser desferido. Do solo da história sombria de Israel e de Judá, brotaram profecias específicas a respeito do Messias e do reino de Deus, bem como predições sobre os eventos mundiais que ainda estão por ocorrer.

2 - Poderes divinamente outorgados - Os profetas eram levados à esfera dos milagres à medida que recebiam a plenitude do Espírito de Deus. Através dos profetas, a vida e o poder divinos eram demonstrados de modo sobrenatural diante de um mundo que, doutra forma, se fecharia à dimensão divina.

3 - Estilo de vida característico - Os profetas, na sua maioria, abandonaram as atividades corriqueiras da vida a fim de viverem exclusivamente para Deus. Protestavam intensamente contra a idolatria, a imoralidade e iniquidades cometidas pelo povo, bem como a corrupção praticada pelos reis e sacerdotes. Suas atividades visavam mudanças santas e justas em Israel. Suas investidas eram sempre em favor do reino de Deus e de sua justiça. Lutavam pelo cumprimento da vontade divina, sem levar em conta os riscos pessoais. (BEP p.1001)

A Pequena Enciclopédia de Orlando Boyer traz ainda definições e referências bíblicas quanto aos termos: Falsos profetas e profetizas, vejamos:

• Falsos Profetas – Profetas impostores que se fazem passar por homens de Deus, mas não possuem autoridade divina (Dt 18.20; Is 9.15; Jr 14.13; Ez 13.3; Zedequias, I Rs 22.11; Jr 29.21)

• Profetisa – O feminino de profeta, mulher que tinha revelações proféticas e as declarava. (Êx 15.20; Jz 4.4; II Rs 22.14). Vine define profetisa de NEBÎÃH, este termo ocorre 6 vezes. A esposa de Isaías também é chamada de “profetisa” (Is 8.3). Este uso pode está relacionado com o significado “compangeiro e/ou seguidor de profeta”.

Vale ainda salientar que dentre os profetas haviam aqueles de ofício pagãos como por exemplo os de Baal e os de Aserá, que comem da mesa de Jezabel (I Rs 18.19), a palavra usada no hebraico é a mesma nabi’ significando “profeta” literalmente.

ANJO - A palavra “anjo” deriva-se do hebraico MAL’ÃK, e significa também “mensageiro”. Os anjos são mensageiros ou servidores celestiais de Deus, criados por Deus antes de existir a terra (Jó 38.4-7; Sl 148.2,5). O substantivo mal’lãk aparece 213 vezes no hebraico bíblico e grande maioria deste número ocorre nos livros históricos onde geralmente encontra-se a palavra “mensageiro”. Vine separa da seguinte forma: 31 vezes em Juízes, 20 em II Reis, 19 vezes em I Samuel e 18 em II Samuel. Esta palavra traz a alusão de alguém enviado a grande distância por outro indivíduo (Gn 32.3) ou por uma comunidade (Nm 21.21) com o intuito de comunicar uma mensagem. As vezes são chamados de filhos de Deus como em (Jó 1.6)

1 - A Bíblia fala em anjos bons e em anjos maus, embora ressalte que todos os anjos foram originalmente criados bons e santos (Gn 1.31). Tendo livre-arbítrio, numerosos anjos participaram da rebelião de Satanás (Ez 28.12-17) e abandonaram o seu estado original de graça como servos de Deus, e assim perderam o direito à sua posição celestial.

2 - A Bíblia fala numa vasta hoste de anjos bons (1Rs 22.19; Sl 68.17; 148.2; Dn 7.9-10), embora os nomes de apenas dois sejam registrados nas Escrituras: Miguel (Dn 12.1) e Gabriel (Dn 9.21). Segundo parece, os anjos estão divididos em diferentes categorias: Miguel é chamado de arcanjo (lit.: “anjo principal); há serafins (Is 6.2), querubins (Ez 10.1-3).
3 - Como seres espirituais, os anjos bons louvam a Deus, cumprem a sua vontade (Nm 22.22; Sl 103.20).

4- Os anjos executam numerosas atividades na terra, cumprindo ordens de Deus. Desempenharam uma elevada missão ao revelarem a lei de Deus a Moisés. Servem em prol do povo de Deus (Dn 3.25; 6.22), são portadores de mensagens de Deus (Zc 1.14-17), trazem respostas às orações (Dn 9.21-23), às vezes, ajudam a interpretar sonhos e visões proféticos (Dn 7.15-16), protegem os santos que temem a Deus e se afastam do mal (Sl 34.7; 91.11; Dn 6.22), castigam os inimigos de Deus ( II Rs 19.35).

JUÍZ - Aurélio dá uma seguinte definição: “Aquele que tem o poder de julgar”. É exatamente esta a ideia do termo hebraico SHÃPHAT, forma verbal que significa “julgar, livrar, dominar”, entretanto, não é somente usada para aludir a um ato de livramento, mas abrange a um processo por meio do qual a ordem e a lei são mantidas dentro de um grupo. Esta idéia encontra-se veementemente no conceito dos juízes de Israel (Jz 4.4). A atividade de juiz era judicial e constituía um tipo de governo em Israel. Vine define assim a situação de governo dos juízes de Israel antes de pedirem um rei : “O libertador Militar era o chefe de um exército voluntário conclamado quando havia ameaça de perigo. Nos dias de Samuel, este procedimento provou ser inadequado para Israel. Eles queriam um líder que organizasse e conduzisse um exército parado. Eles pediram a Samuel um rei como tinham as outras nações, um que fosse hábil e treinado na guerra, e cujo sucessor (o filho) também fosse treinado cuidadosamente. Como conseqüência, haveria mais continuidade na liderança”. Se observarmos literalmente não havia “problema” naquela decisão, porém, o foco se havia perdido. Queriam um rei como as outras nações, bem como, organizar através de pagamentos de impostos e recrutamento da nação sob a orientação de um regente (I Sm 8.6-18).

CHEFE – A palavra no Antigo Testamento hebraico referindo-se a chefe é SAR, e tem o significado correlato com “oficial, líder, comandante, capitão, chefe, príncipe, governante”. Ocorre cerca de 420 vezes no hebraico bíblico, não aplica-se a israelitas e sim a “funcionários ou representante do rei” a primeira ocorrência dar-se em (Gn 12.15). Pode expressar “homens que tem responsabilidades sobre outros”, no contexto profissional define-se como “líder” de uma atividade, grupo ou distrito (Gn 21.22; 37.36), neste contexto seria o “funcionário-mor” (Gn 40.2).
O plural da palavra SARÎM, significa “nobres” e aplica-se a líderes locais de Israel (Jz 8.6), traduzido aqui por príncipe.
Em diversas aparições do texto sar, se refere a tarefa de “governar”, como por exemplo, a ocasião de (Êx 2.14), que traduz-se aqui por “líder, governante e juiz”, como também em (Êx 18.21). O chefe do exército de Israel era chamado de sar (I Sm 17.55). Em si tratando de Chefe ou Principais, entre os levitas o termo é usado no plural SARÎM. Já no livro do profeta Daniel sar, traz a idéia de “seres sobre-humanos” e de “anjos protetores”.


CONCLUSÃO

Num trabalho como este o enriquecimento de informações somam com as colhidas em outros estudos. Que maravilha podermos ir, passo a passo, descobrindo as atribuições ministeriais e oficiais instituídas pelo próprio Deus ou às vezes não como podemos observar, mas que constam descritas na sua Palavra. Cada definição, cada aplicação, parece falar aos nossos ouvidos e, as profundidades do idioma nos levam por caminhos que parecem que ainda não tínhamos trilhado. Que maravilha! Que bênção!
Percebemos que o estudo afinco, detalhado, nos deixa sobremodo felizes, isto porque, a cada momento Ela, a Palavra nos mostra na prática que é uma fonte inesgotável. Contudo, as nossas limitações nos privam de irmos mais além daquilo que já temos em exposição. Entretanto, aprendemos que Ministério é muito mais daquilo que pensávamos, e isto mostra que valeu a pena os sacrifícios realizados para esta conclusão.

Por André Rodrigues


BIBLIOGRAFIA

CORRÊA DE ANDRADE, Claudionor; Dicionário Teológico, 16ª edição/2007, revista e ampliada. CPAD – RJ
BUARQUE DE HOLANDA FERREIRA, Aurélio, Dicionário de Verbetes, século XXI, versão eletrônica 3.0. Editora Nova Fronteira – 1999.
FERNADES, Francisco; PEDRO LUFT, Célso; MARQUES GUIMARÃES, F.; Dicionário Brasileiro Globo, 30° edição/1993, Editora Globo – SP
BOYER, Orlando; Pequena Enciclopédia Bíblica, revista e atualizada/2006, 2ª impressão, Editora Vida – SP
MANUAL BÍBLICO SBB; Tradução de Lailah de Noronha, Barueri – SP Sociedade Bíblica do Brasil/2008.
W. E., Vine; F. UNGER, Merril; WHITE JR., William; Dicionário Vine, 4ª edição/2004, CPAD – RJ
C. STAMPS, Donald; Bíblia de Estudo Pentecostal, revista e corrigida edição de 1995, CPAD – RJ 2002.
NORMAN CHAMPLIN, Russell; MARQUES BENTES, João; Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, vol. 2 D ----- G, 3ª edição/1995, Editora Candeia -SP

segunda-feira, 15 de junho de 2009

A APOSTASIA PESSOAL

Hb 3.12 “Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo”.

A apostasia (gr. apostasia) aparece duas vezes no NT como substantivo (At 21.21; 2Ts 2.3) e, aqui em Hb 3.12, como verbo (gr. aphistemi, traduzido “apartar”).
O termo grego é definido como decaída, deserção, rebelião, abandono, retirada ou afastar-se daquilo a que antes se estava ligado.

(1) Apostatar significa cortar o relacionamento salvífico com Cristo, ou apartar-se da união vital com Ele e da verdadeira fé nEle (ver o estudo FÉ E GRAÇA).
Sendo assim, a apostasia individual é possível somente para quem já experimentou a salvação, a regeneração e a renovação pelo Espírito Santo (cf. Lc 8.13; Hb
6.4,5); não é simples negação das doutrinas do NT pelos inconversos dentro da igreja visível. A apostasia pode envolver dois aspectos distintos, embora relacionados entre si: (a) a apostasia teológica, i.e., a rejeição de todos os ensinos originais de Cristo e dos apóstolos ou dalguns deles (1Tm 4.1; 2Tm 4.3); e (b) a apostasia moral, i.e., aquele que era crente deixa de permanecer em Cristo e volta a ser escravo do pecado e da imoralidade (Is 29.13; Mt 23.25-28; Rm 6.15-23; 8.6-13).

(2) A Bíblia adverte fortemente quanto à possibilidade da apostasia, visando tanto nos alertar do perigo fatal de abandonar nossa união com Cristo, como para nos motivar a perseverar na fé e na obediência. O propósito divino desses trechos bíblicos de advertência não deve ser enfraquecido pela idéia que afirma: “as
advertências sobre a apostasia são reais, mas a sua possibilidade, não”. Antes, devemos entender que essas advertências são como uma realidade possível durante
o nosso viver aqui, e devemos considerá-las um alerta, se quisermos alcançar a salvação final. Alguns dos muitos trechos do NT que contêm advertências são: Mt
24.4,5,11-13; Jo 15.1-6; At 11.21-23; 14.21,22; 1Co 15.1,2; Cl 1.21-23; 1Tm 4.1,16; 6.10-12; 2Tm 4.2-5; Hb 2.1-3; 3.6-8,12-14; 6.4-6; Tg 5.19,20; 2Pe 1.8-11; 1Jo 2.23-25.

(3) Exemplos da apostasia propriamente dita acham-se em Êx 32; 2Rs 17.7-23; Sl 106; Is 1.2-4; Jr 2.1-9; At 1.25; Gl 5.4; 1Tm 1.18-20; 2Pe 2.1,15,20-22; Jd 4,11-13;
(4) Os passos que levam à apostasia são:(a) O crente, por sua falta de fé, deixa de levar plenamente a sério as verdades, exortações, advertências, promessas e ensinos da Palavra de Deus (Mc 1.15; Lc 8.13; Jo 5.44,47; 8.46).
(b) Quando as realidades do mundo chegam a ser maiores do que as do reino celestial de Deus, o crente deixa paulatinamente de aproximar-se de Deus através
de Cristo (4.16; 7.19,25; 11.6).
(c) Por causa da aparência enganosa do pecado, a pessoa se torna cada vez mais tolerante do pecado na sua própria vida (1Co 6.9,10; Ef 5.5; Hb 3.13). Já não
ama a retidão nem odeia a iniqüidade (ver 1.9 nota).
(d) Por causa da dureza do seu coração (3.8,13) e da sua rejeição dos caminhos de Deus (v. 10), não faz caso da repetida voz e repreensão do Espírito Santo (Ef
4.30; 1Ts 5.19-22; Hb 3.7-11).
(e) O Espírito Santo se entristece (Ef 4.30; cf. Hb 3.7,8); seu fogo se extingue (1Ts 5.19) e seu templo é profanado ( 1Co 3.16). Finalmente, Ele afasta-se
daquele que antes era crente (Jz 16.20; Sl 51.11; Rm 8.13; 1Co 3.16,17; Hb 3.14).
(5) Se a apostasia continua sem refreio, o indivíduo pode, finalmente, chegar ao ponto em que não seja possível um recomeço. (a) Isto é, a pessoa que no passado
teve uma experiência de salvação com Cristo, mas que deliberada e continuamente endurece seu coração para não atender à voz do Espírito Santo (3.7-19), continua a pecar intencionalmente (10.26) e se recusa a arrepender-se e voltar para Deus, pode chegar a um ponto sem retorno em que não há mais possibilidade de arrependimento e de salvação (6.4-6; Dt 29.18-21 nota; 1 Sm 2.25 nota; Pv 29.1 nota). Há um limite para a paciência de Deus (ver 1 Sm 3.11-14; Mt 12.31,32; 2 Ts 2.9-11; Hb 10.26-29,31; 1 Jo 5.16). (b) Esse ponto de onde não há retorno, não se pode definir de antemão. Logo, a única salvaguarda contra o perigo de apostasia extrema está na admoestação do Espírito: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações ( 3.7,8,15; 4.7).
(6) É próprio salientar que, embora a apostasia seja um perigo para todos os que vão se desviando da fé (2.1-3) e que se apartam de Deus (6.6), ela não se consuma sem o constante e deliberado pecar contra a voz do Espírito Santo (ver Mt 12.31, nota sobre o pecado contra o Espírito Santo).
(7) Aqueles que, por terem um coração incrédulo, se afastam de Deus (3.12), podem pensar que ainda são verdadeiros crentes, mas sua indiferença para com as exigências de Cristo e do Espírito Santo e para com as advertências das Escrituras indicam o contrário. Uma vez que alguém pode enganar-se a si mesmo, Paulo exorta todos aqueles que afirmam ser salvos: "Examinai-vos a vós mesmos se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos" (ver 2 Co 13.5 nota).
(8) Quem, sinceramente, preocupa-se com sua condição espiritual e sente no seu coração o desejo de voltar-se arrependido para Deus, tem nisso uma clara evidência de que não cometeu a apostasia imperdoável. As Escrituras afirmam com clareza que Deus não quer que ninguém pereça (2 Pe 3.9; cf. Is 1.18,19; 55.6,7) e declaram que Deus receberá todos que já desfrutaram da graça salvadora, se arrependidos, voltarem a Ele (cf. Gl 5.4 com 4.19; 1 Co 5.1-5 com 2 Co 2.5-11; Lc 15.11-24; Rm 11.20-23; Tg 5.19,20; Ap 3.14-20; note o exemplo de Pedro, Mt 16.16; 26.74,75; Jo 21.15-22).

ARTIGO EXTRÍDO DA BEP

O VINHO NOS TEMPOS DO NOVO TESTAMENTO (1)


Lc 7.33,34 “Porque veio João Batista, que não comia pão nem bebia vinho, e dizeis: Tem demônio. Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizeis: Eis aí um homem comilão e bebedor de vinho, amigo dos publicanos e dos pecadores.”

VINHO: FERMENTADO OU NÃO FERMENTADO? Segue-se um exame da palavra bíblica mais comumente usada para vinho. A palavra grega para “vinho”, em Lc 7.33, é oinos. Oinos pode referir-se a dois tipos bem diferentes de suco de uva: (1) suco não fermentado, e (2) vinho fermentado ou embriagante. Esta definição apóia-se nos dados abaixo.

(1) A palavra grega oinos era usada pelos autores seculares e religiosos, antes da era cristã e nos tempos da igreja primitiva, em referência ao suco fresco da uva (ver Aristóteles, Metereologica, 387.b.9-13). (a) Anacreontes (c. de 500 a.C.) escreve: “Esprema a uva, deixe sair o vinho [oinos]” (Ode 5). (b) Nicandro (século II a.C.) escreve a respeito de espremer uvas e chama de oinos o suco daí produzido (Georgica, fragmento 86). (c) Papias (60-130 d.C.), um dos pais da igreja primitiva, menciona que quando as uvas são espremidas produzem “jarros de vinho [oinos]” (citado por Ireneu, Contra as Heresias, 5.33.3–4). (d) Uma carta em grego escrita em papiro (P. Oxy. 729; 137 d.C.), fala de “vinho [oinos] fresco, do tanque de espremer” (ver Moulton e Milligan, The Vocabulary of the Greek Testament, p. 10). (e) Ateneu (200 d.C.) fala de um “vinho [oinos] doce”, que “não deixa pesada a cabeça” (Ateneu, Banquete, 1.54). Noutro lugar, escreve a respeito de um homem que colhia uvas “acima e abaixo, pegando vinho [oinos] no campo” (1.54). Para considerações mais pormenorizadas sobre o uso de oinos pelos escritores antigos, ver Robert P. Teachout: “O Emprego da Palavra ‘Vinho’ no Antigo Testamento”. (Dissertação de Th.D. no Seminário Teológico de Dallas, 1979).

(2) Os eruditos judeus que traduziram o AT do hebraico para o grego c. de 200 a.C. empregaram a palavra oinos para traduzir várias palavras
hebraicas que significam vinho (ver o estudo VINHO NOS TEMPOS DO ANTIGO TESTAMENTO). Noutras palavras, os escritores do NT entendiam que oinos pode referir-se ao suco de uva, com ou sem fermentação.

(3) Quanto a literatura grega secular e religiosa, um exame de trechos do NT também revela que oinos pode significar vinho fermentado, ou não fermentado. Em Ef 5.18, o mandamento: “não vos embriagueis com vinho [oinos]” refere-se ao vinho alcoólico. Por outro lado, em Ap 19.15 Cristo é descrito pisando o lagar. O texto grego diz: “Ele pisa o lagar do vinho [oinos]”; o oinos que sai do lagar é suco de uva (ver Is 16.10 nota; Jr 48.32,33 nota). Em Ap 6.6, oinos refere-se às uvas da videira como uma safra que não deve ser destruída. Logo, para os crentes dos tempos do NT, “vinho” (oinos) era uma palavra genérica que podia ser usada para duas bebidas distintivamente diferentes, extraídas da uva: o vinho fermentado e o não fermentado.

(4) Finalmente, os escritores romanos antigos explicam com detalhes vários processos usados para tratar o suco de uva recém-espremido, especialmente as maneiras de Evitar sua fermentação. (a) Columela (Da Agricultura, 12.29), sabendo que o suco de uva não fermenta quando mantido frio (abaixo de 10 graus C.) e livre de oxigênio, escreve da seguinte maneira: “Para que o suco de uva sempre permaneça tão doce como quando produzido, siga estas instruções: Depois de aplicar a prensa às uvas, separe o mosto mais novo [i.e., suco fresco], coloque-o num vasilhame (amphora) novo, tampe-o bem e revista-o muito cuidadosamente com piche para não deixar a mínima gota de água entrar; em seguida, mergulhe-o numa cisterna ou tanque de água fria, e não deixe nenhuma parte da ânfora ficar acima da superfície. Tire a ânfora depois de quarenta dias. O suco permanecerá doce durante um ano” (ver também Columela: Agricultura e Árvores; Catão: Da Agricultura). O escritor romano Plínio (século I d.C.) escreve: “Tão logo tiram o mosto [suco de uva] do lagar, colocam-no em tonéis, deixam estes submersos na água até passar a primeira metade do inverno, quando o
tempo frio se instala” (Plínio, História Natural, 14.11.83). Este método deve ter funcionado bem na terra de Israel (ver Dt 8.7; 11.11,12; Sl 65.9-13).
(b) Outro método de impedir a fermentação das uvas é fervê-las e fazer um xarope. Historiadores antigos chamavam esse produto de “vinho” (oinos). O Cônego Farrar (Smith’s Bible Dictionary, p. 747) declara que “os vinhos assemelhavam-se mais a xarope; muitos deles não eram embriagantes”. Ainda, O Novo Dicionário da Bíblia , observa que “sempre havia meios de conservar doce o vinho durante o ano inteiro”.

O USO DO VINHO NA CEIA DO SENHOR. Jesus usou uma bebida fermentada ou não fermentada de uvas, ao instituir a Ceia do Senhor (Mt
26.26-29; Mc 14.22-25; Lc 22.17-20; 1Co 11.23-26)? Os dados abaixo levam à conclusão de que Jesus e seus discípulos beberam no dito ato suco
de uva não fermentado.

(1) Nem Lucas nem qualquer outro escritor bíblico emprega a palavra “vinho” (gr. oinos) no tocante à Ceia do Senhor. Os escritores dos três primeiros Evangelhos empregam a expressão “fruto da vide” (Mt 26.29; Mc 14.25; Lc 22.18). O vinho não fermentado é o único “fruto da vide” verdadeiramente natural, contendo aproximadamente 20% de açúcar e nenhum álcool. A fermentação destrói boa parte do açúcar e altera aquilo que a videira produz. O vinho fermentado não é produzido pela videira.

(2) Jesus instituiu a Ceia do Senhor quando Ele e seus discípulos estavam celebrando a Páscoa. A lei da Páscoa em Êx 12.14-20 proibia, durante a semana daquele evento, a presença de seor (Êx 12.15), palavra hebraica para fermento ou qualquer agente fermentador. Seor, no mundo antigo, era freqüentemente obtido da espuma espessa da superfície do vinho quando em fermentação. Além disso, todo o hametz (i.e., qualquer coisa fermentada) era proibido (Êx 12.19; 13.7). Deus dera essas leis porque a fermentação simbolizava a corrupção e o pecado (cf. Mt 16.6,12; 1Co 5.7,8). Jesus, o
Filho de Deus, cumpriu a lei em todas as suas exigências (Mt 5.17). Logo, teria cumprido a lei de Deus para a Páscoa, e não teria usado vinho fermentado.

(3) Um intenso debate perpassa os séculos entre os rabinos e estudiosos judaicos sobre a proibição ou não dos derivados fermentados da videira durante a Páscoa. Aqueles que sustentam uma interpretação mais rigorosa e literal das Escrituras hebraicas, especialmente Êx 13.7, declaram que nenhum vinho fermentado devia ser usado nessa ocasião.

(4) Certos documentos judaicos afirmam que o uso do vinho não fermentado na Páscoa era comum nos tempos do NT. Por exemplo: “Segundo os Evangelhos Sinóticos, parece que no entardecer da quinta-feira da última semana de vida aqui, Jesus entrou com seus discípulos em Jerusalém, para com eles comer a Páscoa na cidade santa; neste caso, o pão e o vinho do culto de Santa Ceia instituído naquela ocasião por Ele, como memorial, seria o pão asmo e o vinho não fermentado do culto Seder” (ver “Jesus”. The Jewish Encyclopaedia, edição de 1904. V.165).

(5) No AT, bebidas fermentadas nunca deviam ser usadas na casa de Deus, e um sacerdote não podia chegar-se a Deus em adoração se tomasse bebida embriagante (Lv 10.9 nota). Jesus Cristo foi o Sumo Sacerdote de Deus do novo concerto, e chegou-se a Deus em favor do seu povo (Hb 3.1; 5.1-10).

(6) O valor de um símbolo se determina pela sua capacidade de conceituar a realidade espiritual. Logo, assim como o pão representava o corpo puro de Cristo e tinha que ser pão asmo (i.e., sem a corrupção da fermentação), o fruto da vide, representando o sangue incorruptível de Cristo, seria melhor representado por suco de uva não fermentado (cf. 1Pe 1.18,19). Uma vez que as Escrituras declaram explicitamente que o corpo e sangue de Cristo não experimentaram corrupção (Sl 16.10; At 2.27; 13.37), esses dois elementos são corretamente simbolizados por aquilo que não é corrompido nem fermentado.

(7) Paulo determinou que os coríntios tirassem dentre eles o fermento espiritual, i.e., o agente fermentador “da maldade e da malícia”, porque Cristo é a
nossa Páscoa (1Co 5.6-8). Seria contraditório usar na Ceia do Senhor um símbolo da maldade, i.e., algo contendo levedura ou fermento, se
considerarmos os objetivos dessa ordenança do Senhor, bem como as exigências bíblicas para dela participarmos.

ARTIGO EXTRAÍDO DA BEP

sábado, 6 de junho de 2009

O VINHO NOS TEMPOS DO ANTIGO TESTAMENTO

Nm 6.3 “de vinho e de bebida forte se apartará; vinagre de vinho ou vinagre de bebida forte não beberá; nem beberá alguma beberagem de uvas; nem uvas frescas nem secas comerá.”

PALAVRAS HEBRAICAS PARA “VINHO”. De um modo geral, há duas palavras hebraicas traduzidas por “vinho” na Bíblia.

(1) A primeira palavra, a mais comum, é yayin, um termo genérico usado 141 vezes no AT para indicar vários tipos de vinho fermentado ou não-fermentado(ver Ne 5.18, que fala de “todo o vinho [yayin]” = todos os tipos). (a) Por um lado, yayin aplica-se a todos os tipos de suco de uva fermentado (Gn 9.20,21; 19.32-33; 1Sm 25.36,37; Pv 23.30,31). Os resultados trágicos de tomar vinho fermentado aparecem em vários rechos do AT, notadamente Pv 23.29-35 (ver a próxima seção). (b) Por outro lado, yayin também se usa com referência ao suco doce, não-fermentado, da uva. Pode referir-se ao suco fresco da uva espremida. Isaías profetiza: “já o pisador não pisará as uvas [yayin] nos lagares” (Is 16.10); semelhantemente, Jeremias diz: “fiz que o vinho [yayin] acabasse nos lagares; já não pisarão uvas com júbilo” (Jr 48.33). Jeremias até chama de yayin o suco ainda dentro da uva (Jr 40.10, 12). Outra evidência que yayin, às vezes, refere-se ao suco não-fermentado da uva temos em Lamentações, onde o autor descreve os nenês de colo clamando às mães, pedindo seu alimento normal de “trigo e vinho” (Lm 2.12). O fato do suco de uva não-fermentado poder ser chamado “vinho” tem o respaldo de vários eruditos. A Enciclopédia
Judaica (1901) declara: “O vinho fresco antes da fermentação era chamado yayin-mi-gat [vinho de tonel] (Sanh, 70a)”. Além disso, a Enciclopédia Judaica (1971) declara que o termo yayin era usado para designar o suco de uva em diferentes etapas, inclusive “o vinho recém-espremido antes da fermentação.” O Talmude Babilônico atribui ao rabino Hiyya uma declaração a respeito de “vinho [yayin] do lagar” (Baba Bathra, 97a). E em Halakot Gedalot consta: “Pode-se espremer um cacho de uvas, posto que o suco da uva é considerado vinho [yayin] em conexão com as leis do nazireado” (citado por Louis Ginzberg no Almanaque Judaico Americano, 1923). Para um exame de oinos, o termo equivalente no grego do NT, à palavra hebraica yayin.

(2) A outra palavra hebraica traduzida por “vinho” é tirosh, que significa “vinho novo” ou “vinho da vindima”. Tirosh ocorre 38 vezes no AT; nunca se refere à bebida fermentada, mas sempre ao produto não-fermentado da videira, tal como o suco ainda no cacho de uvas (Is 65.8), ou o suco doce de uvas recém-colhidas (Dt 11.14; Pv 3.10; Jl 2.24). Brown, Driver, Briggs (Léxico Hebraico-Inglês do Velho Testamento) declaram que tirosh significa “mosto, vinho fresco ou novo”. A Enciclopédia Judaica (1901) diz que tirosh inclui todos os tipos de sucos doces e mosto, mas não vinho fermentado”. Tirosh tem “bênção nele” (Is 65.8); o vinho fermentado, no entanto, “é escarnecedor” (Pv 20.1) e causa embriaguez (ver Pv 23.31 nota).

(3) Além dessas duas palavras para “vinho”, há outra palavra hebraica que ocorre 23 vezes no AT, e freqüentemente no mesmo contexto — shekar, geralmente traduzida por “bebida forte” (e.g., 1Sm 1.15; Nm 6.3). Certos estudiosos dizem que shekar, mais comumente, refere-se a bebida fermentada, talvez feita de suco de fruto de palmeira, de romã, de maçã, ou de tâmara. A Enciclopédia Judaica (1901) sugere que quando yayin se distingue de shekar, aquele era um tipo de bebida fermentada diluída em água, ao passo que esta não era diluída. Ocasionalmente, shekar pode referir-se a um suco doce, não-fermentado, que satisfaz (Robert P. Teachout: “O Uso de Vinho no Velho Testamento”, dissertação de doutorado em Teologia, Seminário Teológico
Dallas, 1979). Shekar relaciona-se com shakar, um verbo hebraico que pode significar “beber à vontade”, além de “embriagar”. Na maioria dos casos, saiba-se que quando yayin e shekar aparecem juntos, formam uma única figura de linguagem que se refere às bebidas embriagantes.

A POSIÇÃO DO ANTIGO TESTAMENTO SOBRE O VINHO FERMENTADO. Em vários lugares o AT condena o uso de yayin e shekar como bebidas fermentadas. (1) A Bíblia descreve os maus efeitos do vinho embriagante na história de Noé (Gn 9.20-27). Ele plantou uma vinha, fez a vindima, fez vinho embrigante de uva e bebeu. Isso o levou à embriaguez, à imodéstia, à indiscrição e à tragédia familiar em forma de uma maldição imposta sobre Canaã. Nos tempos de Abraão, o vinho embriagante contribuiu para o incesto que resultou em gravidez nas filhas de Ló (Gn 19.31-38). (2) Devido ao potencial das bebidas alcoólicas para corromper, Deus ordenou que todos os sacerdotes de Israel se abstivessem de vinho e doutras bebidas fermentadas, durante sua vida ministerial. Deus considerava a violação desse mandamento suficientemente grave para motivar a pena de morte para o sacerdote que a cometesse (Lv 10.9-11). (3) Deus também revelou a sua vontade a respeito do vinho e das bebidas fermentadas ao fazer da abstinência uma exigência para todos que fizessem voto de nazireado (ver a próxima seção). (4) Salomão, na sabedoria que Deus lhe deu, escreveu: “O vinho é escarnecedor, e a bebida forte, alvoroçadora; e todo aquele que neles errar nunca será sábio” (Pv 20.1 nota). As bebidas alcoólicas podem levar o usuário a zombar do padrão de justiça estabelecido por Deus e a perder o autocontrole no tocante ao pecado e à imoralidade. (5) Finalmente, a Bíblia declara de modo inequívoco que para evitar ais e pesares e, em lugar disso, fazer a vontade de Deus, os justos não devem admirar, nem desejar qualquer vinho fermentado que possa embriagar e viciar (ver Pv 23.29-35 notas).

OS NAZIREUS E O VINHO. O elevado nível de vida separada e dedicada a Deus, dos nazireus, devia servir como exemplo a todo israelita que quisesse assim fazer (ver Nm 6.2 nota). Deus deu aos nazireus instruções claras a respeito do uso do vinho. (1) Eles deviam abster-se “de vinho e de bebida forte” (6.3; ver Dt 14.26 nota); nem sequer lhes era permitido comer ou beber qualquer produto feito de uvas, quer em forma líquida, quer em forma sólida. O mais provável é que Deus tenha dado esse mandamento como salvaguarda ante a tentação de tomar bebidas inebriantes e ante a possibilidade de um nazireu beber vinho alcoólico por engano (6.3-4). Deus não queria que uma pessoa totalmente dedicada a Ele se deparasse com a possibilidade de embriaguez ou de viciar-se (cf. Lv 10.8-11; Pv 31.4,5). Daí, o padrão mais alto posto diante do povo de Deus, no tocante às bebidas alcoólicas, era a abstinência total  (6.3-4).

(2) Beber álcool leva, freqüentemente, a vários outros pecados (tais como a imoralidade sexual ou a criminalidade). Os nazireus não deviam comer nem beber
nada que tivesse origem na videira, a fim de ensinar-lhes que deviam evitar o pecado e tudo que se assemelhasse ao pecado, que leva a ele, ou que tenta a pessoa a cometê-lo. (3) O padrão divino para os narizeus, da total abstinência de vinho e de bebidas fermentadas, era rejeitado por muitos em Israel nos tempos de Amós. Esse profeta declarou que os ímpios “aos nazireus destes vinho a beber” (ver Am 2.12 nota). O profeta Isaías declara por sua vez: “o sacerdote e o profeta erram por causa da bebida forte; são absorvidos do vinho, desencaminham-se por causa da bebida forte, andam errados na visão e tropeçam no juízo. Porque todas as suas mesas estão cheias de vômitos e de imundícia; não há nenhum lugar limpo” (Is 28.7,8). Assim ocorreu, porque esses dirigentes recusaram o padrão da total abstinência estabelecido por Deus (ver Pv 31.4,5 nota). (4) A marca essencial do nazireado — i.e., sua total consagração a Deus e aos seus padrões mais elevados — é um dever do crente em Cristo (cf. Rm 12.1; 2Co 6.17; 7.1). A abstinência de tudo quanto possa
levar a pessoa ao pecado, estimular o desejo por coisas prejudiciais, abrir caminho à dependência de drogas ou do álcool, ou levar um irmão ou irmã a tropeçar, é tão necessário para o crente hoje quanto o era para o nazireu dos tempos do AT (ver 1Ts 5.6 nota; Tt 2.2 nota;).

ARTIGO EXTRAÍDO DA BEP

CÉSARES, VISÃO GERAL

O que está implícito num nome? Como governante de uma nação, seu nome pode significar poder, prestígio, riquezas e honra. Na Rússia, o nome do governante foi durante um tempo "Czar". Na Alemanha, era "Kaiser". Roma chamava seu governante de "Caesar", do nome de Júlio César (100-44 AC). Doze Césares reinaram durante o período do Novo Testamento, mas somente seis deles vieram da linhagem de Júlio. Dentre os nomes citados no Novo Testamento, César Augusto decretou o censo que trouxe José e Maria a Belém antes do nascimento de Jesus (Lucas 2:1) e Tibério César reinou durante o tempo de João Batista (Lucas 3:1). O livro de Atos menciona Nero (Atos 25:11-12, 21).

IMPERADORES DA LINHAGEM DE CÉSAR

JÚLIO CÉSAR (100-44 AC)

Júlio tinha poderes imperiais, mas nunca teve o título de imperador. Roma foi uma república (na realidade, uma aristocracia) por quase quinhentos anos. Seus cidadãos odiavam a idéia de um monarca e Júlio César declinou do cargo para ser politicamente correto. Mas reinou como um ditador numa república que foi morta na prática se não em princípio. Esperando em vão revivê-la e temendo as ambições do império de César, um grupo de republicanos conspirou seu assassinato. César foi morto em 15 de março (44 AC), quando entrava no Senado Romano. Embora a conspiração tenha sido bem sucedida, seu propósito fracassou. Na guerra civil que se seguiu, seu sobrinho-neto Otaviano saiu-se vencedor e em 31 AC se tornou o primeiro imperador romano.

AUGUSTO (63 AC-14 DC)
Reinou de 31AC a 14 DC. Augusto, título que significa "aquele que é exaltado", foi dado a Otaviano, sobrinho-neto de Júlio César, em 27 AC.

Otaviano não possuía o brilhantismo militar de seu tio-avô, mas tinha talento para acabar com a rivalidade e manter a paz, o que o povo imediatamente apoiou. Durante seu reinado, a cultura romana gozou de um período de ouro, especialmente na arquitetura e na literatura. Augusto fundou a Guarda Pretoriana, a guarda de honra particular do imperador formada por nove mil soldados. Originalmente com a função de assegurar a posição do imperador, mais tarde essa guarda se tornou tão influente que podia independentemente depor ou eleger um imperador sem a confirmação do Senado.
O título Augusto reflete o costume de adoração do imperador parcialmente iniciado no reinado de Júlio César, que se autodeclarava "o deus invencível" e "o pai dos patriarcas".

Quando assumiu o trono, Augusto se dedicou a reorganizar seu império. Por causa do caos em que prevalecia nas províncias, encarregou-se de reestruturar a política econômica e financeira. Embora citado somente uma vez no Novo Testamento, César Augusto é famoso pelo censo que decretou em todas as províncias antes do nascimento de Jesus (Lucas 2:1). Há poucas informações sobre aquele censo, mas Lucas relatou que o primeiro censo aconteceu quando Jesus nasceu. O segundo ocorreu no ano 6 DC e resultou num levante instigado por Judas da Galiléia (Atos 5:37).

TIBÉRIO (42 AC-37 DC; reinou de 14 a 37 DC).

Tibério Cláudio Nero se tornou enteado de Otaviano aos quatro anos, quando sua mãe, Lívia, se divorciou de seu pai para se casar com o futuro imperador. Tibério foi feito co-regente de Augusto no ano 13 DC e o sucedeu no ano seguinte. Quando se tornou imperador, mudou seu nome para Tibério César Augusto.

Tibério não teve uma vida fácil. Forçado por seu padrasto, fez um mau casamento. O Senado Romano sempre se opunha a ele. Retirou-se para a ilha de Capri e deixou em seu lugar Sejano, um prefeito romano, que secretamente intentou matá-lo. Descoberta a tempo a conspiração, Tibério mandou executá-lo. A despeito disso, seu reinado foi marcado por sabedoria, inteligência, prudência e comprometimento. Continuou a política de seu predecessor de lutar pela paz e segurança. No ano 26 DC, presumivelmente antes de se afastar do governo, indicou Pôncio Pilatos para governador da Judéia. Reportando-se diretamente ao imperador, Pilatos poderia ser imediatamente afastado de suas funções se notícias de distúrbios ou reclamações feitas pelos judeus chegassem ao conhecimento de Tibério. Conseqüentemente, Pilatos desejou agradar as autoridades judaicas durante o julgamento de Jesus. Os judeus acusavam Jesus de se proclamar rei, o que implicava numa rivalidade com o imperador. Quando Pilatos julgou Jesus inocente da acusação e intentou libertá-lo (João 18:33-38), os judeus insistiram que não poderia fazer aquilo e permanecer amigo de César (João 19:12). Se absolvesse Jesus, eles insinuavam, ele se arriscava a perder o apreço do imperador. Por causa dos crimes cometidos contra os judeus, Pilatos sabia que eles poderiam cumprir sua ameaça, resultando na sua demissão. Assim, rendendo-se ao comando deles, condenou Jesus à crucificação.

Tibério César é mencionado somente uma vez no Novo Testamento. O Evangelho de Lucas afirma que João Batista começou seu ministério no 15º ano do reinado de Tibério César, quando Pôncio Pilatos era governador da Judéia (Lucas 3:1).

Depois desses, Roma teve ainda diversos imperadores que se destacaram e influenciaram na expansão do Cristianismo de várias maneiras. Dentre eles:

Calígula (12-41 AC; reinou de 37-41 DC);
Cláudio (10 AC - 54 DC, reinou de 41-54 DC);
Nero (37-68 DC, reinou de 54-68 DC);
Galba (3 AC-69 DC, reinou de 68-69 DC);
Vespasiano (9-79 DC, reinou de 69-79 DC);
Tito (39-81 DC, reinou de 79-81 DC);
Domício (51-96 DC, reinou de 81-96 DC);
Trajano (53-117 DC, reinou de 98-117DC);
Dioclécio (245-313 DC, reinou de 284-305DC);
Constantino, o Grande (272 ou 273-337 DC, reinou de 306-337DC).

ARTIGO EXTRAÍDO DA ILÚMINA
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"Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chega a Deus". (Hb 7.24a).

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"Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça" (2Tm 3:16).